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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

11
Nov19

Ainda não tinha falado por aqui do filme "JOKER"...

Joker.jpg

Imagem retirada da net, texto e montagem meus no Instagram

"Sou responsável por aquilo que digo, não pelo que os outros entendem". - lembrei-me desta espécie de "frase feita" (e que contém tanta verdade) por causa do filme Joker. Anda nas bocas do mundo. Há quem adore, há quem critique e ache o filme um incentivo à violência. Ora, pude ouvir ao vivo e a cores durante o intervalo do filme comentários do género: "que seca; daqui a nada adormeço; mas quando é que aparece o Joker?". E isto é tão simplesmente a prova das mentes pequeninas que vão assistir a um filme destes à espera de ver sangue e cabeças a rolar.
A essência do filme não é o Joker (enquanto vilão, aquele que conhecemos dos filmes do Batman). A essência do filme é como e por que "nasceu" o Joker. E isso é um dedo bem espetado na ferida de uma sociedade egoísta, cheia de moralismos hipócritas e valores ocos.

 

O texto e imagem acima foram a minha reação quase imediata, a sair da sala de cinema, ao filme que tem dado que falar.

Confesso: não estava para ver. Tinha na minha memória o excecional Joker de Heath Ledger e não queria desiludir-me. Mas depois li o que Nuno Markl escreveu no seu Instagram sobre o filme, nomeadamente a última frase, curiosa e ironicamente entre parênteses, que passo a citar: "(Já agora, a mim só me faz espécie que as pessoas que consideram Joker um filme capaz de inspirar "lunáticos" a matar "gente sã", não vejam que, se calhar, também está aqui um filme capaz de inspirar "gente sã" a estender a mão a "lunáticos" antes que seja tarde demais.)"

E fui ver. E saí da sala de cinema num estado que não sei bem definir.  Longe de me ser indiferente, longe de ser apenas um filme que fui ver por mero entretenimento, foi um filme que mexeu cá dentro, me revolveu as entranhas, me pôs os neurónios em rebuliço. Me fez olhar em volta com outros olhos. Um filme que ficou até aos dias de hoje na minha cabeça (e irá ficar), que me faz repensar na forma como agimos em sociedade, como somos tão cegos ao que nos interessa, como somos tão cheios de moral e bons costumes, juízes e carrascos que não querem, sequer, saber a verdade escondida e ignorada das pessoas que criticamos, julgamos e condenamos.

E porque falo do filme agora? Porque tenho visto uma condenação em "praça pública" da rapariga de 22 anos que alegadamente (já ouvi versões que não foi lá que o deixou, mas alguém pegou na caixa onde ele estava e o foi deixar no local onde foi encontrado) abandonou o filho recém nascido no caixote do lixo. É fácil condenar, apontar o dedo, condenar um ato tão cruel e vil (que o é), desconhecendo os motivos. Parte-se logo do princípio que é uma vadia, drogada, puta barata de esquina de rua, que andou a foder com quem quis e lhe apeteceu e quanto pariu foi só ir ao lixo e largar o bebé. 

Li esta manhã a publicação da Catarina Beato no seu Instagram. E como ela própria sublinha, claro que a rapariga deve e tem de ser responsabilizada pelo que fez, mas, e há aqui um grande MAS, é imperativo perceber o contexto, os motivos, o que a levou a fazer o que fez e prestar-lhe a ajuda que ela, com toda a certeza, precisará

Que sabemos dela? Uma sem abrigo de 22 anos. Sabemos por que é uma sem abrigo? Sabemos o contexto em que engravidou? Pode ter sido violada, pode ter sido uma miúda que engravidou do namorado, que a deixou mal soube (ui quantos??), e cuja família a expulsou de casa. Sabemos de onde vem?  Sabemos que formação ou informação tinha para procurar ajuda? Sabemos se estava completamente sozinha, em desespero, sem saber o que fazer ou a quem recorrer?

Há uns anos atrás conheci uma rapariga numa empresa onde trabalhei por pouco tempo. Ela sofria de depressão porque ainda não tinha superado um divórcio, fruto da infidelidade dele. Namorado dos tempos de escola, anos juntos, e pouco depois de casarem, toma lá um par de enfeites na testa. O sonho dela em ter família, marido, filhos, foi-lhe assim arrancado num ato de egoísmo puro por aquele que ela considerava ser o amor da sua vida. Desfeita, voltou para casa dos pais, porque o salário de 500€ não dava para viver sozinha. Pouco depois de a conhecer ela envolveu-se com um fulano, também ele divorciado e com uma filha. Deslumbrou-se (emocionalmente carente como era, não me admirou) com o tipo, com o pseudo romantismo dele, e não viu outros sinais, como o não querer saber da filha para nada, culpando a ex mulher de tudo. Fins de semana fora, mas nada de conhecer famílias, noites juntos quando ele queria, desculpando-se com o trabalho e as supostas viagens que fazia... ela acabou totalmente apaixonada e grávida. E aquilo que parecia ser a grande felicidade tornou-se o seu pior pesadelo. O gajo mostrou ser o cabrão que era, obrigou-a a abortar, caso não o fizesse acabava tudo com ela. Ela, uma vez mais destruída e em nome de um amor do qual estava sedenta e faminta, marcou o aborto. Na véspera o pai disse-lhe algo do género: "a decisão é tua e só tua, mas uma coisa podes ter a certeza. Com ou sem filho, ele não vai ficar contigo". No hospital, enquanto esperava que a chamassem, pensava nas palavras do pai, com as quais eu concordei. Depois daquilo que futuro poderia haver naquela "relação"?. No último minuto, levantou-se e veio embora sem abortar. Decidiu ter o filho que sempre quis ter. Tinha o apoio dos pais. Dos poucos amigos que tinha. Tudo haveria de correr bem, e pelo menos ela seria a mãe que sempre quis ser. Homens, há muitos. Claro que o tipo reagiu mal, disse que não ia assumir nada, e tratou-a muito mal. Uma vez mais, desfeita, ela não sabia o que fazer, apesar de ter apoio da família. Eu arranjei contactos numa associação que presta ajuda a mulheres vítimas de violência e em situações de risco e através da associação ela teve apoio psicológico e jurídico. Através da segurança social teve um advogado que a defendeu na questão da paternidade. No dia seguinte ao nascimento do filho ele foi intimado pelo tribunal para se apresentar no hospital e fazer o registo de paternidade da criança. Foi. Fez o registo e saiu. Não quis conhecer o filho. Nem a quis ver. Limitou-se a cumprir aquilo que foi estipulado pelo tribunal de família. 

Porque conto esta história? Porque era uma rapariga na casa dos 30's, com família, com trabalho, e mesmo assim quando se viu numa situação destas não sabia o que fazer e não fosse ter quem lhe pusesse a mão e a ajudasse, sabe-se lá o que teria acontecido. 

E agora é muito fácil condenar cruelmente esta miúda de 22 anos, sem abrigo, que engravidou (não sabemos em que circunstâncias), não teve ajuda de ninguém e saberá ela (se calhar nem sabe) por que tomou a decisão que tomou. Ficamos todos chocados, no conforto das nossas vidinhas organizadas e sem dramas de maior, a condenar um ato desprezível, a condená-la como assassina, mulher sem coração, que mãe faria uma coisa destas? A sério? Há tantas mães que só o são porque pariram, e não foi porque não deixaram os filhos recém nascidos no caixote do lixo que foram melhores mães. 

E cá está um caso em que podemos refletir se nós, a gente sã, não poderíamos ter visto esta situação (quantas pessoas se terão cruzado com esta sem abrigo e sofreram de cegueira conveniente?) e ter ajudado antes que fosse tarde demais?

Joker, voltando ao filme, é O FILME que mete mesmo o dedo na ferida desta sociedade hipócrita e egoísta, cheia de moral e "bons costumes", que faz o papel de juiz e carrasco com a mesma facilidade com que comenta o episódio da novela do dia anterior. 

Há pessoas que cometem coisas más porque não viram outra saída. Se há outras saídas, com toda a certeza. Mas e onde está a ajuda para elas aparecerem? É mais fácil virar a cara, deixar acontecer e depois apontar o dedo.

Como diz a outra: #fodeibos!!! 

 

08
Nov19

Leitura de Outubro

Depois de uma leitura voraz do último livro da saga Sebastian Bergman, fui à minha "prateleira da vergonha" ver qual seria o seguinte. Para garantir que não me desiludia, missão quase impossível depois de mais uma incursão intensa no universo de Sebastian Bergman, escolhi O Último Papa de Luís Miguel da Rocha.

É de lamentar que um escritor português tão promissor nos tivesse deixado tão precocemente. Tem uma escrita muito cativante, na sua obra demonstra um interesse particular pelo Vaticano e todos os segredos escondidos ao longo dos séculos, teorias da conspiração e o recurso a meios muito duvidosos que justificam o fim de manter a Igreja e os seus dogmas intactos. 

Pelo que percebi eu comecei pelo último livro do que parece ser uma saga (pelo menos tem personagens transversais e há uma certa linha cronológica). Comecei pel' A Filha do Papa, que parece ser o último (publicado) desta sequela. Como gostei, regressei ao autor e ao que será o primeiro livro da saga.

Neste livro é explorada uma teoria sobre a morte misteriosa e repentina do Papa que foi Papa durante 33 dias, ficou conhecido pelo Papa do Sorriso e foi o primeiro a escolher dois nomes: Papa João Paulo I. Conspirações, sociedades secretas que não olham a meios para atingir os seus fins, os jogos de interesse, poder de influência e corrupção são ingredientes que podemos encontrar neste enredo muito bem desenvolvido entre dois tempos cronológicos: 1978 o ano do Papa João Paulo I e 2006, quando surge uma lista que pode pôr a descoberto toda uma teia de corrupção, lavagem de dinheiro e assassinatos que envolvem o Vaticano, bem como pode derrubar poderosos nomes das mais variadas áreas (política, jurídica e eclesiástica). 

É neste livro que conhecemos uma perspicaz jornalista portuguesa e um misterioso agente secreto do Vaticano, protagonistas deste complexo enredo que explora de forma muito inteligente e verosímil uma série de "podres" que se passam nos bastidores que o grande público não conhece, nem desconfia que possam existir. As aventuras que passam juntos são de tirar o fôlego em várias páginas, sendo o ritmo de leitura tão intenso como é intensa a descrição dos acontecimentos, da ação, que quase somos transportados para o meio daquelas perseguições alucinantes, sentimos a adrenalina daquela fuga e luta pela sobrevivência.

Sem dúvida que é uma escrita que me cativa, e a forma como são exploradas estas teses relativas a alguns dos grandes mistérios relacionados com o Vaticano deixam-me curiosa pelos que ainda não li. Leituras para 2020, com toda a certeza.

 

03
Nov19

Altos e baixos, tempestades e previsões de bonança

Eu sei, eu sei, ando meia ausente, incerta por estes lados, e quando venho é quase sempre em lamúria por um ano fodido que está a ser 2019. E dizer fodido é ser simpática.

No entanto, e dando uma de Gustavo Santos, o guru dos clichés, eu posso não controlar o que acontece, mas está nas minhas mãos decidir que importância dou ou o que faço em relação ao que acontece. É o meu poder. E é um poder do caraças, digo-vos já. Por que isso implica tomar as rédeas da vida que é a minha e só minha, da pessoa que sou eu e cujo bem estar depende inteiramente de mim, e só de mim. 

2019.

Um ano marcado por falecimentos (a avó do Gandhe, o pai de uma amiga muito próxima, e o mais recente o meu avô paterno).

Um ano marcado por doenças graves de pessoas ou familiares de pessoas que me são próximas ou extremamente especiais para eu sentir a dor que elas sentem e estar aqui, muitas vezes sei lá como, para lhes dar o apoio que necessitam.

Um ano que, em pouco tempo, a mãe dele foi fonte de aflições e preocupações: primeiro teve um grave acidente de carro que nos deixou sem pinga de sangue, mas do qual saiu milagrosamente ilesa. Houve o prejuízo do carro, que foi para a sucata e, sem contar, teve de comprar outro. Do mal o menor.  Um tempo depois, e num espaço de 48h, duas crises cardíacas graves, muito graves, que nos deixaram literalmente de coração nas mãos e por pouco não suspendemos as férias de verão. Acabou tudo por correr bem, devidamente medicada e nós com olho atento,  tem estado tudo calmo. Por enquanto. Porque ela e o problema cardíaco que tem são uma bomba relógio.

Um ano marcado por constantes desavenças e desentendimentos com o Gandhe... o ano do nosso 15º aniversário (que por pouco nem lá se chegava) tem sido desgastante para ambos, temo-nos deixado levar por uma série de fatores externos, sinto que estamos a remar em direções opostas, com prioridades diferentes, pior, sinto-me sozinha numa relação em que eu tenho ficado para depois porque aparecem sempre outras coisas muito importantes e inadiáveis. Por dois momentos a minha aliança esteve em cima da mesa, num tudo ou nada, assim não quero, não sou feliz, não é o que quero na minha vida nem no meu futuro. Note-se que a segunda vez que isto aconteceu foi há duas semanas. Invariavelmente é quando bate no fundo que ele reage. Que ele mostra o que sente. Que ele luta por mim, por nós. Há duas semanas ele deixou-me sem palavras com todo um discurso em que se expôs emocionalmente como muito poucas vezes o vi expor-se nestes anos todos. E acreditei na força do que nos une, mais do que tudo o que nos parece querer afastar. 

Estes dias de férias em que estive parcialmente sozinha pude dedicar tempo a mim. Também preciso. Dormir, passear, ir tratar da beleza (ajuda ao ego e à auto estima), check up na nutricionista, ir às minhas aulas de dança nas calmas, sem a típica correria do sai do trabalho, come qualquer coisa e corre para não chegar (muito) atrasada. Tive um jantar de amigas. Fomos dançar. E rir. Muito. Comprei uma mini saia de pele (sintética). E senti-me bem. Fui até à praia com o Gandhe (que fez um esforço para, nas horas depois do trabalho, estar comigo, compensando a falha de não ter marcado as férias para esta semana estarmos juntos). Respirei a maresia, ouvi o som das ondas, contemplei um horizonte com uma mistura de nuvens, raios de sol e água. Senti a areia nos pés. O vento no cabelo. Bebi um chocolate quente. Andámos a explorar novos sítios na cidade. Jantámos num sítio diferente (novo para nós). Tivemos tempo para nós, e também para as coisas de cada um. Um bom equilíbrio, que é o que mais nos tem feito falta. Quase que fomos para fora dois dias, acabámos por não ir. Não faz mal. O tempo foi bem aproveitado.

E, como que a marcar uma nova fase, hoje vieram almoçar connosco, cá em casa, a mãe dele e o meu pai. Foi um agradável almoço de uma família que tem perdido tanto e não tem sabido encontrar um rumo que leve a uma união. Somos poucos, contamos com tão poucos e mesmo assim não nos unimos, não nos procuramos, ficamos sozinhos, cada um na sua bolha. Aproveitei que o meu pai faz anos hoje e convidei para almoçarem cá em casa, fiz uma surpresa com o bolo, conversámos sobre muitos assuntos... e foi bom. Há tanto tempo que não me sentia "em família". 

2019 tem sido um ano duro. Sofrido. Penoso. E está nas minhas mãos retirar as lições que a vida quer que eu aprenda, enfrentar as dificuldades e obstáculos com uma postura mais serena, espero que mais sábia, no fim de tanta provação... porque, e recordo uma frase que a Alice partilhou, "o desgosto e a alegria dependem mais do que somos do que daquilo que nos acontece". Portanto, há que arregaçar as mangas e erguer a cabeça, ser eu, inteira, sem medos, ou que seja com medos mas que haja coragem de ir, com fé e confiança em mim e no caminho que escolho trilhar. Quem quiser acompanhar-me, a minha mão está estendida e o meu coração agradece. Quem quiser ficar pelo caminho, só tenho a agradecer as histórias vividas e partilhadas e entender que há algumas pessoas que ficam pelo caminho para que outras melhores possam aparecer, há histórias que têm de terminar para que outras possam acontecer. E acima de tudo: deixar a vida acontecer, porque ela dá muitas voltas, e escolha eu o caminho que escolher, hei-de chegar onde tenho de chegar, com as pessoas que me quiserem acompanhar. 

 

 

 

 

21
Out19

Coisas fantáticas (e não só) de ir almoçar a casa

Isto de morar a cinco minutos do trabalho é um luxo. Verdade.

Regra geral vou almoçar a casa, não que de vez em quando não combine e vá almoçar com colegas a qualquer lado, mas por norma, vou a casa. Um luxo. Verdade.

No entanto, tudo tem o seu revés. E isto de ir almoçar a casa também é muitas vezes andar numa corrida a fazer coisas em casa e quando finalmente me sento para almoçar, fónix, faltam 15 minutos. Ou menos. 

Hoje andei a estender roupa (aproveitar o sol), a apanhar roupa que estendi ontem à noite, a dobrar e arrumar alguma que não precisa de ferro, depois venho para a cozinha e ainda arrumo umas coisas, limpo as caixas de areia dos gatos e... ops tenho de almoçar. 

Pronto, há outros dias que não havendo roupa estendida ou por estender, ou outra coisa qualquer que uma gaja olha e vai de fazer para adiantar serviço, dá para ler um bocadinho enquanto tomo o café descontraída. 

 

15
Out19

É oficial!

Está frio. E veio a chuva.

Regressei aos collants. 

Arrumei as sandálias e coloquei à mão as botas e botins (uso estas caixas para arrumar o calçado, na mudança de estação é só trocar da parte de cima do roupeiro para a parte de baixo o que vai passar a estar em uso, e para a parte de cima seguem as caixas com o calçado que durante os próximos meses não vão ver a luz do dia).

É oficial. Só me apetece enrolar-me num edredão quentinho e dormir até estar novamente calor.

Estamos a meio de outubro e ainda não apanhei uma daquelas gripes de caixão à cova, normalmente com alguma merdite (otite, amigdalite, faringite) associada. Não atiremos foguetes que outubro ainda só vai a meio.

Aguardo ansiosamente pela última semana: mini férias.

Preciso urgentemente descansar, abrandar o ritmo, estar em casa, dar uso ao sofá e às mantas, passar umas belas horas refastelada com os gatos, com um livro nas mãos. Ou a ver filmes. Quero ir ao cinema. Comer pipocas. Quero uns dias em que não tenha horários, e o tempo não é um carrasco impiedoso. Quero ter tempo para estar na cozinha e cozinhar com prazer e não pra desenrascar qualquer coisa para comer, porque tem de ser. Quero desligar do mundo e do stress. Isolar-me na minha bolhinha e estar sossegada a carregar baterias.

Sei que tenho escrito muito isso, mas é um facto e, a entrar na reta final do ano, o balanço é que 2019 está a ser um ano penoso, a testar todos os meus limites de paciência, resistência e resiliência. Um ano cheio de coisas más que me sugaram toda a energia. Um ano cheio de dificuldades, muitos obstáculos, e este agre sabor a frustração e desilusão, de cansaço extremo, de vazio. Tantos esforços, sacrifícios para quê mesmo? Sinto-me a remar sem sair do lugar. Desespero e esgoto-me. 

Há-de melhorar. Repito baixinho a mim mesma. Tem de melhorar... 

 

04
Out19

Coisas que me fazem cócegas ao cérebro (durante uns segundos) quando já devia estar a dormir e estou a vegetar no Instagram

Durante anos usei agenda de papel. Se um dia me dissessem que ia abdicar dela e passar a usar a do smartphone ia rir-me e dizer "jamé".

Pois que pela boca morre o peixe. Tinha uma caixa cheia de agendas de anos anteriores e percebi que só a abria uma vez por ano,  para guardar a do ano que terminava. Num daqueles acessos de desapego e limpeza, foi tudo para a reciclagem. 

Aos poucos comecei a experimentar a agenda do Google. Ia mantendo a de papel. 

Lá dizia Pessoa, primeiro estranha-se depois entranha-se. Rendi-me à agenda do Google, abandonei as de papel.

Agora vejo que anda tudo na cena do bullet journal. Pelo que percebi é pegar num simples caderno e fazer a sua própria agenda,  com calendário, listas, notas e o que quer que cada um considere importante para a sua organização e gestão de tempo. 

Tenho visto verdadeiras obras de arte: desenhos, colagens, coisas que me fazem lembrar quando era uma "aborrescente" tonta e escrevia em cadernos e fazia colagens (nunca tive jeito para desenho). 

Acredito que tenha o seu quê de terapêutico,  estar ali horas a desenhar, colar,  preparar quadros, tabelas, calendários,  campos vários com ilustrações dignas de exposição de belas artes. Mas... e eis o busílis: tanto tempo a desenhar,  colar,  recortar,  criar uma "agenda " à medida e ultra personalizada para gerir tempo, tarefas e projetos? 

Cada um sabe de si, mas eu mal tenho tempo para me coçar quanto mais para estar horas a desenhar, pintar, colar cenas num caderno. 

Ah já sei? Falta-me um bullet journal para ter melhor gestão de tempo e de tarefas. 

Hã hã... vou continuar no Google Calendar (em inglês soa sempre a uma merda bué importante e chique). Oh, dá pra ter notificações, selecionar diferentes tipos de notificações e sua antecedência,  colocar a localização dos eventos agendados,  atribuir cores, partilhar o calendário com quem quisermos. E na era das Apps pra tudo e mais um par de botas, a sério que anda tudo a desenhar cadernos para gerir tempo?! 

 

 

 

01
Out19

Ah o outono...

Acordo. Lá fora chove. Céu cinza escuro, carregado de nuvens.  Abro a janela. Não está frio frio. Está fresco. E chove. Aquela chuvinha miudinha, chata, filha da mãe, que só dá vontade de dar meia volta e voltar a enfiar-me debaixo do edredão.

Hora de escolher o que vestir. 

mafalda.JPG

Já não apetece (nem é confortável) sair de vestidos de verão, manga curta, sem collants. Para usar collants, não, são quentes e ainda não está frio. As calças mais finas de verão. Nim. Frescas. Está de chuva. São claras. Está de chuva. Foda-se.

Jeans. Salvam sempre o dia. Só que não. Custam a entrar, depois de meses com as carnes à solta em vestidos leves e calças finas e largas. Enfia uma perna... que pariu, eu não engordei... enfia a outra perna... ai foda-se... entras ou não entras?! Entrou. Agora a parte difícil: passar a anca. Malabarismos dignos de uma contorcionista chinesa. Agora que passou não respira... aguenta... mais um bocadinho... botão apertado. Continua sem respirar.

Ok, e o que calçar? Botas????? MEDOOOOOOO. As all star que têm sido a transição suave (eufemisticamente falando) entre o pé ao léu, em sandálias coloridas, e o pé enclausurado, não são propriamente uma boa ideia para dias de chuva. Ok, escolhe outras sapatilhas. E umas meias mais "robustas".

Saio de casa. Corta-vento com capuz. Era o que me faltava pegar no guarda-chuva... o caracinhas! Estou em protesto.

Manhã de trabalho e coiso. Hora de almoço. Um sol do caralho. Céu azul, limpo de nuvens. Calorzinho agradável. E eu, apesar de já respirar dentro dos jeans, estou a sentir-me claustrofóbica, com os pés a gritar por socorro dentro das sapatilhas mais quentes...

Ah o outono! E se fosses dar uma volta ao bilhar grande?! É que adoro, assim de coração, esta estação em que nem é carne nem é peixe, tanto chove como faz sol, saio de casa no inverno e vou almoçar no verão. SÓ QUE NÃO!!!!!!

 

01
Out19

Ora, comecei a 24 de setembro, acabei a 30, e pelo meio não lhe peguei durante dois dias!

Portanto foram 5 dias para ler o sexto volume da saga Sebastian Bergman. 528 páginas devoradas em 5 dias 

Acho que vou criar uma tag só para Sebastian Bergman, porque eu estou viciada nesta série. E agora tenho de aguardar pelo próximo (vai haver um próximo volume, TEM de HAVER) numa espera que aumenta as expetativas sobre o que está para vir.

O sexto volume foi muito ansiado e aguardado, dada a forma como termina o volume anterior. E este é uma das características, entre outras, destes autores: conseguem prender-nos até à última página, sendo que essa última página deixa uma espécie de "to be continued" que nos deixa em ânsias. 

Este volume pode, e percebo que assim o seja, desiludir um pouco os fãs, como demonstra esta opinião, que está muito bem fundamentada e portanto não vou acrescentar muito mais. Ainda assim, eu estou crente que este volume é uma espécie de transição para o grande drama que se aproxima e que vai pôr à prova toda a equipa de Torkel. 

Neste volume temos um violador em série, cuja personalidade demonstra ser bastante organizada e perseverante na missão que, na sua própria voz que vai surgindo ao longo da trama, percebemos que há uma vingança que está a levar a cabo, ligando assim as vítimas num mistério pararelo, que vai pôr a equipa da Riskmord, liderada por Torkel, em cheque e às voltas cegas, sem pistas, sem suspeitos, sem apanhar um fio à meada para começar a destrinçar a trama.

Neste livro vemos a atenção mais focada na vida e desenvolvimento pessoal dos nossos protagonistas, as mudanças que a vida operou em cada um, a evolução de uns, a mudança de outros, e vemos um Sebastian que anda mais desconcentrado, distraído, meio perdido no seu drama de querer conquistar a filha que descobriu ter e consertar todos os erros cometidos por ela, revivendo continuamente o trauma da perda da mulher e da filha Sabine no tsunami. Talvez por isso foi ludibriado pelo criminoso (que mais uma vez, ainda que não seja uma mente brilhante do crime, como vilões em casos anteriores, não deixou de ser uma grande surpresa).

Tenho em mim, mera opinião, vale o que vale, que este volume é uma transição, uma preparação para o que aí vem. As expetativas para o sétimo volume estão muito elevadas. A equipa da Riskmord está em vias de sofrer o seu maior desafio, que trará consequências a todos, a nível profissional e pessoal. Resta saber (e esperar) como vão os autores trabalhar este enredo, do qual têm vindo a deixar pistas cada vez mais claras, desde o primeiro volume até ao atual. Sebastian já percebeu que há algo de errado, de muito errado e preocupante. Perceberão os outros? Até onde vão aguentar o golpe que se adivinha?

Expetativas altas. Oh se estão. Enquanto isso, sofre leitora viciada na saga, porque o sexto volume acabou de sair, portanto o sétimo só lá para 2020 ou 2021. 

 

27
Set19

Hoje estou de luto... Amanhã luto!

chegou_a_hora_do_ultimo_adeus_da_despedida_sem_voz

O meu avô paterno faleceu. Aquele avô que um dia me disse que eu não devia ter nascido, porque estraguei a vida ao meu pai, o mesmo avô que em pleno dia de natal me proibiu de entrar em casa dele, e eu fiquei na rua, à chuva, sem entender o porquê de tantas coisas que me disse e fez e magoaram, e eu continuava a ir lá até esse dia, o dia que me senti um cão de rua, que toda a gente enxota com nojo.

O meu avô faleceu e eu lamento não ter tido oportunidade de esclarecer umas quantas coisas. De, quiçá,  recuperar um pouco daquele avô da minha infância,  que foi colo e porto de abrigo, que foi mão que ampara e sabedoria que ensina,  que me levou a tantos sítios, que me mostrou tantas coisas. Aquele avô que partilhou comigo brincadeiras e gargalhadas, muitas histórias de vida e ensinamentos. 

Os últimos anos foram agrestes. Ele tinha o seu mau feitio. Tinha as suas manias. E não estando a isentá-lo da sua responsabilidade quanto aos seus atos, acredito que uma boa cota parte das confusões e desentendimentos que houveram tiveram o dedo maquiavélico e manipulador da mulher que me pariu...

Não posso recuperar o tempo. Posso, agora, escolher se guardo mágoa e rancor, ou se guardo o amor incondicional que, durante a minha infância e adolescência, existiu entre nós. Eu escolhi guardar o amor.  No seu derradeiro destino perdoei-lhe as mágoas. Na minha memória quero que prevaleça o avô extraordinário que tive a sorte de um dia ter tido. O avô que tanto me deu, tanto me ensinou,  tanto me mostrou. 

Até sempre avô.  Gosto muito de ti. Sempre gostei. ❤ 

 

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