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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

05
Fev16

Não entendo e não me peçam para entender!

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Hoje tive uma pequena contenda com uma colega. Como sempre, eu acabo por me calar, não só porque não quero ser extremista e obrigar os outros a entenderem ou aceitarem os meus pontos de vista, mas também porque já percebi que debater este assunto com certas pessoas é tempo perdido.

O assunto começou porque a colega em questão tem um cão de raça e anda à procura de uma namorada para ele. Mas não pode ser uma namorada qualquer, tem de ter pedigree porque a ideia é fazer criação. E para quê? Perguntava eu. "Porque eu quero. Fico com um e os outros vendem-se." E foi aqui que se me arrepiaram todos os pelos do corpo, até as pestanas. 

CONTRA, TOTALMENTE CONTRA esta ideia de fazer criação de animais para venda, porque sim, porque são de raça e dá para fazer dinheiro com eles. Que pariu a mentalidade de merda desta gente que usa os animais assim, como se fossem batatas que se semeiam para depois vender. As batatas servem de alimentação nas nossas mesas, os cães são animais, seres vivos, sentem frio, fome, medo, sentem alegria, brincam, são amigos. Têm alma. Quem diz os cães diz outro qualquer animal. Para mim não há raças. Há raça cão, raça gato, raça cavalo. Os animais não vêm com uma etiqueta como as calças de ganga da salsa ou da Levi's, não vêm com o logótipo cravado na testa como as malas CH ou Hermès. 

Contra-argumentei que há tantos animais nos canis e em associações à espera de um dono, tantas ninhadas nascidas na rua, bebés que ainda antes de nascerem já sabem o que é o abandono, a fome, o frio, o medo... ah, são rafeiros, mas nada contra os rafeiros. E eu a começar a mudar de cor, a respirar fundo e a mandar à merda mentalmente para não me saltar a tampa e perder a razão pela atitude incorreta. Eu até já tive rafeiros

Pois, o teu cérebro também é bem rafeiro, mais rafeiro que os rafeiros que falas, assim, com esse desdém. Viessem os filhos com etiquetas como Gucci e Channel e já estou a imaginar muitos rafeiros jogados nos caixotes do lixo.

Não entendo. Nunca vou entender. Não me peçam para entender como aparecem apelos nas redes sociais para adoção de ninhadas nascidas na rua e não há comentários, mas aparecem anúncios de venda de cães ditos de raça e é só comentários e interessados. Falam da crise, mas para comprar animais de raça, certamente para exibir como quem exibe um rolex, não há crise. Ou como essa minha colega, que me olha de lado porque faço unhas de gel todos os meses, e ai que é muito dinheiro. Certamente gastou mais dinheiro a comprar o cão. E nas vacinas do cão, e na ração xpto do cão, ah isso não, dá-lhe da de supermercado que é mais barata. Pronto.  O cão de raça xpto é para exibir, não para cuidar de acordo com o pedigree.

Não entendo. Nunca vou entender. Não me peçam para entender compra de animais, exploração de animais para entretenimento (touradas, circos, e mesmo os zoológicos só aceito os que efetivamente zelam pelo superior interesse e preservação do animal). Jamais entenderei a tortura, os maus tratos, o abandono. 

E para pessoas como a minha colega, eu aconselhava a que fossem durante umas semanas até uma associação fazer voluntariado. Vissem ao vivo e a cores como são tratados muitos animais, independentemente da dita raça. Talvez, talvez, se fizesse um pouco de luz naquelas cabeças sem etiqueta de grife para perceber algo tão básico quanto isto: um animal é um ser vivo, uma alma, dotada da capacidade de sentir. Respeitem-no como ser vivo que é, com direito à sua liberdade, à sua dignidade, à sua vida. 

 

05
Fev16

Pandora, agora que se foram os saldos, como estamos de novas coleções?

Não estamos. A postura que tive nos saldos mantém-se, o que muito apraz a minha carteira. A única coisa que me fez brilhar os olhinhos e fazer abrir os cordões à bolsa foram o raio dos chanatos da Stradivarius, giros e baratos, que até entram na minha categoria do "não tenho nada que se assemelhe", mas quer o karma que eu não gaste dinheiro, e não há o meu tamanho (ínfimo, eu sei) disponível. 

Posto isto, não ando a babar pela coleção da Zara (coisa que também não ocorre há anos, um caso digno de X-Files), nem a febre pela campanha protagonizada pela Kendall Jenner (que é gira que se farta e mete as irmãs mais velhas no bolso), que ainda por cima é étnica, um estilo que eu adoro, me fez suspirar ou olhar duas vezes. Às tantas o problema é eu não ter um closet. É que o roupeiro não está a rebentar pelas costuras, mas está bem apetrechado para me fazer pensar que tenho muito para vestir e até devia deixar-me de tretas por vestir sempre o mesmo.

E isto até merece uma hashtag: #pandorapoucofashion

 

05
Fev16

Os mesmos do costume

Não tenho férias desde Agosto, primeira quinzena. Gozei o dia 7 de dezembro por ter trabalhado um sábado, meti o dia 4 de janeiro de férias para tratar de assuntos pessoais. Não sei quando terei férias, ainda não se preencheu o mapa das férias, logo não sei o que os colegas vão escolher para coordenar férias do pessoal. 

Mas são sempre os mesmos a gozar férias nas mesmas alturas, as mais concorridas. Semana do Natal e Ano Novo, última quinzena de julho e primeira de agosto. 

Agora vem aí o Carnaval. Ainda não há certezas se é "feriado" para todos ou não. Ainda assim duas colegas já pediram o dia, uma porque tem o namorado em casa (engraçado, eu também), que nesse dia a empresa dá o dia, a outra porque tem os filhos (17 e 11 anos) em casa e o marido é provável que trabalhe. Se não houver feriado para todos, ficam os mesmos de sempre a trabalhar, para os mesmos de sempre poderem gozar os dias que todos gostariam de ter livres.

Eu sei que é só um dia. Mas para quem esteve de férias há um mês já estar a tirar dias, que dirão os colegas como eu, que não gozam férias há meses e chegam sempre por último se pensam na eventualidade de tirar o dia de Carnaval? Pois, eu sei. Culpa minha e dos outros idiotas que não se chegam à frente antes dos mesmos do costume.

 

 

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