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Estórias na Caixa de Pandora

Será coincidência?

As nove vidas de dewey.jpg

Li há uns anitos a história de Dewey, o gato que mudou a vida de Vicki Myron, a sua biblioteca, a sua comunidade, e conquistou o mundo. Quando soube da existência deste segundo livro, As nove vidas de Dewey, fiquei ansiosa para o encontrar e devorar. Recentemente encontrei-o à venda no Continente por 5€, e não fosse ter andado a ler o livro que uma colega de trabalho me emprestou, já o tinha despachado. Mas comecei a lê-lo nos últimos dias de Maio, poucos dias depois Gandhe resgata um gatinho da rua, e lá entro eu numa viagem de amor, de tratar, cuidar, amar aquele pequeno gatinho que vinha pele e osso, sujo, cheio de pulgas, assustado e selvagem. Ler este livro e viver mais esta experiência de resgate e recuperação de um gato bebé dá a sensação que o universo conspira a favor deste meu amor incondicional pelos gatos, sentindo como minhas as histórias partilhadas, os sentimentos que outras pessoas sentiram pelos seus gatos, a vida que partilharam com eles. 

As nove vidas de Dewey não são mais histórias de Dewey. São testemunhos, histórias de pessoas em todo o mundo que partilharam com a dona de Dewey. Porque Dewey foi único, mas pelo mundo fora há tantos outros gatos que foram únicos, com histórias de vida que marcaram e fizeram a diferença, quanto mais não seja às pessoas que os amaram incondicionalmente.

Estou na reta final do livro, falta-me uma história, mas já estou com aquela sensação de vazio, de tristeza por o livro acabar e eu ficar sem nada igual nas mãos. 

Houve páginas que li de lágrimas nos olhos, houve páginas que li com um sorriso rasgado, por vezes uma gargalhada. Mas em todas as páginas vi e partilhei deste amor pelos animais, pelos gatos em particular. Revi a minha vida, sempre com gatos, e recordei que nos meus piores momentos, e foram muitos, acreditem, eles estiveram lá, e foram os meus amigos e companheiros numa infância solitária numa família desestruturada e em permanente conflito, que foram a minha força para continuar, mesmo quando quis pôr termo a tudo, que foi com eles que aprendi a respeitar as diferenças, a amar, independentemente das qualidades e dos defeitos, foi com eles que aprendi a dar e receber carinho da forma mais despretensiosa, só porque sim, porque sabe bem, porque nos faz bem. E chorei a lembrar-me dos gatos da minha vida, de vários episódios que guardo com a maior das ternuras.

Costumo dizer que não sei viver sem gatos. E não sei. Fazem parte de mim, da minha história de vida, da minha alma, da minha pele. Há quem admire, há quem não entenda. Mas sei que por esse mundo fora há pessoas como eu, que amam desta forma incondicional os gatos. Há os que sempre viveram com eles e os que pensavam não gostar de gatos até se renderem e serem irremediavelmente conquistados por estes pequenos seres peludos, com um dom de despertar o que de melhor há em nós, dando-nos tanto e pedindo tão pouco.

A quem ama gatos, leiam este livro. Aos cépticos pelos gatos, leiam na mesma. São testemunhos de primeira pessoa, histórias de vidas reais, e dêem uma oportunidade para conhecer a magia destes animais. 

No dia que algumas bestas entenderem isso, talvez deixem de achar tradição queimá-los em postes, ou atirá-los para caixotes do lixo, ou abandonar gatas prenhas, ou matar os filhotes, ou envenená-los, ou enchê-los de chumbos, ou tantas outras barbaridades que envergonham a raça humana. 

 

Já que enchem a boca para falar em tradições

É a tradição das touradas, é a tradição do gato queimado, é a tradição de torturar, matar e esfolar animais apenas e só para gáudio e entretenimento, eu sugiro que se recuperem outras tradições ancestrais:

  • Queima de bruxas em praça pública;
  • Enforcamento de criminosos e ladrões nos pelourinhos que adornam as praças centrais de tantas localidades por esse país fora;
  • O espetáculo do Coliseu Romano, onde escravos, cristãos, criminosos, quem lhes apetecesse, eram lançados às feras numa luta desigual, para o ser humano, claro;
  • A escravatura, já agora.

Usam as tradições para camuflar comportamentos sociopatas.

Deviam lembrar-se que quem não respeita a vida e a dignidade de um animal, enquanto ser vivo que é, também não respeitará a vida e dignidade de um ser humano. E é o que vemos, no fundo: vizinhos que matam vizinhos, maridos que matam mulheres, familiares que abusam das suas crianças, e podia continuar. 

Chamar todos os nomes possíveis e imagináveis à população que se entretém com a queima de um gato, com a elite que se diverte com as touradas, é descer ao nível de barbárie. E eu sou cidadã do século XXI, não da Idade Média, onde a ignorância e a bestialidade faziam parte da forma de ser e viver da época. Prefiro desprezar essas bestas que ainda vivem no tempo das cavernas, e mesmo esses eram mais civilizados, já que matavam para comer, não para se divertirem.

Mas já que enchem a boca para falar de tradições (era preferível encherem-na de merda), recuperem-se então as tradições da época da sua mentalidade. 

 

 

Da pouca eficiência dos serviços alfandegários

A 5 de Maio faço uma encomenda no Ebay: um vestido vintage, estilo pin up, para usar na coreografia do espetáculo de dança a 18 de Julho.

A 9 de Maio recebo o e-mail a indicar a expedição do artigo, data prevista de entrega entre o dia 20 de Maio e o dia 9 de Junho.

A 28 de Maio uma carta registada da Autoridade Tributária: encomenda retida na alfândega, pedem-me documentos para o desalfandegamento da mercadoria. Enviei nota de encomenda, que descreve o artigo em questão, enviei o comprovativo de expedição, que também descreve o artigo, enviei comprovativo de pagamento paypal, enviei cópia do cartão de cidadão. Seguiu tudo via e-mail a 8 de Junho.

Até à data nada. Nem um feedback, nem vestido, nem o caralho. Para a semana faz 30 dias de mercadoria retida. Havia de ser o que me faltava ainda receber taxas alfandegárias para pagar por supostamente exceder o prazo de permanência da mercadoria em alfândega.

Uma merda de um vestido vermelho às bolas é retido. Contrabando e quiçá droga, passa. Assim vão os serviços nesta república das bananas.

 

Orgulho!!!

Hoje estou orgulhosa. De rastos, mas orgulhosa. 

Há umas semanas atrás tive a minha primeira experiência com exercícios de braços usando o elástico. A coisa foi muito complicada, e houve um exercício que só fiz alguma coisa com a professora a segurar-me os braços. Nos entretantos houve outra aula de braços e hoje foi a terceira. E não é que fiz tudo?! Sozinha! Mesmo o tal exercício que eu não segurava sequer o elástico acima da cabeça, quanto mais elevar o antebraço. Ahhhh que estou orgulhosa, catano. Toda esbodegada, amanhã não pego numa caneta, mas o orgulho, oh, lá em cima. 

 

Só a mim

Pandora Maria Rococó (há que fazer jus ao header mai lindo) vai num instante ao Lidl fazer umas comprinhas muito rápidas, entre as quais o jantar para logo. O Lidl fica entre o meu local de trabalho e a minha casa, tudo muito pertinho. A despachar, e dadas as poucas compras, era coisa para me ocupar 15 minutos, se tanto. Só que não.

Calha-me à frente, na caixa, um casal fofo de idosos, reformados, com o carrinho cheio. No seu vagar de quem tem até à noite para dispor as compras no tapete, arrumar e pagar, estou eu ali a ver a minha vidinha a andar para trás, neste caso o almoço. E eis que percebo que as compras vão sendo agrupadas no tapete, com separadores... sim, decidiram pagar as compras em blocos, mas o filho da mãe do nº de contribuinte era sempre o mesmo, e a forma de pagamento também: DINHEIRO. 

Ora foda-se para a minha sorte!!!

 

Outras vidas

Eu, pouco católica que sou, acredito nessa coisa das vidas passadas. Sim, acho que vamos e voltamos, e vamos e voltamos, e somos assim um acumular de vidas, sob as mais diversas formas. 

Adiante, que não me apetece, a esta hora, explicar coisas complicadas. 

Noutras vidas eu acredito que fui:

- bruxa e com gato preto;

- padre (irónico);

- divã (podia dizer Freud, mas ná, acho que fui o divã de Freud).

Em algum momento fui isto tudo em simultâneo, o que me dá agora uma imagem de um certo erotismo dantesco: uma bruxa, um padre e um divã... sem esquecer o gato preto na janela, e o pio da coruja ao luar.

Agora a sério, sempre tive esta aura de confidente: não sei o que emana de mim, que luz ou energia, que é frequente ouvir os desabafos de pessoas mais ou menos íntimas, com maior ou menor confiança/intimidade. E se isto acontece assim, naturalmente, acredito que há mesmo algo em mim que aproxima as pessoas e as faz abrirem-se. E eu gosto. Ouço, falo, acalmo, vou colocando questões, fazendo as pessoas pensarem sobre o que elas próprias estão a dizer, a sentir, vou fazendo rir, para descontrair e relaxar quem está num caótico estado de nervos. Acho que tenho este dom para divã freudiano. 

Mas sou humana. Tão humana como qualquer um que vem falar comigo. Tão cheia de sentimentos, e angústias, e medos, e desilusões, e fracassos, e dúvidas... E se ouvir os outros faz-me abstrair de mim, ao mesmo tempo tem alturas que me esgota. Literalmente. Como se toda eu fosse como que sugada e ficasse sem ponta de sangue, de energia, de força. E é assim que me sinto nos últimos dias: um divã que perdeu a forma, que está amarrotado pelo uso excessivo, como se as consultas de psicanálise fossem em horário contínuo, num entra e sai de problemas e dramas das outras vidas que ali se sentam, em mim. E numa gaveta ao lado, a minha alma trancada, com os seus sentimentos, angústias, medos, desilusões, fracassos, dúvidas...

E no fim do expediente, tranca-se a gaveta, para garantir que nada se perde até que tenha energia para olhar o seu conteúdo e tratar dele, como andei a tratar dos outros.

 

 

New look, by Neurótika

Quem tem amigos, tem direito a estes mimos, e mai nada.

Pronto, é mais quem tem lata. E eu que até sou moçoila que não anda por aí a pedir nada, vai que me aventurei a pedir um header à Neurótika. Andava a babar pelos headers que ela ia fazendo a outras bloggers, que pensei: Pandora, melhér, se queres uma coisa assim em muito bom e exclusiva, faz-te à vida. 

E fiz. Alguns mails trocados com a Neurótika (um doce, mas é suposto eu defender a honra dela como uma neurótica do pior, não?!) e eis que ela ficou a magicar uma coisa para mim. E eu esperei, sem pressas.

Chegou hoje! E estou aqui sem saber o que dizer.

Surpreendeu-me muito. Imaginei outra coisa, sei lá, eu tinha-lhe dito que gostava de pin ups e assim. E ela presenteia-me com uma loira (logo eu que adoro loiras) com ares de snobismo barroco, mas em pose de pin up. Vai-se a ver e eu sou isso mesmo: uma mistura de tantas cenas que às vezes até me confundo a mim própria. Estranhei os cordeirinhos; era expectável gatos, pretos. Mas hey, não seria surpresa nenhuma. Já os cordeirinhos e aquele corvo, hum, adoro! Totalmente surpreendida pelo inesperado header. Agora tenho de redecorar o estaminé de modo a deixá-lo brilhar.

 

Pandora_sm.png

 

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça... é aqui da Pandora!! E um agradecimento sincero e enorme à Neurótika. Sem ela nada disto existia. Agora sim, tenho um header só meu!! YYYYYEEEEYYYY!!

 

S. João, S. João

O meu S. João não foi.

Convenhamos, na minha cidade não há santos populares, ou os que há são tão autóctones, que só por aqui é que se celebram. Podia ter ido ao S. João no Porto? Talvez. Mas não tenho direito a feriado, hoje é dia de trabalho, e no caso específico de ontem em que o sono abundava por estes lados, o meu S. João foi no vale dos lençóis a dormir quase 10 horas seguidas, o que não chega, pois se fizer a média por duas noites dá 5 horas por noite. Continuo com défice de descanso, mas pelo menos hoje não pareço um panda zombie.

 

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