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Estórias na Caixa de Pandora

Rescaldo do fim de semana

No fim de semana limpei e arrumei, lavei roupa, estendi roupa, passei uma boa parte a ferro.

No fim de semana fiz uma caminhada pela cidade, acabei numa esplanada a aproveitar o que restava do sol, bebi um chocolate quente.

No fim de semana peguei no Labirinto de Espíritos, fui da página 500 à 779 de um fôlego, completamente submersa na leitura, completamente embrenhada no ritmo alucinante que a narrativa tomou no desenrolar da trama, no desvendar de uma série de mistérios.

No fim de semana assei bacalhau, deixei truta temperada para hoje, deliniei como seriam os jantares da próxima semana.

No fim de semana, graças ao Showbox, vi um episódio da última temporada de Mentes Criminosas, três episódios de Scorpion e o filme que aguardava há meses e ansiava por fevereiro para o ir ver ao cinema: 

 O fim de semana já lá vai, mas que o aproveitei o melhor que pude, ah isso aproveitei.

 

No arranque do fim de semana

As ideias começam a assentar, a ficha a cair, e a perspetiva do futuro, logo ali ao virar da esquina, a ganhar contornos mais definidos. Venham as mudanças e os novos desafios. 

Em jeito de terapia, andei a dar uma nova vista de olhos nos saldos online. Há que ocupar as vistinhas com outras coisas. Quase que comprei outro vestido e outra camisola de malha. Contive-me a tempo. Preciso mesmo mesmo mesmo? Ora bem, com o frio que tem estado, a verdade é que ainda nem usei todas as malhas que tenho. Mais uma para quê? E o vestido? Basicamente o mesmo pensamento. Depois lembrei-me que o que vou precisar muito em breve é de uns novos sapatos de dança. Ora, como costumo comprar online, o prazo de entrega é sempre 30 dias, mais coisa menos coisa. Vai daí, deixei-me de compras de roupa que na verdade não preciso, e decidi investir nos sapatinhos de dança, que os meus estão prontos para a reforma.

Havia dois modelos que eu estava indecisa. Calhou também ser época de saldos nos sapatos e estes dois modelos escapuliram-se. Menos mal, que eu também estava com algumas reticências neles. Nova pesquisa e eis que escolhi os meus próximos sapatos de Cinderela dançante.

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Agora é aguardar que cheguem e que fiquem maravilhosos nos meus mini pés.

Fim de semana à porta e eu quero "sopas e descanso". Há um lanche marcado com amigos, mas tirando isso, é refugiar-me no lar, doce lar, entre mantas e chás quentes, entre gatos e Gandhe, entre alguns afazeres domésticos e ronha no sofá, entre livro e séries... e vamos ver se há vontade para passar a ferro o monte de roupa que estendi há bocado e que, espero, entretanto seque. Com o frio que está ainda congela em vez de secar.

Bom fim de semana! Pode ser que ainda por aqui passe. Ou não. 

Pandora em introspeção

Hoje foi dia de aula de dança. E eu estava mesmo a precisar de desligar a cabeça das ansiedades e medos que hoje me assaltaram a alma. 

A dança é uma metáfora da vida. Aprende-se a identificar o ritmo da música, a marcar os passos seguindo os tempos, coordenar movimentos de pés, braços, corpo, aprender, repetir, repetir, repetir, evoluir, melhorar, repetir, treinar, até os movimentos saírem equilibrados, naturais, no compasso da música, numa simbiose harmoniosa.

Tudo na vida é assim, feito de passos, primeiro rudes, toscos, forçados, que se vão treinando, afinando, melhorando, aperfeiçoando, até se tornarem naturalmente harmoniosos, porque os dominamos e tornam-se parte de nós.

Não fui promovida. Não mudei de empresa, nem de local (físico) de trabalho. Pronto, vou mudar para a sala ao lado da que tenho tido lugar nos últimos três anos e pouco. Não vou mudar de direção (departamento). Vou mudar de equipa de trabalho, para uma outra área de intervenção, para a qual estão a apostar em mim, nas minhas aptidões e competências, como uma mais valia no plano de melhoria processual da equipa. É, sem sombra de dúvida, um reconhecimento pelo mérito do trabalho que tenho vindo a desenvolver noutra equipa, que atua mais na retaguarda. Vou passar para uma linha da frente, mais visível na empresa, o que por si só pode alimentar perspetivas de progressão de carreira, ainda que sejam humildes expetativas. 

Não é o desafio das novas funções e responsabilidades que vou assumir que me assusta. Pelo contrário, esse é o factor de motivação, que me dá garra para abraçar a oportunidade de crescimento e aprendizagem, de evolução. É sim a equipa para onde vou mudar. Quando se está numa equipa quase perfeita, onde todos estão entrosados e em sintonia, onde há uma natural empatia entre os elementos que proporciona um bom ambiente de trabalho, e que resultou em visíveis melhorias do trabalho desenvolvido nos últimos tempos, mudar para uma equipa que, já se conhece, ainda que indiretamente, pelas suas dificuldades de trabalho em equipa provocada por certos elementos, pelas dificuldades de uma chefia que não ajuda muito ao bom ambiente e funcionamento, bem, é assustador. 

Vou ao meu baú de vivências. Se o meu CV tem um histórico de experiências profissionais em diferentes empresas, áreas, é sinal que aprendi muito e passei por muito. Desenvolvi conhecimentos e competências, aprendi muita coisa que me era totalmente desconhecida, e cruzei-me com todo o tipo de pessoas e profissionais. Em alguns sítios por onde passei encontrei amigos que ainda hoje mantenho, para a vida, encontrei verdadeiras personagens dignas de um filme de terror psicológico. E apesar do muito mau que já passei, agradeço a experiência porque me deu ferramentas, me fez crescer e criar as minhas defesas, me amadureceu enquanto pessoa e profissional. As várias experiências profissionais, a grande maioria em situações precárias de contrato, deram-me a bagagem que hoje faz de mim a profissional que sou e que sei que sou. Sou metódica, sou perfeccionista (que tem tanto de bom como de mau, confesso), sou organizada, sou empenhada, só sei dar o meu melhor e sempre na perspetiva de melhorar mais e mais, de aprender, de evoluir. Mas também sou reservada. Primo pelo bom ambiente de trabalho, pelo trabalho em equipa, mas é para trabalhar, não para lamber botas a chefias ou para fazer amigos e andar em conversinhas de bar e corredor, para entrar em joguinhos de bastidores e intrigas de alcova.

Esta foi a grande carapaça que ganhei nos muitos anos que trabalhei a saltitar de empresa em empresa, das pequenas empresas familiares às grandes empresas nacionais. E é essa carapaça que vou vestir todas as manhãs para enfrentar uma nova equipa, que não me é assim tão desconhecida. Se já sei com o que conto, é prevenir-me. Focar-me em tudo o que vou ter de aprender, focar-me nas contribuições que poderei dar, focar-me nas novas responsabilidades e funções, acreditar que sou capaz, afinal já tive de aprender e ajustar-me a novas realidades antes, e consegui.

Se foi duro passar por anos de instabilidade e precariedade profissional, sim, foi, mas também me trouxe esta capacidade de aprender, adaptar-me, ajustar-me, arregaçar as mangas e enfrentar os desafios do desconhecido. De me dotar de uma capacidade multidisciplinar, de me focar na resolução de problemas e dificuldades, de acreditar e confiar mais em mim e nas minhas capacidades, de não ter medo de errar, porque só erra quem faz e é com o erro que se aprende e se melhora. 

Vou sair da zona de conforto onde tenho estado. Embora tenha passado por tudo isto quando ali cheguei, à empresa e àquela equipa, há pouco mais de três anos. Tive de aprender, adaptar-me, ultrapassar dificuldades, conquistar a confiança e o meu lugar na equipa. E consegui. Tanto consegui que agora é doloroso ter de os deixar, quando estávamos todos em sintonia, com a "máquina" bem engrenada a funcionar.

2016 trouxe-me a oportunidade de estabilidade profissional. Depois de anos e anos em trabalhos temporários, quando entrei naquela empresa, também foi ao abrigo do trabalho temporário, em 2016 veio o contrato pela empresa, com direito a seguro de saúde, a médico da empresa, com direito a ser reconhecida como colaboradora da empresa e não como a externa, a temporária. 

2017 traz-me um novo desafio profissional, que não deixa de ser uma aposta em mim, e repito, um reconhecimento pelo trabalho que tenho desempenhado. E por muito ansiosa e com aquele friozinho na barriga, acredito que vou ser capaz. Vai correr bem. Tenho as ferramentas necessárias para ser capaz de enfrentar este desafio. Confiar em mim. Repito, num murmúrio, a mim mesma. 

 

Escrevo este texto em jeito de introspeção. Escrevo de mim para mim. Para me acalmar. Para me lembrar que já passei por desafios vários e superei-os. Agradeço todo o percurso que tive, o que de mau e bom me aconteceu, porque contribuiu para ter esta bagagem comigo. E agora que tenho de sair da zona de conforto, é bom abrir o baú e recuperar as ferramentas que preciso para enfrentar um novo desafio.

 

Ah, 2017 começas a matar

Hoje foi-me proposto pela direção do departamento mudar de equipa de trabalho e de posto de trabalho. Necessitam urgentemente reforçar a equipa com alguém com as minhas competências linguísticas. Se o trabalho é mais desafiante do que o atual? Sim. Se vai mais ao encontro das minhas aptidões e competências? Sim. Mas, implica mudar de equipa de trabalho e de chefia direta, e aqui é que a porca torce o rabo. Estou tão bem integrada na minha atual equipa, que me está a custar digerir esta mudança. E a equipa para onde vou, bem, digamos que há lá uns elementos que mais vale a distância e a pouca confiança, porque é o que quero de pessoas falsas e interesseiras. E quanto à chefia, do que conheço e da fama que tem, creio que vou desembarcar num pequeno inferno.

Pronto. É isto. Nova oportunidade profissional dentro da empresa. A direção a apostar forte em mim. A minha atual equipa, chefe incluído, em choque por sair, eu em estado de nervos com o que me espera. só que vem aí um desafio muito interessante para mim, e vou agarrá-lo e dominá-lo, porque é assim que funciono: entrego-me e dedico-me. Há-de correr bem. Esperam-se tempos próximos mais atribulados, com muita coisa para aprender e dominar. 

As mudanças assustam-me. Mas também é desse medo do desconhecido que descubro uma força em mim que me faz dobrar o Cabo das Tormentas. 

Só preciso que agora passe este choque inesperado, para começar a pôr ideias em ordem, arregaçar mangas e enfrentar o touro de frente. 

Um mix de Pandora

Dia inteiro em formação. Até foi giro. Temas bem interessantes. Pena ser uma formação apenas de 8h, porque os conteúdos mereciam um maior desenvolvimento, acompanhado de exercícios práticos para explorar as competências recém adquiridas. Mas valeu por tudo aquilo em que se focou e já deu para ter uma nova perspetiva e desenvolver, um pouco, algumas competências. Saí com mais vontade de me meter na área de PLN (Programação Neuro Linguística). Área que descobri há uns quatro anos, volta e meia cruzo-me com conteúdos e fico com este bichinho. Quem sabe não volto aos estudos. Quem sabe...

Em compensação, o trabalho que ainda não consegui pôr em dia desde as mini férias (porra foram só 5 dias, pá) sofreu com mais um dia de ausência. Hoje chegou-me mais trabalho em cima da secretária e já estou a stressar com o acumular. Eu e as tarefas inacabadas não nos damos muito bem. 

Saí tarde hoje. Cansada, esfomeada e com o jantar por tratar, avisei a professora que não ia hoje à aula de cardio fitness. Onde está a Pandora lontra preguiçosa que não mexia um dedo que fosse para exercício? É que faltar agora significa um peso na consciência. A bem dizer é mais no rabo. A ajudar a este peso, a professora avisa que hoje ia mesmo trabalhar glúteos. Pontaria do catano. Paciência. Não me sentia em condições para ir, além disso tinha planeado um jantar que, se tivesse saído a horas, dava para adiantar antes da aula e o Gandhe acabava. Assim, não fui trabalhar glúteos, mas fiz uma receita nova, digna de pôr as fits da seita #eatcleanandhealthy a babar: hambúrgueres de peixe com aveia, acompanhados de rúcula. Ah pois é, aqui a menina anda num plano alimentar de recuperação dos estragos do mês de dezembro, e quero chegar à próxima consulta com a nutricionista com menos uns cms de rabo. Venha o peixinho e a rúcula. E aveia. E pepino. E chás. E muita água. 

E já que estou numa miscelânea de curiosidades sobre a minha persona que não interessam ao menino Jesus, mas pronto, eu escrevo sobre o que me apetecer, cumpre dizer que o meu dilema de ontem entre roxo ou vermelho nas unhas deu nisto:

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Eu avisei que o mais provável era acabar por escolher uma cor que nada tinha a ver com as que estavam pensadas.  

Dúvidas que me assolam a mente por alguns segundos

Blá blá blá alimentação saudável. Hashtags como #foodlover, #eatclean ou #healthyfood pululam por essas redes sociais afora. É a euforia. 

Alimentação saudável tenho eu desde que me lembro ser gaiata e passar a vida em hospitais por causa do refluxo gastroesofágico e das crises de fígado e vesícula. Comer muita fruta e legumes, carnes magras e peixe, grelhados e cozidos, pouca gordura, tem sido a minha sina desde tenra idade. Mas pronto, vale-me a febre do momento para procurar receitas diferentes e saudáveis para poder variar a alimentação. Só que ou muito me engano ou a malta do #eatcleanandhealthy só come ao pequeno almoço e nos lanches pré treino e pós treino. Almoços e jantares, hã?? O que é esta gente mega saudável come? Só encontro muitas dicas e ideias de panquecas, papas de aveia, snacks low carb e free sugar.

Agora almoço e jantar, comidinha do bem no prato, isso é raro encontrar. Eu sei que o pequeno almoço é a refeição mais importante do dia, mas não é a ÚNICA, certo? Até porque já toda a gente percebeu que passar fome e fazer longos períodos de jejum não faz bem nem emagrece.