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Estórias na Caixa de Pandora

Só parei na última página

Escrito na Água é o mais recente livro de Paula Hawkins, autora do bestseller A Rapariga do Comboio. Não estou a dar nenhuma novidade, já que este livro tem sido amplamente divulgado e anda nas bocas do mundo.

Tinha-o na minha wishlist da WOOK, só que uma amiga emprestou-mo e eu não me fiz rogada. Ganhei novo alento e apressei a leitura que andava a ruminar ia para dois meses. Peguei nele no sábado à noite, li de uma assentada cerca de 100 páginas e fui vencida pelo cansaço. No domingo, o tempo chuvoso atirou-me para o sofá depois de almoço. Não foi preciso mais: retomei a leitura e só parei na última página. 

Na minha modesta opinião, e no rescaldo de leitura tão sôfrega, gostei mais que o anterior, A Rapariga do Comboio. Notei um amadurecimento no estilo narrativo e na complexidade da trama. As semelhanças são inúmeras: o mesmo esquema narrativo, com várias personagens que vão contando a sua versão da história, sob a sua perspetiva, as suas crenças e o seu parcial conhecimento dos acontecimentos e factos, quer do passado, quer do presente. Se no livro anterior a autora optou por ter apenas a perspetiva de três personagens, todas mulheres, neste livro temos mais personagens a narrar a sua versão dos factos, umas mais que outras, na maioria mulheres, mas também aparecem alguma vozes masculinas. E o impressionante é que no meio de tantas vozes, visões e versões, o leitor não se perde, pelo contrário, é convidado a ser ouvinte atento e a juntar as peças de um grande puzzle, tendo assim um papel ativo no desenrolar da trama. E isso cativa e prende-nos. Faz-nos querer saber mais e mais, estar atentos às subtis pistas deixadas por cada um que, na sua parcial e subjetiva verdade, vai mapeando o percurso até à verdade. São histórias interligadas, segredos guardados, medos reprimidos, mal entendidos que geraram rancores e ódios, arrependimentos tardios.

A pouco mais de 100 páginas do fim eu já tinha as minhas desconfianças, ainda que previsse um final que mudaria tudo no último minuto. Não me enganei muito. Na leitura que fiz, o grande vilão da história é um, ainda que... e não posso dizer mais nada. Leiam! E rendam-se a uma leitura cativante e apaixonante.

 

 

 

 

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