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Estórias na Caixa de Pandora

Sobrevivi

A semana passada foi esgotante. A nível emocional. O convite da sogra, a minha recusa, ele querer ir fez com que a relação terminasse. E ressuscitasse. Falámos como nunca falámos sobre o assunto. Chorámos ambos como nunca chorámos. Juntos. A compreensão da parte dele pelo que tenho vindo a acumular ao longo dos anos, como me sinto, a confissão que ele próprio já se pegou com a mãe porque ela tem de respeitar e aceitar a pessoa de quem ele gosta e escolheu apanhou-me, em parte, de surpresa, em parte não. No fundo eu sabia que ela fazia esse jogo com ele: falar mal de mim, convencê-lo que não era mulher para ele. Se na minha cara já disse e fez certas coisas, nas minhas costas então, seria mais que previsível.

Depois argumentou, como menino ferido, que já perdeu o pai e terá sempre a angústia com ele de não ter aproveitado o tempo que teve para estar com ele. Não quer que aconteça o mesmo com a mãe, independentemente do feitio dela. Nem com a avó, que tem quase 90 anos e não se sabe quando é o último convívio de família que terá com ela. Que faz questão destes convívios de família com as pessoas de quem gosta, eu obviamente incluída, e que lhe ia custar muito ir sozinho, sem saber o que dizer à avó sobre a minha ausência.

Cedi. Por amor cedi. Enterrei o machado de guerra e acompanhei-o ao almoço. Estive com a avó dele, conheci o namorado da mãe, pouco liguei à sogra, e por umas horas hastearam-se bandeiras brancas. É possível. 

Hoje tirei o dia de férias. Ele não conseguiu. Estou sozinha em casa, já despachei umas quantas coisas como estender roupa, passar a ferro, limpar cozinha. A seguir almoço e dou um salto ao supermercado. Se estivesse sol era provável ir até à praia, tomar um café comigo mesma, com o murmúrio do mar no fundo. Está de chuva e apetece-me sofá, gatos e um filme, enquanto a chuva cai lá fora e eu sinto-me em paz, depois da tormenta.

 

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