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Estórias na Caixa de Pandora

Porque estou numa de thrillers?!

Clicar na imagem para ver a sinopse.

Porque os devoro. Este durou cerca de 5 horas (não consecutivas, mas também não muito distanciadas).

É intenso. É sufocante. É perturbador. É psicologicamente arrasador.

Ao contrário dos que tenho lido, neste Ao Fechar a Porta não há um crime, um desaparecimento, um mistério a desvendar. Há um intenso relato de primeira pessoa (a vítima), que vai alternando entre o passado e o presente, um intervalo temporal de cerca de 15 meses, até que passado e presente se encontram.

Seguimos lado a lado com a protagonista, sentimos a mesma incredebilidade, o mesmo pânico, a luta pela sobrevivência, porque dela depende a pessoa que mais ama e que deve proteger, alimentamos a mesma esperança para manter a racionalidade, e caímos no mesmo desespero a cada tentativa falhada. 

É difícil largar até chegar à última página e saber como termina, se bem ou mal. A leitura é fluída, os capítulos pequenos, a narrativa bem construída, tão bem construída que nos agarra, nos faz sentir um nó na garganta, um sufoco, a cabeça a andar à roda. Uma frustração enorme e incapacitante, uma revolta cega, são os sentimentos que este livro mais me despertou. O vilão desta história resume-se nesta expressão popular: lobo com pele de cordeiro. 

Um livro que explora a violência psicológica, como é tão díficil de perceber, de provar, de pedir ajuda. Como é tão incapacitante.

Partilho aqui uma opinião bem construída sobre este livro, e que está muito próxima da leitura que fiz. Li outras opiniões de quem não gostou assim tanto e viu falhas. Foram justificadas, não lhes tiro o crédito. Ainda assim, e porque opiniões são isso mesmo, eu gostei e muito deste thriller. Não tivesse parado só na última página (ai que assim desgraço-me a comprar livros porque não duram nada).

 

Eu sei, eu sei. Entre a minha última opinião que escrevi sobre um livro e esta, já li outros quatro. Gostava de escrever um pouco sobre cada um, e o tempo vai passando. Em breve terei uns dias de férias, vamos lá a ver se tiro um tempinho para me dedicar ao blog e a partilhar as leituras dos últimos meses. 

Balanço leituras de 2017, a 16 de outubro: 12 livros lidos. O objetivo era um por mês, e mesmo com os meus períodos de paragem, até recuperei e bem. Venha o próximo. 

 

 

Últimas!!

 

 

Ainda antes de ir de férias fiquei de escrever sobre o livro que tinha lido em dois dias. Já se passaram quase dois meses e nos entretantos, já li outros dois. 

Durante a semana é difícil manter o ritmo de leitura. Mas ontem, fiz maratona e acabei o livro que uma amiga me emprestou. Eu ia sensivelmente a meio e sim, interessada no thriller. Mas o cansaço e a falta de tempo de qualidade para o deleite da leitura acaba por dar nisto: durante a semana nem lhe toco, vem o fim de semana, e devoro páginas atrás de páginas.

Agora o drama: que vou ler a seguir?! Só me apetece ler o que não tenho em casa! E ando numa de thrillers, nada a fazer. O mais parecido que tenho em casa, também me foi emprestado por uma amiga, e lá o tenho já há tempo demais à espera. Penso que é desta que vou pegar em Stieg Larsson

 

Vamos lá falar de livros

Em junho não resisti a uma dupla compra de livros. Dois thrillers que tinha na minha wishlist. 

Em menos de um mês devorei-os. Pronto. Isto ou anda ali a moer, a passos de caracol paralítico, ou numa voracidade feroz. 

Comecei por Estou a Ver-te, segundo livro de Clare Mackintosh. Já tinha lido o primeiro e adorei. Portanto a expetativa era alta. Não posso dizer que tenha desiludido, mas é inevitável comparar com o primeiro, e sim, gostei muito mais do primeiro, sentindo uma pontinha de desilusão por este segundo não ter sido tão bom. Ou então mea culpa que criei demasiadas expetativas em relação ao anterior, que foi simplesmente fenomenal.

 

No geral, a trama é inteligente, assustadora e tão atual. Estou a Ver-te foca a questão da falta de segurança proveniente das redes sociais. Até que ponto, por mais cuidado que tenhamos, estamos efetivamente seguros depois de publicarmos e partilharmos com o mundo as nossas banalidades da vida? Até que ponto nos podemos sentir seguros nas nossas vidinhas rotineiras, com os mesmos horários, roteiros, atividades? Teremos noção de como somos tão previsíveis no nosso dia a dia? Como isso nos torna presas demasiado fáceis?

O enredo desenrola-se pela voz de duas personagens: a protagonista da trama, a que vai desvendando os sucessivos mistérios, sendo ela uma potencial vítima na iminência de um crime, e uma detetive jovem, também ela com os seus fantasmas por resolver. Pelo meio a voz crua da mente psicopata por trás de todo o mistério. 

Só que a trama desenrola-se de forma algo lenta, com poucos avanços, confunde-nos, ainda que isso faça parte dos thriller psicológico, mas essa confusão não é só a propositada para desviar atenções e criar falsas pistas. É uma confusão gerada por descrições redundantes, personagens pouco fidedignas, cenários vagos. Com este avanço lento e maçudo, lá vamos construindo as nossas teorias, desenvolvendo as nossas suspeitas, mas como o ritmo da narrativa é algo redondo, que anda ali às voltas, sem sair do lugar, a curiosidade do leitor fica ali no limbo, sem ser muito espicaçada ou provocada, mas também sem ser totalmente ignorada. 

O final é um pouco imprevisível. Ou considerando que o leitor é apanhado de surpresa com uma revelação final, essa sim, um verdadeiro twist inesperado, pode-se considerar que há dois desfechos, o primeiro pouco previsível e cuja fundamentação me pareceu demasiado forçada, salva-se, no entanto, o epílogo que nos tira o fôlego e nos deixa a pensar que "ainda não acabou". Mas sim. Chegamos à última página assim, com um final que não é propriamente desfecho, fim de história, mas que acaba por ser a grande revelação inesperada, que nos apanha totalmente desprevenidos, até porque pouco antes dávamos a trama como resolvida. É um final um tanto ou quanto agridoce, porque levamos um murro no estômago, e quem leu o primeiro thriller da autora, relembra-se do fenomenal twist que nos faz recuar no enredo e perceber como fomos tão bem enganados, só que neste segundo thriller ficamos ali, com cara de quem leva com uma revelação que cai que nem bomba e assim fica, sem mais nada.

Parece que a autora está prestes a lançar um terceiro thriller, e vou ler, com toda a certeza, pois apesar deste segundo não me ter deslumbrado tanto como o primeiro, é uma autora a seguir.

Por fim, partilho aqui uma opinião que encontrei e com a qual partilho muitos pontos. Vale a pena ler. 

Fica para um outro post o feedback da leitura de O Casal do Lado. E este sim, tirou-me o fôlego e foi uma verdadeira surpresa.

Pandora, a devoradora de páginas

Não duraram um mês. Lidos. Um já foi emprestado, o outro já está pronto para seguir o mesmo caminho. Vale-me fazer estas trocas com uma amiga, porque é um bom vício, mas alimentá-lo a este ritmo emagrece a carteira.

E agora estou a tentar segurar-me para não fazer encomendas na WOOK, porque o que tenho em casa não me está a puxar ler. Ando viciada em thrillers e suspense. E tenho tantos na wishlist! Segurem-me!!!!

Sim, eu sei, tenciono mandar bitaites sobre estas duas leituras, mas por ora, não me apetece (aka tou sem cabeça). Ainda estou a digerir a minha voracidade.

 

A Viúva

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Li a sinopse deste livro e fiquei curiosa. No verão passado foi  destaque em várias livrarias, e como estava curiosa, adicionei-o à wishlist da WOOK. Não tinha calhado comprá-lo ainda e eis que uma amiga emprestou-mo, com o alerta que não lhe tinha achado piada nenhuma, que a sinopse engana bem, o raio do livro até irrita e soubesse ela qual era o tema, nem o teria comprado nem lido. Ora, como até temos gostos de leitura muito parecidos, levei a opinião dela a sério e pensei cá com os meus botões que o dito ia ser um balde de água fria. 

E não me enganei, nem ela me enganou. Continuamos muito similares nos gostos e opiniões literárias (embora ela tenha gostado mais de A Rapariga do Comboio e eu gostei mais do Escrito na Água).

Portanto, começo esta pseudo crítica com um honesto: não gostei, não recomendo, não percam tempo.

A premissa da história é revelar o lado ou a perspetiva da esposa de um assassino. Saberia ela quem era o marido? Seria cúmplice? Jamais lhe passaria pela cabeça do que ele era capaz? No fundo era mais uma das suas vítimas? 

Uma premissa interessante, sem dúvida. Mas neste livro acho, e isto é meramente a minha opinião de leitora, que foi uma premissa muito mal explorada, muito pobre no desenvolvimento, muito aquém das suas potencialidades.

A técnica narrativa é, pelos vistos está na moda, o ponto de vista de diferentes personagens. Cada capítulo, uma personagem, dentro de um núcleo de diferentes intervenientes, com diferentes pontos de vista. A viúva é o principal ponto de vista. No início até cria uma empatia, depressa se fica com a sensação de que é uma pobre vítima nas mãos de um manipulador e controlador. Casa jovem, dependente de um marido por quem tem uma estranha admiração, quiçá mesmo veneração ou obcessão, mas que no decorrer do relato se percebe que ela também não é a ingénua e pobre criatura que se esforça por parecer aos olhos de todos. Com o avançar do enredo comecei a sentir uma espécie de repugnância por aquela mulher, o verdadeiro lobo com pele de cordeiro. Será ela melhor que o marido que cometeu um hediondo crime? Será ela uma louca que deveria estar internada numa ala psiquiátrica? Um pouco de ambas? Enfim, a fulana é doida varrida e de coitadinha tem muito pouco. 

Quanto ao crime, tudo gira em torno do desaparecimento de uma criança. No decorrer das investigações chegam a Glen, só que todas as provas reunidas acabaram por não surtir efeito em tribunal e ele sai em liberdade. Há uma tentativa forçada de manter o leitor na expetativa se seria ele culpado ou inocente. Anda a polícia novamente a conduzir a investigação sobre o desaparecimento da criança, continuando com o principal suspeito, entretanto ilibado, debaixo de mira, quando ele morre no que parece ser um trágico acidente. E a viúva tem todas as respostas e é preciso fazê-la falar. Torna-se então o centro das atenções da imprensa e da investigação policial.

Num jogo de gato e rato, a viúva vai libertando as verdades e os segredos escondidos, mas toda a narrativa e o encadeamento dos acontecimentos está forçado, com uma lógica rebuscada, com muitos pontos vazios que ficam sem resposta ou explicação. 

Não costumo ser spoiler, mas neste caso, e como também comecei logo por dizer que não recomendo a leitura, vou adiantar que o crime é um rapto motivado por pedofilia. Um viciado em pornografia infantil, um homem estéril que não conseguiu dar à sua mulher o filho que ela tão obcecadamente desejava, um dia vê uma menina a brincar no jardim de casa sozinha, leva-a, não sabemos exatamente o que aconteceu, apenas que a sepultou numa floresta. Se ele era um pedófilo referenciado, com vários crimes? Não. Era um ser estranho, com características de psicopata, que desenvolve um vício por pornografia infantil, culpando a obcessão da mulher por crianças. Depois de ter sido investigado, preso, e ilibado em julgamento, confessa o crime à mulher, conseguindo que ela se sinta uma espécie de cúmplice. E ela guarda esse segredo, com uma crescente raiva, até ao dia em que dá uma mãozinha para que um aparente acidente aconteça e o marido morra. 

O livro termina com a polícia a segui-la, madrugada dentro, a ir visitar a sepultura da criança. Confirma-se o crime, encontra-se a o corpo da criança, revela-se o culpado, sem surpresas, sem nenhum volte-face que fizesse o leitor ficar surpreendido. Pior, fica-se ali num limbo de comos e porquês sem resposta, sem explicação. 

E pronto, foi uma desilusão, um balde de água fria. Uma história com tanto potencial, com tão bons ingredientes para um ótimo thriller, e que ficou aquém das expetativas. 

O Amor nos Tempos de Cólera

Antes da leitura febril de Escrito na Água, andei dois meses com este clássico de Gabriel García Márquez. Dois meses. Não tanto porque a leitura não me cativasse, mas pela falta de disponibilidade a nível de tempo e emocional. Há alturas erradas para determinadas leituras, e acredito que não escolhi o momento certo para esta leitura. 

Se a história me desencantou? Não. Se a leitura foi lenta por não me prender? Talvez. 

Tenho andado numa fase em que os livros que me prendem e me fazem "arranjar tempo" são thrillers ou mistério e suspense. Aquela curiosidade e ansiedade de avançar e descobrir os motivos, o criminoso, os meandros dos mistérios move-me, motiva-me, empolga-me.

Neste romance de Gabriel García Márquez temos uma história de amor inserida numa crónica social e de costumes. Temos um triângulo amoroso que, não o sendo nos moldes comuns dos triângulos amorosos, dura 51 anos, nove meses e quatro dias, numa passividade platónica de deixar a vida acontecer, acreditando que, algures no tempo, o destino se encarregará de juntar os dois jovens, pueris e inocentes apaixonados, que a vida, a teimosia ou o acaso separaram em tenra idade.

O quotidiano das personagens, movendo-se à frente deste cenário, acaba por ser a medida e o sentido de todas as coisas: a pobreza e o luxo, a solidão e a festa, a glória e a miséria dos dias. O que melhor o romance comporta é uma atitude filosófica elementar: humaniza, através do amor, a morte inevitável dos homens (...).

Uma breve paráfrase da ação da obra, para que dela se captem os mecanismos utilizados na construção da história: no dia em que o octogenário Dr. Juvenal Urbino acaba de ser enterrado, Florentino Ariza apresenta-se na casa da viúva Fermina Daza e reafirma-lhe uma "fidelidade eterna e um amor para sempre". Sobre esse momento tão ansiosamente esperado, haviam decorrido cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias, ou seja, desde aquela hora fatal da juventude em que Fermina decidira repudiá-lo. Nesse tempo, tendo concluído que Florentino não passara duma "sombra" na sua vida, casa com Urbino e apaga da sua memória o antigo apaixonado, de quem vinha recebendo súplicas, hinos plangentes arrancados às cordas do violino, flores e missivas diárias carregadas de poemas líricos e frases de grande apuro estilístico. (...)

A ação do romance vem a culminar num fim feliz: Fermina recebe Florentino na sua intimidade, e nasce entre ambos uma espécie de núpcias sublimes a que as viagens intermináveis dos barcos fluviais emprestam a sugestão do retorno ao paraíso perdido. (João de Melo)

Um romance de memórias, constantes retrocessos no tempo, um herói solitário, peregrino num labirinto de paixão e amor, agarrado à esperança de que um dia a sua amada, a quem jurou uma fidelidade de monge, o salvará da sua sombria vida. Um romance onde as dicotomias vida/morte, amor/solidão, doce destino/fatalidades e cruezas da vida andam de mãos dadas e acompanham este homem na sua odisseia de estar vivo e não ser amado.

 

Só parei na última página

Escrito na Água é o mais recente livro de Paula Hawkins, autora do bestseller A Rapariga do Comboio. Não estou a dar nenhuma novidade, já que este livro tem sido amplamente divulgado e anda nas bocas do mundo.

Tinha-o na minha wishlist da WOOK, só que uma amiga emprestou-mo e eu não me fiz rogada. Ganhei novo alento e apressei a leitura que andava a ruminar ia para dois meses. Peguei nele no sábado à noite, li de uma assentada cerca de 100 páginas e fui vencida pelo cansaço. No domingo, o tempo chuvoso atirou-me para o sofá depois de almoço. Não foi preciso mais: retomei a leitura e só parei na última página. 

Na minha modesta opinião, e no rescaldo de leitura tão sôfrega, gostei mais que o anterior, A Rapariga do Comboio. Notei um amadurecimento no estilo narrativo e na complexidade da trama. As semelhanças são inúmeras: o mesmo esquema narrativo, com várias personagens que vão contando a sua versão da história, sob a sua perspetiva, as suas crenças e o seu parcial conhecimento dos acontecimentos e factos, quer do passado, quer do presente. Se no livro anterior a autora optou por ter apenas a perspetiva de três personagens, todas mulheres, neste livro temos mais personagens a narrar a sua versão dos factos, umas mais que outras, na maioria mulheres, mas também aparecem alguma vozes masculinas. E o impressionante é que no meio de tantas vozes, visões e versões, o leitor não se perde, pelo contrário, é convidado a ser ouvinte atento e a juntar as peças de um grande puzzle, tendo assim um papel ativo no desenrolar da trama. E isso cativa e prende-nos. Faz-nos querer saber mais e mais, estar atentos às subtis pistas deixadas por cada um que, na sua parcial e subjetiva verdade, vai mapeando o percurso até à verdade. São histórias interligadas, segredos guardados, medos reprimidos, mal entendidos que geraram rancores e ódios, arrependimentos tardios.

A pouco mais de 100 páginas do fim eu já tinha as minhas desconfianças, ainda que previsse um final que mudaria tudo no último minuto. Não me enganei muito. Na leitura que fiz, o grande vilão da história é um, ainda que... e não posso dizer mais nada. Leiam! E rendam-se a uma leitura cativante e apaixonante.