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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

12
Abr24

São as pequeninas coisas da vida que trazem grandiosidade

Ontem, depois da aula de pilates, em vez de virar em direção a casa, virei em direção à praia.

Pouco passava das 21h. Estava uma noite agradável, temperatura amena, convidava mesmo ao passeio ao ar livre. Caminhei pelo estradão junto à praia, respirei a maresia, contemplei os tons da noite que se refletiam na água do mar. Olhei para cima e sorri ao ver um céu pontilhado de estrelas.

Senti uma paz tão boa dentro de mim. Eu, que tenho andado a travar lutas internas, que tenho-me colocado novamente a (re)viver dores e mágoas do passado, que atiram a minha autoestima e valorização pelo precipício abaixo, senti naquele momento uma calmaria dentro de mim. Uma sensação de acolhimento me abraçou. Tudo foi como tinha de ser, e só assim eu estou aqui agora. E mais uma vez, lembrei que no agora eu posso escolher continuar a carregar as dores, ou soltá-las para dar espaço para novas vivências e emoções.

Para a leveza que senti ao fim do dia muito contribuiu um desabafo com uma amiga. Aquela amiga que podem passar semanas em que pouco falamos, em que vamos trocando uns reels no instagram, breves comentários, umas piadas. E quando nos encontramos, a conversa desponta das profundezas da alma. Bastou um "noto-te em baixo, em luta, quando escreves" (no blog) para eu abrir a caixa de Pandora. E aquilo que parecia uma atualização de temas à amiga, na verdade foi um libertar de emoções que têm andado por aqui embrulhadas dentro de mim, retidas, abafadas.

Obrigada pelo espaço que me deste para este libertar. Obrigada por me ouvires. Obrigada pela leveza com que me deixaste. Obrigada.

 

08
Abr24

Ao acaso

Recentemente, muito recentemente, algo como há três dias atrás, voltei a ser abordada como se estivesse grávida:

- É rapaz ou rapariga?

(resposta mental: não binário)

- Parabéns, muitos parabéns (num cumprimento rápido, a passar por uma multidão, enquanto olhavam para a minha barriga). 

Fingi demência. 

Não consegui foi fingir, como se a minha autoestima tivesse  saído incólume. Não saiu. E olhar-me ao espelho foi penoso. Uma merda, portanto. Ainda está a ser. Como comentários que nem 30 segundos duram nos metem na merda durante dias a fio?

Nesse mesmo dia fui até ao recinto da Feira de Março (google it) para ver Os Quatro e Meia. Outra vez. Sim, sou muito fã. Concerto diferente dos outros que assisti, o contexto do local assim o exigia. E tudo bem. A multidão que era esperada, a confusão, tudo expectável dentro do conceito feira de diversões, festa popular, e afins. O que não achei de todo ok foi levar com um grupo de aborrescentes ao lado, em rodinha, a conversar o concerto todo, e a cagarem completamente quer no concerto, quer nas pessoas à volta que estavam efetivamente a assistir com genuíno interesse e entusiasmo ao espetáculo. Contive-me algumas vezes para não lhes dizer que se queriam conversar, haveria certamente outros sítios para o fazer, não ali, no meio de uma multidão a assistir a um concerto. Assim, uma boa parte do espetáculo foi a levar com os gritinhos e conversas, que a minha idade já não me dá paciência para ouvir sem revirar os olhos umas quantas vezes, ainda que haja uma vozinha condescendente a sussurrar: ah a inocência da juventude. E arrogância também. Perdoai-os que eles ainda não sabem para onde vão. 

 

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