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Estórias na Caixa de Pandora

Podia ser feriado...

Impressão minha ou pertenço a uma minoria para quem hoje é uma comum segunda feira de trabalho?

Nas ruas não há trânsito, já no estacionamento do prédio, tudo cheio, tudo em casa, janelas abertas, tv's em alto som, estendais cheios de roupa a esvoaçar ao sol. Na empresa tudo a meio gás, nem chefias tenho para validar ou assinar o que quer que seja para despachar serviço. É estar a trabalhar para aquecer, como se fosse preciso que felizmente o tempo está muito agradável. 

O fim de semana prolongado não teve descanso, como eu previa, mas encheu bem o coração e a alma. É um cansaço bom que sinto hoje. Ainda que perfeito era ter tido o dia livre para estender o fim de semana. Recebi visita dos meus amigos alentejanos e foi muito bom estar com eles, matar saudades, e levá-los a explorar a cidade daquela forma que só se faz quando se é turista. Fui a sítios onde raramente vou, voltei a sítios onde gosto de ir de vez em quando, fui turista e guia turístico na minha cidade. Comemos muito peixe, já que é o que não falta numa cidade à beira mar plantada. Apanhámos sol numa esplanada na praia. E tentei esquecer as rotinas, os horários doidos que tenho tido, esta sensação frustrante de sentir a vida suspensa em tantos aspetos, sem saber o que fazer, o que decidir, sem tempo para o que quer que seja, inclusivamente assentar ideias e tomar decisões.

Receber os meus amigos foi uma pausa que tentei aproveitar ao máximo, embora tenha noção que não consegui de todo desligar-me. Pensar na semana que aí vinha, o trabalho, a agenda, com reuniões, formações, as coisas a que já sei que vou ter de faltar, e as outras que não sei se consigo ir porque sei a que horas entro e nunca sei a que horas saio, o que tenho de fazer, deixar de fazer, quando fazer. E só apetece bater-me por não conseguir desligar totalmente destes stresses que vão oscilando o meu humor, a minha disposição, a minha energia. Quando estava a contemplar o mar e tentava absorver a paz que o horizonte de água salgada traz, sentindo o sol na pele, o cheio a maresia, debatia-me por dentro com o que tanto me tem causado ansiedade e stress e dúvidas, com o que me tem tirado a paz de espírito e o sono reparador à noite.

Não foi um fim de semana de Páscoa, com amêndoas e ovos de chocolate e cabrito na mesa e outras iguarias típicas desta festividade. Foi um fim de semana muito mais doce que toneladas de amêndoas e ovos de chocolate, muito mais aconchegante que aletria morninha, muito mais saciante que qualquer mesa de banquete repleta de deliciosas iguarias. E mea culpa por agora estar com esta sensação de não ter aproveitado em pleno, porque não consegui desligar, alhear-me desta realidade que tanto me tem absorvido e engolido. 

Não descansei, mas certamente se eles não tivessem vindo eu teria passado grande parte do tempo afundada no sofá, sempre com as ideias a fugirem para os mesmos sítios que tanto me sufocam nos últimos tempos, sem energia ou disposição para meter o nariz fora de casa e ir apanhar sol e vento marítimo nas trombas a ver se acordava para a vida. Hoje estaria, com toda a certeza, mais cansada e frustrada. Assim estou com um misto de cansaço físico e rejuvenescimento mental e emocional. E repetiria tudo outra vez só pelo prazer de estar com as pessoas que me são tão queridas e tanto me enchem o coração. 

 

 

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