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Estórias na Caixa de Pandora

Impossível ficar indiferente!

É uma causa que muito significa para mim. Porque não sou indiferente aos seus olhares tristes, ao sofrimento e abandono, à fome e frio e dor por que passam. Porque se há causa pela qual dou a voz e o corpo, é esta.

E o Guilherme deu a sua voz ao manifesto. Sem eufemismos, porque não os temos de ter para com as bestas a quem este vídeo se destina, aos ínfames cabrões que abandonam e mal tratam um ser vivo que sente e sofre, seres humanos que de humano nada têm, tal é a crueldade de que são capazes.

 

 

 

Um animal NÃO é um acessório de moda

Na semana passada liguei, na hora do lanche, à policlínica veterinária para ver se ainda conseguia uma consulta para um dos meus gatos. A minha colega (com quem já tive este episódio) pergunta-me o que se passa, digo-lhe que ele anda com problemas nos dentes, e ela faz uma expressão parva e tece um comentário como se eu fosse uma maluca que se preocupa com os dentes dos gatos.

Na consulta de sábado, em conversa com a veterinária, falo desta moda do Bulldog Francês e na parvoíce que é esta mentalidade medíocre de achar que um animal é um acessório de moda, ao que a veternária responde que se as pessoas efetivamente soubessem no que se estão a meter quando compram um Bulldog Francês, talvez não aderissem à moda, que sim, é uma parvoíce sem tamanho esta coisa das pessoas quererem raças porque está na moda, porque toda a gente tem, porque também querem, e nem se preocupam em saber mais sobre a dita raça, características, problemas comuns de saúde, ou seja, prepararem-se devidamente para a chegada de um animal, seu acompanhamento e cuidados a ter. Por isso é que quando os problemas de saúde surgem, ou quando se cansam de cuidar do animal, a rua ou o despejo num canil ou associação é sempre a via mais fácil (será que também se descartam dos miúdos quando eles sujam o sofá, quebram um vaso ou fazem merda atrás de merda?). Já para não falar que para comprar o dito cão de ração, não se importam com os €, mas depois alimentar em condições, cuidados de saúde, e tratamentos quando ficam doentes, ah isso é muita despesa. 

Coincidência ou não, também este fim de semana cruzo-me com este artigo na Visão: 

O Bulldog Francês tornou-se um 'acessório da moda' e há pessoas que devolvem cães porque não combinam com o sofá

Não tenho muito mais a acrescentar ao artigo. 

Hoje tive de ir deixar o meu gato à policlínica, vai lá passar o dia para ser sedado e poderem tratar dos dentes: destartarização e extração dos que estiverem em mau estado. Avisei a minha colega que poderia atrasar-me, para avisar o chefe, caso passasse da hora. E deve ter avisado, apesar de eu até nem me ter atrasado, porque ainda não são 10h da manhã e estou farta de ouvir boquinhas sobre gatos.

Eu respiro fundo e nem respondo. Para quê? Não entendem, nunca vão entender. Em mim vêem a maluquinha dos gatos, a amiga dos animais, dizem-me para me deixar de gatos e ter filhos. Como se eu, por acaso, também lhes desse bitaites sobre a vida deles, os filhos ou o raio que os parta. Hoje estou azeda. E a morder a língua, claro, porque se fosse a responder à letra às piadinhas e boquinhas, as consequências para mim não seriam muito simpáticas.

E é sempre isto, no fundo, o que nós, defensores dos animais, sofremos. É este gozo e estas acusações, é este calar porque não vale a pena argumentar com mentalidades que continuam a ver animais como coisas, como objetos que se têm, de preferência que sejam da moda, para estar dentro das tendências. 

E no meio de tanta estupidez, sou eu que estou errada, por ver nos animais seres vivos que sentem, sofrem e têm necessidade de cuidados vários, como qualquer ser humano vivo?

 

 

Desabafo

Hoje andei, novamente, em serviço externo com um colega. A meio da tarde deparo-me com uma situação que me deixou revoltada, zangada, com vontade de chamar polícia, bombeiros, o Papa se fosse preciso, mas na impotência em que estava de poder fazer alguma coisa, fiquei completamente desfeita, com um nó na garganta e os olhos a lacrimejar. 

Num estaleiro de máquinas agrícolas deparei-me com uma casota de pedra. Presa com cadeado uma cadela, à volta dela os filhotes, esses soltos. A cadela estava ao sol, com um pote de água mais esverdeada que um sapo, uma gamela com meia dúzia de grãos de ração seca, ali, presa, debaixo de um calor intenso, em cima de pó, encostada a um muro, e mesmo à beira do sítio onde passam viaturas, camiões, máquinas agrícolas. Bateu a revolta quando vi aquilo. Mas doeu tão fundo ver aquela cadela, numa doçura extrema, de olhar triste, a saltar para o muro a tentar alcançar-me, como se me pedisse ajuda, para ela e para os filhotes. 

Sim, podia ter pegado no telemóvel, ligado para a GNR. Procurado na net uma associação local, pedir ajuda, denunciar a situação. Mas estava em trabalho, com viatura da empresa, com um colega a quem isto nada afeta e não gozou comigo porque me viu verdadeiramente transtornada. E depois a verdade é que a cadela estava em propriedade privada. Tem dono. Alegadamente comida e água. Chamar a polícia para nada fazer? Estar sujeita a reprimenda porque estava em funções e em horário de trabalho? As associações estão a abarrotar, bem sei, e já senti na pele o que é pedir ajuda para um animal em risco e negarem-se com o argumento que estão lotados e não podem. É demasiada impotência que me revolta as entranhas, e choro agora de raiva e de mágoa por ver estas coisas e não conseguir fazer nada. 

 

 

 

Vou para o céu dos cães (e para o inferno dos humanos)

Na rua onde moro há uma cadela vadia. Há oito anos que ali moro e ela já lá andava quando me mudei. 

Cadela desconfiada, habituada à vida dura da rua, tem sobrevivido estes anos todos naquele que é o seu território e ao qual é leal. Conhece os moradores, ladra a um estranho que estacione lá o carro, há um conjunto de pessoas que a vão alimentando e há o outro conjunto de pessoas que chama o canil, que inventa agressões da cadela a pessoas e manda bocas a quem vai zelando pelo animal.

Enfim, ela tem sobrevivido e está gordinha. Mas não dá a mão. Quando me vê, não se afasta, mas também não me deixa tocar-lhe. Abana o rabo, volta e meia até me brinda com umas corridas e rebolanços à minha frente, como se me agradecesse a comida e água que lhe vou dar. 

Chega esta altura do ano e é uma consumição. A cadela está carregada de carraças. Como não dá a mão, dar-lhe um banho, pôr-lhe uma pipeta ou um pó está fora de questão. Desparasitantes externos por via oral não há grande oferta, mas lá andei eu a pesquisar e a procurar um que fosse em comprimido, para lhe poder pôr na comida. Finalmente encontrei. Uma caixa de seis comprimidos ronda os 30€. Um comprimido por mês. Tratamento de seis meses. 30€! Chiça, é dinheiro, que é. Mas é mais forte que eu (vá, insultem-me e indignem-se), mas encomendei os comprimidos na farmácia porque não consigo ver aquela cadela a ser comida viva com tanta carraça que tem agarrada a ela.

Além disso, não tarda começam as indignações dos estúpidos. Porque é um perigo para a saúde, porque larga carraças no passeio e na entrada do prédio, porque podem levar parasitas para casa e é um perigo, e as crianças e o caralho que os fodam, porque para falarem, criticarem e mandarem vir, é com essa gentalha. Fazer alguma coisinha para minimizar ou resolver o problema, tá quieto, dá trabalho e custa dinheiro.

E entre todos 30€ dava uns tostões a cada um, mas a solidariedade só existe no mural do facebook, para todo o mundo aplaudir, que se dane, gasto os 30€ para ajudar o animal. E que o universo me retribua, de alguma maneira, nem que seja a que aquela praga caia da cadela e a deixe sossegada, sem lhe andar a sugar o sangue.

 

O ano passado, por esta altura, por causa do mesmo problema, uma das vizinhas, que se gaba à boca cheia que tem um caniche anão que custou 500€, teve o desplante de me vir perguntar se a senhora da associação, que fica lá perto, não podia dar nada para parar a praga das carraças. Apeteceu-me mandá-la para outro lado, mas limitei-me a esboçar o meu maior sorriso amarelo e dizer que estava eu a tratar do problema. Eu e outra vizinha. Eu tratei do remédio para dar à cadela, a outra vizinha de um pó para espalhar pelo passeio e na entrada do prédio. Mas quem deu 500€ para comprar um cão, andava toda indignada porque as pessoas da associação de animais é que têm obrigação (segurem-me para não partir os dentes quando ouço estas barbaridades) de pagar para resolver este problema da rua onde a madame mora. Até porque o caniche precisa do chão limpo para se passear e mijar na entrada do prédio, coisa que a cadela vadia não faz. Tem mais educação que o caniche de 500€, que vai fazer as suas necessidades à terra, não anda a manchar e a pôr maus cheiros na entrada do prédio. 

Mas hei, insurjam-se é contra mim, que defendo os animais. E em vez de ajudar as criancinhas esfomeadas da Etiópia, vou gastar dinheiro num cão de rua. 

 

Leilão de livros para ajudar a Becas

A Becas é uma gatinha bebé. A Becas tem um problema grave de saúde e estão a ser feitos todos os possíveis para a curar. Estes tratamentos têm custos e apanharam a Marta completamente de surpresa, por serem tão dispendiosos. Mas quem ama luta, e por isso a Marta está disposta a ir até ao fim para ajudar a pequena Becas a curar-se e a regressar a casa.

Para isso está a organizar:

Toda a ajuda, por mais pequena que possa parecer, é bem vinda. 1€ de uma rifa, a oferta de um livro para leiloar, um pequeno donativo, o simples divulgar, porque a quanto mais pessoas chegar o pedido de ajuda, maior a probabilidade de haver mais ajudas. Um pequeno gesto de cada um de nós pode ajudar a Marta a salvar a sua Becas.

Para atualizações, quer do leilão de livros, quer da venda de rifas para sorteio de livros (já houve, entretanto, novidades, livros novos a aparecer), quer para acompanhar a evolução do estado da Becas, sigam o blog: Clube de Gatos do Sapo

Não vou comprar mais livros (isso e acordar mais cedo)

Pois que aí estão duas das mentiras que digo a mim mesma vezes sem conta. Só que não (esta expressão está mesmo na moda). 

Na semana passada esteve a decorrer no facebook um leilão solidário de livros, cujo objetivo era angariar verbas para a esterilização de uma matilha de cães. Uma amiga minha está na organização do evento e pois que recebi o convite e não me fiz rogada. Andei a ver as montras e licitei dois livros. E ganhei. 

 

O primeiro já estava na wishlist, pois claro, que histórias de gatos estão para mim como as amêndoas de chocolate branco na Páscoa: devoro tudo. 

O segundo é um clássico que há muito está nos meus planos de leitura. 

Foram duas oportunidades de adquirir livros a bom preço (15,50€ os dois) e acima de tudo poder participar em mais uma campanha para a causa animal. Impossível resistir!

 

Não entendo e não me peçam para entender!

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Hoje tive uma pequena contenda com uma colega. Como sempre, eu acabo por me calar, não só porque não quero ser extremista e obrigar os outros a entenderem ou aceitarem os meus pontos de vista, mas também porque já percebi que debater este assunto com certas pessoas é tempo perdido.

O assunto começou porque a colega em questão tem um cão de raça e anda à procura de uma namorada para ele. Mas não pode ser uma namorada qualquer, tem de ter pedigree porque a ideia é fazer criação. E para quê? Perguntava eu. "Porque eu quero. Fico com um e os outros vendem-se." E foi aqui que se me arrepiaram todos os pelos do corpo, até as pestanas. 

CONTRA, TOTALMENTE CONTRA esta ideia de fazer criação de animais para venda, porque sim, porque são de raça e dá para fazer dinheiro com eles. Que pariu a mentalidade de merda desta gente que usa os animais assim, como se fossem batatas que se semeiam para depois vender. As batatas servem de alimentação nas nossas mesas, os cães são animais, seres vivos, sentem frio, fome, medo, sentem alegria, brincam, são amigos. Têm alma. Quem diz os cães diz outro qualquer animal. Para mim não há raças. Há raça cão, raça gato, raça cavalo. Os animais não vêm com uma etiqueta como as calças de ganga da salsa ou da Levi's, não vêm com o logótipo cravado na testa como as malas CH ou Hermès. 

Contra-argumentei que há tantos animais nos canis e em associações à espera de um dono, tantas ninhadas nascidas na rua, bebés que ainda antes de nascerem já sabem o que é o abandono, a fome, o frio, o medo... ah, são rafeiros, mas nada contra os rafeiros. E eu a começar a mudar de cor, a respirar fundo e a mandar à merda mentalmente para não me saltar a tampa e perder a razão pela atitude incorreta. Eu até já tive rafeiros

Pois, o teu cérebro também é bem rafeiro, mais rafeiro que os rafeiros que falas, assim, com esse desdém. Viessem os filhos com etiquetas como Gucci e Channel e já estou a imaginar muitos rafeiros jogados nos caixotes do lixo.

Não entendo. Nunca vou entender. Não me peçam para entender como aparecem apelos nas redes sociais para adoção de ninhadas nascidas na rua e não há comentários, mas aparecem anúncios de venda de cães ditos de raça e é só comentários e interessados. Falam da crise, mas para comprar animais de raça, certamente para exibir como quem exibe um rolex, não há crise. Ou como essa minha colega, que me olha de lado porque faço unhas de gel todos os meses, e ai que é muito dinheiro. Certamente gastou mais dinheiro a comprar o cão. E nas vacinas do cão, e na ração xpto do cão, ah isso não, dá-lhe da de supermercado que é mais barata. Pronto.  O cão de raça xpto é para exibir, não para cuidar de acordo com o pedigree.

Não entendo. Nunca vou entender. Não me peçam para entender compra de animais, exploração de animais para entretenimento (touradas, circos, e mesmo os zoológicos só aceito os que efetivamente zelam pelo superior interesse e preservação do animal). Jamais entenderei a tortura, os maus tratos, o abandono. 

E para pessoas como a minha colega, eu aconselhava a que fossem durante umas semanas até uma associação fazer voluntariado. Vissem ao vivo e a cores como são tratados muitos animais, independentemente da dita raça. Talvez, talvez, se fizesse um pouco de luz naquelas cabeças sem etiqueta de grife para perceber algo tão básico quanto isto: um animal é um ser vivo, uma alma, dotada da capacidade de sentir. Respeitem-no como ser vivo que é, com direito à sua liberdade, à sua dignidade, à sua vida. 

 

Ai ai ai... como recusar um convite destes?

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Eu, Pandora Maria Rococó, pouco habituada a receber mails e convites, acuso-me como uma distraída quanto ao mail do blog. Lembro-me de lá ir uma vez por semana, às vezes mais tempo. Eis que tinha um mail de uma leitora à minha espera, o qual respondi com atraso, mas com todo o carinho e atenção que ela merecia, e tinha um convite para participar como co-autora do blog Amigos dos Animais.  

Aceitei o convite, mas não sei se estarei à altura para publicações frequentes. Vou tentar, ainda mais porque o tema do blog me diz muito, muito mesmo. 

Obrigada pelo convite.