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Estórias na Caixa de Pandora

Tema da atualidade: praxes!

De vez em quando surge assim um destes temas polémicos, que divide opiniões, incendeia acesas discussões. Alguns desses temas são rotativos. Já foram debatidos, caem no esquecimento, até acontecer alguma coisa que ressuscita a discussão e a polémica.

Praxes.

Não gosto, nunca gostei, não concordo. Pouco fui praxada. Não praxei.

Para mim a praxe não é integração é HUMILHAÇÃO. A mais simples praxe que é logo tratar os caloiros por burros é humilhação. A partir daí é sempre a descer, até, muitas vezes, os limites da integridade moral e física serem seriamente comprometidos, ultrapassados e violados.

Pode-se dizer não às praxes. Pode. Mas aqui também entendo que esta suposta liberdade é utópica. Imaginem miúdos de 17 ou 18 anos, longe de casa, numa cidade desconhecida, sozinhos. É-lhes vendida a ideia da praxe como integração. E o medo de não serem "integrados" e não pertenceram ao grupo universitário, serem excluídos da proclamada vida (qual El Dorado) académica, deve realmente ser aterradora para muitos. Depois já é tradição, já faz parte. É academicamente aceite: quando os veteranos vão bater às portas das salas de aula a chamarem os caloiros para as praxes, e os professores DEIXAM, isso é aceitar e participar nesta "brincadeira", ser conivente, ou em termos criminais, cúmplice. É socialmente aceite: os caloiros andam pelas ruas das cidades a ser praxados e o povo acha piada, porque vão ali os (futuros) Drs. de capa negra - tão lindos - a receberem os colegas novos. Ah ah ah (e sim, ouço comentários destes pela rua quando passam os Drs. com os caloiros todos pintados, literalmente cagados, com cânticos ridículos, muitas das vezes obscenos e ofensivos, entre outras coisas).

Depois acontece uma tragédia. E as praxes são o horror. O bode expiatório para um monte de abusos que, sabe Deus porquê, não são punidos por lei.

Sou contra as praxes. Ponto. Sempre fui. E tive a minha vida académica, e fiz amigos, e fiz o curso, e passei bem sem praxes. Como quero que respeitem a minha opinião e posição, respeito quem adora as praxes, vive para isso, com quase 40 anos ainda anda na Universidade, com um rol de matrículas, devem ter mais anos de casa que o próprio reitor, e os súbditos que se subjugam, de livre e espontânea vontade, a estes rituais medievais, ou até mesmo primitivos. 

O que aconteceu no Meco foi um ACIDENTE TRÁGICO. Assim como seria um acidente trágico se os 6 jovens estivessem a regressar de um noite bem bebida e tivessem um acidente de carro. Estavam a desafiar os limites, correu mal. Como correm mal tantas outras brincadeiras e desafios dos limites do que será o bom senso.

Crime é o espacamento de caloiros, a violação de caloiras, entre outras coisas que, na maioria das vezes, são abafadas pelas vítimas, pelos agressores, pela Instituição, pela própria sociedade que come a treta da praxe de integração.

Acredito que os pais e famílias das vítimas queiram saber o que aconteceu. É importante para o seu luto. Mas, sociedade, a sério, debatam o tema das praxes, mas não creio que o que aconteceu no Meco tenha sido uma praxe criminosa. Não me parece que estivesse alguém lá coagido, obrigado. Foram de livre e espontânea vontade, se os ditos rituais são tradição já conhecida na Instituição, então já sabiam ao que iam. Lamentavelmente correu mal. Muito mal. Eles pagaram com a vida, as famílias com um sofrimento atroz. 

 

Dramas de uma dona de casa

Ponho roupa a lavar. Faz sol. Estendo no terraço. Minutos depois, começa a chover.

#$&#@

Apanho roupa e levo para a garagem. Lavo, à noite, outra máquina de roupa, até porque trouxe os pijamas da sogra para lavar, estendo-a na garagem, já que continua a chover.

De manhã, estou eu a chegar ao trabalho: sol. Que pariu. 

Com a sorte que tenho, à hora de almoço vou andar de bofes na boca a mudar a roupa da garagem para o terraço e chove de tarde.

 

No divã de Freud

Namoro/vivo com Édipo e a minha sogra é Jocasta.

Que pariu. Só isso explica este domínio da senhora minha sogra sobre o seu filho, e a cegueira dele pela mãe.

E eu no meio desta cambada. Noutra vida aqueles dois foram um casal, a sério. E eu devo ter sido a amante, ou uma coisa assim do género. Agora inverteram-se os papéis, mas não os sentimentos. 

 

E ela ainda está internada. Que será quando vier para casa, sei lá eu com que recomendações. Help me, God!!!

 

 

Ora que isto tem sido sem tréguas

Arrastei-me durante a semana, ansiosa pelo fim de semana. Entusiasmei-me com o sol de inverno que se fez sentir e desde ontem que a ansiedade pelo fim-de-semana cresceu, e com ela algumas ideias para aproveitar um fim de semana calminho a dois, já com bem-estar, sem maleitas, e tréguas do mau tempo.

Puro engano.

Confirmou-se internamento da sogra que, a esta hora ainda não temos certeza, mas quase, se estenderá pelo fim-de-semana.

Agora é ir a casa dela tratar dos gatos, o que faço com todo o gosto, é ir para o Hospital, é aguardar por resultados de exames e, esperemos, notícias que não assustem. 

Já vinha uma bonança para estes lados, não?!

 

Ainda um pouco desconfortável, mas muito emocionada

Acabo de mudar de espaço, forçada a abandonar o meu anterior cantinho que me é tão especial, tão querido, tão meu. Por segurança optei, por enquanto, por nada trazer do anterior.  Apenas os amigos. E o meu profundo e sentido obrigada por me virem visitar neste novo espaço e me fazerem sentir um pouco mais em casa não estranha, não vazia.

 

Confesso que ainda tenho momentos em que penso continuar lá. A escrever onde escrevo nos últimos anos, quando me aventurei nesta coisa da blogosfera. Onde deixei tanto da minha alma, dos meus dias, dos meus sorrisos, alegrias, mágoas, neuras, futilidades, pensamentos, emoções, partilhas. Onde aprendi com quem me lia e partilhava um pouco de si. Confesso que não consegui, ainda, fechar de vez a porta à chave e deitar a chave fora. Confesso que penso que devia continuar a escrever lá, para provar que estou de consciência tranquila e não retiro nada do que escrevi, porque sei bem o que escrevi e com que significado o escrevi. Não fui eu que deturpei e deformei o significado do texto. Mas, a ideia de desaparecer do campo de visão destas pessoas é mais forte. E como não bastou o afastamento físico, o corte radical de relações, como as mesmas parece que se interessam muito pela minha vida, pelo que digo e escrevo e penso e sinto e vivo, apesar de encherem a boca para difamar as minhas "baboseiras", denunciam-se a si próprios quando demonstram a vigilância ao meu espaço. Apetece-me escrever-lhes tanta coisa. Responder-lhes à letra. Seria dar-lhes importância. Seria dar-lhes mais material para deturparem como bem entendessem. E a única coisa que quero é distância. NÃO QUERO QUE SAIBAM NADA DE MIM. Onde fui, o que comi, se comprei um vestido ou umas cuecas, se estou doente ou de saúde, se tenho trabalho ou passo por outro desemprego, o que penso sobre determinado assunto. Nada. Quero evaporar do campo de visão dessa gentalha. E para isso tenho de mudar de casa. Ou privatizar a outra.

Lamento que o assunto ainda seja este. Estou ainda a digerir isto. Esta mudança. Custa-me, a sério. Já não sou a (...), passo a ser Pandora. E saio da minha querida casa deixando tudo para trás, ou quase. Não gosto destas mudanças. Ainda mais quando são forçadas e repentinas.

 

Respiro fundo e acomodo-me neste novo espaço. O meu novo espaço. A cada dia que passar será um pouco mais meu e há-de entranhar-se na minha pele como o outro se entranhou. 

 

Algo muito bom do meu dia hoje: almoçar com uma amiga. Aproveitar a horinha de almoço para estar em boa companhia, trocar dois dedos de conversa (da boa, com bons assuntos) ilumina qualquer alma. O sol de inverno também ajuda às boas energias. Pena que a noite tenha trazido uma preocupação: sogra está no hospital. Ainda não se sabe o que se passa, fez uma panóplia de exames e ficou lá para fazer mais. Esperemos que amanhã seja melhor e hajam boas notícias, para variar um bocadinho.

 

 

 

A inocência perdida

Estive a responder a alguns mails de amigos da blogosfera que consegui avisar e que já estão aqui, na minha nova casa, comigo.

OBRIGADA!!!

 

Numa das respostas, acabei de escrever isto, e achei que devia partilhar com todos: 

Aprendemos com os erros. Este novo blog, que mudou de casa, de nome, de perfil, mas cuja essência se manterá porque não deixei de ser quem sou, definitivamente não vai ser dado a conhecer a estes amigos da vida real. Quando uma coisa destas nos acontece, parte da nossa inocência, ingenuidade quase pueril de quem acredita na bondade natural das pessoas, perde-se algures. 

 

Não andava muito inspirada para escrever, as publicações eram espaçadas no tempo. Como leitora também tenho andado ausente. Com esta pancada que agora apanhei, sinto um bloqueio enorme. Medo mesmo de escrever o que quer que seja. Uma simples citação que eu goste e partilhe pode ser alimento para mais um ataque ofensivo de pura estupidez. Não me presto a esse papel. 

Agora é este sentimento de constante sobressalto, de escrever e olhar por cima do ombro. Preciso de algum tempo para isto serenar. Se diluir no tempo. E voltar a acreditar que há pessoas de boa índole, que não distorcem nem deformam as minhas palavras, reflexo do que sinto e penso. 

 

Estúpida que sou, ainda pedi desculpa na semana passada. A sério. Nojo. Sinto tanto nojo. Mas como mexer em merda só faz com que seja eu a ficar com mau cheiro, para mim basta. Oh, puxei autoclismo. Agora é deixar que o cheiro passe.

 

Bora lá abrir janelas e preencher estas novas paredes com novas fotos, novos quadros, novas estórias, nova esperança.

 

 

Apresentação

Pandora.

Não sou nova na blogosfera. Já tive um blog. Outro nome. Ainda os tenho. Pensei privatizar, fechar, exportar. Deixar estar como está e continuar a escrever por lá. Ainda não me decidi ao que farei do blog, apenas que não é lá que continuarei a escrever.

Vandalizaram-no. Usaram com muito má fé o que escrevi. Ofenderam-me, em praça pública, gratuita e covardemente. Quando a incapacidade de compreender o que se escreve é ilimitada, quando se lê com palas nos olhos e se ficam apenas em algumas expressões, quando a estupidez é ilimitada, nada mais apetece escrever, porque a mais pura banalidade vai parecer algo medonho. Não me sinto mais com a mesma segurança em escrever naquele espaço tão meu, um pedaço da minha alma, da minha pele.

Dói-me. 

Para trás deixo um blog que me é muito querido. Uma casa da minha alma, do meu coração. É hora de mudar de casa. Pensei trazer tudo atrás de mim, mas estaria a arriscar a que encontrassem a minha nova casa. Não me escondo das pessoas. Tenho a consciência tranquila. Não consigo é escrever com a mesma liberdade, sem medo de que usem o que escrevo de forma deturpada, deformada, de má fé. 

Mudo de casa, mudo o nome, não mudo a alma. Porque é impossível ser outra quando escrevo com a alma e o coração. Encaremos assim: mudei de casa. Ou dei por terminado um primeiro livro e inicio novo, como se fosse o segundo volume. Recomeço de novo do ponto onde parei. Não é um recomeço, é uma continuação. 

Farei os possíveis para avisar os amigos próximos da blogosfera. Para que me continuem a acompanhar. Outros ficarão pelo caminho, não por mal, apenas porque não terei como avisar todos, nem sei ao certo quantos me lêem por bem. Infelizmente a anterior casa foi encerrada sem aviso. Optei por não avisar. Por motivos óbvios. Se quero que algumas pessoas me percam o rasto, não posso deixar pistas.

Pandora.

Nome sugestivo e ilustrativo do que vivo neste momento: todos os males foram libertados. Comigo ficou a esperança. E é ela que trago para esta nova casa.