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Estórias na Caixa de Pandora

Na reta final

Custam tanto a chegar e vão-se num instante. O que vale é que começo na labuta segunda, e terça é feriado. 

Não posso dizer que foram umas férias fantásticas. Não foram. Desliguei totalmente do trabalho, mas para isso também muito contribuiu a fase complicada que vivi em termos pessoais e afetivos nestas últimas semanas, esgotando toda a réstia de energia que ainda tinha. O saco vai enchendo e um dia rebenta. Rebentou em pleno início de férias, instalou-se um estado de espírito depressivo que arruinou qualquer tipo de planos, que a bem dizer, também não os havia muito.

A ajudar à festa, apanhei dias de frio e vento quando era suposto ir estender as banhas no areal e relaxar ao som das ondas, com o mar como horizonte.

Portanto não há relatos de dias de praia ou piscina, nem de viagens inesquecíveis ou leituras contagiantes. Foram dias difíceis e não vou pintar o cenário de rosa flamingo e unicórnios. As férias foram uma merda, no geral. Em particular salvaram-se alguns momentos e (re)encontros com amigos que me fazem sempre bem, regressar a locais que me são tão especiais, ainda que o estado de espírito não fosse o melhor para aproveitar esses pequenos prazeres.

O resumo mais positivo das férias é feito numa palavra: comer. Estou uma pequena bolinha, mas que se lixe. 

Agora que as coisas acalmaram um pouco e parecem seguir um (re)começo, era mais uma semaninha de férias para desfrutar da paz finalmente (espero eu) alcançada. Não podendo ser, que venha o trabalho, as rotinas, e acima de tudo que eu tenha a calma e a sabedoria necessárias para esta nova fase, este (re)começo.

Há alturas que dava tanto jeito fazer um reset à vida. Apagar, esquecer, deixar para trás definitivamente aquilo que desequilibra, desgasta, pressiona, derruba. Faz-se o melhor que se pode, o melhor que se consegue, tem-se fé nas decisões tomadas, desejando que tenham sido as melhores. O tempo o dirá.

Adeus férias, estas não deixam saudades. 

 

Week mood

Semana difícil. Desgastante. A transbordar de trabalho. A fazer um colossal esforço para deixar minimamente controlado o volume absurdo de trabalho que tenho em mãos. Dias a trabalhar entre 9 a 10 horas. Com a energia nos mínimos dos mínimos. Um cansaço extremo. Só ultrapassado por este sentimento:

férias.png

Algo semelhante à euforia dos condenados, que vão riscando os dias no calendário até ao derradeiro dia, aquele em que podem gritar a plenos pulmões (se o fôlego permitir): FREEDOM!!!! 

Pronto, é isto. Falta um dia... já só falta um dia... está quase, quase, quase...

 

Keep going

Está a resultar entrar ao serviço mais cedo. Tenho chegado por volta das 8h30. Estou entre meia hora a quarenta minutos sozinha. Oriento as tarefas, organizo minimamente a agenda do dia, e começo a trabalhar sem ruídos e confusões de fundo. Quando começam a chegar, já eu estou concentrada e em pleno funcionamento, concentradíssima. 

So far so good! Os dias têm sido produtivos, objetivos atingidos e dever cumprido ao final do dia, sem que ande a sair tarde e más horas.

Ontem não houve aula de dança, a professora está num congresso internacional de salsa. Cheguei a casa por volta das 18h, relaxei, vi agenda até às férias para tratar do que tenho a tratar até lá, enfiei-me na cozinha para fazer o jantar, sem pressas, sem stress. E foi bom voltar a cozinhar com esse prazer e essa calma. Fiz umas courgettes recheadas com atum que ficaram deliciosas.

E sabe bem este poder respirar fundo e acreditar que tudo vai correr bem, mesmo quando tudo parece correr mal.

 

 

(Ir)reflexões

Terminei a semana com um peso cá dentro. Algo a sufocar-me. Uma vontade de chorar de raiva, de revolta, de stress. Uma vontade de engolir essas lágrimas, porque são inglórias.

Para não andar a matutar no que tanto me incomodava, passei o fim de semana a ocupar-me com tudo e mais alguma coisa. Limpei, arrumei, fui lanchar à praia com amigos, fui jantar ao Agitágueda com outros amigos, passei a ferro, e todos os bocadinhos que tinha livres, pegava no livro e evadia-me para outro mundo. 

Agora estou aqui com aquele ataque de ansiedade, amanhã começa mais uma dura semana, e eu a ranger os dentes com um neura descomunal por ir para junto de pessoinhas de merda trabalhar. Amanhã tenciono entrar mais cedo, antes de todos chegarem, organizar o meu dia, que não vai dar para tudo, mas aceito isso. Não aceito é que me cobrem aquilo que as outras meninas lindas não conseguiram fazer. E sinto-me num limbo. Se não consigo suportar a carga que me deram, serei a incompetente, a ineficiente. Se conseguir, seja a que custo for, então continua assim porque estás a ser capaz e ainda te podemos carregar mais um bocadinho, que é de pessoas idiotas que a malta gosta. 

Na sexta o ambiente era pesado. Ouvi comentários que me revolveram as entranhas. Respondi ácida a algumas provocações, até enfiar os phones nos ouvidos e passar a tarde "isolada" no meu canto a trabalhar feita galega. 

A vontade é entrar muda e sair calada, e começa já amanhã. Sou uma gaja muito porreira, sempre disponível para ajudar e cooperar, mas quando me lixam, quando me pisam os calos, oh não me queiram ver. Não é uma ameaça, é um aviso.

Faltam três semanas para ir de férias. Por isso é inspirar, expirar, esforçar-me por não pirar... esperar para ver quanto tempo dura o tal "provisório", definir bem quais são as minhas funções, e a manterem-se as que têm sido e que motivaram o meu recrutamento para aquele setor, então tenciono solicitar mudança de gabinete e ir para junto da pessoa com quem realmente tenho trabalhado em equipa nos últimos meses, cujos resultados positivos estão cada vez mais à vista. Por isso não entendo esta treta de me atirarem funções das outras, porque coitadinhas, não conseguem. E hei-de eu conseguir acumular funções distintas, de diferentes áreas de intervenção, e ter de dar vazão a tudo e mais um par de botas até quando? E esperam qualidade? Ah ah ah ah

Estou deveras chateada por me estar a sentir assim. Eu que sou pelo bom ambiente de trabalho, pelo coordenar tarefas em equipa, pela interajuda. Só que não se pode remar contra a maré, quando se trabalha com pessoas para quem o trabalho em equipa é algo deste género:

 

Preciso de coragem para enfrentar os dias que aí vêm, mergulhar no muito que tenho em mãos para fazer, dar o meu melhor, e conseguir chegar ao fim do dia de consciência tranquila de quem fez o que podia, o melhor que sabia. Sem sorrisos, sem simpatias, até porque de pouco valem quando temos um alvo nas costas sempre pronto a levar com a facadinha. 

 

Absurdamente cansada

A esta altura do campeonato as redes sociais enchem-se de fotos de férias: praia, piscina, comidas apetitosas, bebidas exóticas, paisagens deslumbrantes, todo um slogan ao dolce fare nienti...

Para quem ainda anda na labuta, são imagens que fazem exasperar um monge tibetano. 

Eu entrei no modo contagem decrescente, a ver as férias ao longe, por um canudo, ainda tão distantes, e a aproximarem-se, dia a pós dia, a passo de caracol. 

Piora quando os dias se tornam estupidamente longos, exaustivos, quando regresso ao ritmo de não ter horas para sair, como hoje, que saí às 20h. Chego a casa tão derreada e ao mesmo tempo tão frustrada comigo mesma, por me sentir sem tempo para mais nada que não seja trabalho e trabalho e trabalho. Gandhe vai desenrascando os jantares quando eu venho tarde e más horas, o que diga-se a verdade, tem sido quase todos os dias. Agradeço a ajuda, claro, mas ao mesmo tempo há aquele sentimento de incapacidade, de não ter como conseguir pôr a mão a outras tarefas. Falta-me energia para tudo o resto depois que pico a hora de saída. Tenho um sofá novo e ainda nem desfrutei de um serão descontraído no seu conforto, tenho um livro, que andava ansiosa para ler, lido aos tropeções lentos, com direito a cabeça a tombar de sono e olhos a pesar de cansaço. Tenho vontade de fazer coisas no fim de semana, aproveitar as inúmeras atividades que proliferam no verão, mas só desejo, como se a minha sobrevivência disso dependesse, dormir e dormir e dormir. Sinto falta do blog, só que não chego para tudo, muito menos para discorrer banalidades ou opiniões, como quem vai ali à esplanada beber uma mini e bater um papo descontraído com amigos.

Obriguei-me a este desabafo hoje, que me sinto absurdamente cansada e afundada. 

Ontem fui informada pela minha superior que iria acumular funções, "provisoriamente", coisa de uma semanita (ah ah ah), para ajudar as colegas da equipa a despachar processos que estão acumulados, a bater nos limites dos prazos, e que precisam urgentemente de ser tratados. O meu serviço iria ficar parado por "uns dias". Depois, vai-se a ver e não dá para ficar assim parado, a marinar no nada. Então de manhã faço trabalho que compete às colegas, à tarde o meu. 

Não sei se ria ou se chore. Ou se dê um pontapé a alguém quando vejo uma delas a desfilar pelos corredores na converseta, ou a chegar às 10h e a sair cedo, porque "ai tenho de ir ao ginásio", ou a navegar pela net a ver saldos ou viagens para férias... lá diz o povo que quem se f...lixa é o mexilhão. 

Para ajudar o belo estado de espírito que paira por estes lados, está a chover e a trovejar. E eu que tencionava estender as peles e a celulite na praia este fim de semana, estou a ver-me estendida no sofá novo, a tirar-lhe as medidas e a fazer-lhe o devido teste de qualidade, com a intenção de ver um filme ou ler o livro, mas sei que em menos de nada vou cair que nem uma pedra e babar a almofada.

E por falar em almofada, vou ali encontrar-me com a minha. 

 

Menos é mais

 Cansada de andar com uma carteira/porta-moedas tamanho XL para caberem os cartões e documentos e toda a treta que uma pessoa carrega. Cansada de ter de tirar quase tudo da mochila para conseguir tirar a carteira/porta-moedas XL e depois voltar a guardar, exatamente naquele ângulo, senão não cabe mais nada.

Há uns tempos fiz uma boa seleção ao que costumava trazer na bolsinha necessaire, e a verdade é que reduzi consideravelmente o volume de coisas, pelo que agora uma pequena bolsinha (ainda por cima em forma de cabeça de gato, miminho de Natal de uma amiga) chega e sobra para o que é indispensável. 

Agora chegou a vez da carteira/porta-moedas XL. Os cartões são muitos, verdade. Se preciso de todos eles? Uns mais que outros, mas nunca se sabe quando são precisos. Como substituir então a carteira/porta-moedas XL? Primeiro pensei em comprar um porta-cartões, daqueles com bolsinhas plásticas. Daria para os cartões menos usados, e teria uma carteira/porta-moedas tamanho S para os indispensáveis cartões (CC, carta de condução, cartão de seguro de saúde, cartão MB). Mas eu sou bicho que gosta pouco de ter as coisas espalhadas por aqui e por ali, e essa solução implicaria trocar uma carteira/porta-moedas XL por duas pequenas. 

Há meses que não entrava na Parfois. Esta semana, num momento que me permiti desanuviar a cabeça de uma semana complicada, dei de caras com esta carteira/porta-moedas que juntava o melhor dos dois mundos: bolsinhas plásticas porta cartões, divisórias próprias para os cartões mais usados, porta-moedas. Tamanho pocket. Gira. Prática. Gorduchinha, é certo, mas pequena e tão prática para manter tudo à mão em tamanho reduzido.

porta-moedas.JPG

 

E pronto, veio comigo e a minha mochila parece que ganhou muito mais espaço. 

Por falar em mochila, quando começam os saldos? Fiquei pelo beicinho com duas da Parfois: uma branca, perfeita para o verão, e uma num amarelo clarinho tão fofa. 

 Nota-se muito que estou completamente rendida às mochilas? Team mochila!! 

 

 

 

Se tivesse de resumir a semana numa palavra...

... seria morte.

Dramático? Forte? Sem dúvida. Mas real.

Na quarta começo o dia com a notícia da morte da avó de uma grande amiga. Um aperto no peito, uma sensação amarga por estar a centenas de kms e não lhe poder dar um abraço.

Horas depois, no mesmo dia, soube da morte do pai de um amigo. Murro no estômago. Ninguém contava, foi tão repentino, tão inesperado, tão chocante. 

Por fim, uma amiga que no fim de semana tinha resgatado dois gatinhos recém nascidos abandonados à sua sorte, uma lutadora que tudo fez para tratar deles e eu, em socorro, recorri a pessoas conhecidas dos meus tempos de associação para ver se arranjava uma gata que estivesse a amamentar e pudesse adoptar aqueles pequenotes. Depois de muitos contactos trocados, palavra passa palavra e eis que uma mamã adotiva aparece. A felicidade e o alívio. Logo toldados por um internamento repentino dos pequenos bebés. Um deles teve alta no próprio dia e seguiu para a mamã adotiva, que o recebeu muito bem. O outro permaneceu internado e não sobreviveu. 

Mais um murro no estômago. No mesmo dia. Assim, notícia atrás de notícia. Morte atrás de morte.

O meu feriado não foi na praia, nem numa esplanada. O meu feriado foi juntar-me a um grupo de pessoas, algumas amigas, outras conhecidas, outras desconhecidas, mas todas com uma missão: ir confortar o amigo que acabara de perder o pai. Uma hora de viagem até à serra, meios perdidos nas curvas e contracurvas, moídos pelo calor, com um sentimento a pesar cá dentro, mas chegámos ao destino, e juntámo-nos todos em redor do nosso amigo, em múltiplos abraços, apertos de mão, palavras de apoio. A presença que conforta num momento de grande dor. 

Vim tarde para casa. Esgotada emocionalmente. Com um vazio cá dentro. Com a cabeça perdida e vaga, alheia.

Hoje foi dia de trabalho mas passei as horas apática, desconcentrada, sem ponta de energia. 

Agora é respirar fundo, aproveitar a fim de semana para ver se reanimo e melhores dias virão. Para todos. 

 

Últimas e breves

- Cortei o cabelo. Corte radical. Está curto. Bem curto. Até eu, que já nem ligo muito a isso, porque afinal é cabelo e cresce, fiquei em estado de choque. Já me passou e já adoro o novo corte. Dizem que as mulheres que usam cabelos curtos são mais confiantes. Se calhar é isso. Ando a tentar aparentar algo que não sou nem sinto. Adiante. Agora com o calor está a saber muito bem não ter cabelo no pescoço e ter a nuca a descoberto. E também sabe bem ouvir os rasgados elogios ao novo visual: fica-me bem, faz-me ainda mais nova, é mesmo o meu estilo, está super giro... ou são uns mentirosos do catano ou eu estou mesmo um arraso com a arrojada mudança de visual.

- Acabei de ler o segundo livro que uma amiga me emprestou. Não gostei tanto como o outro. Mas vá, até mantive um bom ritmo de leitura. Agora não sei o que escolher a seguir e só me apetece ler o que tenho na wishlist da WOOK. Ou seja, o que não tenho em casa. Em breve um post dedicado ao livro.

- Há meses que não ia a uma festa latina. Fui este sábado a um evento de danças sociais. Com novo corte de cabelo, com um vestido preto justo, uma maquilhagem à anos 20 (olhos esfumados e batom vermelho), achava que ia tão bem disfarçada que ninguém me conhecia. Pura ilusão. Não só me reconheceram como disseram que devia andar assim mais vezes. Ah ah ah (vão sonhando).

- Nunca fui a um baby shower. Tão pouco organizei um. Vou ter um daqui a poucas (muito poucas) semanas, não conheço as outras amigas da futura mamã que estão a organizar, tão pouco estou na mesma cidade, e é ver-me a trocar ideias, via messenger, na organização do evento. Mas porque é que não faço como a maioria, que assobia para o lado e só quer saber quando, onde e a que horas? Já fiquei incumbida de uma atividade/surpresa muito gira e, para já, estou entusiasmada.