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Estórias na Caixa de Pandora

A Sombra do Vento

"... a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma..."

 

Lembro-me de há uns dois anos, mais coisa, menos coisa, ler em vários blogues sobre este livro. Cheirou-me a sururu, a febre de autor, e eu, não sei explicar porque sou assim, quando anda meio mundo com um livro na mão e o seu autor na boca, eu desconfio e não lhe chego perto. Fica-me ali a curiosidade, deixo o sururu acalmar, e só depois da febre massiva passar, é que então pego no dito livro ou autor e julgo de minha justiça. Foi assim com Dan Brown, foi assim com Zafón. 

No verão passado, ao escolher um livro para oferecer, deparei-me com uma edição de bolso de A Sombra do Vento. A bom preço. Pensei que com os pontos acumulados no cartão ainda conseguia melhor preço e achei que era a minha oportunidade de dar uma oportunidade a Zafón. No entanto, o livro foi para a minha prateleira da vergonha, onde estão vários em fila de espera para minha leitura, e não era minha escolha quando ia selecionar o seguinte. Foi então que li este post da Magda e fiquei deveras com a chamada "pulga atrás da orelha"! O que estava eu a perder por ter o livro a apanhar pó na prateleira da vergonha??!! Comentei no post da Magda e ela fez-me o ultimato: para ler já, não te vais arrepender. Bem mandada que sou, mal acabei a leitura que tinha então em mãos, peguei nele. 

Demorei dois meses a ler. É certo. Noutros tempos, naqueles idos tempos em que eu lia compulsivamente, era livro para me ter durado três dias. Fui lendo ao sabor dos meus dias, do meu tempo, da minha disponibilidade emocional. Havia alturas em que parava a leitura para ficar ali, como quem saboreia vagarosamente um qualquer doce, houve alturas em que tinha de me obrigar a parar, que já era tarde e o despertador não perdoa. 

A minha opinião sobre o livro? UAU! Como já escrevi recentemente, quero ler os outros

A escrita de Zafón é sedutora, cativante, envolvente, apaixonante. Os momentos descritivos não são nada cansativos, pelo contrário: envolvem-nos, transportam-nos para o cenário que o autor descreve, quase que sentimos o cheiro, a chuva, quase que vemos as ruas, o que as personagens sentem.

O fio condutor de todo o enredo é um livro, no meio do universo dos livros. Há um que desperta a atenção do protagonista, que conhecemos com 10 anos, e que o cativa de tal maneira que dedica os seus dias de rapazinho orfão de mãe, ajudante do pai livreiro, a procurar saber mais sobre o misterioso autor do livro. E leva-nos, na mesma curiosidade e suspense, na sua aventura de descoberta. A par desta sua busca, assistimos à sua própria vida a acontecer, o primeiro amor, o primeiro desgosto amoroso, as amizades, as suas dúvidas e medos, os seus sonhos e a sua incessante busca pelo misterioso autor do livro do qual se tornou guardião. E é essa busca que nos leva numa rede de mistérios, revelações, numa espiral que vai afunilando até às revelações finais. Surpreendente a cada virar de página, a cada descoberta, a cada novo mistério que surge por explicar. O enredo é uma teia, e vemos as vidas do jovem Daniel e do misterioso autor Carax entrelaçarem-se, como uma ironia do destino, como o crescendo da tragédia grega, onde humanos desafiam o destino e a sua sorte, onde sofrem as consequências da sua hybris (desafio às leis dos deuses, do destino, da família, da cidade), onde acontecem inúmeras peripécias que mudam o rumo dos acontecimentos, levando ao desenlace trágico, à catástrofe que pune quem ousou desafiar todas as leis do destino, e no fim, bem ao gosto da tragédia grega, a catarse: o momento de purificação das paixões e emoções, o momento em que o universo perfila novamente num certo equilíbrio, despertando em nós, leitores, uma espécie de piedade, depois de tanto sofrimento. Mas não pensem que é só sofrimento de fazer chorar as pedras da calçada. Há humor, há sátira, há crítica social, há um personagem que encarna bem a figura do bobo da corte, na sua pose cómico-trágica, Fermín Romero de Torres é uma lufada de ar fresco na narrativa, e na própria vida do Daniel.

Li algures que o enredo de A Sombra do Vento se assemelhava às bonecas matrioskas: a cada revelação o enredo vai-se afunilando, até só restar a verdade nua e crua.

Não discordo da metáfora das matrioskas, mas vejo o enredo criado por Zafón como uma tragédia grega: quer em estrutura, quer no dramatismo, quer na poesia que adorna emoções, quer na catástrofe, no sofrimento, e, repito, em toda a ironia do destino que parece brincar com a vontade das personagens, como se, independentemente do que quisessem ou fizessem, o destino é soberano. 

Outra característica que me arrebatou neste livro foi a mistura: não temos só um romance (de amor), não temos só um romance histórico, não temos só suspense e mistério, não temos só crime e policial, não temos só narrativa poética. Temos tudo, harmoniosamente orquestrado. 

Um livro sobre livros, sobre a paixão dos livros. É o mote, o ponto de partida, atrevo-me a dizer, de chegada. É o fio condutor que liga todos os elementos deste complexo enredo, que nos envolve de forma absurda e inexplicável.

Só posso dizer o que a Magda me disse: leiam! Só assim perceberão a miscelânea de elementos que se conjugam, de forma muito harmoniosa e equilibrada, num só livro. 

 

Segunda feira

Dói-me a cabeça. E não, não estive a ver óscares, nem filmes, nem nada. Até me deitei cedo, mais do que é habitual ao domingo, e dormi muitas horas. Se calhar o mal é esse: demasiado descanso.

Do fim de semana pouco há a dizer. Homem foi trabalhar no sábado, pelo que aproveitei e fiz uma daquelas limpezas gerais, com direito a afastar móveis e aspirar o cotão que se acumula por trás deles. Aproveitei a tarefa de limpeza, e reorganizei umas gavetas, dele principalmente, que aquilo parecia que tinha lá passado o gémeo mau do furacão Katrina. Ao fim da tarde fomos lanchar com um casal amigo nosso, e eu afiei o dentinho num bolo de chocolate com recheio de mascarpone, amoras e morangos, com cobertura de mascarpone e framboesas. Ainda me babo só de pensar no bolo.

O domingo foi caseiro, com direito a arrufo de casal e amuo pela tarde fora. Aninhei no meu cadeirão do quarto e acabei o livro (A Sombra do Vento) que tinha em mãos. Que leitura! Ainda estou meia atarantada. Já escolhi o próximo, prenda da minha doce m-M, mas ainda não tive coragem de o começar, já que ainda estou de ressaca da escrita de Záfon. Aproveitei para adiantar tarefas da semana: despachei duas máquinas de roupa e passei a ferro, fiz sopa, e tenho já algumas ideias para as refeições dos próximos dias.

As minhas botas de cano alto e salto em cunha, que adoro e têm uns bons anos, estão nas últimas. Não consegui passar num sapateiro a ver se ainda têm algum arranjo que possam aguentar mais uns tempos, e vai daí andei a cuscar o que há por aí em saldos. Apaixonei-me por este modelo da Fly London.  Mas não queria comprar sem saber se as minhas ainda têm prolongamento de vida (se as besuntasse com iogurte Longa Vida será que surtia efeito?), já para não dizer que eu e botas de cano alto é assim uma complicação para arranjar umas que me sirvam no pé pequenino e na barriga da perna rechonchuda. A única vez que arrisquei a comprar umas botas de cano alto, no site da Spartoo, tive de as devolver porque não apertavam o fecho. De maneiras que prefiro sempre experimentar antes de comprar, porque já sei que não é tarefa fácil encontrar umas que me sirvam.

Assim como assim, e depois de um fim de semana de muito frio, com muitas fotos no facebook de neve, eu suspiro é pela primavera, portanto, comprar agora botas é coisa que não me agrada. Só por dizer que agora aproveitava boas promoções. 

Que se lixe. Esta semana vou ver se arranjo tempo para ir ao sapateiro e logo vejo o veredito. Gosto tanto das minhas botas! Não me apetece nada dizer-lhe adeus. 

É segunda feira e dói-me a cabeça. Começa bem a semana. 

Masoquismo, parte 2

Sabem aquele guilty pleasure que dá numa pessoa, mesmo sabendo que a coisa pode correr mal?

Pois. É raro, coisa para uma ou duas vezes no ano, dar-me aquela vontade de ir comer ao McDonald's, com aquele intuito de "sim, apetece mesmo dar uma facada bem dada na alimentação cuidada, comer porcarias e com prazer". O problema é que eu até sei que vou passar o resto do dia indisposta, com aquela sensação de enfartamento, e horas depois é uma corrida, constante, à casa de banho. Eu, que sofro de obstipação crónica, comer no McDonald's é como quem põe aquele líquido para desentupir canos: uma limpeza!

Agora vou-me, que a conversa está pouco agradável, e a natureza empurra-me para a casa de banho. Again! 

 

Tea Lover

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Se há uns anos me tivessem dito que ia deixar de beber leite (ou ia reduzir drasticamente o seu consumo a uma vez por semana, e quando o é) e iria passar a beber chá, de manhã, à noite, até durante refeições já experimentei, eu teria dito que estavam enganados.

Mas a verdade é que não. Reduzi drasticamente o consumo de leite e aderi aos chás. Continuo a preferir os frutados aos de ervas, e apesar de se pagar um pouco mais, prefiro os biológicos ou orgânicos pelo sabor maravilhoso que têm. Esta foi a minha última reposição de stock. Uns vão ser novidade, outros já são meus conhecidos, e adorados.

Pandora's tea time! 

Let's go party!

Ontem a fita métrica da nutricionista confirmou o que a professora de ginástica tinha comentado

Hoje, em jeito de festejos, fui almoçar com uma colega de trabalho ao McDonald's. O L.A. Bacon Chicken é muito bom. 

Há que festejar os bons resultados obtidos. Era evitado estragá-los, mas who cares, logo há outra vez aula para me pôr a arfar, de língua de fora, toda torcida, capaz de apenas mexer os olhos, e vamos com sorte.

 

 

Uma da manhã, hey!

Ontem, apesar do cansaço, principalmente físico, pelo esforço da aula de ginástica, depois do banho, do pijama vestido, de uma caneca de leite quente, enfiei-me na cama e peguei no livro. Perdi noção do tempo, tão embrenhada estava. E só quando senti vontade de ir à casa de banho me  apercebi dos braços dormentes, por estar há tanto tempo na mesma posição. Era quase 1h da manhã e eu a não querer parar. Sôfrega, voraz, só queria devorar as palavras que me levavam ao fim do livro. 

Puxei do meu bom senso e estabeleci o limite para o capítulo que estava prestes a terminar. Ainda comecei o seguinte, mas forcei-me a fechar o livro, apagar a luz e dormir. Não adormeci logo, ali, às voltas com as últimas revelações. Que grande revelação. Não posso dizer reviravolta, porque não alterou o rumo da história, mas são os detalhes que faltavam, as revelações, os segredos guardados que são totalmente inesperados. UAU!!! É só o que consigo dizer.

Agora só anseio por logo, tomar o meu banho quente, vestir o pijama, e retomar a leitura para só parar, provavelmente, na última página.

E agora que me rendi ao autor e ao livro, quero os outros, a trilogia completa... quero muito mesmo!! 

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Afinal o masoquismo vale a pena

Por masoquismo entenda-se a minha forte paixão por exercício físico (not) e como anseio, qual criança em noite de natal, pela hora da aula. Hoje não arranjei desculpas. Equipei-me e arrastei a bunda até à aula. Depois do cardio, com corrida para aquecer, agachamentos e kicks, eis que estou fresca e fofa, de lingua de fora, a arfar como um cavalo de corrida, desgrenhada e transpirada, a mentalizar-me para ir ao tapete encher uns abdominais, e eis que a professora me diz que se notam os resultados: mais magra, mais tonificada, com braços mais definidos e cintura marcada. Ora pois que fui até ao tapete com o ego mais inchado que peru de natal. Se calhar por isso é que os abdominais dos infernos me custaram a fazer. Era do inchaço.

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