Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estórias na Caixa de Pandora

Ondas de Calor

Ondas-de-Calor_2017.jpg

Sou fã da série Castle. Vi todas as temporadas, todos os episódios, e tive muita pena que a série tivesse acabado, até porque aquele final arranjado às trêss pancadas em cima do joelho deixou muito a desejar.

Gostos são gostos, por isso fico sem perceber como continuam com séries como Walking Dead (grande vómito), e o meu divertido e adorado Castle foi às urtigas. Gostos. 

Fiquei aos pulinhos quando soube que os livros que o Castle escreveu ao longo da série ganharam forma na vida real. Ondas de Calor foi o primeiro, miminho do Dia dos Namorados do Gandhe que, numa tentativa de ser romântico e fazer um trocadilho, escreveu na dedicatória que era para me aquecer as tardes de inverno no sofá. 

Sobre o livro, foi lido a um ritmo inconstante, ao sabor da minha disponibilidade e vontade, que já perceberam tem andado pelas ruas da amargura nos últimos tempos. Ainda assim, quando lhe pegava queria sempre mais. Tal como quando via os episódios. Era só mais um, a seguir ao outro, sempre que possível.

Não é uma obra prima do romance criminal ou do suspense. Não é. Mas para os fãs da série, é como estar a ler o guião de um dos episódios, adivinhando reações de personagens, as suas expressões, os diálogos, os olhares e sorrisos, a tensão e adrenalina, a forma de conduzir a investigação, os interrogatórios a testemunhas e suspeitos.

Como fã da série, sim, adorei o livro e sem dificuldade adivinhei a identidade do assassino. Não é assim tão previsível, mas eu papei a série toda, normal que já estivesse meia formatada para ler nas entrelinhas e subtilezas, pensar fora da caixa e ir mais além do apresentado como potencialmente óbvio.

Uma leitura ligeira, mas deveras interessante, porque me levou a recordar uma das minhas séries de eleição que, tristemente, perdi. 

 

Autocensura

Escrevi um longo post, literalmente a vomitar os dramas que me invadiram a vida e me derrubaram a paz nas últimas semanas. Escrevi num frenesim de quem quer expurgar as preocupações, as ansiedades e os medos. De quem quer, desesperadamente, voltar a ter controlo sobre a vida, acreditar que tudo vai correr bem e resolver-se. Que entre mortos e feridos, hei-de escapar. Que os planos e projetos que desenhámos no arranque do novo ano não estão, de todo, perdidos. Ainda que os tenhamos de reformular, refazer, redefinir, sim é possível lutar por eles. 

Mas está ali, guardado nos rascunhos, sem coragem de o publicar. Já desabafei inúmeras vezes sobre estórias dos meus dias, das minhas tristezas e preocupações, das minhas dores e angústias. Mas são as minhas estórias, se publiquei publicamente, foi sobre mim e foi decisão minha expor-me. Desta vez não sou a protagonista. Sou um dano colateral, e por isso está a custar publicar algo que envolve outras pessoas, ainda que sob anonimato, ainda que sem nomes, nem iniciais, nem nada que as possa identificar. E é absolutamente irónico eu ter esta espécie de respeito por quem não teve uma gotinha dele por mim (nós). Nem respeito, nem consideração nem merda nenhuma. 

A tensão tem aumentado. Começo a soltar faíscas, sabendo que não tarda o rastilho será aceso e vai explodir. Não consigo prever com exatidão os danos. As consequências. Mas vou fazendo uma ideia, daquilo que conheço dos principais intervenientes, daquilo que já senti na pele. E este ter de esperar e não poder fazer nada, este tentar precaver-me e salvaguardar-me antecipando as prováveis reações e consequências está a dar comigo em doida. 

Vai tudo correr bem. Acreditar e confiar. Eu quero, muito. Mas está difícil. 

Entretanto, sinto-me um pouco mais leve por ter exorcizado pela escrita o que me angustia. Mas por enquanto ficará ali, nos rascunhos, fechado a sete chaves, sem saber se alguma vez será publicado.

 

Já se acabou a isenção do IMI

Avaliacao.jpg

E depois de me sair um foda-se bem expressivo, ainda que pouco libertador, penso que se atualmente num T2 tenho de pagar aqueles valores, que valores teria de pagar se avançasse daqui a um ou dois anos para a compra de uma moradia. Safoda a moradia. 

Ah, mas uma moradia é mais... é mais, pois. Mais espaço para arrumar, limpar e acumular tralha, mais despesas e gastos, mais trabalho, mais impostos. Sonhamos com uma moradia com jardim, zona lounge com churrasqueira para umas belas churrascadas e tardes de puro deleite. Sim, a expetativa. A realidade é andar a cortar relva, limpar, arrumar, regar, varrer. 

Ainda me estou a tentar recuperar do susto que levei quando vi o valor do IMI para pagar. Mas que já serviu de um belo de balde de água fria aos sonhos/projetos para o futuro, já. E ando numa fase em que é notícia de merda atrás de notícia de merda. 

A sério, vai dar para respirar em breve, ou ainda vem aí mais merda?

 

Karma is a bitch, take 2

Na quinta abri a newsletter da Mango. Promoções primavera. Os botins pretos que tinha guardado na wishlist estavam em promoção. Bolas, uns botins pretos como eu procuro, em pele, por 29,99€ não pensei duas vezes. Safoda, encomenda feita, pagamento feito. Aguardava mail para os ir levantar à loja. Pois que no dia seguinte recebo um mail, sim, mas de aviso de reembolso feito. WTF??? A porra dos botins no tamanho 35 ficaram indisponíveis. É a primeira vez que tal acontece com encomendas online na Mango, e confesso que sou cliente habitual. Mas pronto, uma falha na gestão de stocks, mas o reembolso foi de imediato feito, menos mal.

Fiquei foi sem saber se havia de rir, chorar, dizer palavrões... ou chorar a rir enquanto proferia impropérios.

O karma não quer mesmo que eu gaste dinheiro. Está visto. Resta saber se a mensagem que me recuso a ler na subtileza das entrelinhas é que eu não posso gastar dinheiro comigo porque me espera uma bomba relógio nas mãos que me pode pôr a gastar (muito) dinheiro por causa da falta de responsabilidade de outras pessoas. Lá diz o Zé Povinho que quem se fode é o mexilhão. 

 

Pandora Kahlo

Se há coisa em que sou muito comichosa é com pêlos. Odeio pêlos. Onde pude, já fiz laser e já me livrei da grande maioria. Mas as sobrancelhas são aquele calcanhar de Aquiles, não encontrei sítio que as faça a laser, o motivo é óbvio: segurança. Então resta-me a pinça, esse fabuloso instrumento de tortura chinesa.

Problema n.º 1: odeio pêlos, logo ando sempre de pinça na mão a tirar os sacaninhas que aparecem fora das sobrancelhas delineadas.

Problema n.º 2: volta e meia lá vou fazer as sobrancelhas à esteticista, para ficarem bem feitinhas, mas como ando sempre a arrancar pelitos que vão nascendo, a coisa controla-se até certo ponto.

Problema n.º 3: perco o controlo quando os pelos começam a aparecer desenfreadamente, que eu sou moçoila de sobrancelhas fartas, e já não consigo arrancar só um pelito ou outro. Não, eu armo-me de pinça em riste e vá de desbastar.

Problema n.º4: por norma, o meu frenético desbastar dá merda, ou para ser mais explícita, é normal acabar com as sobrancelhas diferentes. 

Solução: deixar crescer as sobrancelhas até ir novamente à esteticista acertar tudo bem direitinho.

Portanto agora ando aqui com uma espécie de sobrancelhas à Khalo, Frida Khalo. Adoro! (not really)

 

Luz ao fundo do túnel

Hoje até me sinto uma pessoa normal, ou de volta à normalidade da minha vida.

Saí a horas. Cheguei a casa, temperei umas pernas de frango, deixei no forno enquanto fui à minha aula de cardio fitness. Regressei da aula, Gandhe tinha posto o olho ao assado e acabado o jantar. Jantámos. Arrumámos cozinha, tratei dos gatos, liguei o computador e fui aproveitar as promoções de primavera da Mango (botins pretos a caminho). Agora estou aqui a aproveitar esta sensação de calmaria antes de ir tomar um bom banho, vestir o pijama e quem sabe, pegar no livro e avançar umas páginas. 

Tão simples quanto isto. Sentir que tenho tempo para tudo: trabalho, coisas de casa, para mim, para os meus. Sentir-me relaxada, sem aquele constante sobressalto, com a cabeça a mil a pensar em tudo o que tenho em cima da secretária para dar resposta. Sem culpas de não ter feito mais, sem medos por não ter feito melhor, sem frustração por não conseguir fazer tudo. Que seja o primeiro dia deste regresso à normalidade. Porque é deste equilíbrio que preciso. Desta sensação de poder respirar fundo. 

Parece simples, não é?

 

Pandora, a sebastianista!

Longe de associar o epíteto do título ao messianismo. É mais esta a alegoria: Pandora, a desaparecida em combate que regressa num fim de dia nublado, a adivinhar chuva. Tempestade da grossa. 

Sim, estou viva. Ninguém diria. Eu bem que podia ser contratada para o elenco de Walking Dead, o que eles poupavam em caraterização. As olheiras assustam, a pele anda pálida, nem o BB Cream com umas pinceladas de pó bronzeador disfarçam a palidez da minha figura. Mas pronto, como fui pintar o cabelo no sábado e mantenho o vermelhão, a pele deve achar que ruiva à séria é cara pálida. Num todo, sou uma figura esquálida. O que significa que estou magra. Acabadinho de confirmar na consulta com a nutricionista. Nem tudo pode ser mau.

Ontem bati recorde. Saí do trabalho passava das 20h. Hoje cheguei primeiro que a chefe e ela perguntou se eu lá tinha dormido. As coisas feias que me passaram pela mente enquanto esboçava um sorrisinho amarelo. Pálido, claro está.

Tento inspirar e respirar. Acima de tudo luto para não pirar de vez. Já faltou mais.

Muito trabalho. Stress. Ansiedade. Muito trabalho. Stress. Ca nervos. Muito trabalho.

Sem energia para nada. Nada mesmo. Sinto-me tão derreada que não tenho vontade do que quer que seja. Sinto-me a falhar com tudo e todos. Sem cabeça para as banalidades do dia a dia de uma adulta, como preparar refeições, sem disposição para pequenos prazeres como ler ou escrever no blog. Tão mas tão esgotada que uma amiga enviou-me um email há duas semanas e como não é nada normal eu não responder "rápido", ela mandou-me sms a perguntar se eu estava bem, se tinha recebido o email, se estava chateada com ela. Céus, senti um soco no estômago por falhar com quem tanto gosto. 

Hoje saí da consulta da nutricionista e olhei para o relógio. Uma hora para o início da aula de dança. Queria ir, mas não sentia forças. Os olhos ardem, a cabeça mói, o corpo quebra. Conduzi até casa. Quero um banho quente e dormir. Mas dormir à séria. Não o dormir inquieto que tenho tido nas últimas semanas.

Frustrada. Ando completamente frustrada. E revoltada também. Tanta luta, trabalho, sacrifício, e cai-me à porta de casa uma bomba relógio que estamos a segurar, com todo o cuidado, até ser o "momento" de a fazer explodir. E vai ser uma grande merda. E vai sobrar para nós, que não temos nada a ver com o assunto. E não consigo prever a dimensão dos estragos. E é fodido ser uma espécie de papel higiénico que serve para limpar a grande cagada que os outros fazem. Já dizia uma antiga colega minha: família, só a sagrada e mesmo essa é presa à parede com um prego. 

O meu desejo mais profundo neste momento era naufragar numa ilha deserta. Longe de tudo e de todos. Cansada, farta de gente egoísta, irresponsável, sem noção da porcaria que faz e completamente nas tintas para os estragos que provoca na vida de quem está no seu canto, a lutar dia a dia pela sua vida e futuro. Uma merda. 

Portanto, de messias que carrega a esperança nada tenho. E vou desaparecer novamente em combate, que isto anda tão negro, mas tão negro, que mais vale remeter-me ao silêncio e solidão. Não há força nem sarcasmo que ajude a suportar tanta coisa... que ainda mal começou. É caso para dizer que a procissão ainda nem chegou ao adro. Imagino quando chegar... Ou não quero imaginar, porque só me passam cenários dantescos pela cabeça.

Era ter um botão OFF, fazer um reset. Sem direito a backup.