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Estórias na Caixa de Pandora

Pensamento do dia

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."

Carlos Drummond de Andrade

Três decisões de fim de ano (para, supostamente, continuar no ano novo)

- Ler mais. E ter lido um livro inteiro num par de horas é bom prenúncio, não é?! Siga para o próximo.

 

- Escrever mais. Um dos meus sonhos de vida está ligado à escrita. Não foi à toa que escolhi a área das literaturas e linguísticas. Nem foi à toa que o ano passado fiz uma (primeira) formação em escrita criativa. É uma área na qual quero continuar a apostar, quer em formação, quer em prática. Se um dia pudesse fazer da minha vida a escrita, era assim melhor que ganhar o euromilhões. PNL também está nos meus planos, a ver se em 2015 me aventuro um pouco mais neste mundo da escrita e da linguística. Pode ser que finalmente encontre o tema para avançar com o projeto de um mestrado ou pós graduação, enfiado no fundo de uma gaveta quando decidi arrumar o canudo.

 

- E agora, como não podia deixar de ser, o objetivo geral e comum nesta época: fazer mais exercício físico. Já tenho as danças e é para manter e continuar. Não sou menina de ginásios, nem muito adepta do exercício, mas já em tempos investi numa bicicleta estática e já tive uma rotina de pedalar diariamente 30 minutos. Neste momento o objetivo seria 3 vezes por semana (a intercalar com os dois dias das aulas de dança) 40 minutos. É exequível e sem haver as desculpas do frio ou da chuva. Até posso estar a ver tv e a pedalar, ou a ler um livro, ou a ler os blogs no feedly, enquanto pedalo e pedalo e pedalo. 

 

 

Não sou muito de listas de planos para o novo ano, muito menos daquelas extensas, que vai-se a ver e ao dia 5 de Janeiro já foi tudo esquecido até ao ano seguinte, quando se refaz a lista. Mas estes três aspetos quero recuperar nos meus dias. Porque sim, porque me faz bem, porque gosto, porque já os fiz e cumpri. É isso e fazer um mealheiro para só abrir em Dezembro de 2015, mas esta do mealheiro é ver para crer (e rir para não chorar)! 

 

Afinal não foi tão mau

Depois da odisseia de andar atrás de uma prenda para a sogra, escolhemos esta capa da Zara:

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E eu a pensar que o comentário da senhora fosse algo deste género: ah, é bom para guardar ovelhas... afinal recebemos um "ai, é quentinho para andar em casa".

Registo para o futuro: para a próxima leva um roupão e umas pantufas!

 

O Natal e o livro

Fui desafiada por duas simpáticas meninas, a Nathy e a Miss Ana, a responder a um questionário sobre o Natal. Não o fiz nem vou fazer. Não gosto particularmente do Natal, pelas memórias amargas que me traz, memórias que vêm desde a tenra infância até aos dias de hoje. Nunca tenho natais fáceis de viver, sem ter sentimentos e emoções que supostamente não fazem parte desta quadra. Não tive nem tenho uma família digna desse conceito, e não vou entrar em detalhes, porque são demasiados esqueletos no armário, demasiadas mágoas que ainda estão por digerir. 

Mas tento, nos meus 33 anos, viver um Natal o mais próximo do espírito da quadra. É uma época que aproveito para mimar as pessoas que ao longo do ano estiveram comigo, no bom e no mau. Tenho todo o prazer em escolher miminhos que, mais que uma prenda de Natal, é um agradecimento pela amizade e carinho, é escolher algo especial para aquela pessoa. Escrevo, de coração, mensagens a desejar feliz natal para cada pessoa a quem o quero fazer. E sei que vivo um pouco à minha maneira esta época. Mas o dia 24 e 25 são os dias críticos. Os dias em que o vazio que está cá dentro sente-se mais, e ninguém nem nada o pode preencher. 

Por estes dias li de fio a pavio um livro, a prenda de natal de mim para mim. 

Foi sentar no sofá e só acabar na última página. Assim, de um fôlego. E na altura em que foi serviu de inspiração, de conforto, de aconchego. Não tenho a mesma experiência de vida do James, mas partilho essa história de vida feita de natais sofridos, em que a solidão é sentimento que impera. Sendo o natal a festa da família, nós, que somos uma espécie de orfãos de famílias vivas, vivemos com angústia e solidão esta época. E tudo à nossa volta nos grita que o natal é em volta de uma mesa, rodeados da família... mas o Natal pode muito bem ser no sofá com o gato, se esse é o Natal de amor e união, de paz e alegria, pois que assim seja. E dei comigo a sorrir e a pensar que eu estaria tão bem assim, com a minha árvore a piscar, com os gatos no colo, com o meu Gandhe ao lado: porque esta é a minha família, a que amo, a que está comigo, dia após dia, nos maus e nos bons momentos. 

Um livro que me inspirou. E muito. 

 

Das surpresas que chegam sem aviso

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Há pais natais que não descem por chaminés, não usam fartas barbas brancas nem vestes vermelhas. Há pais natais tão excecionais que não precisam de se identificar para que todos os vejam. Há pais natais especiais, com o dom de chegar no momento certo, com as palavras certas para acalentar os corações e enchê-los de ternura. E um desses pais natais chegou-me via CTT e levou-me às lágrimas. Obrigada, Alice, pela ternura que espalhas, por esse teu dom de chegar aos corações. Até um dos gatos cá de casa ficou encantado!

 

Pérolas familiares

Já se sabe que eu e a minha família é assim uma coisa estranha. Resumindo: sinto-me orfã. E está tudo dito. 

Mas não bastava já ter uma família de caca, ainda levo com a do Gandhe.

Ontem a irmãzinha querida, que vive noutra cidade, mas mais parece que vive em Plutão, que não vemos desde o funeral do pai o ano passado, ligou a dizer que vinha até cá visitar a avó (mas só a avó, que com a mãe continua de relações cortadas), levar os miúdos a conhecer certos sítios da sua infância e juventude, que eles não conhecem, porque raramente cá vêm, e queria porque queria ver-nos e dar um beijinho. Ok, quando quisesse, ligava e nós íamos ao encontro. 

Pois esperámos, sempre com os telemóveis por perto, fomos tomar café com uns amigos à pressa, porque ela podia ligar, e eram 17h e nada. Ligou ele para a irmã. Pois que já estava a caminho de casa. 

Sem comentários!

 

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