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Estórias na Caixa de Pandora

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Duas semanas sem ler. Duas semanas sem ir às aulas de dança. Duas semanas sem ir às aulas de cardio fitness. Duas semanas em que a minha vidinha resume-se a trabalho, casa, casa, trabalho, trabalho, trabalho. Esta semana então, mais curta por causa do feriado, com reunião de equipa na segunda, com formação na terça e hoje, acabei a sair por volta das 20h, quase todos os dias, para deixar o trabalho controlado. 

Pareço um disco riscado de tanto murmurar o quão exausta ando. Sem tempo. Sem energia. Sem cabeça para mais nada. Tudo o que eu queria era ter um botão OFF. 

Que venha o fim de semana prolongado, os feriados que estão aí ao virar da esquina e uma merecida semana de férias que já ando, qual prisioneiro, em contagem decrescente. Prioridade? Carregar baterias. 

Mas para já, venha lá este fim de semana prolongado, com a Páscoa à mistura, que não me augura descanso, mas não me importo nada, porque me vai encher o coração... E também estou a precisar tanto disso!!

A quem ainda não desistiu de vir aqui espreitar a caixa, a quem não se vai importanto com as lamúrias dos últimos tempos, agradeço e deixo os votos:

 

Pandora de rastos

Se há adjetivo que me define nas últimas semanas é cansada. Íssima. Hoje passou de nível: ESGOTADA.

Hoje saí às 20h45. Tinha dito ao Gandhe que hoje tinha reunião de equipa, que deveria estar em casa às 20h15. Pois sim. Ele bem que enviou sms a pedir que eu avisasse quando saísse para pôr o peixe a grelhar. Ainda bem que o fez, senão comia o peixe frio. Estava a enviar-lhe sms a avisar que estava a sair e recebo um eufórico telefonema sobre um jantar que estava combinado para dia 22 de abril, sábado. Apeteceu-me cortar os pulsos. Amanhã tenho um jantar de despedida de um colega de trabalho (da minha anterior equipa) que se reformou. Nem imaginam o esforço que tive de fazer para dizer que sim. Porque tenho tanta vontade de ir como de furar os olhos com um prego ferrugento.

Sinto-me tão esgotada, mas tão esgotada que só quero sossego. Que me deixem em paz, que me esqueçam, que me deixem dormir, estar sozinha, em silêncio, sei lá. Odeio sentir-me assim. A falhar completamente com as pessoas. Mas não consigo ter forças para mais. Não sinto pontinha de energia para o que quer que seja. 

Alguém me ligue às máquinas, porque está difícil manter-me de pé.

A parte boa (ou não): continuo a emagrecer. Confirmado ontem em mais uma consulta na nutricionista. Podia rejubilar por ter perdido cms de anca e de cintura, por ter perdido peso. Podia. Mas isto é um dos reflexos do estado degradante em que me encontro... e isso não é propriamente motivo para júbilo.

 

 

Luz ao fundo do túnel

Hoje até me sinto uma pessoa normal, ou de volta à normalidade da minha vida.

Saí a horas. Cheguei a casa, temperei umas pernas de frango, deixei no forno enquanto fui à minha aula de cardio fitness. Regressei da aula, Gandhe tinha posto o olho ao assado e acabado o jantar. Jantámos. Arrumámos cozinha, tratei dos gatos, liguei o computador e fui aproveitar as promoções de primavera da Mango (botins pretos a caminho). Agora estou aqui a aproveitar esta sensação de calmaria antes de ir tomar um bom banho, vestir o pijama e quem sabe, pegar no livro e avançar umas páginas. 

Tão simples quanto isto. Sentir que tenho tempo para tudo: trabalho, coisas de casa, para mim, para os meus. Sentir-me relaxada, sem aquele constante sobressalto, com a cabeça a mil a pensar em tudo o que tenho em cima da secretária para dar resposta. Sem culpas de não ter feito mais, sem medos por não ter feito melhor, sem frustração por não conseguir fazer tudo. Que seja o primeiro dia deste regresso à normalidade. Porque é deste equilíbrio que preciso. Desta sensação de poder respirar fundo. 

Parece simples, não é?

 

Pandora, a sebastianista!

Longe de associar o epíteto do título ao messianismo. É mais esta a alegoria: Pandora, a desaparecida em combate que regressa num fim de dia nublado, a adivinhar chuva. Tempestade da grossa. 

Sim, estou viva. Ninguém diria. Eu bem que podia ser contratada para o elenco de Walking Dead, o que eles poupavam em caraterização. As olheiras assustam, a pele anda pálida, nem o BB Cream com umas pinceladas de pó bronzeador disfarçam a palidez da minha figura. Mas pronto, como fui pintar o cabelo no sábado e mantenho o vermelhão, a pele deve achar que ruiva à séria é cara pálida. Num todo, sou uma figura esquálida. O que significa que estou magra. Acabadinho de confirmar na consulta com a nutricionista. Nem tudo pode ser mau.

Ontem bati recorde. Saí do trabalho passava das 20h. Hoje cheguei primeiro que a chefe e ela perguntou se eu lá tinha dormido. As coisas feias que me passaram pela mente enquanto esboçava um sorrisinho amarelo. Pálido, claro está.

Tento inspirar e respirar. Acima de tudo luto para não pirar de vez. Já faltou mais.

Muito trabalho. Stress. Ansiedade. Muito trabalho. Stress. Ca nervos. Muito trabalho.

Sem energia para nada. Nada mesmo. Sinto-me tão derreada que não tenho vontade do que quer que seja. Sinto-me a falhar com tudo e todos. Sem cabeça para as banalidades do dia a dia de uma adulta, como preparar refeições, sem disposição para pequenos prazeres como ler ou escrever no blog. Tão mas tão esgotada que uma amiga enviou-me um email há duas semanas e como não é nada normal eu não responder "rápido", ela mandou-me sms a perguntar se eu estava bem, se tinha recebido o email, se estava chateada com ela. Céus, senti um soco no estômago por falhar com quem tanto gosto. 

Hoje saí da consulta da nutricionista e olhei para o relógio. Uma hora para o início da aula de dança. Queria ir, mas não sentia forças. Os olhos ardem, a cabeça mói, o corpo quebra. Conduzi até casa. Quero um banho quente e dormir. Mas dormir à séria. Não o dormir inquieto que tenho tido nas últimas semanas.

Frustrada. Ando completamente frustrada. E revoltada também. Tanta luta, trabalho, sacrifício, e cai-me à porta de casa uma bomba relógio que estamos a segurar, com todo o cuidado, até ser o "momento" de a fazer explodir. E vai ser uma grande merda. E vai sobrar para nós, que não temos nada a ver com o assunto. E não consigo prever a dimensão dos estragos. E é fodido ser uma espécie de papel higiénico que serve para limpar a grande cagada que os outros fazem. Já dizia uma antiga colega minha: família, só a sagrada e mesmo essa é presa à parede com um prego. 

O meu desejo mais profundo neste momento era naufragar numa ilha deserta. Longe de tudo e de todos. Cansada, farta de gente egoísta, irresponsável, sem noção da porcaria que faz e completamente nas tintas para os estragos que provoca na vida de quem está no seu canto, a lutar dia a dia pela sua vida e futuro. Uma merda. 

Portanto, de messias que carrega a esperança nada tenho. E vou desaparecer novamente em combate, que isto anda tão negro, mas tão negro, que mais vale remeter-me ao silêncio e solidão. Não há força nem sarcasmo que ajude a suportar tanta coisa... que ainda mal começou. É caso para dizer que a procissão ainda nem chegou ao adro. Imagino quando chegar... Ou não quero imaginar, porque só me passam cenários dantescos pela cabeça.

Era ter um botão OFF, fazer um reset. Sem direito a backup. 

 

Terça feira de carnaval

Tive direito a "feriado". Acordei tarde. Fiz um pequeno almoço com direito a ovos mexidos, tostas, chá. Preguicei. Fiz mousse de chocolate para levar para o jantar convívio com as colegas da turma de cardio fitness. Almoçámos nas calmas. Estive agarrada ao livro. Preparava-me para uma tarde de sofá, dividindo o tempo entre um dos filmes que tenho na lista para ver e o livro e eis que Gandhe me diz que é para ir tomar café com a mãe para conhecer o sr. namorado novo.

 

Divã de Pandora (ou mais um desabafo digno do muro das lamentações)

Na sexta bati recorde. Saí do trabalho já passava das 19h30. Ironia é que nesse mesmo dia entrei mais cedo para adiantar serviço, uma vez que ia ter uma formação/reunião de 1h30 à tarde. O trabalho é mais que muito e eu ainda a sentir-me limitada no exercício de funções, a reunião, no âmbito do método Kaizen, atrasou e já acabou fora de horas, e, saída da reunião onde aproveitei para esclarecer umas dúvidas, fui corrigir o preenchimento do meu mapa de serviço, que andava a preencher mal. Ora, quando eu coloquei as dúvidas as chefias viraram-se para as minhas colegas como se elas é que tivessem obrigação de me dar formação sobre o funcionamento do mapa de trabalho e seu preenchimento. Saí em defesa delas, que sim, elas explicam, mas as dúvidas vão surgindo conforme as diferentes situações, e o que é certo é que no fundo, cada uma preenche o dito mapa conforme o que lhes parece melhor. Resultado: não há formação para haver uma norma generalizada e comum a todas as pessoas, é o desenrasca, e ainda nos caem em cima porque não é assim ou assado. 

Cheguei a casa esgotada. Completamente esgotada. E a minha prioridade era mesmo desligar o fim de semana. E desliguei. Tanto quanto pude. Mas vem agora a noite de domingo e já sinto aquele aperto por amanhã estar a picar ponto e ter mais um dia de doidos pela frente. Já estou aqui com as ideias num rodopio a tentar organizar as tarefas, começar por concluir o que não consegui na sexta, depois tratar daquele processo, mais o outro, reunir à tarde com o Sr. Eng. coordenador, saber que assim que entro no gabinete dele não tenho hora de sair e, pior, se ele achar que aquele assunto é ultra urgente, quer tudo feito para ontem, sem ter noção das horas.

E eu sabia. No dia que me anunciaram a mudança andei duas semanas em sofrimento silencioso porque eu tinha uma perceção do que me esperava. Afinal, aquela equipa trabalha na sala ao lado de onde eu estava, e havia (e há sempre) situações em que é preciso apoio de outras equipas de outras áreas, e vimos como ali funcionam (ou não) as coisas.

Mais uma vez recorro ao blog como muro das lamentações. Um desabafo. Um grito que é libertado no silêncio da escrita para me aliviar este stress em que agora vivo dia após dia. Tenho de reaprender a relativizar, a gerir esta carga de stress, tenho de encontrar os meus escapes às horas de trabalho completamente alucinantes que agora tenho. Se antes conseguia umas escapelas refrescantes ao blog, aos outros blogs, agora confesso que tenho tardes que nem paro para lanchar ou só vou à casa de banho quando já não aguento mais a bexiga a explodir. E mesmo assim... saio tarde. 

É sobejamente conhecida esta característica no mundo profissional português: somos dos países com maior carga horária e menor produtividade. E se há casos em que as pessoas andam a fazer ronha o dia todo e só ao fim do dia é que trabalham, porque até fica bem na ficha profissional sair fora de horas, também há realidades em que os procedimentos são tão cheios de merdinhas que só empatam em vez de agilizarem. E na minha realidade atual é este o caso. São tantos procedimentozinhos da treta que só empatam. O Sr. Eng. dita-me um e-mail, urgentíssimo. Mas mesmo tendo-o ditado, quer vê-lo antes de ser enviado. Qualquer correspondência que saia para um cliente tem de ser validada e assinada superiormente, qualquer uma, mesmo a mais banal, corriqueira e inócua, como um agendamento ou um cancelamento de serviço. Há casos importantes que justifica esta validação, mas outros há que é puro desperdício de tempo, e o tempo é precioso e escasso. Mas é assim. E confesso que isto me faz sentir burra. Parece que mesmo a escrever um mail que me foi ditado, o mesmo tem de ser revisto, como se eu estivesse na escola primária e a professora fosse verificar os ditados a ver se havia erros. Começo a duvidar que saiba escrever o meu próprio nome. E toda esta realidade ultra burocrática numa empresa que abraçou o método Kaizen, a filosofia 5 S's para agilizar procedimentos e eliminar desperdícios. Só me apetece rebolar no chão a rir com a hipocrisia. 

E amanhã é segunda e começa tudo de novo... vale que terça é uma espécie de feriado, sempre alivia um pouco a carga. 

Aos leitores, amigos e simpatizantes aqui da Caixa, as minhas sinceras desculpas. Pela ausência e por, quando até aqui venho, desfiar o rosário. Já faltou mais para o blog mudar de nome. O Divã de Pandora ou o Muro das Lamentações de Pandora seria mais adequado, não?!

 

O pior é começar...

Depois da paixão pelas Gazelle, da minha odisseia para encontrar umas no meu tamanho e numa cor que gostasse, eis que sou assaltada por nova paixão.

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Cruzei-me com este modelo Superstar em branco e dourado numa publicidade da Spartoo no facebook. Qual cão de Pavlov, fiquei ba-ban-dooooo... Lá fui espreitar o modelito no site, e bati palminhas ao ver que estavam assinaladas como modelo júnior. O encantamento durou pouco. Só há a partir do 36. Whattttty??

Próxima paragem, site oficial da Adidas, onde comprei as Gazelle. Na secção júnior não encontro esta cor. Na secção feminina encontro uma ainda mais gira (em cobre), mas lá está, só a partir do 36, que nem sequer há em stock.

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 Porquê, Adidas, porquê??? Fazes-me sofrer desta maneira. Acendes-me paixões impossíveis de realizar.