Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

20
Jul18

É uma questão de humildade (ou total falta de)

O que é Humildade?

Humildade é a qualidade de quem age com simplicidade, uma característica das pessoas que sabem assumir as suas responsabilidades, sem arrogância, prepotência ou soberba.

 

Já ando nisto dos blogs há algum tempo. Tempo suficiente para seguir alguns há anos, para assistir a ascensões e declínios, para largar uns e descobrir outros, para estreitar relações, para assistir de longe ao que cada um decide partilhar. 

E há uma coisa que me custa um bocadinho. Gente anónima, que veio do nada e saltou para a ribalta pelo blog. Sem dúvida tem o seu mérito pelos conteúdos, dedicação e empenho, mas poderiam ter isso e continuariam a ser nada se não tivessem leitores, muitos leitores, milhares de leitores. E o que me custa é perceber que nesse percurso de ascensão a humildade ficou algures numa curva apertada. 

Se alguém cria um blog de economia doméstica, organização, dicas de gestão de tempo, receitas, planeamento, um blog que ao fim de anos mantém cativos milhares de leitores e seguidores e, com todo o mérito, mantém-se em alta pelo interessante e variado conteúdo, cabe ao autor ser humilde para aceitar que vai receber milhentas perguntas e pedidos de ajuda, sobre coisas que provavelmente já perdeu a conta ao número de vezes que escreveu. E mais lhe compete ainda humildade para responder a quem alimenta a sua popularidade e notabilidade.

Portanto, causa-me assim uma azia na bílis quando leio nas redes sociais que estes influencers da vida moderna alimentam a toda a hora do dia (that's their job, I know) as suas reações às questões dos leitores. 

"Perguntam-me como consigo poupar tanto na comida e na conta do supermercado. Há que procurar, ir a superfícies comerciais diferentes e comparar preços, ir a feiras e mercados biológicos, explorar o comércio tradicional. Nunca é boa ideia fazer as compras todas no mesmo sítio. Não têm tempo? Não se pode ter tudo!"

Ora este não se pode ter tudo é, no meu entender, uma grande cuspidela em cima de quem alimenta o ego (e não só) desta criatura. 

Até porque, e vejamos, a criatura é bafejada pela "sorte" de poder ser uma stay home mom. Não tem de picar ponto, aturar patrões, cumprir uma infinidade de tarefas, viver em contrarrelógio para chegar a horas, sair a horas, enfrentar trânsito, filas, etc...

A criatura, nos seus tratados de organização vai expondo as suas rotinas: à sexta lava roupa, que assim na segunda quando a senhora que lhe passa a ferro e limpa a casa for, já tem a roupa seca. Às segundas cozinha para a semana toda. Aos fins de semana leva os filhos a sítios diferentes para eles conhecerem e não se aborrecerem. Acredito que nos restantes dias sobre tempo para uma gincana aos supermercados, feiras e mercados e comércio tradicional. Obviamente tudo documentado em fotos e vídeos para o Instagram e semelhantes. 

Só assim, efetivamente, consegue reunir todo o material e informação necessária para os seus posts de economia doméstica, dicas de organização, planeamento, receitas, todo um material que mantém um vasto público interessado e ligado aos seus canais de comunicação. Right, that's her job. And that's okay!! 

Mas por favor, esse tipo de respostas a quem pede ajuda porque almeja ser como a mestre, mas está a anos luz de ter as mesmas condições de vida que a mestre tem, é só de uma falta de respeito e consideração para quem a idolatra e lhe alimenta o ego (e não só). 

Humildade. É apenas o que tenho a dizer. 

 

16
Jul18

A nova saga que me faz perder o sono!

Perder o sono no sentido de não conseguir parar de ler. É tão bom, mas tão bom que já comecei o segundo volume e está a um ritmo de leitura mais alucinante que o primeiro.

O desaparecimento de um jovem de 16 anos. A descoberta do corpo sem coração. Um assassino que se auto intitula "o homem que não é um assassino". Um polícia cego na sua própria vaidade. Uma equipa de investigação criminal de topo. Um profiler que tem tanto de mente brilhante como de descompensação emocional, alimentada por traumas pessoais, que o tornam um ser verdadeiramente fascinante de interpretar e descobrir. Personagens várias que parecem ser o que não são, ou que são o que não seria expectável que fossem. 

Os ingredientes são matéria prima de primeira qualidade. A escrita uma verdadeira mestria do suspense, que nos envolve de tal forma que nos sentimos parte da investigação. Todos os fios estão entrelaçados, as subtilezas vão temperando o desenrolar da ação para manter a atenção de um leitor mais atento e perspicaz. O desfecho é surpreendente, mesmo para o leitor que foi capaz de identificar as subtis revelações (eu andei muito, muito perto e mais não posso dizer).

Segredos Obscuros é um bom thriller nórdico, repleto de personagens complexas, que oscilam entre os seus dilemas pessoais e competências profissionais. Os cenários são tão realistas que somos facilmente transportados para a Suécia, para as ruas da cidade de Västerås. Uma teia intrincada de segredos e revelações que se vão descobrindo e revelando num todo que vai para além de tudo o que se conhecia. As verdades vão-se revelando, as aparências vão ruindo, e há todo um fio que une todos estes segredos.

Não é difícil de explicar o sucesso desta dupla de autores e da sua criação, Sebastian Bergman. Uma saga que prende e nos desperta uma ávida vontade de ler os volumes seguintes. Eu já comecei o segundo... 

 

06
Jul18

Sobre-vivendo!

Os dias têm sido difíceis. Quem me conhece antecipará que as minhas ausências são motivadas por isso mesmo: dias difíceis, a vários níveis. 

Para começar, muito trabalho. Fui nomeada team-leader de um projeto relacionado com o famigerado RGPD (Regulamento Geral de Proteção de Dados) o que me tem valido horas de formação e reuniões.

O trabalho normal do dia a dia, que já não é pouco, continua e não pára de acumular, pelo que na maioria dos dias dava jeito clonar umas quantas Pandoras.

Há um desgaste físico, um cansaço acumulado. Há, também, muito stress. Muitos nervos à flor da pele. Voltaram as crises de ansiedade. A falta de descanso. Vem a falta de paciência. Para tudo. 

Aconteceram umas situações profissionais que me derrubaram. Me fizeram sentir uma enorme sensação de impotência, de frustração, também de revolta. Quando se acredita no mérito e na competência, mas se trabalha com uma equipa onde o que interessa é a palmadinha das costas, a hipocrisia e os egos de muita gente, há uma constante luta inglória, condenada ao fracasso dos mesmos. Imaginem de que lado estou?

E tudo isto a troco de um salário de merda, que dá para pagar contas e pouco mais.

Preciso urgentemente de férias, mas as férias vão ser em casa. Não há dinheiro para ir para fora, uns dias que sejam. Está a ser um ano complicado em termos financeiros, cenário que se desenhou logo no início do ano, quando passámos pelo que passámos com a história do acidente e o absurdo de dinheiro que tivemos de adiantar até ter o problema resolvido. Foi um enorme rombo. E como um mal parece que nunca vem só, outros imprevistos aconteceram que se traduziram em gastos não previstos num orçamento não muito avantajado. 

Foram-se reservas, foi-se tudo e nos dois primeiros meses a conta bateu no vermelho. Equilibramos as coisas, mas não sobra para férias. E já foi um esforço três dias em Lisboa.

Portanto a frustração aumenta. Tanto trabalho para isto. Tantas horas dedicadas para isto. 

Haja saúde. 

Pois. Já tenho o resultado da panóplia de análises hormonais que fiz. Ainda não regressei ao endocrinologista (só tenho consulta no fim do mês), mas já as mostrei à nutricionista.

Boas notícias: está tudo bem, os valores estão todos dentro dos parâmetros normais.

Más notícias: voltamos à estaca zero, sem saber de onde vem a extrema retenção de líquidos, o inchaço das pernas, tornozelos, pés. 

Nem dá para gozar as boas notícias. Há algo que não está bem. E não há meio de encontrar a origem para poder tratar.

Prevejo uma corrida a especialistas vários, numa demanda que não sei onde vai dar. 

Faço o esforço para (sobre)viver. Mantenho as minhas atividades, vou a convívios com amigos, o verão (supostamente) começou e com ele vem uma quantidade obscena de eventos: é tasquinhas, é festas disto e daquilo, as feiras temáticas, este fim de semana tenho na agenda o Vagos Sensation Gourmet e começa o AgitÁgueda, que já é uma espécie de tradição.

Não me rendo a ficar afundada no sofá, fechada em casa, a chorar as mágoas e remoer a frustração. Não me entrego a este cansaço extremo que me suga toda e qualquer energia.

Só que não é fácil.

Dias há que me sinto num pântano de areias movediças e rapidamente percebo que para sobreviver tenho de ficar quieta. Há dias que é simplesmente isso a única coisa a fazer: parar, sossegar, acalmar, serenar. Esperar. Há momentos em que lutar é precisamente PARAR e deixar que a vida se vá resolvendo por si. 

E então é isto. Estou num momento em que estou quieta, deixando os dias passar, acompanhando o ritmo da maré, sem remar contra a corrente. Demasiado cansada para isso. E quiçá não será mais sábio, neste momento, simplesmente deixar ir, deixar acontecer, o que tiver se ser, será.

 

17
Jun18

Em duas semanas, dois livros despachados!

 

Já tinha lido tão boas críticas a este livro, que foi uma das compras mais recentes. E não esperei muito para o ler.

Tenho mixed feelings. Li-o em pouco tempo, portanto a leitura fluiu e despertou-me o interesse. Talvez tivesse imaginado outro tipo de narrativa. Talvez estivesse com outras expetativas. Talvez... 

Gostei. É uma escrita genuína, crua, sentida com dor e alma. É um relato autobiográfio. Se não é, disfarça muito bem. É um relato que podia ser o de qualquer mulher dos nossos dias, da geração do 25 de abril, do Portugal que transitou de uma longa ditadura para um país inserido na Comunidade Europeia. Do Portugal tradicional, fechado, conservador, para um Portugal que dá os primeiros passos para um futuro mais aberto, mais livre, mais promissor... e o Portugal recente da crise económica, ainda tão presente em todos nós, nas sequelas que deixou.

Maria Luísa é narradora, protagonista, é tudo neste livro. E foi esse o elemento que menos gostei. Maria Luísa é dominante nesta narrativa, é tudo sobre ela, à volta dela, ela e ela... Mas, há que ver que é uma narrativa de memórias, um retrato autobiográfico. Faz sentido.

Metaforicamente abre-nos a porta da sua casa, a casa que fora dos pais aquando do regresso a Portugal. Divisão a divisão, leva-nos a conhecer a intimidade da sua casa, da sua vida, das suas vivências. E deparamo-nos com uma mulher que é uma fortaleza e ao mesmo tempo um castelo de areia, uma mulher de armas, e ao mesmo tempo derrotada pela vida e por pessoas que se cruzaram com ela e lhe destruíram sonhos.

Maria Luísa é uma mulher inteligente, culta, corajosa, batalhadora, honesta, bondosa. E é a gorda, aquela que tanto perdeu na vida por não caber nos cânones de beleza feminina, por não ser a menina/mulher que se esperava que fosse ou que deveria ser. E mesmo depois de se submeter a uma operação para emagrecer, mesmo depois de ter um corpo "magro", sente que será sempre a gorda, a que não cabe nos padrões impostos pela sociedade. E enquanto isso espera por aquele amor que a rejeitou por duas vezes, mas que lhe deixa a esperança de voltar para ela. Quando? Não sabe. Quando viver a vida dele e achar que está na hora. Ora, esta parte também me irritou um bocadinho. É que a nossa heroína dá uma no cravo e outra na ferradura. Por um lado há toda uma luta interior para se aceitar como é, enfrentando tudo e todos, mostrando-se dona do seu nariz, muito segura do que é e do que quer, e por outro é esta eterna menina insegura, que se deixa usar e abusar por quem lhe promete migalhas de amor.

No geral gostei do livro. Mas houve aqui algumas questões que tornaram a minha leitura agridoce.

Terminado o livro sobre A Gorda, achei que seria perfeito seguir com: 

O título chamou-me a atenção. A sinopse foi decisiva na minha escolha. 

Estranhei o formato do livro, mas lá dizia Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se"!

É um ótimo livro para ir no saco de praia. Não foi o meu caso, mas enquanto o lia pensava que teria sido ótimo guardá-lo para as férias. Leitura divertida, há muito sarcasmo e ironia nas dicas e ideias das autoras. 

Deixo-vos uma amostra do interior deste hilariante guia para mulheres "normais":

 

07
Jun18

Eu mereço!

Com o problema com que me tenho debatido, e apesar de já ter a consulta marcada, há alguns cuidados que já comecei a ter. Um deles é o repouso das pernas com os pés levantados. Cheguei a dormir algumas noites assim, com duas almofadas de apoio nas pernas para fazer altura.

Coincidência ou sorte, o Lidl hoje tem uma campanha de artigos de Bem-Estar, onde consta esta almofada própria para o repouso de pernas e pés.

almofada.JPG

Ora, o preço é estupidamente apelativo, já que nas casas da especialidade (equipamento médico) uma almofada destas custa três vezes mais.

Aguardei pacientemente por hoje e, pelo sim pelo não, levantei-me mais cedo, e saí mais cedo de casa para lá ir comprar a almofada na abertura.

8h25 chego ao Lidl. Primeiro pensamento: oferecem o pequeno almoço às primeiras vinte pessoas???!!!!

Deixo-me estar no carro, até porque está frio e a chover. Só que começa o aglomerado da brigada do reumático a colar-se à porta de entrada. 

Começam a abrir e... 

Sigo na cauda do pelotão sénior, lá vou à procura das almofadas e eis que me vejo sem qualquer concorrência a ver os artigos de saúde e bem estar. A corrida matinal afinal foi para os trapos do Lidl. 

Pelo que vi, nitidamente os saldos da Zara perderam clientela. 

Moral da história: podia ter feito o meu horário normal, ter ficado mais meia hora (pelo menos) na caminha, passava lá na hora de almoço e certamente não faltavam almofadas terapêuticas para as perninhas cansadas e inchadas aqui da velhota. 

 

Sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pela estória de:

Pesquisar

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D