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Estórias na Caixa de Pandora

Thank You, Chester Bennington!

I'm tired of being what you want me to be
Feeling so faithless, lost under the surface
I don't know what you're expecting of me
Put under the pressure of walking in your shoes
Caught in the undertow, just caught in the undertow
Every step that I take is another mistake to you
Caught in the undertow, just caught in the undertow

I've become so numb, I can't feel you there
Become so tired, so much more aware
By becoming this all I want to do
Is be more like me and be less like you

Can't you see that you're smothering me?
Holding too tightly, afraid to lose control
'Cause everything that you thought I would be
Has fallen apart right in front of you
Caught in the undertow, just caught in the undertow
Every step that I take is another mistake to you
Caught in the undertow, just caught in the undertow
And every second I waste is more than I can take!

I've become so numb, I can't feel you there
Become so tired, so much more aware
By becoming this all I want to do
Is be more like me and be less like you

And I know I may end up failing too
But I know you were just like me with someone disappointed in you

I've become so numb, I can't feel you there
Become so tired, so much more aware
By becoming this all I want to do
Is be more like me and be less like you

I've become so numb, I can't feel you there
I'm tired of being what you want me to be
I've become so numb, I can't feel you there
I'm tired of being what you want me to be

 

Linkin Park é a minha banda de eleição. Acompanho-os desde início, 1998/99, com o Hybrid Theory, e não mais os larguei. 

Na adolescência vincamos os nossos gostos musicais. Passei por várias fases, até metal gótico ouvi. Mas poucos ficaram para a posteridade. Linkin Park sim. Sempre que havia um novo álbum, eu ouvia e ouvia. Adorei e tive a música New Divide, da banda sonora Transformers, meses a fio como toque de telemóvel. Numb é daquelas músicas que tanto me embalou na angústia de uma adolescência final, quase adulta. Aquela música que ouço porque significa algo cá dentro, como uma identidade impressa numa melodia.

Chester Bennington é(ra) a poderosíssima voz, a que subia e descia de tom, flutuava as emoções e arrepiava a pele. Ainda arrepia. Arrepiará sempre que a ouvir. E hoje ouço. Com dor. Porque sim, custa saber desta notícia, ainda que não surpreenda. 

Obrigada, Chester, por tudo o que nos deixaste! 

 

O pior é que não me surpreende

Ontem tomei um banho bem quente, bebi chá de limão, tomei o anti-histamínico e adormeci no séc. XXI. 

Hoje creio ter acordado na Idade Média.

Trump é eleito, senhores, isto até é ridículo de se dizer, eleito (poder dado ao povo para votar no seu representante) presidente dos USA e, por consequência, líder mundial de uma superpotência económica e militar.

E eu, que raramente me meto em debates políticos, ainda que mantivesse uma esperança remota de não assistir a esta realidade, lá ia dizendo que não me admiraria que Trump ganhasse, já que ele personifica o cidadão americano burro, xenófobo, acéfalo, bruto, de um patriotismo cego pelas armas e poder bélico. E pelos vistos não me enganei. E caramba, como eu gostava de estar redondamente enganada. 

Mas o que ainda me surpreende mais é como é que o povo (eleitor) americano, depois de um presidente fenomenal como Obama, um humanista inteligente, carismático, que procurou melhorar a vida dos seus cidadãos, procurando corrigir as desigualdades sociais e garantir-lhes os seus direitos naturais, que promoveu a paz no mundo, usou o poder do diálogo em negociações de paz, como, pergunto-me como é possível este povo, depois de ter tido um iluminista como presidente, escolher um homem das cavernas para seu sucessor? Os americanos gostam de chafurdar na trampa, não gostam? E arrastar o resto do mundo. 

 

Opinando

Todos os dias há um incêndio nas redes sociais. Cada vez mais me abstenho de comentar, não que não tenha opinião, mas também tenho mais que fazer do que participar num linchamento em praça pública, com verdades absolutas e irrefutáveis (isso existe). Mas vamos lá fazer um resumo das últimas polémicas, sobre as quais a minha opinião nada conta.

 

1. Uma jovem de 16 anos foi violada por 33 homens. Contexto: parece que a jovem saiu de casa para ir passar a noite com o namorado, que mora numa favela, e consta que o mesmo pertence a um cartel de droga. A violação já por si só é um ato repugnante, sórdido, indescritível de tão horroroso que é. Uma violação coletiva multiplica em muito tudo aquilo que uma violação significa. Não são homens, são bestas. Pior que animais, que na vida selvagem não se vê esta selvajaria. Depois há quem coloque a culpa na jovem, porque até tem histórico de toxicodependência, porque até teve um filho aos 13 anos, portanto de criança inocente não tem nada. Nada, absolutamente nada justifica um ato sórdido e nojento que é a violação, muito menos por 33 bestas. Ainda assim, eu só pergunto uma coisa: a jovem pertence a uma família de classe média, mãe professora. Não é nenhuma sem abrigo, órfã, desprotegida. Então onde raio estava a família quando permitiu que a menina fosse dormir a casa de um namorado, traficante, que mora numa favela (que não é propriamente o lugar mais seguro do mundo)? Onde estavam os pais? É apenas a pergunta que levanto.

 

2. Um gorila de 17 anos foi abatido quando uma criança de quatro anos caiu na jaula dele. Ora bem, tranquilizantes parece que não era solução porque demorava a atuar, mandar tiros, sujeitos a acertar na criança, sem dúvida que era mais seguro. E a criança estava em risco de vida eminente? É que segundo testemunhas, até parece que o gorila estava mais numa posição de proteger a criança do que matá-la. Ainda assim, e não querendo entrar em opiniões radicais sobre o valor da vida animal ou humana, que só por acaso, também é animal, pelo menos sempre me ensinaram que o que distingue a raça humana dos restantes animais é a racionalidade, facto que acho discutível, já que humanos com racionalidade parece-me coisa rara (ver ponto anterior, o exemplo de 33 bestas, que essas sim, deviam ser abatidas, mas andam por aí, provavelmente à procura da próxima vítima), deixo a pergunta: onde estavam os pais da criança de quatro anos quando esta caiu na jaula de um animal? A tirar fotos para o instagram? Mata-se o gorila, eventualmente debate-se a segurança do dito zoológico, mas e a responsabilidade de zelar pela criança e pela sua segurança? Onde estavam os pais?

 

3. Colégios privados e manifestações. Bem, este tópico dá-me vontade de rir. Ou não. É tão absurdo que nem percebo como continua na ordem do dia. A polémica instala-se porque o governo decide cortar apoios na sequência dos contratos de associação a 49 colégios privados. Os contratos de associação surgiram no contexto de numa determinada área geográfica sem oferta pública de ensino, o governo subsidiava o estabelecimento privado dessa zona para que as crianças e jovens pudessem lá estudar sem pagar a mensalidade de colégio privado. Faz sentido. Repito, na falta de oferta pública de escola na zona geográfica, isto faz sentido. Na cidade onde eu moro, e da qual constam dois desses colégios que perderam os subsídios, conheço a realidade envolvente e nunca percebi bem porque raio os ditos colégios estavam ao abrigo desse contrato de associação, uma vez que a poucos kms de distância, poucos, existem várias ofertas públicas de escola. O ensino privado, e não querendo entrar na questão se é de qualidade máxima, é, como a própria designação diz: PRIVADO. O que é privado paga-se. Se eu vou a uma clínica privada, pago a consulta, os exames, o que tiver de fazer. Se for a um hospital público pago taxas, e se estiver isenta, não pago nada. Porque há-de o ensino privado ser subsidiado pelo Estado com dinheiros públicos? Indecente é sê-lo, exigirem que o seja, quando no ensino público houve tantos cortes por causa da crise. Os paizinhos que se insurgem porque querem os seus petizes no ensino de excelência, é simples: paguem. O bolso dos contribuintes não tem de financiar este pedantismo bacoco. 

 

4. José Cid parece que fez comentários pouco simpáticos sobre os transmontanos. Não sei, não vi, só ainda passei os olhos pelas múltiplas partilhas e opiniões difundidas no facebook. Mas agora a sério, já olharam bem para o José Cid? E estão a levar as tretas que ele diz a peito? Não têm mais nada que fazer? Ele conseguiu o que queria: publicidade. É o "falem bem ou falem mal, o que importa é que falem". Indiferença e desprezo é, nestes casos, sempre o melhor remédio. 

 

Pandora, a comentadora de red carpet

Estava a vegetar pelo mail, decido abrir a newsletter da Caras, nomeadamente o link para ver a passadeira vermelha dos Grammy Awards

Ora bem, não se assustem que não vou dissecar as 84 fotos que vi. Resumo tudo em:

1. Alguém me confirma se o carnaval não foi na semana passada?

2. Red Carpet deve ser carnaval em inglês chique. 

3. Morticia Adams a ditar tendências.

4. O sambódromo tem mais classe. 

Pronto, é isto. 

 

 

 

Votar ou não votar!

Dá-me cá uns suores frios a essa gente fundamentalista, quer os que defendem o voto quer os que defendem a abstenção. O fundamentalismo, seja do que for, dá-me arrepios no fígado, pronto.

Ontem não votei. Queimem-me, qual bruxa da Idade Média, judia da Inquisição. Tronco e chicote, porque a branca não foi votar. 

Não pude. Saí da minha cidade antes das urnas de voto abrirem e cheguei já tinham fechado.

Mas agora levo com os discursos inflamados desses defensores do voto, porque os 53% de abstenção são uma vergonha e mimimimi, ide-vos foder. Tenho dito. Mania de mandar papaias a querer mandar na vida dos outros, na escolha dos outros. Ah isto é democracia e cada um é livre, MAS... 

Para mim a abstenção gritante, a cada eleição, que acontece no nosso país é um sinal evidente do descontentamento generalizado pela classe política, pelos políticos. É um grito mudo de revolta. E tantas vezes o silêncio significa tão mais, e grita tão mais alto que os urros bélicos ou as vozes destes extremistas de meia tigela.

 

Tragicomédia em 3 actos

Acto I

Dia de eleições legislativas, redes sociais inundadas com as selfies com os boletins de voto.

 

Acto II

Dia após as eleições, redes sociais inundadas de indignação por ter sido reeleito o PM Passos Coelho.

 

Acto III

António Costa é indigitado PM pelo Presidente Cavaco Silva, redes sociais inundadas com a indignação de Passos Coelho ter ganho as eleições e agora ser o António Costa a governar.

 

Catárse: Foda-se, pá, decidam-se! 

 

As palavras que não tenho

Corria o ano de 2001. Setembro. As aulas na universidade ainda não tinham começado, as férias já tinham acabado e eu andava às voltas a estudar para uma melhoria de nota na época de recurso. Nessa manhã acordei cedo para estudar. Tomava o pequeno almoço com a TV ligada. Vi imagens de uma das torres a arder, sem perceber se aquilo era o próximo filme sensação a ser lançado nos USA ou se era mesmo notícia a sério. Tentava perceber o que se estava a passar, e vejo o segundo avião a embater na segunda torre em direto. Ainda hoje me arrepio quando me lembro. Sozinha, em casa, na insignificância da minha vida, a milhares de kms de distância do que estava a acontecer, e senti terror. Não estudei nesse dia. Não consegui largar a televisão. Já havia internet, mas longe de se comparar ao que é atualmente. Redes sociais, nem se ouvia falar. Portanto restava-me a tv e todos os programas de informação disponíveis.

O mundo mudou nesse dia. Nunca mais foi o mesmo. 

2015. Novembro. Mais um ataque terrorista. Mais um. Independentemente do quão boquiabertos, em choque, completamente petrificados, com um nó na garganta e a pele arrepiada ficamos, é mais um. Tem sido assim. Desde o 11 de Setembro. 

Não quero minimizar, longe disso. Não sou das que muda a foto ou a cor do facebook em solidariedade com estas tragédias, assim como não faço do facebook um obituário com livro de honras. Não exponho assim a minha solidariedade, o meu pesar. Não me identifico. Também não critico. De lamentar é o campo de batalha em que as redes sociais se transformam. Ou por causa das fotos, ou por causa das generalizações, das opiniões tão cheias de pretensa verdade e certeza absoluta, quase tão fanáticas como o fanatismo que tem ensombrado o mundo. E o horror dos acontecimentos quase que passa para plano secundário, lembrado como o mote da nova batalha facebookiana.

Na hora de almoço li este texto. Com um arrepio a percorrer-me a espinha, com um nó na garganta. Assim como ontem fiquei quando li este testemunho. E fico sem palavras, com o assombro do que aconteceu, de mais um acto de terrorismo contra inocentes. 

O mundo mudou em 2001. O terrorismo passou a fazer parte deste mundo que partilhamos, como uma sombra. Não podemos viver no medo, não podemos permitir que nos dominem pelo medo, mas como não ter medo, quando na passividade dos nossos dias, sem que nada o fizesse prever, acontece mais uma tragédia ignóbil como esta?

Não tenho palavras. Não as há. Não consigo imaginar o pânico daquelas pessoas. Nem a sua dor. A sua angústia. Nem o terror a que sobreviveram, ou assistiram. O medo com que vivem no rescaldo do que aconteceu. Não consigo imaginar. Que palavras poderei eu ter? 

 

Vem aí a Terceira Guerra Mundial

Pingo Doce lança a Chef Express.

Três dias depois, Continente vende a Yämmi a 150€ e anuncia novo modelo para 2016.

A Bimby é... a Bimby.

Lidl também vai ter nas suas lojas o Monsieur Cuisine no dia 12 de Novembro.

E ainda há outros, menos falados, menos mediáticos.

Haja robots de cozinha. É para todos os gostos e carteiras.

Por mim falo, comprei a Yämmi há um ano e até agora sem reclamações, sem problemas. Para o uso que lhe dou, para o tipo de alimentação que tenho, chega e sobra, estou muito bem servida.

Claro que se não tivesse nenhum, estaria muito inclinada para a do Pingo Doce, mas ahhhhhh, 150€ pela Yämmi é ter um bom robot de cozinha praticamente de borla. 

 

Mas a malta vai gastar o subsídio de férias na coleção Balmain da H&M. 

 

Universitários ou sociopatas?!

Caloira no hospital após praxe com álcool na praia. 

Isto para mim não é praxe. Não é integração. Não é merda nenhuma a não ser comportamentos sociopatas que devem ser punidos como potenciais homicidas, e isto antes de se tornarem serial killers. E não me digam que eu estou a exagerar. Só um filho da mãe de um sociopata, desprovido de valores morais e sentimentos, para manipular os outros e levá-los a arriscar as vidas. 

Ah e tal os caloiros podem dizer não. Podem, mas com "veteranos" destes dizer não e enfrentar a dita praxe de integração pode trazer consequências assustadoras. Quem tem cu, tem medo, diz o povo e diz bem. Os caloiros estão numa fase em que se sentem fragilizados: a mudança para a universidade, muitos implica sair de casa, da sua cidade, estarem sozinhos, sem amigos, sem conhecerem nada nem ninguém. Vendem-lhes a praxe como integração e fonte de amizades. Pois, eis a manipulação dos projetos a doutores que não passam de uns merdas para com os que se encontram fragilizados.

Enterrar pessoas vivas, embebedá-las até perderem os sentidos, atentar contra a integridade física e moral dos outros é CRIME. Não é praxe.