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Estórias na Caixa de Pandora

Cenas parvas que me ocupam os neurónios

Hoje uma colega de trabalho choramingava o valor que tem a pagar de IMI. Atenção, a moça é pessoa simples, sem frufrus e manias, mas, como manda a tradição local, casou, herdou um terreno e vai de construir uma casa, que por acaso é bem gira, não é nenhuma mansão megalómana, mas não deixa de ser uma bela de uma casa, com jardim, relvado atrás da casa, páteo, cave, espaço que sobra e dá para vender. Pois que o valor do IMI subiu este ano para ela, e segundo o lamento, um ordenado dela (que não ganha nenhuma fortuna, mas está acima do salário mínimo nacional) não chega para pagar o dito cujo.

Ora eu penso que já foi tempo em que também sonhei com uma moradia, jardim, grande quintal, ui, piscina então era top, assim, coisa mai linda. Mas depois comecei a viver a vida de adulta, trabalhar fora de casa o dia todo, perceber que um T2 já dá trabalho e despesa que chegue, para o tempo que lá estou dentro, que se passa uma semana que não sento o rabo no sofá, ou me ponho de papo para o ar no meu singelo terraço, quanto mais agora ter uma moradia com jardim e quintal, quiçá uma piscina. Tá bem abelha. E depois vêm estes encargos associados aos proprietários de imóveis. Ora toma lá, tens uma moradia, és rico, paga. 

Também já pensei que um dia, num futuro não muito longínquo, até devia pensar num apartamento maior, um T3, na loucura um T4. Logo a seguir a voz da razão grita-me que teria de vender o meu amado T2, que obviamente com a crise do mercado imobiliário, desvalorizou em relação à época que o comprei, que seria precisa alguma sorte conseguir vendê-lo pelo valor necessário para cobrir a atual hipoteca, e depois teria de recomeçar novo processo de empréstimo hipotecário, com novas taxas de juro, encargos e blá blá blá... perco logo o entusiasmo. O meu T2 é muito jeitosinho, chega e sobra, e mesmo que um dia venha uma criança, tem lá espaço, até porque o segundo quarto está num misto de escritório, closet, tralhas, coisas, cenas, ah, que não vejo o dia em que arregaço as mangas e destralho aquilo, porque aqui confesso, 90% da tralha que lá está é do homem, que eu cá já entrei numa onda mais minimalista há um par de anos.

Agora o que eu queria assim mesmo era uma espécie de Querido, mudei a casa, mas em bom, para me fazer ali umas alterações e aliar decoração a organização de espaço, para rentabilizar melhor as divisões. 

E o que é isso de Querido, mudei em casa, mas em bom?

Ora, é não ter tudo tirado de casa, e quando lá entrasse apanhar um susto com papel de parede às araras verdes e amarelas, umas almofadas em zig zag rosa, uns candeeiros todos bonitos para acumular pó, o terraço transformado num pequeno paraíso tropical, mas espaço para estender a roupa não tem, porque pessoas finas com terraços tropicais não estendem roupa. Chegar à cozinha e em vez do armário louceiro, ter duas prateleirinhas para pôr os pratos VA em exposição. Ahhhh, e era preciso que não me expulsassem os gatos de casa, porque não combinavam com a decoração.

Pronto, agora que divaguei, vou trabalhar que é para isso que me pagam.

 

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