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Estórias na Caixa de Pandora

Pandora em busca do minimalismo

Não é de agora que tenho alguma curiosidade pelo minimalismo, mas recentemente comecei a levar um pouco mais a sério e a ler sobre o assunto. Depressa percebi que o minimalismo parece estar na moda. E lá vou eu entrar em modas, sem querer, mas a precisar.

Começar a gerir melhor o roupeiro e as compras em roupa, calçado e acessórios já começou há bastante tempo. Recentemente fiz uma limpeza ao roupeiro, e o curioso é que já separei mais umas coisas para doar. Comprar novo, foi só e apenas o que precisava e efetivamente estou a usar: umas botas de cano alto em pele, um vestido, uma camisola de malha e umas calças de pijama. Tudo em saldos.

Com a perspetiva de comprar uma casa maior, veio a certeza que mesmo que esse projeto ganhe forma e se concretize nos próximos dois anos, nada tenho a perder em dar uma boa limpeza nas tralhas acumuladas. Libertar espaço, para uma melhor e maior organização. 

O que me agrada no conceito do minimalismo é que é flexível, ajustável às necessidades e interesses de cada um. A premissa é viver com o que efetivamente é necessário. E se alguém se sente bem em ter um quarto apenas com uma cama, eu preciso de um pouco mais que isso. 

O objetivo é mesmo destralhar. Libertar-me de tudo o que anda pelas gavetas, armários, garagem, as caixas e caixinhas, os papéis e papelinhos. Mandar fora o que é apenas e só lixo, doar o que está em boas condições e que não preciso.

Já comecei no quarto que temos como escritório e acumula tralhas. Já doei material escolar, dossiers, pastas, que tinha nas gavetas sem lhes dar uso, já esvaziei dossiers de papelada desatualizada, mero arquivo sem qualquer utilidade. Ainda há mais a ver, selecionar, limpar, organizar. Até porque queremos remodelar aquele quarto, e já tivemos tantas ideias que finalmente chegámos a um consenso. Será uma divisão versátil, clean, apenas com o que precisamos de momento, mantendo a potencialidade de ser adaptado a novas necessidades que possam surgir, independentemente se mudamos ou não de casa num futuro a curto prazo.

E o que precisamos? Uma secretária, do mais básico possível, de um armário de apoio, que dê para arrumar apenas e só o que é necessário (dossiers com faturas, garantias, documentação da casa, dos carros, apólices dos seguros), e um sofá cama, que na maior parte do tempo será isso mesmo, sofá, quando necessário, transforma-se numa cama para albergar possíveis visitas. De algumas peças já temos orçamento, entretanto com as mudanças de ideias, falta-nos orçamentar outras soluções que pensámos. E aos poucos ganha forma este limpar e organizar. 

Ainda por cima, isto até vem em boa altura, porque andando eu ansiosa, nervosa, com a cabeça a mil, este destralhar funciona como uma terapia. Ajuda-me a arrumar ideias, a lidar com o caos para dar lugar a uma harmonia que me apazigua a alma.

E mal vejo a hora de me refugiar na garagem, meter mão nas caixas e caixinhas e dar um rumo a toda a tralha que lá está acumulada, sem necessidade, sem utilidade, só a ocupar espaço físico e mental. Mal vejo a hora de me trancar e enfrentar o caos que tenho sentido nos últimos dias, libertar-me de tudo o que não preciso e só me sufoca. E enfim, sentir-me leve e livre para seguir novo rumo.

Estou em busca do meu minimalismo. Para viver melhor. Para ser melhor. Para aproveitar melhor. "Viva mais a sua casa", ecoa o slogan do Ikea. E eu quero viver mais a minha casa, livre do que não preciso e não me faz falta, quero viver mais a minha casa mais leve, mais organizada, mais limpa. Quero viver mais a minha vida assim, de forma simples, apenas com o que preciso. E é preciso tão pouco para ser feliz. 

 

E ainda não mudei oficialmente de funções

E já estou sem horário de saída, que é como quem diz, ando a sair tarde, fora de horas, a faltar a compromissos e a deixar assuntos por resolver. 

A pilha de papelada para estudar cresce a olhos vistos, e estou em estado de quase pânico. 

A bem dizer, esta é a fase em que me sinto assustada, insegura, com um terrível medo de falhar todas as expetativas depositadas em mim. Esta é a fase em que preciso ser uma esponja com capacidade de ultra absorção, e ainda mal começou e já me sinto encharcada até à medula.

O meu quase ex chefe tem um discurso muito promissor, crente que vou superar expetativas, que vou apresentar resultados positivos e que isso será reconhecido e valorizado. Diz que é um dos motivos pelos quais me cedeu: saber que para onde vou tenho mais perspetivas de progressão de carreira.

E eu... pareço um ratinho à procura de um buraco para se enfiar e esconder. 

Vou ali ler o projeto de regulamento da entidade reguladora. 109 páginas de puro deleite (not really).

 

 

Domingando

Um rodízio à brasileira sexta à noite com amigos. Bebi duas caipirinhas. Souberam-me pela vida.

Novo livro escolhido. Depois de Zafón, mais vale fazer uma escolha acertada, e O Livro dos Baltimore parece-me a escolha perfeita. Pedi-o emprestado a uma amiga, e já o tenho comigo, para me fazer companhia neste domingo de chuva.

Cabeleireira depois de almoço no sábado. Cor e corte. O corte deixei à vontade dela. Refez-me o bob assimétrico que tenho usado e que, verdade seja dita, me fica bem.

Lanche no sábado à tarde com amigos. Conversa em dia. Jantarinho bom em casa, com uns cogumelos salteados com natas para acompanhar bifes de frango grelhados. 

Já comecei o longo processo de destralhar que tenho pela frente. Um saco de material escolar para dar, um saco de papel para a reciclagem. Aos poucos eu chego ao meu objetivo. Work in progress!

Assado de domingo no forno, a espalhar um cheirinho bom pela cozinha, gatos na ronha, homem no supermercado, e eu aproveito um pouco de sossego para vir ao blog. O meu tempo por aqui vai ficar mais limitado, as mudanças de funções e posto de trabalho vão ocupar-me muita disponbilidade mental, por isso não estranhem se eu andar meia desaparecida. Ou não tão assídua. Vir aqui escrever cenas é um pequeno prazer, um escape, um passatempo, uma espécie de terapia, não uma obrigação diária. 

Agora vou ali terminar o almoço, espera-me uma bela tardada de sofá, com a chuva a cair lá fora.

Bom domingo!

 

Ah e tal, coiso, não sei o que ler a seguir a Zafón!

Então toma lá toneladas de legislação e guias técnicos da entidade reguladora, para ler e esmiuçar, sem falar na quantidade de minutas que tens de conhecer para fazer as devidas atualizações/alterações, pois precisas disso para as novas funções, que começam oficialmente a 1 de fevereiro, mas já tens trabalho para apresentar na próxima segunda, dia, hum... 30. 

 Karma is a bitch, Pandora!

 

Saga Cemitério dos Livros Esquecidos

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Terminei ontem à noite O Labirinto dos Espíritos, o livro que fecha a saga Cemitério dos Livros Esquecidos, iniciada com A Sombra do Vento.

Não será novidade o quão rendida fiquei à escrita de Zafón, ou como esta saga me cativou desde a primeira palavra. Rejubilei quando vi que havia novo livro, embora houvesse um certo sabor a fel por saber que era o último. Fui lendo, conforme o tempo, mas confesso que houve noites que evitei pegar-lhe porque sabia que não o largaria nas horas seguintes, e se por um lado há a ditadura do despertador que toca cedo, por outro havia a vontade de prolongar a leitura, tanto quanto possível.

Este sábado estava na página 500 e peguei no livro. De um fôlego só parei quase 300 páginas depois, porque a própria narrativa ganhou um ritmo alucinante, a trama desenrolava-se freneticamente diante dos meus olhos e as páginas iam virando ao sabor dos acontecimentos, das revelações, do desfecho de uma série de pontas soltas, tudo a ser encaixado com uma mestria que nos transporta, leitores, para o centro da intriga, como se víssemos diante de nós tudo acontecer, sentindo o coração disparar a um ataque, a um assassinato, sentindo um aperto no peito a cada revelação trágica. A escrita de Zafón tem esta empatia mágica, esta capacidade de nos transportar para as ruas de Barcelona, sentir o frio da neblina, ver as sombras que espreitam nas esquinas, conviver com as personagens que desfilam diante dos nossos olhos, tão reais, tão próximas, tão assustadoras ou encantadoras. 

Não posso, para não cair em tentação de desvendar mais do que devo, escrever muito mais sobre este último livro da saga. Fecha com chave de ouro, numa genial interligação de todos os quatros livros e as suas histórias e personagens.

É uma saga sobre livros, sobre a arte da escrita, sobre o poder da literatura. É uma história com um contexto de guerra civil e pós guerra, onde as intrigas e jogos de poder põem a descoberto o que de pior pode o ser humano fazer ao seu semelhante só por vaidade, ganância, poder e riqueza. É uma história de amor e de luta, de sobrevivência e procura pela verdade e pela justiça, é uma história que tem tanto de ternura como de violência crua. É uma história onde o amor e a amizade são, contra toda a crueldade, hipocrisia e violência, a sobrevivência numa sociedade devastada e despida de valores e humanidade e lealdade. 

Tão bom, mas tão bom que agora sinto um vazio. Não sei que hei-de ler a seguir, porque nada se vai aproximar. Só tenho vontade de pegar n' A Sombra do Vento e reler toda a saga, novamente, de seguida, num fôlego. Reencontrar Daniel e Fermín, reviver as suas aventuras e desventuras, rir-me com a prosa hilariante de Fermín, encantar-me com a ingenuidade e bondade de Daniel, conviver com o acolhedor núcleo Sempere e amigos. Envolver-me nos mistérios da escrita e dos livros, revisitar o Cemitério dos Livros Esquecidos e perder-me na sua magia, reencontrar os escritores malditos e sentir toda a maldade e crueldade de que foram vítimas, sabendo que justiça lhes será feita, passem os anos que passarem.

Tão bom, mas tão bom, que fechado o último livro fica este vazio. Como um até já, que na verdade é um até sempre! 

 

 

Rescaldo do fim de semana

No fim de semana limpei e arrumei, lavei roupa, estendi roupa, passei uma boa parte a ferro.

No fim de semana fiz uma caminhada pela cidade, acabei numa esplanada a aproveitar o que restava do sol, bebi um chocolate quente.

No fim de semana peguei no Labirinto de Espíritos, fui da página 500 à 779 de um fôlego, completamente submersa na leitura, completamente embrenhada no ritmo alucinante que a narrativa tomou no desenrolar da trama, no desvendar de uma série de mistérios.

No fim de semana assei bacalhau, deixei truta temperada para hoje, deliniei como seriam os jantares da próxima semana.

No fim de semana, graças ao Showbox, vi um episódio da última temporada de Mentes Criminosas, três episódios de Scorpion e o filme que aguardava há meses e ansiava por fevereiro para o ir ver ao cinema: 

 O fim de semana já lá vai, mas que o aproveitei o melhor que pude, ah isso aproveitei.

 

No arranque do fim de semana

As ideias começam a assentar, a ficha a cair, e a perspetiva do futuro, logo ali ao virar da esquina, a ganhar contornos mais definidos. Venham as mudanças e os novos desafios. 

Em jeito de terapia, andei a dar uma nova vista de olhos nos saldos online. Há que ocupar as vistinhas com outras coisas. Quase que comprei outro vestido e outra camisola de malha. Contive-me a tempo. Preciso mesmo mesmo mesmo? Ora bem, com o frio que tem estado, a verdade é que ainda nem usei todas as malhas que tenho. Mais uma para quê? E o vestido? Basicamente o mesmo pensamento. Depois lembrei-me que o que vou precisar muito em breve é de uns novos sapatos de dança. Ora, como costumo comprar online, o prazo de entrega é sempre 30 dias, mais coisa menos coisa. Vai daí, deixei-me de compras de roupa que na verdade não preciso, e decidi investir nos sapatinhos de dança, que os meus estão prontos para a reforma.

Havia dois modelos que eu estava indecisa. Calhou também ser época de saldos nos sapatos e estes dois modelos escapuliram-se. Menos mal, que eu também estava com algumas reticências neles. Nova pesquisa e eis que escolhi os meus próximos sapatos de Cinderela dançante.

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Agora é aguardar que cheguem e que fiquem maravilhosos nos meus mini pés.

Fim de semana à porta e eu quero "sopas e descanso". Há um lanche marcado com amigos, mas tirando isso, é refugiar-me no lar, doce lar, entre mantas e chás quentes, entre gatos e Gandhe, entre alguns afazeres domésticos e ronha no sofá, entre livro e séries... e vamos ver se há vontade para passar a ferro o monte de roupa que estendi há bocado e que, espero, entretanto seque. Com o frio que está ainda congela em vez de secar.

Bom fim de semana! Pode ser que ainda por aqui passe. Ou não. 

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