Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Estórias na Caixa de Pandora

Pandora em busca do minimalismo

Não é de agora que tenho alguma curiosidade pelo minimalismo, mas recentemente comecei a levar um pouco mais a sério e a ler sobre o assunto. Depressa percebi que o minimalismo parece estar na moda. E lá vou eu entrar em modas, sem querer, mas a precisar.

Começar a gerir melhor o roupeiro e as compras em roupa, calçado e acessórios já começou há bastante tempo. Recentemente fiz uma limpeza ao roupeiro, e o curioso é que já separei mais umas coisas para doar. Comprar novo, foi só e apenas o que precisava e efetivamente estou a usar: umas botas de cano alto em pele, um vestido, uma camisola de malha e umas calças de pijama. Tudo em saldos.

Com a perspetiva de comprar uma casa maior, veio a certeza que mesmo que esse projeto ganhe forma e se concretize nos próximos dois anos, nada tenho a perder em dar uma boa limpeza nas tralhas acumuladas. Libertar espaço, para uma melhor e maior organização. 

O que me agrada no conceito do minimalismo é que é flexível, ajustável às necessidades e interesses de cada um. A premissa é viver com o que efetivamente é necessário. E se alguém se sente bem em ter um quarto apenas com uma cama, eu preciso de um pouco mais que isso. 

O objetivo é mesmo destralhar. Libertar-me de tudo o que anda pelas gavetas, armários, garagem, as caixas e caixinhas, os papéis e papelinhos. Mandar fora o que é apenas e só lixo, doar o que está em boas condições e que não preciso.

Já comecei no quarto que temos como escritório e acumula tralhas. Já doei material escolar, dossiers, pastas, que tinha nas gavetas sem lhes dar uso, já esvaziei dossiers de papelada desatualizada, mero arquivo sem qualquer utilidade. Ainda há mais a ver, selecionar, limpar, organizar. Até porque queremos remodelar aquele quarto, e já tivemos tantas ideias que finalmente chegámos a um consenso. Será uma divisão versátil, clean, apenas com o que precisamos de momento, mantendo a potencialidade de ser adaptado a novas necessidades que possam surgir, independentemente se mudamos ou não de casa num futuro a curto prazo.

E o que precisamos? Uma secretária, do mais básico possível, de um armário de apoio, que dê para arrumar apenas e só o que é necessário (dossiers com faturas, garantias, documentação da casa, dos carros, apólices dos seguros), e um sofá cama, que na maior parte do tempo será isso mesmo, sofá, quando necessário, transforma-se numa cama para albergar possíveis visitas. De algumas peças já temos orçamento, entretanto com as mudanças de ideias, falta-nos orçamentar outras soluções que pensámos. E aos poucos ganha forma este limpar e organizar. 

Ainda por cima, isto até vem em boa altura, porque andando eu ansiosa, nervosa, com a cabeça a mil, este destralhar funciona como uma terapia. Ajuda-me a arrumar ideias, a lidar com o caos para dar lugar a uma harmonia que me apazigua a alma.

E mal vejo a hora de me refugiar na garagem, meter mão nas caixas e caixinhas e dar um rumo a toda a tralha que lá está acumulada, sem necessidade, sem utilidade, só a ocupar espaço físico e mental. Mal vejo a hora de me trancar e enfrentar o caos que tenho sentido nos últimos dias, libertar-me de tudo o que não preciso e só me sufoca. E enfim, sentir-me leve e livre para seguir novo rumo.

Estou em busca do meu minimalismo. Para viver melhor. Para ser melhor. Para aproveitar melhor. "Viva mais a sua casa", ecoa o slogan do Ikea. E eu quero viver mais a minha casa, livre do que não preciso e não me faz falta, quero viver mais a minha casa mais leve, mais organizada, mais limpa. Quero viver mais a minha vida assim, de forma simples, apenas com o que preciso. E é preciso tão pouco para ser feliz. 

 

9 comentários

Comentar post