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Estórias na Caixa de Pandora

Saga Cemitério dos Livros Esquecidos

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Terminei ontem à noite O Labirinto dos Espíritos, o livro que fecha a saga Cemitério dos Livros Esquecidos, iniciada com A Sombra do Vento.

Não será novidade o quão rendida fiquei à escrita de Zafón, ou como esta saga me cativou desde a primeira palavra. Rejubilei quando vi que havia novo livro, embora houvesse um certo sabor a fel por saber que era o último. Fui lendo, conforme o tempo, mas confesso que houve noites que evitei pegar-lhe porque sabia que não o largaria nas horas seguintes, e se por um lado há a ditadura do despertador que toca cedo, por outro havia a vontade de prolongar a leitura, tanto quanto possível.

Este sábado estava na página 500 e peguei no livro. De um fôlego só parei quase 300 páginas depois, porque a própria narrativa ganhou um ritmo alucinante, a trama desenrolava-se freneticamente diante dos meus olhos e as páginas iam virando ao sabor dos acontecimentos, das revelações, do desfecho de uma série de pontas soltas, tudo a ser encaixado com uma mestria que nos transporta, leitores, para o centro da intriga, como se víssemos diante de nós tudo acontecer, sentindo o coração disparar a um ataque, a um assassinato, sentindo um aperto no peito a cada revelação trágica. A escrita de Zafón tem esta empatia mágica, esta capacidade de nos transportar para as ruas de Barcelona, sentir o frio da neblina, ver as sombras que espreitam nas esquinas, conviver com as personagens que desfilam diante dos nossos olhos, tão reais, tão próximas, tão assustadoras ou encantadoras. 

Não posso, para não cair em tentação de desvendar mais do que devo, escrever muito mais sobre este último livro da saga. Fecha com chave de ouro, numa genial interligação de todos os quatros livros e as suas histórias e personagens.

É uma saga sobre livros, sobre a arte da escrita, sobre o poder da literatura. É uma história com um contexto de guerra civil e pós guerra, onde as intrigas e jogos de poder põem a descoberto o que de pior pode o ser humano fazer ao seu semelhante só por vaidade, ganância, poder e riqueza. É uma história de amor e de luta, de sobrevivência e procura pela verdade e pela justiça, é uma história que tem tanto de ternura como de violência crua. É uma história onde o amor e a amizade são, contra toda a crueldade, hipocrisia e violência, a sobrevivência numa sociedade devastada e despida de valores e humanidade e lealdade. 

Tão bom, mas tão bom que agora sinto um vazio. Não sei que hei-de ler a seguir, porque nada se vai aproximar. Só tenho vontade de pegar n' A Sombra do Vento e reler toda a saga, novamente, de seguida, num fôlego. Reencontrar Daniel e Fermín, reviver as suas aventuras e desventuras, rir-me com a prosa hilariante de Fermín, encantar-me com a ingenuidade e bondade de Daniel, conviver com o acolhedor núcleo Sempere e amigos. Envolver-me nos mistérios da escrita e dos livros, revisitar o Cemitério dos Livros Esquecidos e perder-me na sua magia, reencontrar os escritores malditos e sentir toda a maldade e crueldade de que foram vítimas, sabendo que justiça lhes será feita, passem os anos que passarem.

Tão bom, mas tão bom, que fechado o último livro fica este vazio. Como um até já, que na verdade é um até sempre! 

 

 

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