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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

23
Mar16

Mini férias à vista

Sexta é feriado. Segunda meti o dia de férias. Hoje de manhã recebemos um comunicado em como amanhã à tarde a empresa dá tolerância de ponto.

Planos? Acabar de ler o livro. Ir a uma festa latina para os lados de Coimbra. Descansar. Comer amêndoas de chocolate. Assar cabrito e fazer aletria. Descansar. Comer amêndoas de chocolate. Na segunda talvez vá visitar uma amiga de quem já tenho muitas saudades, especialmente daquele abraço, e neste momento é o que mais preciso: aquele abraço. E amêndoas de chocolate. Branco, de preferência.

Domingo posso estar sozinha. Talvez me enfie no cinema. Ver o Panda do Kung Fu e comer pipocas pode ser um bom antidepressivo, não?!

 

22
Mar16

Quando o orgulho é amor próprio

O orgulho não leva a lado nenhum. Aquele orgulho desmedido, egoísta, que cega e fecha uma pessoa na sua própria verdade, ignorando tudo à sua volta. O orgulho que impede que se reconheçam erros, que se admita falhas, que se peça desculpa.

Mas há o orgulho que é amor próprio. O orgulho de quem não se quer deixar mais levar por faltas de respeito e consideração. O orgulho de quem se fartou de engolir insultos para não alimentar conflitos. O orgulho de quem já enfiou a cabeça na caixa da areia em prol de um (suposto) bem maior.

E porque os outros vão até onde deixamos, há o orgulho que é amor próprio, que nos faz reagir para nos protegermos, o orgulho que dá um murro na mesa e diz basta. É a esse orgulho que agora me agarro, com unhas e dentes: o de me preservar, enquanto pessoa digna a respeito e consideração. O orgulho de fera ferida, que rosna porque se cansou de ser perseguida e mutilada.

E foi esse mesmo orgulho que me levou ontem a comunicar ao Gandhe que eu não vou ao almoço. Ele pode ir, tem todo o direito de almoçar com a mãe, a avó... eu não sou ninguém para o impedir. Mas eu não vou. Porque mereço algum respeito e consideração, e ando há anos a engolir sapos e a fazer fretes, para quê?? Cansei. Ele pode ir. Eu não vou.

E cortou-me por dentro ver o olhar triste dele, o engolir em seco. Não ficou chateado comigo. No fundo sei que ele me entende, me dá razão nos meus motivos. Por certo não contava. Sempre foi o engolir o sapo, ir contrariada e fazer o frete por ele, levar com as pedras e o veneno viperino, e fazer-me de parva, como se não percebesse o ataque. Mas desta vez é diferente. Tem de ser diferente. E não quero ceder. Não posso. Se tenho algum respeito por mim mesma, se tenho algum amor próprio, não posso ceder. 

Agora fica ele com a bomba na mão. Vai, não vai, o que vai ter (ou não) coragem de dizer à mãe. A verdade é que eu até gostava que ele fosse ao almoço, sozinho. E no alto dos seus 34 anos, se assumisse como o homem independente, adulto que é e lhe dissesse o que tem a dizer. Mas sei que ele com a mãe é um menino. "Já sabes como ela é, não vale a pena". Pois... já ouvi isto de várias pessoas. Ela é tão dominadora, tão manipuladora, tão prepotente, sempre no alto da sua superioridade e arrogância, que não há quem lhe faça frente porque não vale a pena

Não sou eu que lhe vou fazer frente. Mas também não que lhe quero aparecer mais à frente, a engolir as pedras que ela atira, os insultos que cospe como víbora subtil. Não me vou sujeitar a servir-lhe de tapete para ela pisar como bem entende. Ainda mais eu, que demorei anos a conseguir ter amor próprio suficiente para me afastar de uma mãe que me destruía. Prefiro o orgulho à hipocrisia. Ao cinismo. Prefiro a minha paz de espírito. O meu amor próprio. 

 

21
Mar16

Alimentar a fé com amêndoas de chocolate

Enquanto vou trincando vorazmente amêndoas que trouxeram, e vou pensando que raio vou dizer ao homem mais logo, quando chegar a casa, sobre o filho de uma grandessíssima meretriz do almoço em casa da sogra, vou tentando trabalhar e vou pondo o olho em cenas giras para ver se me distraio. E distraio. Agora embeicei por uns calções da Stradivarius, essa loja do demo cheia de coisas giras que me tentam a carteira e os olhos. Eu que até gosto de calções, mas não encontro nada que me tape devidamente o traseiro, sem me apertar as carnes e eu parecer a Popota vestida num 32, estou perdida de amores e totalmente crente, cheia de fé, que estes são os que me vão ficar bem, assim um arraso. E alimento a fé nos calções com amêndoas de chocolate. 

calções.JPG

 

21
Mar16

O karma, a sogra e a minha bílis!

Por altura do natal houve um episódio (mais um) da sogra que me deixou a ferver. Depois de tantas, foi como a gota de água que fez transbordar o copo. Depois daquilo, ela de mim não teria mais consideração, nem engolir sapos, nem nada. Posso ter muitos defeitos, mas não sou nem hipócrita nem cínica, portanto cansei de me esforçar para manter algum tipo de relação, com o mínimo contacto possível, de andar a engolir sapos e fazer alguns fretes, tudo pelo Gandhe, que é filho (e parvo, que continua a ser tapete debaixo dos pés da mãe).

Ora que fez ela no natal. Quis ficar sozinha, porque a mãe dela ia para casa de outro filho passar o natal, o namorado ia para casa de uma filha, e ela alegou umas dores de dentes e que não estava para se chatear. Portanto, a única pessoa que ela tinha no natal, curiosamente é a mesma e a única pessoa que ela tem nos restantes 365 dias, não estava para se chatear no natal, não se esforçou minimamente. Se a filha viesse cá, não lhe doíam os dentes, se a mãe não fosse para o irmão, não lhe doíam os dentes, se o namorado não fosse para a filha, não lhe doíam os dentes. Ironicamente, e o karma é fodido, só lhe restava o filho, que ela trata como criado, e eu, a cabra da nora, filha de Belzebu. Logo, não se esforçou minimamente pela família que lhe restava. 

Para mim foi um alívio. Mas custou levar com aquela cuspidela em cima, mais por ele, obviamente. E cheguei a dizer-lhe que é nessas alturas que agradeço não ter filhos, porque não saberia explicar à criança que não somos suficientemente especiais para a avó fazer um esforço.

Assim se passou, poucos dias depois ela a ligar para o filho fazer favores, ele a ir feito estúpido, eu a ficar com a bílis azeda durante uns dias, e a coisa acalma, até ela dar o ar de sua graça outra vez. 

Agora diz-me ele, por e-mail, pois acredito que tenha as bolinhas bem pequeninas para mo dizer na cara, que a senhora sua mãe no domingo de Páscoa tem a almoçar em casa a mãe dela, o namorado, e nos convidou também.

Ora, o karma a fazer das suas. Por um lado a minha oportunidade de lhe dizer que não estou para me chatear. Não vou, quero que ela se foda, tenho receio de morrer engasgada à mesa com um bago de arroz, não estou para engolir sapos, muito menos o meu orgulho ferido, como se nada se tivesse passado. Por outro lado quem sou eu para privar o Gandhe de almoçar com a mãe, com a avó e o pseudo padrasto?

Solução: ele vai, eu não. 

Seria simples, mas imagino que ele entre numa birra, só vai se eu também for, depois eu decido não ir, ele fica de trombas porque queria ir almoçar a casa da mãe, se engulo eu o orgulho e decido ir, vou estar eu fodida da vida, com a bílis a arder...

A sério, que faço eu?!

Não há nenhum ovni que passe e me leve antes de domingo? Por uns dias. Alguns. Dois. 

 

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