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Estórias na Caixa de Pandora

Durou duas noites (e meia)

Deixei-te_ir_2016

Na passada quarta feira, feriado, como tirei uma sesta à tarde, cheguei à noite e soninho que é bom, nada. Peguei então neste livro, um dos últimos que comprei, e comecei a ler. Li os três ou quatro primeiros capítulos e senti-me, desde logo, agarrada. Tanto que na quinta, à hora de almoço, li ávida mais um capítulo.

À noite peguei no livro ansiosa e fui até ao final da primeira parte. Não continuei porque eram 2h da manhã e sexta era dia de trabalho. Mas acreditem que fiquei em ânsias de pegar novamente no livro.

Sexta à noite, mal pude, assim o fiz e só parei no último ponto final. Eram umas 4h da manhã quando acabei a maratona. 

O livro agarra desde a primeira página. Mas o que é surpreendente, mesmo surpreendente, é que estamos toda uma primeira parte (vá, até à página 162) totalmente equivocados. Antes de começar a segunda parte, e dada a revelação no final da primeira parte, voltei atrás e reli os dois primeiros capítulos. Percebi logo como tinha sido induzida em erro. E não pude deixar de me rir de mim mesma, porque é tão subtil que se alguém perceber antes, merece um prémio. 

Não posso falar muito do enredo porque, involuntariamente, iria contar mais do que devo. É um thriller, sim, seu sei, este ano ando a dar-lhe forte nos thrillers, um mistério que fica logo no início por resolver: um atropelamento fatal de uma criança de 5 anos com fuga do condutor. Poucas ou nenhumas pistas, uma equipa de investigação policial que quer ver o culpado identificado e responsabilizado por um ato tão atroz e cobarde.

Deixei-te Ir é uma história envolvente, emocionalmente forte, com uma personagem tão carregada de mistérios que nos cativa e nos impulsiona a querer saber mais sobre ela, sobre os segredos que esconde, sobre a dor tão destruidora que sente, sobre o que lhe aconteceu que a faz parecer tão culpada e tão inocente. Um thriller com uma profunda carga dramática sobre um tema bastante complexo, trágico e que socialmente é, simultaneamente, um tema tabu, condenável, repugnante e difícil de condenar na justiça. 

A história tem vários narradores, sendo que um dos narradores da segunda parte é simplesmente arrepiante. Desde que se começa a ouvir a voz dele sente-se que ali há algo de muito maquiavélico, que vai crescendo na trama, à medida que se vão revelando segredos. A cada revelação, um passo mais próximo da verdade, do que aconteceu no fatídico dia do atropelamento. E quando achamos que está a resposta encontrada, desenganem-se. Há algo mais sórdido por trás. Arrepiante. 

Eu adorava poder estender-me sobre o livro, mas não posso mesmo. Porque recomendo a sua leitura, e não vos tiro o prazer da constante surpresa que as reviravoltas que vão surgindo causam no leitor. 

É intenso, é arrebatador, é empolgante, é absolutamente viciante.

Tenho lido livros muito interessantes, mas este fez-me bater um recorde que há muito não tinha: devorá-lo em duas noites porque é impossível largá-lo.

 

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