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Estórias na Caixa de Pandora

Bipolaridades

08:15: hora de vestir - não vou levar manga curta, levo esta de meia manga e uma malhinha por cima.

08:20: hora de calçar - hum, acho que hoje não chove, arrisco as sandálias.

08:40: já no escritório - tiro o casaquinho e resmungo que afinal podia ter vindo de manga curta.

09:30: a olhar para um sol radioso pela janela - devia mesmo ter vindo de manga curta, pelo menos vim de sandálias.

10:00: a olhar para um tom cinza esquisito pela janela - vou-me arrepender de ter vindo de sandálias. Pelo menos não vim de manga curta.

(to be continued)

 

Escapei por pouco

Ontem pensei dar um saltinho ao Lidl. Havia umas promoções interessantes que gostava de aproveitar. Lombos de salmão, polvo médio congelado, uma caixa com 8 cornetos de chocolate por 1,79€, embalagens de 1 kg de fruta congelada (framboesas ou frutos do bosque) que são ótimos para os batidos, enfim, itens típicos de uma dona de casa. 

Mas depois lembrei-me que era ontem o lançamento da coleção da Heidi Klum. E passou-me a vontade de ir ao Lidl comprar uma caixa de 8 cornetos de chocolate por 1,79€.

 

 

Últimas!!

 

 

Ainda antes de ir de férias fiquei de escrever sobre o livro que tinha lido em dois dias. Já se passaram quase dois meses e nos entretantos, já li outros dois. 

Durante a semana é difícil manter o ritmo de leitura. Mas ontem, fiz maratona e acabei o livro que uma amiga me emprestou. Eu ia sensivelmente a meio e sim, interessada no thriller. Mas o cansaço e a falta de tempo de qualidade para o deleite da leitura acaba por dar nisto: durante a semana nem lhe toco, vem o fim de semana, e devoro páginas atrás de páginas.

Agora o drama: que vou ler a seguir?! Só me apetece ler o que não tenho em casa! E ando numa de thrillers, nada a fazer. O mais parecido que tenho em casa, também me foi emprestado por uma amiga, e lá o tenho já há tempo demais à espera. Penso que é desta que vou pegar em Stieg Larsson

 

Eu disse que me ia meter em alhadas

Há dias falei da dieta paleo. Com uma certa ironia e paródia, falei dos extremismos (no geral) que vejo em alguns seguidores desta dieta. 

Indiquei que o conceito me despertou interesse e que sim, retiro algumas ideias, dadas as minhas necessidades resultantes de baixas tolerâncias alimentares, que me obrigam a variar bastante a alimentação diária, evitando o mais que posso alguns alimentos. 

Procuro mais ideias para pequenos almoços e lanches, visto que é nestas refeições que encontro mais dificuldades. Almoço e jantar essencialmente é peixe ou carne com legumes, eventualmente um arroz ou uma massa de vez em quando, mas sem abusos. 

Este fim de semana Gandhe comprou amêndoas cruas. Dourei-as na frigideira e ontem, armada em paleo, vim munida de oito, OITO amêndoas para o lanche da tarde. Como nunca sei a que horas saio e é frequente acontecer-me não ter tempo de fazer uma pausa para comer, e estar horas a fio apenas a água, lá vou recorrendo ao iogurte líquido para me aguentar a tarde toda. Portanto trazer amêndoas para reforçar o snack da tarde soou-me bem. Oito bem contadinhas, para não haver exageros.

Ora pois que cheguei ao fim do dia com o abdómen inchado, não me admiraria que alguma alminha achasse que eu estava em estado de graça. Depois vieram as cólicas. À noitinha, já me torcia com cólicas. O jantar, uma singela salada de atum, com tudo cozido e temperado com azeite, não me caiu lá muito bem. Sentia-me inchada, desconfortável. E eis que de repente liberta-se a bomba de gás, seguido de umas quantas idas às instalações sanitárias com um desarranjo intestinal digno de quem enfardou uma feijoada à transmontana. Foram oito inocentes amêndoas, naturais, apenas douradas numa frigideira, sem qualquer adição seja do que for. Só oito amêndoas torradas. E mais parece que enfardei a feijoada da Ponte Vasco da Gama.

Mais valia ter comido um pastel de nata. 

 

Oh Pandora, mas tens a certeza que foram das amêndoas?

Tenho. Até porque não posso abusar dos frutos secos precisamente por causa destas consequências. Já não comia frutos secos há... nem sei quando foi a última vez. E foram oito amêndoas. Dei-me ao ridículo de contar as amêndoas para não trazer muitas, sabendo que só paro na última.

 

Portanto, a dieta pode ser a da moda, como qualquer outra que já esteve na moda, que ainda vai estar. Pode haver vozes, muitas, que divulguem as maravilhas da dieta, os benefícios de saúde e emagrecimento. Mas, e sublinho o mas, o que num corpo funciona, no outro é rejeitado. A alimentação deve ser adequada às necessidades de cada um, ao organismo de cada um. Ser saudável não é só comer alimentos ditos saudáveis. É perceber também as consequências que a sua ingestão traz ao nosso corpo. 

 

Adeus Verão

Qual verão??

Mal o vi passar, mal o senti na pele. A sério que estamos a dizer-lhe adeus, quando eu mal lhe disse olá?

Semana passada dei comigo a ficar surpreendida por sair à rua perto das 20h45 e já estar escuro. As manhãs, para quem sai de casa antes das 8h30, já não dispensam um agasalho mais confortável e sair de pés ao léu é uma aventura no desconhecido. As noites já pedem uma mantinha nas pernas quando me sento no sofá ainda com pijama de calções.

Este ano o meu verão foi uma bosta. Fui dois míseros dias à praia, levei com vento nas trombas e areia em cada cm de pele. Nem os pézinhos fui molhar ao mar, quanto mais o resto.

Dois míseros dias que não souberam a nada e ainda por cima não foram lá muito bons para estar na praia.

Não tive mergulhos de mar, nem de piscina, não houve pele salgada a secar ao sol, nem pés na areia até cansar. Nem as caipirinhas de verão, a sensação de leveza que o calor e o sol me traz, a sensação de liberdade e bem estar, de mais e maior energia e vontade de conquistar o mundo (pronto, menos).

As tão desejadas férias demoraram eternidades a chegar, e toda eu era exaustão pura. Quando finalmente chegaram não me trouxeram paz, nem leveza, nem dias felizes, nem serviram para carregar baterias e sentir-me com energia para conquistar o mundo. As férias foram uma merda, e não se fala mais disso. 

Este verão foi um sopro, que mal senti e nada aproveitei. Não sei com que energia vou enfrentar o outono e inverno que se avizinham. Faltou-me tanto o sol e o sal na pele. Faltou-me o cabelo desgrenhado na sua rebeldia das ondas, faltou-me a leveza dos dias longos, faltou-me ser livre sem horários nem preocupações nem rotinas. Faltou-me ser feliz, como só se é feliz no verão e nas férias.

Aqui estou, numa pirraça pueril a negar o fim do verão, quando, para mim, nem sequer chegou a começar. 

 

Não fui ver os aviões, mas um passou-me por cima

Anos a magicar como fazer um pequeno home office na sala. Anos. Muitas ideias, um sem número de pesquisas, várias hipóteses que foram sendo descartadas, enfim.

Este ano começámos uma espécie de upgrade ao T2. Já trocámos o sofá, investimos num móvel por medida para o hall dos quartos, integrando sapateira e roupeiro para albergar casacos "a uso". Trocámos o exaustor da cozinha, que o que tínhamos já era do tempo da Maria Cachucha e exaustão de fumos e vapores? Ah ah ah. Já temos mais ou menos escolhidas as novas portas para o duche, aproveitamos e trocamos também a coluna do chuveiro. Ainda não foi, mas está para breve.

Só que o mini escritório era o que mais me andava aqui a ocupar a mente, a dar voltas e voltas ao miolo, a ir pesquisando mais e mais. E sabem aquela história de quando muito procuramos parece que nada serve e de repente, puf, aparece assim o que tanto queríamos? Pois foi o que aconteceu.

Na semana passada entrei no site do IKEA para ver as novidades, e eis que logo a abrir a página surge a secretária perfeita. Amor à primeira vista. E em promoção. O absurdo preço de 49,99€. Mostro-a ao Gandhe, que regra geral tem sempre gostos diferentes dos meus na decoração, e também ele gostou. Até quando era a promoção? 3 de setembro. Vamos lá? Bora. 

Portanto rumámos a Matosinhos, ao IKEA, em busca da secretária perfeita. Mas aquela loja é o demónio em forma de tentação e uma pessoa vai para gastar 50€ e gasta o dobro.

A ver, já que lá ia buscar a secretária, aproveitava para trazer alguns acessórios para o futuro mini home office: organizador de gavetas (que foi mesmo daqueles organizadores de talheres), uns arquivadores brancos para organizar papeladas e guardar na estante da sala, que é branca. E basicamente era esta a lista.

Só que não.

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Andávamos a ver a exposição, e naquelas minúsculas casas com tudo o que é preciso Gandhe vê aquela sapateira de parede. Ideal para o hall de entrada, já que temos o hábito japonês de mal entrar em casa tirar os sapatos e calçar os chinelos. Lá ficam os sapatos no hall e com esta pequena sapateira, tchanan, ficariam arrumadinhos. E caberá? O nosso hall é pequeno. Ah e tal, coiso, arriscámos. Perfeito. É que parece que foi feita à medida.

A passar nas cozinhas, saltou-nos à vista um tabuleiro de forno em inox, com grelha. E eu que andava mesmo a precisar de um tabuleiro de forno assim grande. Mais uma coisa para o carrinho. 

Já com tudo aviado dentro do carrinho, a vir para a caixa para pagar, eis que os meus olhinhos batem nesta estante de casa de banho.

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E eu com um cantinho tão jeitoso na casa de banho para a ter com os meus cremes e creminhos, champôs e condicionadores, mais caixas e caixinhas, tudo bonitinho, tudo arrumadinho. Lá veio a estante também.

E é isto. Uma pessoa vai comprar uma secretária e vem com um rol de coisas. Verdade, tudo útil, tudo coisas que vão dar um jeito do caraças para arrumação de pequenas coisas que, por muito minimalistas que tentemos ser, são itens do dia a dia, nada a fazer. 

Por ora a secretária ainda vai ficar por montar, mas já vou começar a fazer a verdadeira limpeza e seleção do que realmente vai passar para o mini home office. Ainda não vos apresentei a dita, pois não? É tão simples que dificilmente perceberão o meu entusiasmo, mas lá está, é perfeita para mim, para o que preciso, para o espaço que tenho e o ambiente que pretendo criar, e isso diz tudo.

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Próxima etapa, procurar a cadeira que tenho cá idealizada na mente.

E nesta visita ao santuário sueco do mobiliário e das ideias para a casa, acabámos também por escolher o móvel que nos faltava na sala para servir de bar. Mais uma vez, foi sem procurar nada em específico que nos apareceu "o tal". Não veio hoje porque não havia orçamento para o incluir nesta compra, e a cor que queremos também não há em stock. Vamos aguardar...

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E foi isto, em vez de ir ver os aviões, fui ao IKEA. Mas no regresso a casa, havia uma fila de trânsito demoníaca para entrar na Ponte da Arrábida. E porquê? Porque os senhores condutores iam em marcha lenta para ver os aviões. E a nós calhou-nos a "sorte" de estar em cima da ponte e passar um por cima, assim, em voo rasante. Oh que lindo. Nem por isso. 

 

Vou-me meter em alhadas

Hoje apetece-me dissertar sobre um fenómeno da moda (pois claro), a última coca-cola do deserto, a última bolacha do pacote, o milagre da eterna juventude... milénios de história e evolução da humanidade para agora a cura milagrosa de todas as maleitas estar (rufos de tambores)... no Paleolítico.

Dieta Paleo é moda, como tantas outras dietas tiveram o seu auge e estiveram na ribalta durante o seu tempo, assim como o Bailando já foi hit de verão e o Despacito um fenómeno de popularidade. Acredito que a dieta paleo estará para a alimentação atual como o Despacito para o verão 2017.

Adiante, não me compete discorrer exaustivamente sobre o assunto. Isto é tema que dá para uma tese de mestrado, doutoramento e especializações várias. 

Já ouvi falar deste tipo de alimentação há algum tempo e sim, confesso, ao início fiquei deslumbrada com tamanha lista de vantagens e saúde para dar e vender. Comentei com a minha nutricionista que me deu logo um safanão, explicou-me umas quantas coisas e lá se foi o deslumbramento pela anunciada 9ª maravilha do mundo.

Ainda assim, curiosa como sou, lá fui pesquisando e acompanhando o famoso grupo de Facebook, Paleo Descomplicado. E como em tudo neste mundo, há todo o tipo de seguidores. Dos mais descomplicados, aos mais radicais, dos mais sensatos aos mais extremistas. 

Se sigo a dieta paleo? Não.

Se tiro ideias? Muitas.

Se é para perder 10 kg em 3 meses? Não. É porque, não tendo eu qualquer intolerância alimentar, tenho baixa tolerância a uma série de alimentos, pelo que sou obrigada a variar bastante a alimentação, tendo cuidados especiais no consumo de determinadas proteínas (glúten), hidratos (lactose) e gorduras. Desde tenra idade que devido aos problemas do meu aparelho digestivo que a minha alimentação é muito à base de carnes magras e peixes, muitos legumes, tudo grelhado ou cozido. Maioritariamente. Se me perco por batatas fritas? Sim. Se as como? Oh sim. E um esparguete à bolonhesa?? Maravilha. E um risotto? Venha ele. Sei é que se abuso, sofro consequências. 

Porque me lembrei de abordar este tema, pondo-me a jeito para ser queimada qual bruxa herege?

Ontem, estava eu em amena cavaqueira com uma amiga, tão doida quanto eu, a comentarmos os extremismos de hoje em dia, as opiniões inflamatórias que são rastilho de pólvora seca, presenteando cada dia com uma nova polémica. Começámos pelo tema da amamentação, sobre o qual ela escreveu recentemente, e como concordamos no ponto em que o problema está nos extremistas radicais, fomos alargando a lista de temas polémicos onde o extremismo é flagrante. Das bimbólicas às musas do fit, das magras às gordas (sendo que nem sempre as fronteiras de tais conceitos estão assim tão definidas e claras), das Capazes às Maries Kondos desta vida, o que não falta são grupos temáticos com potencial para alimentar e fazer crescer estes monstrinhos radicais, com opiniões extremistas sobre qualquer merda que acham a verdade universal, tão importante como a descoberta do fogo, a invenção da roda e a cura para o cancro.

E eis que aqui a Pandora se lembra da alimentação paleo, de como acha absurdamente ridículo que no tal grupo apareçam os deslumbrados principiantes com dúvidas e questões, e partilhem as fotografias das suas primeiras compras paleo e perguntem, qual crianças de três anos, se podem ou não podem. E o que me vou rindo com certas incongruências, disparates e coisas que tais.

Então vejamos: dieta do paleolítico como o próprio nome indica, é uma dieta inspirada na era do paleolítico, onde a agricultura ainda nem existia. Os homens das cavernas comiam o que caçavam e colhiam. Os alicerces desta dieta estão, então, no consumo de proteína e gordura animal (proveniente da caça) e de frutos e vegetais que colhiam. 

Leite de vaca não pode. Mas pode leite de coco, ou de amêndoa, ou de... e eu a imaginar os australopitecos a ordenhar cocos à porta da caverna.

Amendoim não pode, porque é raíz. Mas manteiga de amendoim às colheradas pode. Imagino as australopitecas com as bimbys paleolíticas a transformar as raízes em manteiga.

Farinha de trigo não pode. Um cereal com milhares de anos não pode. Ah porque a farinha de trigo é processada e tem glúten, e os paleo não comem comidas processadas... ah mas espera, e farinha de coco ou de amêndoa ou de milho, já pode?? Não passou também por um processo de transformação do alimento do seu estado original para o estado em forma de farinha? Não tem glúten. Pronto. Os paleo são todos celíacos. Paz à sua alma.

Café também pode. A sério??? É que o café data do séc. IX (d.C.).

Então e arroz?? Ahhhh arroz não pode. Ah mas espera, o arroz já existe há milénios. No 3º milénio a.C. houve uma expansão do cultivo do arroz, sendo que bem antes disso havia arroz selvagem, que os homens primitivos colhiam para alimentação.

E batata? Ahhhhhhhhhhhh batata não pode. Mas pode batata doce. É a puta da lógica da batata. Estou a ver os australopitecos na época da sementeira da batata... doce. 

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Ah esperem, nesta altura já era o homo erectus e começava a revolução agrícola (ou seria a industrial, dos alimentos processados??). Paleo que é paleo só come o que caça e colhe nas prateleiras das mercearias de bairro e mercados biológicos.

 

Ah, como são belas as mentes radicais extremistas. Qualquer dia é ver um terrorista da dieta paleo a lançar farinha de trigo pelos ventiladores de um centro comercial, e contaminar os infiéis da fast food com glúten. Ou terroristas da amamentação a lançar biberões à multidão que vai aos saldos da Zara. Ou as bimbólicas a fazerem greve de fome à porta da Worten e do Continente.

 

Nota mental: quem não souber ler este texto com a ironia que lhe está subjacente, e não interpretar como paródia, há ali em cima, canto superior direito, um botãozinho com X. É clicar, sim?! Agradecida.