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Estórias na Caixa de Pandora

E para despedida destas semi-pseudo-férias (rufos)

Um almoço com a sogra!

A preparação para o dito começou no Sábado quando, accionando o meu humor negro, envio uma sms à amigalhaça e pergunto:

- Amanhã é o almoço de aniversário da sogra. Estou aqui a pensar que verniz levo, apesar de saber qual a tua sugestão. (contextualizando, esta amiga ofereceu-me o verniz da Cliché de seu nome Mata-Sogras).

A resposta dela surpreendeu: o Mata-Sogras é demasiado evidente. Leva-as pintadas de preto, em jeito de luto.

E eis que se fez luz e respondo-lhe: acho que vou levar o morangoska, pois só com álcool no bucho é que serei capaz de mostrar os dentes.

E assim foi. Cliché Morangoska nas unhas, roupa preta (pronto, um top de alcinhas preto com umas calças bem fresquinhas em preto e branco).

Senhores, se o dito verniz contivesse mesmo álcool, nem 10 morangoskas me safavam. As duas vezes que, estúpida, ainda abri a boca para simular uma conversa amistosa, a senhora fez aquele ar de quem parecia estar a ouvir uma qualquer melga a zunir. Oh pó caralhinho. Fechei a matraca e só a abria para comer.

E a senhora reclamou de tudo. Do tempo de espera. Porra, o restaurante estava cheio (ainda bem que me lembrei de reservar mesa), e o bom do dito é terem como especialidade peixes cozinhados na hora. Ela queria o quê? Bacalhau à la Bimby?! Ser a única cliente para ser prontamente atendida?! Depois a comida veio: ai as batatas estão muito quentes, o bacalhau insossinho. Depois para sobremesa escolheu gelado. Engraçou com o copinho do gelado, limpou-o com o guardanapo e enfiou-o na mala. Que chiqueza!! Café. Um pacote e meio de açúcar num café (uma bica, um expresso, estão a ver?) e aicohorrori tão azedo. Pumba mais açúcar (na verdade ela tomou açúcar com um cheirinho de café). E lamentava-se não poder beber vinho, e que a água faz rãs na barriga (oi?!). 

Depois o Gandhe, não contente, ainda leva a senhora a passear pelo porto marítimo, pelas avenidas da praia... eu fervia. Não só do calor. Acho que vislumbrei o que é o Inferno. Senti-me Dante na sua descida.

No meio disto tudo a avó, mãe da sogra, deu dez a zero à filha. Adorou tudo, simpática, faladora (tanto quanto possível). Não tivesse eu um quase voto de silêncio e até tinha falado mais com a senhora, mas a sogra cortava sempre o que poderia ser o início de conversa, que eu remeti-me ao meu papel de Carmelita. Voto de silêncio, mas pelo menos não fiz voto de fome. Porra, era o que faltava, o almoço fomos nós que pagámos. Se fosse ela, provavelmente eu teria perdido o apetite logo na primeira azeitona que meti à boca. Ou mais provável ter-me engasgado e sufocado.

Foi um ótimo desfecho de semi-pseudo-férias. Sem sombras de dúvidas.

 

Eu atirei pedra na cruz. E cuspi no santo. Só pode, para ter este karma. 

 

Estou aqui a pensar no que não me devo esquecer amanhã, dia de regresso ao trabalho. Cartão de acesso, check. Eco garrafa com água, check. Lanche, check. Mudar hora do despertador, check. Fósforos. E para facilitar a tarefa, uns mls de gasolina. Nem quero imaginar o estado da minha secretária amanhã.