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Estórias na Caixa de Pandora

As pérolas que encontro no facebook e me dão vontade de chorar

As redes sociais são um manancial de pensamentos com a profundidade de uma latrina, de opiniões que encerram verdades absolutas, de teorias dignas de uma nova versão de Guerra das Estrelas...

Ora que vi uma criatura partilhar uma ideia muito inquietante sobre esta tragédia dos Alpes. E o que inquietava, verdadeiramente, a criatura? Vejamos o conteúdo do seu post:

Como é possível? Mas o mais estranho, os passageiros tiveram de se aperceber da situação e ninguém fez um telefonema ou enviou uma mensagem à família ou amigos? O problema da utilização dos telemóveis a bordo já não se colocaria... certo?

Deixem-me respirar mais 30 vezes... 

Criatura: nem sei por onde começar. 

Ponto um: o avião desceu progressivamente, pelo que os passageiros provavelmente se aperceberam da aproximação da montanha, sem entenderem o que se estaria a passar. Acredito que a última merda que se iam lembrar era de pegar no telemóvel. Mas menos mal, podias estar intrigada porque não há fotos tiradas pelos passageiros no Instagram e no facebook. Mas que raio, porque é que eles, quando se aperceberam, não pegaram no telémovel, ligaram para o 112 e pediram ajuda, sei lá, um camião dos bombeiros com escada de incêndio era capaz de ser útil.

 

Ponto dois: claro que não se coloca a questão da não utilização dos telemóveis a bordo. O avião ia mesmo cair. Era só para dizerem: mãe, pai, estou a cair nos Alpes. Beijinhos!!! 

 

Ponto três: Alpes, montanha, nos cumes do mundo, longe de povoações, sem postes de telecomunicações... onde estaria a rede para os telemóveis funcionarem mesmo?! Mero pormenor técnico, que o wi-fi está em todo o lado, haja password ou free access, pensarás tu.

 

Ponto quatro: só mesmo uma criaturinha com cérebro pequenino para se intrigar com o facto dos passageiros não terem pegado no telemóvel. A mim intriga-me mais um gajo ter levado um avião com 150 pessoas (e cinco cães) contra uma montanha, sabe-se lá porquê. Se calhar devia ele ter pegado no telemóvel e ligar à mãe a pedir opinião, queres ver?! 

 

Estas alminhas mexem-me com a bílis. Azedam-me, pá! 

 

 

 

Cada um gosta do que gosta

Fazer exercício físico está na moda. Uma excelente moda, não nego. Pela saúde, pelo bem estar (físico e mental), pela perseguição do corpo perfeito, pelo que seja, é uma boa moda. Corram, façam zumba, vivam nos ginásios, esmaguem-se no cross fit. Esbanjem saúde e bem estar, e corpos sarados, musculados e tonificados.

Eu cá não vou em modas, sempre tive esta coisa de ser a ovelha negra, como ser a única sportinguista numa família de benfiquistas. 

Nunca fui fã de exercício físico. Nas aulas de educação física gostava de futebol e de vólei. Só. Tudo o resto era um pesadelo. Correr e tudo relacionado com corrida era ver-me a querer correr dali para fora (seria a única forma de me pôr a correr). Abdominais, fazer o pino ou dar cambalhotas, saltar caveletes e andar pendurada em barras era tortura chinesa. Mas brincava que me fartava: andava de bicicleta pela aldeia, junto ao rio, na quinta dos meus avós, corria com os cães pelos pinhais, saltava ao elástico e à corda, e ficar com dor de burro e afogueada, nesses contextos, era coisa que me fazia rir e querer mais.

Hoje em dia, a única coisa que me dá essa mesma sensação de correr com os cães, saltar à corda ou ao elástico, andar de bicicleta junto ao rio, ficar com dor de burro sem me importar, com vontade de continuar e continuar é a dança. Ando em danças latinas há mais de dois anos, vou fazendo uns workshops de africanas (adoro), e em breve, a propósito da despedida de solteira de uma amiga, vou fazer uma incursão ao pole dance. E estou aqui toda entusiasmada, ansiosa para experimentar, crente que vou adorar, não me importando com dores de abdominais, de pernas e de braços, ou em ter de fazer o pino. Resta-me ver se os preços de aulas são compatíveis com a minha conta bancária, e vai ser ver a Pandora a abraçar um novo (mundo) varão! 

 

O susto que levei de manhã

Por norma, enquanto degusto o meu pequeno almoço, passo os olhos pelo facebook. Vejo notícias e fofocas e essas cenas que se vê no facebook. Uma colega de trabalho partilhou o vídeo sensação do momento, a última música da Ana (ma)Malhoa, com uma introdução satírica que me despertou aquela curiosidade mórbida, de quem sabe que vai levar um susto, mas, mesmo assim, vai ver.

Senhores, o pequeno almoço caiu-me mal e creio que se tivesse visto até ao fim, vomitava.

Com a visão do demo na mente, passo os olhos pelas primeiras leituras do Feedly e deparo-me com esta belíssima crónica sobre o assunto. Ide ler e ficam esclarecidos. Mas poupem-se à visão dantesca. Eu avisei!

A Cabana do Pai Tomás: um livro que nos marca como uma bofetada

Quando leio é difícil dissociar todo o knowhow literário que tenho. Há sempre, para além do olhar de leitor, um olhar de técnica literária, de crítica literária, que analisa de vários prismas, várias características e técnicas usadas.

Ora, do ponto de vista técnico, chamemos-lhe assim, o tipo de narrativa não me seduz. Faz-me lembrar os romances de cordel, a escrita sensacionalista, simplista, um diálogo aberto com o leitor, que me parece técnica forçada para justificar as mudanças narrativas bruscas, acções e personagens paralelas que ora ficam esquecidas, ora saltam para o centro da atenção do leitor sem que haja um fio condutor. Do ponto de vista de crítica literária, achei o tipo de escrita ingénuo, rudimentar, quase.

Do ponto de vista do tema, da intenção, da mensagem transmitida através de uma história, bem, a dimensão humana é avassaladora. Mexe connosco. Arrepia. Enerva. Há diálogos de personagens que dá vontade de saltar para dentro das páginas e espancar a alminha nojenta que vomita barbaridades. Saber que tudo aquilo foi real, que aconteceu, que houve coisas bem piores que nem são descritas, é desolador. Mas há a mensagem de esperança. Os que começaram a mudar mentalidades, a lutar pelos direitos dos negros, a encará-los como humanos que são. 

Recomendo a leitura por ser um clássico. Por nos confrontar com factos históricos desumanos, mas que se analisarmos bem, nem se passaram assim há tanto tempo, nem estão de todo erradicados. 

 

E siga mais um na lista. Venha o próximo, que vai ser ligeirinho para cortar a pesada onda de leitura.

Apenas isso

É, só, mais uma fase. Uma daquelas fases em que os dias pesam, a vida sufoca, o mundo gira impávido e alheio à nossa dor, os ponteiros do relógio cortam o nosso fôlego no seu tic tac compassado.

É, só, mais uma fase. Uma daquelas fases em que o cansaço é palavra de ordem, condenação perpétua.

É, só, mais uma fase. Uma daquelas em que a solidão pesa, dói, mata e esfola. 

É, só, mais uma fase. Uma daquelas em que nos sentimos invisíveis, depois de tanto dar da nossa pele, carne e sangue.

É, só, mais uma fase. Uma daquelas em que a apatia abate as vontades e desejos.

É só, mais uma fase. Uma daquelas. Só. 

E como fase que é, há-de passar. Até ao dia que regressa, entra e instala-se para me lembrar que a vida é implacável. 

 

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