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Estórias na Caixa de Pandora

Cenas que me apoquentam os neurónios por breves centésimos de segundos

Confesso que já andava para largar estas postas de pescada há vários dias. Faço-o hoje, inspirada pelo magnífico texto da MJ

Quando vegeto pelo Instagram apoquenta-me as vistinhas as 337 fotografias, todas no mesmo ângulo, só muda a cor da cueca do biquíni (quando não tiver nada de interessante para fazer, vou contar quantas cores diferentes de cueca já foram publicadas): pessoa estendida na toalha de praia, fotografa-se para mostrar ao mundo a sua barriga lisa. Parabéns. O ginásio está a fazer efeito, e eu sou a baleia gorda que olha para aquilo e pensa: foda-se, nesse ângulo até eu tenho barriga lisa (e côncava). É esticar-me bem esticadinha, encolher a barriga, suster a respiração, fazer 34 clicks, escolher a melhor foto, aplicar o filtro perfeito e mostrar ao mundo pela 338ª vez a minha fantástica barriga. Mas apreciava ver uma foto da moça sentada, só naquela curiosidade mórbida de ver se a barriguinha continua tão côncava. 

Quando vegeto pelo facebook e me aparecem selfies estrategicamente tiradas como se fosse uma fotografia que outrem tirou, apanhando pessoa desprevenida, em pose filosoficamente instrospetiva, com uma citação (pouco) profunda a servir de legenda. Qual Gustavo Santos, qual Pedro Chagas Freitas... 

As vidas perfeitas que são eternizadas numa publicação na rede social, que coleciona likes e alimenta o ego dos desesperados, ai perdoem-me, das pessoas felizes com sábias partilhas de mantras de vida.

E com este meu mau feitio eu só podia ser fã da conta de Instagram de Celeste Barber. O que me divirto com as suas paródias às publicações de gente famosa nas redes sociais. #TeamCeleste!!!! 

 

 

Digo eu, que não percebo nada de moda!

Isto é tendência? A sério?!

A bem dizer, já vi ao vivo e a cores uns quantos exemplares assim, com a rede de pesca por cima do umbigo, bem visível acima da cintura das calças. A bem dizer quase que tive um torcicolo quando me cruzei com uma destas fashionistas a primeira vez. 

Uma meia de rede a ver-se entre a sapatilha e as calças, acho engraçado. A ver-se pelos rasgões das calças, sim, até tem o seu estilo grunge. Agora a rede a trepar ali barriga acima, eh pá, é só ridículo.

 

E depois as mulheres é que são maluquinhas

Ontem, aproveitando a ida a consulta na nutricionista, e já que estava no centro comercial, rumei à Springfield para ir experimentar umas calças chino de algodão que tinha visto no site. Fui aos provadores com um tamanho 36 e um tamanho 38. O 36 não passou dos joelhos. O 38 consegui vestir, mas mexer-me ia ser tarefa digna de Hércules. Desisti. Passei à H&M para também ir ver umas calças chino de algodão que também tinha visto no site. Lá fui eu com um 36 e um 38 para os provadores. Comecei pelo 38. Cabiam quase duas lá dentro. Ok, vesti o 36. Também largo. Rejubilei por momentos, porque na H&M sou magra. Não trouxe os chinos porque eram de cintura subida e eu não gosto nada de me ver com calças que me tapam o umbigo e quase servem de amparo às margaridas. 

Moral da história: na Springfield eu sou plus size. Na H&M sou magra. Não me arrisco a ir à Bershka sob pena de me sentir uma baleia com obesidade mórbida. 

 

Dúvidas que me assolam a mente por alguns segundos

Blá blá blá alimentação saudável. Hashtags como #foodlover, #eatclean ou #healthyfood pululam por essas redes sociais afora. É a euforia. 

Alimentação saudável tenho eu desde que me lembro ser gaiata e passar a vida em hospitais por causa do refluxo gastroesofágico e das crises de fígado e vesícula. Comer muita fruta e legumes, carnes magras e peixe, grelhados e cozidos, pouca gordura, tem sido a minha sina desde tenra idade. Mas pronto, vale-me a febre do momento para procurar receitas diferentes e saudáveis para poder variar a alimentação. Só que ou muito me engano ou a malta do #eatcleanandhealthy só come ao pequeno almoço e nos lanches pré treino e pós treino. Almoços e jantares, hã?? O que é esta gente mega saudável come? Só encontro muitas dicas e ideias de panquecas, papas de aveia, snacks low carb e free sugar.

Agora almoço e jantar, comidinha do bem no prato, isso é raro encontrar. Eu sei que o pequeno almoço é a refeição mais importante do dia, mas não é a ÚNICA, certo? Até porque já toda a gente percebeu que passar fome e fazer longos períodos de jejum não faz bem nem emagrece. 

 

E não lhe dá uma cagamerdeira*?

Ontem vegetava eu pelo instagram e bato os olhos numa foto de uma colega, que é uma daquelas fit girls da moda, passa a vida no ginásio, faz crossfit de manhã, à noite, aos sábados, aos domingos, aquilo respira crossfit por todos os poros. Ora, a par de todo este exercício físico há a preocupação obsessiva com a alimentação fit. Então a colega está de férias e publica uma foto na praia... especificamente a comida que tinha na toalha de praia: tablete de chocolate negro, frutos secos (essencialmente vi amêndoas) e uma lata de atum aberta. 

Serei só eu que tenho a impressão que se comesse aquilo tudo misturado, na praia, ao sol, tinha de fazer uma corrida à casa de banho mais próxima e rezar para que houvesse papel higiénico em quantidade? (ou será esse o objetivo?)

 

 

*expressão usada pela personagem Joane, o Parvo, n'O Auto da Barca do Inferno.