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Estórias na Caixa de Pandora

Tempo de antena para a má língua

Pessoa vai de férias para destino paradisíaco. Pessoa enche as redes sociais com fotos de biquíni, ora estendida na areia, ora deitada na beira da piscina. Pessoas comentam a excelente forma física e os bons resultados do ginásio. Pessoa termina semana de férias com (mais) uma foto de biquíni, exibindo as curvas em toda a plenitude, com uma legenda profunda sobre não sermos só um corpo... tá boa. Não lhe vi nenhuma fotografia da alma. Já do corpo... uiiiiiiiiiiiiiiiii (deixou pouco à imaginação)!

 

Um arrepio para começar o fim de semana

Nos meus idos tempos de catraia de escola primária, andava na brincadeira com os colegas no intervalo, dei um tralho, fui ao chão e parti um dente.

 Ou parte de um dente, o da frente, assim como a imagem (meramente ilustrativa). Desde então o meu dente da frente tem reconstrução, que ao longo destes anos todos já caiu umas duas vezes. 

Ora, na passada sexta feira foi a terceira vez que caiu. E o que motivou tal percalço? Uma cabeçada de um gato no meu queixo, que me fez bater os dentes com força e ficar com o cantinho do dente desprovido de reconstrução.

O pânico. Sexta à noite, como ia conseguir marcar dentista para sábado?

Pois que me valeu as clínicas que agora existem em centros comerciais. Lá marquei a consulta de medicina dentária e lá fui reconstruir o dente. Sorriso completo de novo.

Aproveitei o balanço e já deixei a destartarização marcada, algo que andava a marinar na minha mente, mas eu que gosto tanto da cadeira do dentista (not really) lá ia adiando e adiando. 

Alguém me explica a mania dos dentistas de estarem a meter conversa, fazer perguntas e tal e uma pessoa ali, de boca escancarada, com um incomodativo tubinho a aspirar a saliva. A sério que acham que uma pessoa consegue conversar naqueles preparos?!

E aquele barulhinho da broca???!!! Ai que impressão. Toda eu era arrepios. 

 

O Amor nos Tempos de Cólera

Antes da leitura febril de Escrito na Água, andei dois meses com este clássico de Gabriel García Márquez. Dois meses. Não tanto porque a leitura não me cativasse, mas pela falta de disponibilidade a nível de tempo e emocional. Há alturas erradas para determinadas leituras, e acredito que não escolhi o momento certo para esta leitura. 

Se a história me desencantou? Não. Se a leitura foi lenta por não me prender? Talvez. 

Tenho andado numa fase em que os livros que me prendem e me fazem "arranjar tempo" são thrillers ou mistério e suspense. Aquela curiosidade e ansiedade de avançar e descobrir os motivos, o criminoso, os meandros dos mistérios move-me, motiva-me, empolga-me.

Neste romance de Gabriel García Márquez temos uma história de amor inserida numa crónica social e de costumes. Temos um triângulo amoroso que, não o sendo nos moldes comuns dos triângulos amorosos, dura 51 anos, nove meses e quatro dias, numa passividade platónica de deixar a vida acontecer, acreditando que, algures no tempo, o destino se encarregará de juntar os dois jovens, pueris e inocentes apaixonados, que a vida, a teimosia ou o acaso separaram em tenra idade.

O quotidiano das personagens, movendo-se à frente deste cenário, acaba por ser a medida e o sentido de todas as coisas: a pobreza e o luxo, a solidão e a festa, a glória e a miséria dos dias. O que melhor o romance comporta é uma atitude filosófica elementar: humaniza, através do amor, a morte inevitável dos homens (...).

Uma breve paráfrase da ação da obra, para que dela se captem os mecanismos utilizados na construção da história: no dia em que o octogenário Dr. Juvenal Urbino acaba de ser enterrado, Florentino Ariza apresenta-se na casa da viúva Fermina Daza e reafirma-lhe uma "fidelidade eterna e um amor para sempre". Sobre esse momento tão ansiosamente esperado, haviam decorrido cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias, ou seja, desde aquela hora fatal da juventude em que Fermina decidira repudiá-lo. Nesse tempo, tendo concluído que Florentino não passara duma "sombra" na sua vida, casa com Urbino e apaga da sua memória o antigo apaixonado, de quem vinha recebendo súplicas, hinos plangentes arrancados às cordas do violino, flores e missivas diárias carregadas de poemas líricos e frases de grande apuro estilístico. (...)

A ação do romance vem a culminar num fim feliz: Fermina recebe Florentino na sua intimidade, e nasce entre ambos uma espécie de núpcias sublimes a que as viagens intermináveis dos barcos fluviais emprestam a sugestão do retorno ao paraíso perdido. (João de Melo)

Um romance de memórias, constantes retrocessos no tempo, um herói solitário, peregrino num labirinto de paixão e amor, agarrado à esperança de que um dia a sua amada, a quem jurou uma fidelidade de monge, o salvará da sua sombria vida. Um romance onde as dicotomias vida/morte, amor/solidão, doce destino/fatalidades e cruezas da vida andam de mãos dadas e acompanham este homem na sua odisseia de estar vivo e não ser amado.

 

Só parei na última página

Escrito na Água é o mais recente livro de Paula Hawkins, autora do bestseller A Rapariga do Comboio. Não estou a dar nenhuma novidade, já que este livro tem sido amplamente divulgado e anda nas bocas do mundo.

Tinha-o na minha wishlist da WOOK, só que uma amiga emprestou-mo e eu não me fiz rogada. Ganhei novo alento e apressei a leitura que andava a ruminar ia para dois meses. Peguei nele no sábado à noite, li de uma assentada cerca de 100 páginas e fui vencida pelo cansaço. No domingo, o tempo chuvoso atirou-me para o sofá depois de almoço. Não foi preciso mais: retomei a leitura e só parei na última página. 

Na minha modesta opinião, e no rescaldo de leitura tão sôfrega, gostei mais que o anterior, A Rapariga do Comboio. Notei um amadurecimento no estilo narrativo e na complexidade da trama. As semelhanças são inúmeras: o mesmo esquema narrativo, com várias personagens que vão contando a sua versão da história, sob a sua perspetiva, as suas crenças e o seu parcial conhecimento dos acontecimentos e factos, quer do passado, quer do presente. Se no livro anterior a autora optou por ter apenas a perspetiva de três personagens, todas mulheres, neste livro temos mais personagens a narrar a sua versão dos factos, umas mais que outras, na maioria mulheres, mas também aparecem alguma vozes masculinas. E o impressionante é que no meio de tantas vozes, visões e versões, o leitor não se perde, pelo contrário, é convidado a ser ouvinte atento e a juntar as peças de um grande puzzle, tendo assim um papel ativo no desenrolar da trama. E isso cativa e prende-nos. Faz-nos querer saber mais e mais, estar atentos às subtis pistas deixadas por cada um que, na sua parcial e subjetiva verdade, vai mapeando o percurso até à verdade. São histórias interligadas, segredos guardados, medos reprimidos, mal entendidos que geraram rancores e ódios, arrependimentos tardios.

A pouco mais de 100 páginas do fim eu já tinha as minhas desconfianças, ainda que previsse um final que mudaria tudo no último minuto. Não me enganei muito. Na leitura que fiz, o grande vilão da história é um, ainda que... e não posso dizer mais nada. Leiam! E rendam-se a uma leitura cativante e apaixonante.

 

 

 

 

Missão cumprida

Há meses que andava com o objetivo de dar uma boa arrumação na garagem. Objetivo: destralhar. 

Podia ter feito aos poucos, mas não encarava a empreitada assim, para se fazer aos poucos. Sabia que quando fosse para a garagem era começar numa ponta e acabar na outra. Isso implicaria um bom par de horas ali, e isso acabou por ser motivo para ir adiando e adiando. 

Foi este sábado. Gandhe foi trabalhar de manhã e eu, depois de despachar umas quantas coisas em casa, desci até à garagem e comecei. Depois ele chegou, almoçámos, e fomos os dois acabar a jornada.

Horas depois, muito pó depois, a mala da carrinha atulhadinha com lixo para levar ao ecoponto, tudo ficou devidamente selecionado e reorganizado. Tudo devidamente separado e guardado em caixas de plástico (as que não são transparentes foram etiquetadas), tudo devidamente empilhado nas prateleiras que temos em toda a parede da garagem. Gandhe acabou por entusiasmar-se com a arrumação e perguntou-me se podia comprar um carrinho para ferramentas que tinha visto no Continente. Com uma condição, disse eu: usa, arruma logo de seguida, não é deixar espalhado por onde calha.  E pronto, já lá tem o carrinho, com as ferramentas todas arrumadas. Só falta comprar mais duas caixas para umas coisas que ficaram de lado, e damos a missão por concluída. 

Foi cansativo, mas valeu bem a pena. 

Deixo algumas imagens nas quais me inspirei para organizar e arrumar a minha garagem.

 

 

 

 

Digo eu, que não percebo nada de moda!

Isto é tendência? A sério?!

A bem dizer, já vi ao vivo e a cores uns quantos exemplares assim, com a rede de pesca por cima do umbigo, bem visível acima da cintura das calças. A bem dizer quase que tive um torcicolo quando me cruzei com uma destas fashionistas a primeira vez. 

Uma meia de rede a ver-se entre a sapatilha e as calças, acho engraçado. A ver-se pelos rasgões das calças, sim, até tem o seu estilo grunge. Agora a rede a trepar ali barriga acima, eh pá, é só ridículo.

 

Uma questão de classe

Ontem, depois de uma manhã a turistar pela nossa bela cidade, num maravilhoso passeio pela Ria de Aveiro a bordo da Lancha Praia da Costa Nova, acabámos a almoçar num desses restaurantes tradicionais, com balcão à tasqueiro, grelhados divinais na hora, travessas a abarrotar com comida da boa. 

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Lá está, o tuga style gourmet.

Ora pois que escolhemos entrecosto na brasa e aqui a menina, armada em fina, tentou comer de faca e garfo. Mas convenhamos que comer entrecosto de faca e garfo é como comer sardinha assada nos Santos Populares em baixela da Vista Alegre com talheres de prata. Pandora desiste da faca e do garfo e agarra-se, literalmente, com unhas e dentes ao entrecosto.

Uma loira (quarentona) sentada numa mesa perto, que desconfio que estava de partida para a Gala dos Globos de Ouro, dado o outfit cheio de glamour, olhava para mim com um certo desdém. Até tinha a sua razão, não a retiro, até ao momento que, cheia de classe, tira da sua pochete uma garrafinha de água, provavelmente encheu-a com água da torneira antes de sair de casa, bebeu um gole, e voltou a guardar.

Classe por classe antes agarrar o entrecosto com os dedos que Deus me meu para comer aquilo que ia pagar no fim, do que levar a garrafinha da água na pochete e bebê-la em pleno restaurante. Dizem que a água está cara! Pois está!!  

Haja paciência!!

Estar numa fila única para um balcão de atendimento ao público, a queimar precioso tempo da sua parca hora de almoço, e eis que a pessoa mesmo à nossa frente é conhecida da pessoa que está a atender e põe-se ali numa amena cavaqueira a pôr a conversa em dia, ah e tal, o seu filho o que faz, onde está... 

... até que alguém (eu) revira os olhos, olha impacientemente para o relógio e já se preparava para perguntar se aquilo era o balcão de um Banco ou de uma pastelaria.

Mas depois o karma, ah esse cabrão. Pois que afinal eu tinha de ser atendida pela mesma pessoa que me atendeu há duas semanas, mas de momento estava a almoçar. Ah que bom, a sério?! 

Entretanto chegou. E já estava ali com todas as vagaresas até eu dizer que hoje, ao contrário da última vez, não estava de férias, estava a queimar a minha hora de almoço e ao contrário de outras pessoas, não tinha almoçado e pelo andar do comboio era provável que não almoçasse. Fez-se luz. Lá encontrou o código do cartão, lá disse que o formulário com o pedido de reembolso das anuidades cobradas indevidamente tinha seguido e o reembolso devia estar para ser executado. Há duas semanas que aguardo que corrijam um erro, que como é óbvio, teve de ser reclamado para ser corrigido. 

Há dias que a paciência é uma cena que não me assiste. Hoje é um desses dias.