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Estórias na Caixa de Pandora

Agora a sério, das resoluções de ano novo

Não sou gaja de listas de resoluções de ano novo. Do vou comer melhor, fazer mais exercício físico, meditar, aprender yoga e a dança dos pauliteiros (é só pra homens?!), ler 365 livros, cozinhar 738 receitas novas e abraçar o vegetarianismo, poupar mais, ser mais saudável, mais isto e aquilo e aqueloutro. Não sou. Lá porque muda o ano, não, a vida não muda milagrosamente, nem nós. O processo de mudança é bem mais complexo que o virar do ponteiro do relógio à meia noite do dia 31 de dezembro.

No entanto, e dado que o ano de 2017 foi, na sua generalidade, do início ao fim, um ano de merda que me derrubou, sim, eu aproveitei, qual naufrago em desespero, o estado de espírito da época, este renovar de esperanças, sonhos, objetivos, planos para os próximos doze meses do calendário. Sim, fiz a minha lista. Escrevi-a para mim. Para materializar e mentalizar os meus desejos de naufrago à deriva numa vida que anda um caos. Porque o meu grande desejo, não de ano novo, mas do momento presente da minha vida é este grito do Ipiranga

Ainda hoje admiti a uma amiga que não me reconheço ao espelho, que não vejo um sorriso, um brilho, aquele sentido de humor, uma certa leveza e serenidade. Que ando tão cáustica e explosiva que já nem a mim me aguento. E o meu esforço está em reverter isso. Venha o Desfoda-se!!!!

A minha lista de ano novo, guardada na minha caixa de Pandora, é um pouco este tentar encontrar de volta o trilho da minha vida sem estar subjugada e dominada por tamanho stress. Então fui escrevendo itens, como quem procura pistas e migalhas para voltar ao caminho certo.

O mais curioso é que um dos primeiros itens que escrevi foi o de sair a horas do trabalho (vá, meia hora de tolerância). Descarrilei logo no primeiro dia. Soaram todos os alertas. Não pode ser, não pode ser, e não pode ser. E o universo encarregou-se de me fazer chegar lembretes.

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Esta imagem tem surgido no meu mural de facebook todos os dias. E eu, numa onda toda mística, encaro como um sinal, um lembrete para não me fazer desviar do que tracei para atingir a minha meta. 

Sim, tenho cumprido. E sem sentimentos de culpa. Consciência tranquila. E as noites começam a ser melhor dormidas, sem o constante sobressalto do muito que está sob a minha alçada, sem as crises de ansiedade e stress, pontilhadas com esporádicos ataques de pânico. 

É cedo para cantar vitória por objetivo cumprido. Baby steps. Um dia de cada vez, uma pequena conquista de cada vez. E passo a passo hei-de retornar ao que era, ao meu equílibrio, à minha harmonia, à minha calma e serenidade, ao meu sorriso e boa disposição. Tive de começar por algum lado e escolhi começar por aqui: recuperar a minha vida!

 

Ano novo

Ora, eis-me acabada de chegar de umas mini férias. No verão passámos um fim de semana com os nossos amigos alentejanos, numa visita breve, a caminho das férias no Algarve. Nessa altura ficou no ar a ideia de irmos passar o ano com eles, e por isso mesmo guardámos uns dias de férias para lá irmos, aproveitando a passagem de ano, para mais uma visita. Assim fomos, para uns dias com os nossos amigos, para uma passagem de ano que se preparava para ser em casa, à lareira, em volta de mesa farta e animada, com mais uns quantos amigos. 

Mas os planos saíram furados. A vida acontece, e nem sempre acontece como gostaríamos. Horas depois de chegarmos junto deles, dos primeiros abraços e dos planos para a noite seguinte, que se queria de festa, regada a champanhe, um dos nossos amigos recebe a notícia do falecimento da avó. A vida a pregar uma dura rasteira. Fomos todos inundados de uma tristeza que nos ceifou a disposição para festejos de passagem de ano.

Os planos obviamente foram cancelados. Ainda insistiram connosco para que fôssemos a qualquer lado lá, que procurássemos uma festa e nos fôssemos divertir. Podíamos ter ido, sim, podíamos. Mas o objetivo da nossa ida lá foi estar com eles, tendo como mote a passagem de ano. Dadas as circunstâncias, que se danasse a festa de passagem de ano, nós quisemos foi ficar junto deles. Porque para nós os amigos não só para festas e festejos, são para todas as ocasiões, incluindo as tristes, mesmo em alturas que é suposto serem de festa. 

A passagem de ano foi, como já era previsto, em casa, à lareira, de pantufas nos pés. Jantámos, porque os vivos têm de comer, fizemos um recatado brinde ao novo ano que chegou, agradecemos a mesa com comida, a amizade, desejámos que o novo ano fosse mais brando, principalmente aos nossos amigos que não tiveram um ano fácil e terminou desta maneira triste, com a perda de um ente muito querido. Recordaram a longa e feliz vida de quem partiu, e nós tentámos confortar a sua tristeza e prestar o apoio que precisassem. Não fomos lá para ter uma festa de arromba. Fomos rever amigos que tanto estimamos, e acabámos a partilhar com eles o seu momento de dor e perda. 

Não tive uma passagem de ano glamorosa, com brindes atrás de brindes, com serpentinas e confetis, numa alegria que é quase obrigatória nesta noite do ano. Mas tive uma passagem de ano especial, na medida em que, acima de tudo, prevaleceu a amizade e o poder de um abraço. 

E estas rasteiras da vida que acontecem sem ninguém esperar, tão pouco adivinhar, faz-nos dar valor ao que realmente importa nesta vida: e não são os festejos, os brindes, as serpentinas, as passas engolidas a pedir desejos fúteis. Haja saúde, haja amigos (dos verdadeiros), haja coragem e esperança, haja uma mão estendida e um abraço no momento certo, e o caminho que temos de percorrer torna-se menos penoso.

Agora que já regressei a casa, que já abracei os meus gatos, e já lavei roupa, e já comecei a pôr a casa em ordem para o regresso à rotina, restam-me dois diazinhos de férias para aproveitar. Há assuntos a tratar, sofá para desfrutar, livro para ler, tempo para recuperar fôlego para este novo ano que começa. Venha 2017, traga o que trouxer, espero saber aprender, desfrutar, valorizar, viver. 

 

Quase, quase, quase...

Entro hoje de férias. Há colegas que já estão de férias. Pelo que há tarefas deles para garantir, há as minhas que quero deixar em dia antes de uns dias de merecida pausa. Portanto o dia está a ser de loucos, mas caramba, com este gostinho a férias, o trabalho, ainda que intenso e em quantidade, tem outro sabor.

Serão umas mini férias, com direito a uma escapadela. Quero descanso, e abraços de quem tenho saudades e anseio por (re)ver, e sorrisos, e conversas à lareira, e uma passagem de ano diferente que me vai renovar a alma. 

Provavelmente vou estar afastada da Caixa, e prevendo isso, deixo já os meus votos de boas saídas e melhores entradas no novo ano. Que se renovem esperanças, que se carreguem energias, que se respire fundo e se encontre força e balanço para mais 365 dias de oportunidades e desafios.

 Feliz 2017!

Sejam felizes! É o único objetivo que importa traçar para o novo ano.

 

Detox

O dia 26 tive tolerância de ponto. Gandhe já está de férias.

Dia 26 aproveitámos a manhã para umas comprinhas no supermercado, meio sem querer andámos nas promoções no centro comercial, ele comprou dois pares de calças, eu fiz este pequeno estrago, mas quando regressámos a casa com as comprinhas, andámos os dois a fazer um detox ao roupeiro. 

Mais ele que eu, que volta e meia lá vou separando umas coisas, a verdade é que tirámos praticamente tudo, do que já não servia, ou por estar largo ou por estar apertado, foi logo para o lado. Depois foi mais aquele refletir sobre as peças que ainda servem mas, a primeira pergunta era logo: há quanto tempo não visto isto? Eu por exemplo, tinha calças de verão guardadas que não as visto há vários verões. Porquê? Sei lá. Nunca são primeira opção. Ou porque o tecido engelha muito, ou porque me obrigam a determinado tipo de calçado, normalmente saltos altos, que já não uso tanto como antes, ou porque o meu "estilo" mudou e já não gosto tanto, ou ou ou, a verdade é que nem me lembrava da última vez que as tinha vestido. Faz sentido tê-las no roupeiro? Não.

O resultado foi 3 sacos grandes de roupa, dois de roupa dele, um de roupa minha, e dois sacos de calçado, a maioria dele, que isto de fazer detox ao roupeiro entusiasmou-nos e levou-nos também ao calçado. 

A sensação de leveza é indescritível. E desengane-se quem achar que agora vou a correr para os saldos para preencher o espaço livre. Não. Cada vez mais estou apologista do minimalismo. Não que tenha só um par de calças, mas pretendo ter apenas o que realmente uso e visto e gosto, sem ser em quantidades absurdas. Tenho lido sobre o conceito armário cápsula. Ainda não estou propriamente a esse nível, mas estou nesse caminho, ao gerir o que já tenho, a selecionar o que fica e o que vai e a comprar com maior rigor e consciência. E este é o caminho que pretendo trilhar. Não é um objetivo de ano novo, é antes o afinar uma postura que já adquiri há algum tempo: da máxima "só entra novo quando sai velho" evoluo para um "sai tudo o que não uso sem pensar em substituir por novo". É um desprendimento libertador, garanto.

 

Desafio da poupança

O desafio das 52 semanas é interessante quando se vê o saldo final que se pode conseguir com a poupança, mas creio ser irrealista para uma boa parte das pessoas. E começa a sê-lo a partir de maio/junho. Sim, falo por mim. Poupar numa semana aquilo que tenho como orçamento semanal para ir aos frescos (fruta, legumes, iogurtes, pão, e outros bens essenciais que estejam a faltar nessa semana) é simplesmente deixar de comer fruta ou legumes para pôr o dinheiro num frasco. E para fazer o quê ao fim do ano mesmo? Meter numa conta poupança? Fazer uma viagem? Comprar as prendas de natal? 

Devemos poupar sim, eu tento sempre ter um pé de meia para um qualquer acaso que venha a ser preciso, já que não gosto de ser apanhada desprevenida na curva. Mas a verdade é que amealhar assim dinheiro só porque sim, pelo prazer de ver o frasco a ficar cheio, tem de ter a sua lógica e sensatez. 

Ora bem, em 2015 eu fiz um mealheiro. Comprei uma daquelas latas que não se podem abrir e ia pondo no final de cada semana as moedas de 1€ e 2€ que tivesse no porta-moedas. Mas onde podia eu poupar as ditas moedas para enfiar na lata? Vou sempre a casa almoçar, uma vez por outra almoço com uma amiga ou assim, mas é acontecimento esporádico. Por norma levo o lanche da manhã e da tarde de casa, não vou todos os dias ao bar da empresa. Lá há o dia em que vou lá, ou porque apetece um docinho, ou porque cheira a bolo caseiro, ou porque até preciso mesmo reforçar a dose de café. Portanto era pôr de lado aquele dinheiro que não gastei a ir ao bar, porque levei lanche de casa. Deduzi que não ia chegar ao fim do ano com nenhuma fortuna e pensei para que ia amealhar: para uma prenda de natal especial? Para ir aos saldos? Para uma coisa para mim, daquelas assim mais caras, tipo um anel da Pandora, que tem anéis lindos e eu babo-me por eles?

Sem ter o objetivo definido, lá fui pondo as moedas, quando as havia e eu decidia canalizar para a lata da poupança. Em setembro lembro-me que parei com este alimentar da lata, e já em Agosto não devo lá ter posto muitas moedas. 

Portanto, sem grande expetativa, no final de dezembro abri a lata. Contei as moedas e juntei nada mais nada menos que 60€. Nenhuma fortuna, como eu deduzi logo, mas ainda assim, considerando que não cumpri o plano o ano todo, obtive uma quantia simpática. Pensei para comigo o que ia fazer ao dinheiro. Ora, as prendas de natal estavam compradas, os anéis da Pandora (da outra Pandora, fosse eu, fosse) são lindos, mas aqui entre nós, tanto dinheiro por um anel de prata? Tenho anéis de prata bem bonitos por menos dinheiro. Pus a hipótese de ir aos saldos, mas sem estar a precisar de nada, para quê ir gastar dinheiro só porque sim?

Que fiz eu, então, com os 60€ amealhados? Nada mais nada menos do que iniciar nova lata, já com esse valor em saldo. A ideia continua a ser no final de cada semana colocar na lata as moedas de 1€ e 2€. No entretanto, defini uma nova estratégia que tenho posto em prática desde setembro: no início do mês levanto um valor que fixei para pagamentos em numerário ao longo desse mesmo mês. Nesses pagamentos está contemplada a mensalidade da escola de dança, a mensalidade das aulas de ginástica, e a minha manicure mensal das unhas de gel. O que resta é para aqueles pequenos pagamentos: um lanche, um café, qualquer coisa que precisei ir ao supermercado e o valor é pequeno, uma saída para um copo com amigos, um par de brincos que vi e gostei, etc. Portanto, são nestes (não) gastos que vou poupar para a minha latinha. De cada vez que vir uns brincos na Parfois e NÃO os comprar, moedas para a lata, de cada vez que resistir às fatias dos bolos caseiros que a menina do bar faz, moedas para a lata. A primeira semana de Janeiro rendeu 3€ na lata. 

Estarei longe dos 1300€ que o desafio das 52 semanas anuncia. Mas sei que estarei de pés assentes na terra, a poupar umas moedas de cada vez que não comprar/gastar em coisas que não preciso. No fundo é ir mudando os hábitos de consumo aliados aos hábitos da poupança. Se daqui a um ano tiver 150€ na lata, ficarei muito feliz porque continuo no bom caminho.

O que farei ao dinheiro que tiver? Não sei. Na altura penso nisso. Quem sabe não me acontece o mesmo que aconteceu agora, e transita o saldo para o ano seguinte. 

 

Pergunta

Aproveitando os temas da ordem do arranque de novo ano, deixo a pergunta: o que fazem com as agendas dos anos que já passaram?

Eu, durante anos, guardava-as numa caixa. Até que a caixa encheu. Até que percebi que, em boa verdade, nunca as tinha aberto para recordar o que quer que fosse. Saltou tudo para o ecoponto, menos uma. Relativamente recente, feita de propósito para mim, com um tecido magnífico que escolhi, com gatos (evidentemente), e que por esse seu lado único não consegui atirá-la para o ecoponto. Mas se a abro para recordar o que quer que seja? Não. É, no fundo, mais uma tralhinha que lá está, enfiada na caixa, que entretanto albergou outras tralhinhas que andavam nas gavetas e não fui capaz de as enviar para o ecoponto. 

Agora que proliferam as fotos das agendas fofas, com entusiasmo pueril de quem tem um ano em branco para muito viver, planear e sonhar, resgistando nas agendas, o que fazem depois que elas viram anos velhos, vividos e já escritos?

 

Arranque do ano, parte II

O Sapo destacou o meu post sobre os saldos. Obrigada, Sapo, por dares visão a quem simplesmente não vai aos saldos. 

Hoje mantive o foco (oh pra eu a usar linguagem fitness) e não me baldei às aulas de ginástica. Depois de um mês de baldas, em que só lá pus os pés no dia do convívio natalício, ou seja, para comer, eis que hoje, contra a preguiça, a chuva, a vontade de aninhar no sofá, lá fui eu, equipada, à aula. Palminhas para mim. Mas não me obrigem a fazer a vénia, que os abdominais não mo permitem. 

Toda a gente elogia o cabelo curtinho. Gabam-me a coragem da mudança radical de visual. Dizem que fico mais nova, com cara de miúda. É bom saber que me dão 15 anos. Qualquer dia pedem-me o cartão de cidadão para me deixarem beber uma caipirinha.

Agora vou ali dedicar-me aos alongamentos na horizontal, munida do meu pijama quentinho. Se me sentir com forças para isso, ainda faço levantamento de livro e sprint de páginas.