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Estórias na Caixa de Pandora

As palavras que não tenho

Corria o ano de 2001. Setembro. As aulas na universidade ainda não tinham começado, as férias já tinham acabado e eu andava às voltas a estudar para uma melhoria de nota na época de recurso. Nessa manhã acordei cedo para estudar. Tomava o pequeno almoço com a TV ligada. Vi imagens de uma das torres a arder, sem perceber se aquilo era o próximo filme sensação a ser lançado nos USA ou se era mesmo notícia a sério. Tentava perceber o que se estava a passar, e vejo o segundo avião a embater na segunda torre em direto. Ainda hoje me arrepio quando me lembro. Sozinha, em casa, na insignificância da minha vida, a milhares de kms de distância do que estava a acontecer, e senti terror. Não estudei nesse dia. Não consegui largar a televisão. Já havia internet, mas longe de se comparar ao que é atualmente. Redes sociais, nem se ouvia falar. Portanto restava-me a tv e todos os programas de informação disponíveis.

O mundo mudou nesse dia. Nunca mais foi o mesmo. 

2015. Novembro. Mais um ataque terrorista. Mais um. Independentemente do quão boquiabertos, em choque, completamente petrificados, com um nó na garganta e a pele arrepiada ficamos, é mais um. Tem sido assim. Desde o 11 de Setembro. 

Não quero minimizar, longe disso. Não sou das que muda a foto ou a cor do facebook em solidariedade com estas tragédias, assim como não faço do facebook um obituário com livro de honras. Não exponho assim a minha solidariedade, o meu pesar. Não me identifico. Também não critico. De lamentar é o campo de batalha em que as redes sociais se transformam. Ou por causa das fotos, ou por causa das generalizações, das opiniões tão cheias de pretensa verdade e certeza absoluta, quase tão fanáticas como o fanatismo que tem ensombrado o mundo. E o horror dos acontecimentos quase que passa para plano secundário, lembrado como o mote da nova batalha facebookiana.

Na hora de almoço li este texto. Com um arrepio a percorrer-me a espinha, com um nó na garganta. Assim como ontem fiquei quando li este testemunho. E fico sem palavras, com o assombro do que aconteceu, de mais um acto de terrorismo contra inocentes. 

O mundo mudou em 2001. O terrorismo passou a fazer parte deste mundo que partilhamos, como uma sombra. Não podemos viver no medo, não podemos permitir que nos dominem pelo medo, mas como não ter medo, quando na passividade dos nossos dias, sem que nada o fizesse prever, acontece mais uma tragédia ignóbil como esta?

Não tenho palavras. Não as há. Não consigo imaginar o pânico daquelas pessoas. Nem a sua dor. A sua angústia. Nem o terror a que sobreviveram, ou assistiram. O medo com que vivem no rescaldo do que aconteceu. Não consigo imaginar. Que palavras poderei eu ter? 

 

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