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Estórias na Caixa de Pandora

Amanhecer

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Agradeço o privilégio de ter esta vista do meu terraço.

De poder ver o amanhecer e não o vizinho da frente em cuecas.

Agradeço este cenário que contemplo ao longo do ano, assistindo à transição das estações.

Não tarda as árvores começarão a florir, as andorinhas a sobrevoar, as manhãs começarão mais cedo e mais luminosas.

Não tarda é primavera.

Que chegue e leve embora este inverno que trago dentro de mim.

 

 

A vida vai acontecendo

Mais uma fase de desaparecimento. Sim, voltei a dias tão cheios de tudo e eu tão vazia por dentro.

Muito trabalho, muito stress, muito duvidar de mim, das minhas capacidades ou competências.

Muitas dúvidas existenciais. Os ses da vida, se tivesse escolhido outro caminho, se agora atirasse tudo ao ar e partisse, se, se, se...

Mais uma crise de ansiedade e pânico. Mais uma discussão feia por causa da sogra.

E o frio que me tira energia. Só dá vontade de hibernar e acordar lá para Julho.

Só me apetece estar sozinha. Numa solidão e isolamento que me protege. Cansada das desilusões, cansada das pessoas.

Mas a vida vai acontecendo e resolvendo.

O abraço que termina a discussão.

Os problemas que se vão resolvendo por si.

A luz ao fundo do túnel.

O trabalho que vou conseguindo despachar e resolver e me deixa mais confiante e segura em mim mesma e nas minhas competências/capacidades.

E quando tudo parece ruir, eu teimosa, persisto em viver, lutar e tentar ser, um pouco, feliz.

 

Let it be...

O blog é o meu diário de bordo. Reflete os meus dias e estados anímicos. Portanto é sobejamente conhecida, para quem por aqui passa, a maré de azar que anda por estes lados. Nuvem negra, tempestade, má fase, dêem-lhe os nomes que quiserem.

O ano passado foi um ano duro, complicado, levou-me aos limites a nível de stress emocional. E para quem já teve uma depressão, é fácil reconhecer os alertas e sinais iminentes da sua chegada. E eu reconheci. E antes que voltasse a sucumbir à doença, reuni as energias que me restavam para um derradeiro esforço: vale tudo (até o Gustavo Santos, se necessário) para me reunir das ferramentas necessárias para sair da espiral depressiva em que me estava a afundar.

Uma vez mais, aproveitei a energia contagiante que se vive no ano novo, aquela vontade indómita de conquistar objetivos e sonhos, para me reaminar. A par da minha lista de resoluções de ano novo, decidi experimentar o diário de gratidão. Quando se passa por uma tempestade na vida, em que tudo corre mal, em que os imprevistos se sucedem e não deixam tempo para uma pessoa respirar e recuperar de uma pancada, porque vem logo outra de seguida, totalmente inesperada, é difícil ver o outro lado, um lado melhor, mais positivo, um lado que mostra que mesmo por entre as nuvens mais densas e carregadas, é possível vislumbrar um raio de sol. O objetivo do diário de gratidão é mesmo esse: todos os dias ter os meus cinco minutos para pensar no dia que vivi e agradecer algo de positivo. 

É um desafio interessante. Mais difícil do que aparenta. Principalmente quando, lá está, se anda numa fase em que os dias são difíceis, e as más notícias sucedem-se em catadupa. 

Ao 23º dia vejo como me tem ajudado este refletir o dia e agradecer algo bom. Mesmo que seja o chá que tomo todas as noites, ou a conversa inesperada com uma amiga que está longe e não vejo há imenso tempo, como num dia particularmente difícil ver que ainda há mãos que se estendem e oferecem ajuda. E vou controlando a minha ansiedade. Vou quebrando esta corrente de negatividade. Vou acreditando que as boas notícias também surgem e que mesmo os azares podem não ser assim tão maus.

Estou a aprender a respirar fundo e a deixar acontecer. Confiar no universo. O que tiver de ser, será. E para tudo a vida encontra uma solução.

 

Home alone

Ontem não tive a habitual aula de cardio fitness. Ontem o Gandhe foi jantar com colegas de trabalho, uma espécie de jantar de despedida de dois que iam mudar de departamento e de funções. E eu delirei com a perspetiva de um serão sozinha em casa, ainda mais a uma 5ª, onde o cansaço já se faz sentir e a vontade de vegetar é imensa.

Assim, fui buscar ao Pingo Doce uma pizza para jantar (as pizzas que fazem na hora são uma delícia, e tão bem recheadas), comi nas calmas a olhar distraidamente para a televisão (um episódio de Mentes Criminosas), em menos de nada tratei dos gatos e arrumei a cozinha, fui tomar um duche quente, vesti o pijama, peguei no tablet e estive a vegetar nas redes sociais (note-se, colocar leituras dos blogs em dia, passar os olhos pelo instagram, ainda abri o facebook, mas fechei logo a seguir). Quando fui ao ritual do chá antes de dormir, chegou o homem. Um pouco ainda de conversa, hora de dormir.

Dormi tão bem, tão em paz comigo, com a vida. É tanto disto que eu preciso.

O que umas fatias de pizza não fazem ao bem estar de uma pessoa?! 

 

Fui aos saldos da Zara e sobrevivi

Nas minhas deambulações pelos saldos online, um casaco na Zara chamou-me a atenção. Um casaco curto, de pelo, numa cor neutra, bom preço e que não me fazia lembrar nenhum marreta ou desenho animado peludo (como o famoso casaco de pelo amarelo da Lefties que quando o vi só me veio à mente o Poupas da Rua Sésamo, ou outros que fui vendo e me ia lembrando do Elmo, do Monstro das Bolachas, da ovelha Choné... preciso de psicoterapia, não?!).

Ontem era dia de regressar à nutricionista. Convenhamos que tinha noção que a coisa não ia correr bem. Foram as festas, estive de férias, nas quais vegetei na horizontal no sofá, petisquei tudo o que me apeteceu e... bom, não ia à espera de milagres. Ainda assim não contava com o desastre que aconteceu.

Terminada a consulta, regresso ao carro que estava no centro comercial. Passei pela Zara e lembrei-me do casaco. Sem esperança, entrei, calcorreei a loja em busca do pelinho. E eis que vislumbro o casaco, mas no modelo comprido. Já a esmorecer vou ver se junto desse tinha o que eu queria. E não é que tinha? Um. Umzinho bem lá atrás dos outros todos compridos. Um S. Ora bolas, isto não me vai servir. No entanto, e numa de dar luta, lá fui eu aos provadores experimentar o casaco. E servia. E ficava tão bem. E não me senti a ovelha Choné nem nada parecido.

Enfrentei a fila e trouxe esta fofura comigo.

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Daqui 

E nos entretantos, passou-me a vontade de ir comer junk food para o McDonald´s, em jeito de afogar as mágoas que a balança deixou em mim. 

Agora a sério, das resoluções de ano novo

Não sou gaja de listas de resoluções de ano novo. Do vou comer melhor, fazer mais exercício físico, meditar, aprender yoga e a dança dos pauliteiros (é só pra homens?!), ler 365 livros, cozinhar 738 receitas novas e abraçar o vegetarianismo, poupar mais, ser mais saudável, mais isto e aquilo e aqueloutro. Não sou. Lá porque muda o ano, não, a vida não muda milagrosamente, nem nós. O processo de mudança é bem mais complexo que o virar do ponteiro do relógio à meia noite do dia 31 de dezembro.

No entanto, e dado que o ano de 2017 foi, na sua generalidade, do início ao fim, um ano de merda que me derrubou, sim, eu aproveitei, qual naufrago em desespero, o estado de espírito da época, este renovar de esperanças, sonhos, objetivos, planos para os próximos doze meses do calendário. Sim, fiz a minha lista. Escrevi-a para mim. Para materializar e mentalizar os meus desejos de naufrago à deriva numa vida que anda um caos. Porque o meu grande desejo, não de ano novo, mas do momento presente da minha vida é este grito do Ipiranga

Ainda hoje admiti a uma amiga que não me reconheço ao espelho, que não vejo um sorriso, um brilho, aquele sentido de humor, uma certa leveza e serenidade. Que ando tão cáustica e explosiva que já nem a mim me aguento. E o meu esforço está em reverter isso. Venha o Desfoda-se!!!!

A minha lista de ano novo, guardada na minha caixa de Pandora, é um pouco este tentar encontrar de volta o trilho da minha vida sem estar subjugada e dominada por tamanho stress. Então fui escrevendo itens, como quem procura pistas e migalhas para voltar ao caminho certo.

O mais curioso é que um dos primeiros itens que escrevi foi o de sair a horas do trabalho (vá, meia hora de tolerância). Descarrilei logo no primeiro dia. Soaram todos os alertas. Não pode ser, não pode ser, e não pode ser. E o universo encarregou-se de me fazer chegar lembretes.

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Esta imagem tem surgido no meu mural de facebook todos os dias. E eu, numa onda toda mística, encaro como um sinal, um lembrete para não me fazer desviar do que tracei para atingir a minha meta. 

Sim, tenho cumprido. E sem sentimentos de culpa. Consciência tranquila. E as noites começam a ser melhor dormidas, sem o constante sobressalto do muito que está sob a minha alçada, sem as crises de ansiedade e stress, pontilhadas com esporádicos ataques de pânico. 

É cedo para cantar vitória por objetivo cumprido. Baby steps. Um dia de cada vez, uma pequena conquista de cada vez. E passo a passo hei-de retornar ao que era, ao meu equílibrio, à minha harmonia, à minha calma e serenidade, ao meu sorriso e boa disposição. Tive de começar por algum lado e escolhi começar por aqui: recuperar a minha vida!

 

Um feriado por semana...

... e até a barraca abana! 

Planos para o feriado? Bola. Zero. Objetivo era não ter planos. 

Portanto acordei às 10h30 com fome, preparámos um pequeno almoço com direito a ovos mexidos. Ronha o resto da manhã.

Para almoço (já passava das 14h) fiz one pot pasta. Aterrámos no sofá e começámos a ver os primeiros episódios das novas temporadas já disponíveis das séries que seguimos. Entretanto uma pequena sesta. E um pouco de leitura. Lanche. Aula de cardio fitness, para repor uma aula que não houve na semana passada. Jantar uma sopinha. Banho. Aterrar novamente no sofá a ler... até me arrastar para a cama porque o despertador hoje ia tocar.

Sim, aqui a burra não meteu o dia. Nem podia. Colegas queridas, uma que voltou de férias esta segunda feira e a outra que ainda há pouco também esteve de férias, anteciparam-se. Ironia do destino, são as duas lesmas que passam os dias na ronha.

Respira, Pandora. Daqui a três semanas estás de férias. Nem que seja para entrar em coma.

 

Bipolaridades

08:15: hora de vestir - não vou levar manga curta, levo esta de meia manga e uma malhinha por cima.

08:20: hora de calçar - hum, acho que hoje não chove, arrisco as sandálias.

08:40: já no escritório - tiro o casaquinho e resmungo que afinal podia ter vindo de manga curta.

09:30: a olhar para um sol radioso pela janela - devia mesmo ter vindo de manga curta, pelo menos vim de sandálias.

10:00: a olhar para um tom cinza esquisito pela janela - vou-me arrepender de ter vindo de sandálias. Pelo menos não vim de manga curta.

(to be continued)