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Estórias na Caixa de Pandora

Arrumações

Há uns dias bati com os olhos na minha estante de livros e senti um certo incómodo. Talvez previsse, no horizonte, uma destas tempestades interiores que me atiram para as arrumações e organizações, num desespero por ordem e equilíbrio no meio da intempérie.

No fim de semana, apesar de ter sido pleno de convívio social, agarrei no pano, num banco, e aí vou eu para a estante. Tiro tudo. Limpo o pó, como só se limpa nestas ocasiões, e com tanto livro espalhado, andei a reorganizar. Algumas prateleiras ficaram praticamente iguais, outras mudaram radicalmente. Reorganizei secções de livros, o que me fez ganhar umas prateleiras vazias que me fizeram sorrir com a perspectiva de ter espaço para novos habitantes de papel. 

Ao pegar livro por livro ia-me lembrando da história que ele me contou. Com alguns livros a memória era nítida. Outros era um pouco turva, tive de ler a sinopse para avivar a lembrança da leitura. Mas houve alguns, felizmente não muitos, que eu própria me questionei se tinha lido. E nem a sinopse me avivou memória. 

Deduzo que se não me lembro, é porque foi daquelas leituras que nada me deixaram. Ou isso, ou a memória já não é o que era.

Depois de dar por concluída a tarefa, olhei para a estante e gostei do resultado. Sem tirar nem pôr nada, ganhou nova vida. 

Se calhar é isso. Mudar alguma coisa pode não implicar ganhar ou perder algo. Pode ser tão simples como limpar o pó acumulado, reorganizar, ganhar espaço livre... poder, pode, mas raramente o é.

A minha estante está de cara lavada. O resto, a seu tempo.  

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