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Estórias na Caixa de Pandora

Isto de ir ao Alentejo...

Nem uma semana ainda se tinha passado (quase) e uma tia dos nossos amigos vê-me pela segunda vez. Com um ar de felicidade estampado no rosto, pergunta-me com entusiasmo:

- Ai, está de bebé?! (viu-me uns dias antes e não se apercebeu de nada, pensava ela).

- Ah não, isto é o resultado das migas, dos secretos e miminhos de porco preto, do pão alentejano, do queijinho, do chouriço de porco preto, do gaspacho com peixe frito, da sericaia... (e achei por bem parar porque a senhora já estava com ar de quem não sabia onde se enfiar).

Para quem achar que esta barriga é de grávida, aviso já que o pai da criança é raça porco preto alentejana. 

 

E ainda me falta ir à Feira Medieval de Santa Maria da Feira e ao Festival do Bacalhau em Ílhavo. 

 

E tudo o vento levou

Sabem aquelas toalhas de praia da moda, ultra finas e leves, em algodão egípcio, ou microfibra (versão low cost)? Sabem, sabem?

São muito práticas, sem dúvida, não pesam nada, secam num instante, tudo maravilhoso e perfeito para uma ida à praia. 

Só que não nas praias do norte, onde há sempre vento. É que as cabras não param sossegadas e uma pessoa pensa que está deitada na toalha e já está mas é na areia, que a toalha ultra leve e fina já se foi para parte incerta. 

 

Cenas que me apoquentam os neurónios por breves centésimos de segundos

Confesso que já andava para largar estas postas de pescada há vários dias. Faço-o hoje, inspirada pelo magnífico texto da MJ

Quando vegeto pelo Instagram apoquenta-me as vistinhas as 337 fotografias, todas no mesmo ângulo, só muda a cor da cueca do biquíni (quando não tiver nada de interessante para fazer, vou contar quantas cores diferentes de cueca já foram publicadas): pessoa estendida na toalha de praia, fotografa-se para mostrar ao mundo a sua barriga lisa. Parabéns. O ginásio está a fazer efeito, e eu sou a baleia gorda que olha para aquilo e pensa: foda-se, nesse ângulo até eu tenho barriga lisa (e côncava). É esticar-me bem esticadinha, encolher a barriga, suster a respiração, fazer 34 clicks, escolher a melhor foto, aplicar o filtro perfeito e mostrar ao mundo pela 338ª vez a minha fantástica barriga. Mas apreciava ver uma foto da moça sentada, só naquela curiosidade mórbida de ver se a barriguinha continua tão côncava. 

Quando vegeto pelo facebook e me aparecem selfies estrategicamente tiradas como se fosse uma fotografia que outrem tirou, apanhando pessoa desprevenida, em pose filosoficamente instrospetiva, com uma citação (pouco) profunda a servir de legenda. Qual Gustavo Santos, qual Pedro Chagas Freitas... 

As vidas perfeitas que são eternizadas numa publicação na rede social, que coleciona likes e alimenta o ego dos desesperados, ai perdoem-me, das pessoas felizes com sábias partilhas de mantras de vida.

E com este meu mau feitio eu só podia ser fã da conta de Instagram de Celeste Barber. O que me divirto com as suas paródias às publicações de gente famosa nas redes sociais. #TeamCeleste!!!! 

 

 

Tempo de antena para a má língua

Pessoa vai de férias para destino paradisíaco. Pessoa enche as redes sociais com fotos de biquíni, ora estendida na areia, ora deitada na beira da piscina. Pessoas comentam a excelente forma física e os bons resultados do ginásio. Pessoa termina semana de férias com (mais) uma foto de biquíni, exibindo as curvas em toda a plenitude, com uma legenda profunda sobre não sermos só um corpo... tá boa. Não lhe vi nenhuma fotografia da alma. Já do corpo... uiiiiiiiiiiiiiiiii (deixou pouco à imaginação)!

 

Uma questão de classe

Ontem, depois de uma manhã a turistar pela nossa bela cidade, num maravilhoso passeio pela Ria de Aveiro a bordo da Lancha Praia da Costa Nova, acabámos a almoçar num desses restaurantes tradicionais, com balcão à tasqueiro, grelhados divinais na hora, travessas a abarrotar com comida da boa. 

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Lá está, o tuga style gourmet.

Ora pois que escolhemos entrecosto na brasa e aqui a menina, armada em fina, tentou comer de faca e garfo. Mas convenhamos que comer entrecosto de faca e garfo é como comer sardinha assada nos Santos Populares em baixela da Vista Alegre com talheres de prata. Pandora desiste da faca e do garfo e agarra-se, literalmente, com unhas e dentes ao entrecosto.

Uma loira (quarentona) sentada numa mesa perto, que desconfio que estava de partida para a Gala dos Globos de Ouro, dado o outfit cheio de glamour, olhava para mim com um certo desdém. Até tinha a sua razão, não a retiro, até ao momento que, cheia de classe, tira da sua pochete uma garrafinha de água, provavelmente encheu-a com água da torneira antes de sair de casa, bebeu um gole, e voltou a guardar.

Classe por classe antes agarrar o entrecosto com os dedos que Deus me meu para comer aquilo que ia pagar no fim, do que levar a garrafinha da água na pochete e bebê-la em pleno restaurante. Dizem que a água está cara! Pois está!!  

É isto!

Visionava eu, entre o absorta e o incrédula, este novo spot publicitário da Planta, quando, terminado este, me viro para o Gandhe, em jeitinho de provocação:

- Quando é que me serves assim o pequeno almoço na cama? (risinho maroto)

- Não tenho um tabuleiro daqueles. 

 

Pergunta para queijinho: mas alguém repara no raio do tabuleiro???