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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

06
Jun16

Pandora, a pobre!

Andei eu aqui a partilhar biquínis, o que vi, gostei, o que queria, o que experimentei e não gostei, o que adorei e comprei... Vai-se a ver, até fiz publicidade porque "angariei" possíveis consumidoras (ou arrastei-as para o pecado do consumo, ah ah ah ah), e depois leio por aí que as bloggers "profissionais" ganham 500€ (ou mais) por um post a divulgar um produto de uma marca, texto esse que raramente é escrito pelas mesmas?

Duas palavras: foda-se!

 

06
Jun16

Pequeno, mas potente!

Ontem à tarde fui comer um gelado com o Gandhe. Centro da cidade à pinha com turistas. Os moliceiros apinhados, os canais da Ria num tráfego de moliceiros para baixo e para cima, o jardim do Rossio parecia um formigueiro, os vários tuc-tuc turísticos num vai e vém. Esplanadas cheias, os passeios atulhados de gente.

Que bom, mas não me apetecia. Rumámos a ruas de bairros típicos no centro histórico, escondidos dos olhares e azáfama dos turistas, e por lá deambulámos a degustar um gelado. Eu escolhi o novo Magnum com manteiga de amendoim.

Primeiro refilei como é que um geladinho tão pequeno pode custar 2€, a sério, mas pronto, era para provar a edição deste ano, o ano passado fiquei rendida ao Pink, a ver se o peanut butter me conquistava de igual forma. Ainda não tinha acabado o gelado, já estava a ficar enjoada. Acabei por concluir que ainda bem que é pequeno.

 

 

03
Jun16

Vou para o céu dos cães (e para o inferno dos humanos)

Na rua onde moro há uma cadela vadia. Há oito anos que ali moro e ela já lá andava quando me mudei. 

Cadela desconfiada, habituada à vida dura da rua, tem sobrevivido estes anos todos naquele que é o seu território e ao qual é leal. Conhece os moradores, ladra a um estranho que estacione lá o carro, há um conjunto de pessoas que a vão alimentando e há o outro conjunto de pessoas que chama o canil, que inventa agressões da cadela a pessoas e manda bocas a quem vai zelando pelo animal.

Enfim, ela tem sobrevivido e está gordinha. Mas não dá a mão. Quando me vê, não se afasta, mas também não me deixa tocar-lhe. Abana o rabo, volta e meia até me brinda com umas corridas e rebolanços à minha frente, como se me agradecesse a comida e água que lhe vou dar. 

Chega esta altura do ano e é uma consumição. A cadela está carregada de carraças. Como não dá a mão, dar-lhe um banho, pôr-lhe uma pipeta ou um pó está fora de questão. Desparasitantes externos por via oral não há grande oferta, mas lá andei eu a pesquisar e a procurar um que fosse em comprimido, para lhe poder pôr na comida. Finalmente encontrei. Uma caixa de seis comprimidos ronda os 30€. Um comprimido por mês. Tratamento de seis meses. 30€! Chiça, é dinheiro, que é. Mas é mais forte que eu (vá, insultem-me e indignem-se), mas encomendei os comprimidos na farmácia porque não consigo ver aquela cadela a ser comida viva com tanta carraça que tem agarrada a ela.

Além disso, não tarda começam as indignações dos estúpidos. Porque é um perigo para a saúde, porque larga carraças no passeio e na entrada do prédio, porque podem levar parasitas para casa e é um perigo, e as crianças e o caralho que os fodam, porque para falarem, criticarem e mandarem vir, é com essa gentalha. Fazer alguma coisinha para minimizar ou resolver o problema, tá quieto, dá trabalho e custa dinheiro.

E entre todos 30€ dava uns tostões a cada um, mas a solidariedade só existe no mural do facebook, para todo o mundo aplaudir, que se dane, gasto os 30€ para ajudar o animal. E que o universo me retribua, de alguma maneira, nem que seja a que aquela praga caia da cadela e a deixe sossegada, sem lhe andar a sugar o sangue.

 

O ano passado, por esta altura, por causa do mesmo problema, uma das vizinhas, que se gaba à boca cheia que tem um caniche anão que custou 500€, teve o desplante de me vir perguntar se a senhora da associação, que fica lá perto, não podia dar nada para parar a praga das carraças. Apeteceu-me mandá-la para outro lado, mas limitei-me a esboçar o meu maior sorriso amarelo e dizer que estava eu a tratar do problema. Eu e outra vizinha. Eu tratei do remédio para dar à cadela, a outra vizinha de um pó para espalhar pelo passeio e na entrada do prédio. Mas quem deu 500€ para comprar um cão, andava toda indignada porque as pessoas da associação de animais é que têm obrigação (segurem-me para não partir os dentes quando ouço estas barbaridades) de pagar para resolver este problema da rua onde a madame mora. Até porque o caniche precisa do chão limpo para se passear e mijar na entrada do prédio, coisa que a cadela vadia não faz. Tem mais educação que o caniche de 500€, que vai fazer as suas necessidades à terra, não anda a manchar e a pôr maus cheiros na entrada do prédio. 

Mas hei, insurjam-se é contra mim, que defendo os animais. E em vez de ajudar as criancinhas esfomeadas da Etiópia, vou gastar dinheiro num cão de rua. 

 

02
Jun16

Às vezes é preciso desligar

Ando um pouco sumida. Das redes sociais, porque não há pachorra, a bem da minha sanidade mental, para tanto disparate e polémicas ocas; da blogosfera porque também ando sem paciência para mais do mesmo: publicidades e mais publicidades, passatempos, cenas fashions, cenas que não interessam nem ao menino Jesus nas palhas estendido. E por arrasto, até os blogs que mais gosto, aqueles de pessoas com vida e conteúdo, acabam por levar por tabela, porque leio na diagonal e saio de fininho.

Digamos que estou a fazer um detox. Não tenho nada de interessante para vir para aqui escrever, não tenho nada de interessante para comentar no que vou lendo, e ando assim, totalmente desprovida de qualquer interesse. O problema sou eu, que ando mesmo alheada e sem paciência.

Os dias correm na sua rotina e pasmaceira, nada de novo, nada que se destaque, nada que eu ache interessante para partilhar. 

A gripe já passou, ainda aqui persiste uma tosse e uma voz de Pato Donald. O calor veio e eu já pus os pés numas sandálias, antes que a chuva volte. E milagre dos milagres, encontrei uns calções que me servem sem me apertarem as carnes e me deixarem com as nádegas a espreitar, como se estivessem aflitas para saltarem fora dos calções. Só por causa das coisas comprei logo em duas cores diferentes, e vontade de comprar as cores todas disponíveis tinha eu, mas vá, contenção e bom senso também é preciso. O livro que decidi ler, um clássico, anda-me a dar sono. Se aquilo é um clássico do erotismo, eu vou ali até à manifestação dos amarelos e já venho. Teimosa como sou, persisto e insisto na leitura, ainda que a passo de caracol, na esperança que a coisa arrebite (ah ah ah, esta é boa, a coisa arrebite) quando a Lady Chatterley começar finalmente a dar umas cambalhotas a sério, porque até agora só apetece espetar com ela e com o egoísta e chato do marido numa cabana em Trás-os-Montes, fechados com o José Cid, numa amena tertúlia sobre temas de interesse para a humanidade, como a artista de renome Ana Malhoa, ou a saúde dentária dos transmontanos.

Como disse, nada de interessante, mas fica para registo: Pandora em modo "imprópria para consumo"!

 

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