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Estórias na Caixa de Pandora

Dolce Fare Nienti

Ora e as férias estão na reta final, isto passa que é um instante.

Nada há de interessante a registar. O grande objetivo era descansar e tratar de umas pendências. Done and done.

Hoje já fomos tratar do novo sofá para a sala. Encomendado. Escolhido e personalizado à medida, com as cores que queremos, com as funcionalidades que idealizamos. E um dos móveis que tínhamos desenhado e pedido orçamento também está encomendado. Que comece a little makeover home edition. Algumas ideias ficaram pelo caminho, outras soluções vão surgindo nesta cabecinha, mas o que já estava decidido passou à fase de concretização. 

Ontem S. Pedro deu-me um dia de chuva e mais chuva. Ótimo para um dia de ronha, de dolce fare nienti. Acordámos tarde e más horas, fizémos um brunch caseiro, aterrámos no sofá com os gatos e foi ver filmes. Pronto, não foi só. Aproveitei para arquivar uma papelada e outra tanta foi para o ecoponto. 

Quanto ao aniversário, dia banalíssimo. Troquei o bolo de aniversário por um jantar de sushi, a dois. Que barrigada!!! 

E é isto. Não há relatos e fotos de hóteis com spa, massagens e piscina, não há relatos nem fotos de passeios giros a sítios interessantes, dignos de recomendação. Há simplesmente esta banalidade de pessoa tão comum e irrelevante. 

 

Primeiro dia de férias

Que maravilha que sabe acordar mais tarde, despreocupada, sem ter de enfrentar uma segunda feira que abre portas a toda uma semana de muito trabalho, stress e incertezas quanto às horas de sair e que condiciona todas as outras coisas da minha vidinha.

Adiante. O plano é basicamente não ter planos. No ano passado também tirámos esta semana de férias, aproveitámos para uma escapadela de três dias fora. Este ano outras prioridades se levantaram ao nosso orçamento. Queremos fazer alguns investimentos em casa e, como não se pode ter tudo, optámos por fazer férias caseiras. Uma semaninha que vai passar a voar, eu sei, mas é aproveitar para descansar, relaxar dos últimos tempos de loucos que tenho vivido, aproveitar para tratar de alguns assuntos pendentes que, por falta de tempo e cabeça, têm ficado adiados. E aproveitar para, claro, também dar uns passeios. Vamos ver se o S. Pedro colabora, mas sem grande fé que já me chegou um zunzum de previsões de chuva.

Hoje fomos feirar até Espinho. Bater perna com a amiga do peito pelas bancas da feira enquanto se põe a letra em dia, almoçar um delicioso hambúrguer artesanal com umas batatas fritas divinais. À tarde rumei ao Porto para ir ver ao vivo e a cores sofás, já que um dos nossos projetos é investir num novo sofá para a sala. Já tinha posto este sofá nos meus favoritos, e não me enganei. Ao vivo é perfeito para a nossa sala, tem as funcionalidades que procuramos para rentabilizar o espaço e arrumação. Enfim, está no topo dos favoritos. Ainda há outras possibilidades que queremos equacionar, portanto, ainda nada decidido em definitivo. 

Ah e tal foste à Feira de Espinho e compras? Pois que quase nada. Ofereci um conjuntinho ultra fofinho ao bebé da minha amiga, a quem carinhosamente chamamos "mau feitio", já que a criança não deixa ver se é um ele ou uma ela. Vira o rabiosque e a malta que se roa com a curiosidade. Para mim apenas umas leggings curtas, todas psicadélicas, para as minhas aulas de cardio fitness. Para quem só usava preto, agora é ver-me com os estampados mais coloridos que se pode imaginar. É. Assim distraio a malta e ninguém repara nos buracos da celulite. 

Agora vou ali refastelar-me no sofá, ver um filme, sem preocupação das horas a que durmo e tal... férias são férias. 

 

Último dia de férias

Ontem deixei-me dormir. Sem despertador. Acordei eram 10h30. Estive em casa o dia todo. Passei a ferro, cozinhei a mais para já ter almoços para as marmitas, li, bebi chá e comi torradas de pão alentejano, recebi o senhor dos móveis que andou a tirar medidas para uns quantos móveis que idealizamos de forma a maximizar arrumação e organização de espaços. Aguardo o orçamento e espero não me assustar. 

Não liguei o computador e a pouca tv que vi foi quando estive a passar a ferro.

Mimei os gatos, que ainda estão em modo carentes pela ausência de 3 dias da dona, uma eternidade. 

Arrumei as decorações de natal. Sim, já está tudo arrumado à espera do próximo. 

Tentei deitar-me mais cedo. Não consegui. Fiquei a ler até à 1h da manhã.

Hoje regresso à rotina dos dias. Assim seja! 

 

Pandora, o gajo e a mala

É muito bom ir laurear a pevide para fora uns dias, viajar, mesmo que seja ir para fora cá dentro uns diazinhos, poucos. Mas fazer a mala é coisinha para me fazer bufar um bocado. Principalmente quando o gajo é pior que eu para escolher o que levar, e leva sempre a mais porque pode precisar... "ah e tal posso sujar-me!"

Respira, Pandora, inspira! 

 

Quase, quase, quase...

Entro hoje de férias. Há colegas que já estão de férias. Pelo que há tarefas deles para garantir, há as minhas que quero deixar em dia antes de uns dias de merecida pausa. Portanto o dia está a ser de loucos, mas caramba, com este gostinho a férias, o trabalho, ainda que intenso e em quantidade, tem outro sabor.

Serão umas mini férias, com direito a uma escapadela. Quero descanso, e abraços de quem tenho saudades e anseio por (re)ver, e sorrisos, e conversas à lareira, e uma passagem de ano diferente que me vai renovar a alma. 

Provavelmente vou estar afastada da Caixa, e prevendo isso, deixo já os meus votos de boas saídas e melhores entradas no novo ano. Que se renovem esperanças, que se carreguem energias, que se respire fundo e se encontre força e balanço para mais 365 dias de oportunidades e desafios.

 Feliz 2017!

Sejam felizes! É o único objetivo que importa traçar para o novo ano.

 

Fui ao Algarve brincar aos pobrezinhos!

Já regressei de terras algarvias há três dias, mas isto de chegar de férias tem que se lhe diga. É desfazer as malas, lavar roupa, arrumar coisas, é mimar os gatos, é arejar a casa, é ir abastecer o frigorífico ao supermercado... enfim, é bom voltar a casa, e isso implica regressar a rotinas.

Vale-me que regresso ao trabalho só na próxima semana, e por isso, o tempo vive-se ainda a ritmo desacelerado, aproveitando para fazer as coisas que se gosta, descansar, manter a boa vibe de quem regressa de férias. E estaria ainda num estado muito zen, não fosse a calamidade dos incêndios, que me deixa de lágrimas nos olhos e garganta apertada. Para não variar, o distrito de Aveiro é um dos mais fustigados, e hoje de manhã acordei com intenso cheiro a fumo e com o terraço coberto de cinzas. E sim, estou a kms dos incêndios ativos e mesmo assim chegam aqui vestígios trazidos pelo vento forte. Se ao menos desse tréguas para ajudar o trabalho incansável dos bombeiros. 

Então este ano Pandora e Gandhe, pela primeira vez, rumam ao Algarve para férias. Digamos que o Algarve turístico que toda a gente fala não nos seduz. Nunca seduziu. Há muitos anos atrás estive lá de férias e não gostei. Anos depois fui lá uns dias em trabalho, e mantive a opinião: não aprecio. De maneira que nunca esteve nos nossos planos. Porquê este ano? Bem, Gandhe, quando há uns meses mudou de turno, foi trabalhar com um colega que tem uma pequena casa em Cabanas de Tavira e que costuma arrendar a colegas. Ele perguntou aos colegas que lá costumam ir de férias como era a zona e as praias, e teve relatos muito entusiasmados de como era zona calma, longe do rebuliço turístico das zonas mais badaladas, que as praias eram espetaculares, blá blá blá. E lá me convenceu a ir. Conseguimos a primeira semana de agosto,  lá fomos nós, não sem antes parar no nosso amado Alentejo para uma visita aos nossos amigos.

Nos entretantos, tinha comentado com uma amiga que ia para a zona de Tavira, e ela disse que eu ia para a zona mais bonita e calma do Algarve, que tinha a certeza que eu ia adorar. Confiei na opinião dela, mas nestas coisas, eu sou como S. Tomé: ver para crer. Primeira semana de agosto no Algarve? Hum... ia de pé atrás, confesso.

Coincidência ou não, nas vésperas da nossa ida, deparo-me com um artigo de opinião na Visão sobre o bom Algarve.

 

Há um Algarve Bom, o das pontas, que merece ser salvo dos ativos tóxicos do Algarve Mau dassunset pool parties, sardinhas on carvon e do chicken piri-piri

 

Sorri para mim mesma, achando que o universo conspirava para que eu fosse fazer as pazes com o Algarve. 

 

O Algarve do polvo de mil maneiras de Santa Luzia, das vistas de Cacela, das areias da Terra Estreita. Da Tavira cheia de graça, da medieval Castro Marim e da Vila Real de Santo António cada vez mais bonita, a anos-luz da vizinha Ayamonte, outrora a irmã cobiçada onde se ia lavar as vistas e comprar caramelos e chouriços. O Algarve do restaurante Noélia e Jerónimo, onde se come a divinal raia alhada, as pataniscas com açorda de conquilhas ou o polvo trapalhão com batata-doce. Onde os mercadinhos vendem peixe pescado durante a noite, figos de casca negra acabados de colher, uvas com sabor de antigamente, tomates coração de boi doces e de acidez perfeita, azeite a granel e laranjas não harmonizadas tão doces que surpreendem a cada dentada. Onde há gelados de alfarroba, arroz de lingueirão com peixe frito e morgado de figo.

 

Este parágrafo resumia de forma deliciosa a zona para eu estava prestes a ir. Senti mais confiança que ia gostar, sem saber que vinha embora a querer regressar.

Resumindo muito resumido: a casa do colega do Gandhe é uma fofura, uma pequenina casa T1, num bairro de pequenas casas junto ao Parque de Campismo de Cabanas de Tavira. Quando lá chegámos foi instalarmo-nos na casa, conhecer as redondezas e rumar ao supermercado fazer compras para a semana. A nossa ideia era levar sandes e fruta para a praia, até porque já sabíamos que íamos para praias que ficavam numa ilha, e como a casa tem um pequeno jardim e um páteo ótimo para churrascos, os nossos jantares eram grelhados no carvão, carne ou peixe, que íamos comprar fresco ao mercado de manhã, com umas belas (e frescas) saladas, regadas a Lambrusco rosé (adoro). 

Fomos à praia da ilha de Tavira, apanhámos o ferry, e ficámos surpreendidos porque a ilha tem bastantes infraestruturas: campismo, casas, restaurantes, bares. Ainda assim foi lá que pagámos o café mais caro: 1,20€.

Eu já tinha nos planos ir conhecer a praia de Cacela e essa foi a nossa segunda praia. Maravilhosa! A vila de Cacela a Velha é uma típica e tradicional vila algarvia, a paisagem sobre a Ria Formosa é de tirar o fôlego e nos deixar completamente embevecidos a olhar para o horizonte. E a praia é maravilhosa. Na ida apanhámos maré baixa, pelo que fomos a pé, na vinda tivemos de apanhar o barco, senão só a nado.

Ao terceiro dia fomos para a praia da ilha de Cabanas de Tavira e foi a praia que fizemos os restantes dias. Apanhar o barco e rumar à ilha. Tem um pequeno restaurante e dois bares, a praia é grande, ainda que concorrida, mas há lugar para toda a gente sem nos sentirmos sardinha em lata. 

O mar é verde água, enquanto aqui no norte temos o mar de um azul profundo. A água, bem, entrar é muito fácil, o complicado é sair, porque está-se lá tão bem. Com o calor que apanhámos era na água que se estava bem, pronto.

Demos as nossas voltinhas, fomos a esplanadas tomar café, ou beber umas canecas de cerveja com tremoços, à noite bebi caipirinhas por 5€, exatamente o preço que pago em Aveiro, e isso surpreendeu-nos, porque esperávamos preços mais inflacionados.

Na penúltima noite descobrimos bem perto de onde estávamos instalados um bar 5 estrelas. The Old Barrel, um bar irlandês com um atendimento excecional (e eu que já dizia que o mau das férias era o péssimo atendimento dos algarvios, que devem muito à simpatia), um ambiente acolhedor, uma carta de bebidas de babar e a preços que me deixaram boquiaberta. Juro, nem em Aveiro. Os gins mais caros da carta custavam 6,80€, e mesmo sendo a água tónica paga à parte, ficava o gin abaixo dos 10€. Gandhe, como apreciador de gin que é, estava deslumbrado, até porque em Aveiro, os gins mais baratos andam na casa dos 9€/10€. Já eu deliciei-me com cocktails por 6€, sendo que numa das noites aproveitei o cocktail que estava como promoção da noite a 5,25€. 

Chamámo-nos nomes feios por ter descoberto aquele bar a duas noites do fim das férias, mas ainda foi a tempo, e se o tivémos descoberto mais cedo, de certeza que não teríamos ido a outros sítios e estado noutras esplanadas, a ouvir música ao vivo e a desfrutar do cheiro a maresia vindo da ria.

Houve um dia que decidimos que íamos jantar fora, e fomos ao conceituado e muito conhecido, pelo arroz de lingueirão, Restaurante Pedro. Eram 19h e estávamos na esplanada a perguntar se ainda se arranjava mesa para dois, e conseguimos. Pedimos polvo para entrada, o famoso arroz de lingueirão, especialidade da casa e prato típico da zona, uma garrafa de Muralhas verde branco, cafés e sobremesa... a extravagância ficou em 48€ e uns cêntimos. Mais uma vez, ficámos surpreendidos porque esperávamos preços mais inflacionados. Quanto ao arroz, uma delícia!!! Não sei se é o melhor do Algarve, foi a primeira vez que comi, não tenho termo de comparação, mas que estava delicioso e me soube pela vida, isso sim.

Na nossa última noite optámos por ir a um take away que fica no fundo da avenida de Cabanas, e uma vez mais ficámos surpreendidos pelos preços: 1 frango de churrasco com arroz e batata frita, 8€, por exemplo. 

Esta parte dos preços surpreendeu-nos mesmo. Ainda que seja uma zona mais calma do Algarve turístico, não deixa de ter e de viver do turismo, e em plena época alta, mês de agosto, seria de esperar, à semelhança de outros sítios, que inflacionassem os preços. Por isso ficámos deveras surpreendidos e pela positiva. Adorei os nossos grelhados no páteo da casa, ao entardecer, enquanto se bebia uma mini e se aproveitava o fim de tarde depois da praia. Então o peixe que comprávamos fresco pela manhã no mercado era divinal assim, grelhado no carvão com umas pedras de sal. Ainda assim, foi bom saber que também podemos ir buscar comida ou ir jantar fora sem que isso seja um escandaloso rombo no orçamento das férias. E por isso eu ia brincando a dizer que fui ao Algarve brincar aos pobrezinhos.

Adorei. Há anos que não fazia assim uns dias de praia, com direito a vários banhos de mar por dia. Descansei, li, relaxei, conheci locais lindos, e passei ao lado de outros que ficaram na lista para futuras visitas num regresso. 

Se foi tudo perfeito? Não. Para começar fui atacada por melgas e eu, alérgica que sou, lá tive de ir à farmácia comprar uma pomada para pôr nas borbulhonas que tinha nas pernas e braços. Depois, tanta coisa para comer as tão famosas bolas de berlim do Algarve, e só me calharam bolas de berlim sem creme... percebemos depois que para as ilhas os vendedores de bolas de berlim não podem levar com creme. Bola de berlim sem creme? A sério???? Coisa mais sem gracinha nenhuma. E por último, ficou mesmo a impressão do algarvio antipático. O atendimento ao público é a despachar, sem simpatia ou cortesia. Podiam ser melhores.

Agora, para terminar o relato que já vai mais que longo, era partilhar umas fotos, não era? Confesso que não tirei às centenas, mas tirei umas quantas.

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No ferry para a Ilha de Tavira

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 Praia da Ilha de Tavira

 

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 Cacela e Praia da Cacela: sem dúvida o sítio onde tirei mais fotos. 

Deslumbrante!

 

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 Praia da ilha de Cabanas 

 

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O delicioso arroz de lingueirão!

 

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 As nossas bebidas no The Old Barrel.

 

Ai que suspiro!!! Pensar que há uma semana atrás estava lá, no bem bom. Aquela água quente e transparente...

O regresso a casa ainda significa idas à praia da Barra, mas para quem vem de águas quentes, cá, só de molhar os pés, congela a espinha, chiça ! Em compensação, já comi a bola de berlim COM creme. E os churrascos no carvão continuam no terraço cá de casa, infelizmente com cheiro a incêndios a pairar no ar e a ensombrar-nos o semblante.

Afinal, ainda se vivem dias de férias e são para aproveitar até ao último minuto.

 

Na reta final

O que é bom acaba depressa, já se sabe, e quando se trata de férias, elas voam à velocidade da luz. 

Só regresso ao trabalho dia 16, mas o regresso a casa é já dentro de 24h e se estou cheia de saudades dos bichanos, com saudades de casa, da minha cidade e ainda conto com uns dias para lazer e ir à praia da minha cidade, a verdade é que já está a bater a melancolia pelo fim destes dias longe, afastada de tudo o que faz parte dos meus dias, das minhas rotinas e afazeres. 

Vim fazer as pazes com o Algarve e tenciono regressar. Porque é bom regressar onde nos sentimos bem. Mas isso ficará para outro post.

Agora vou aproveitar as últimas horas antes da viagem de regresso.