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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

19
Set16

Regresso às aulas

Diz que hoje recomeçam as aulas de danças latinas... e eu com os sapatinhos parados há perto de dois meses, estou num misto de entusiasmo por retomar esta modalidade e cheia de receio de me esbardalhar na primeira rotação que faça. 

Este ano há novidades na escola: uma aula de Latin Fit, que estou ansiosa por ir experimentar; e um projeto de grupo coreográfico, com objetivo de preparar coreografias para apresentações em espetáculos, festas, eventos. A professora convidou-me a fazer parte do grupo... mas estou aqui a pensar se tenho mesmo jeito para isso e disponibilidade para ensaios e exibições.

Deixo aqui um vídeo que demonstra bem o que aqui a menina Pandora aprende nas aulas. Podia dar-me para pior... mas vá, é a minha costela cubano-latina (ou pimba) a falar mais alto! 

 

16
Set16

Também vou aderir à foto da semana

IMG_20160916_215644.jpg

Pronto, não vou à escolinha, mas isso agora não interessa nada. 

As mochilas estão na moda, vieram para ficar e eu, que há quase dois anos comprei uma com o objectivo de a usar em férias e passeios, adiro a esta moda. 

Uma pessoa vai ao supermercado: é carrinho, lista de compras e caneta na mão, mais tirar as coisas das prateleiras, depois é pôr tudo no tapete rolante da caixa, voltar a meter no carrinho, arrumar em sacos, levar para o carro, e o raio da mala ali, a estorvar nas mãos, a cair dos ombros, suma-se!

Uma pessoa vai à frutaria, é o cesto, tira saco, escolhe fruta, vai aos legumes, busca outro saco, escolhe legumes, tenta enfiá-los no saco, o saco rasga, vai buscar outro saco, legumes na mão, põe no cesto, vai pagar, leva para o carro, e o raio da mala ali, a estorvar nas mãos, a cair dos ombros, raios!

Uma pessoa vai ao centro comercial. Até compra aqui uma coisa, ali outra, anda a ver, vai experimentar, e o raio da mala ali, a estorvar nas mãos, a cair dos ombros, chiça!

Uma pessoa vai para o trabalho (e já com chuva a cair): é a garrafa de água, a lancheira, o cartão de picar ponto, o guarda chuva, o casaco, e o raio da mala ali, a estorvar nas mãos, a cair dos ombros, arrrghhhhhh!

E pronto. Com a experiência da mochila de férias, que é branquinha e mais casual, andava eu a namorar as mochilas das novas coleções. E suspirava por uma, e depois por outra, e lá ia andando, de mochila em mochila, em busca de uma prática, neutra, não tão formal, não tão casual, não muito cara. E finalmente encontrei esta fofura.

Finalmente, mãos livres!!!!!

 

Nota da autora: eu sei, este blog tem andado fútil, mas que fazer? Na falta de algo interessante para partilhar, venham as futilidades encher posts (ou chouriços, como se diz na minha terra).

 

14
Set16

Deixem-me puxar dos galões

Durante anos estudei Literatura. Desde História da Literatura a Teoria da Literatura, especializei-me em Literatura Clássica (greco latina) e Portuguesa. 

Esmiucei os grandes clássicos gregos, desde Homero a Sócrates, Platão e Aristóteles, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, entre outros, na sua língua original, grego antigo. Estudei a história, a cultura e a língua. A mitologia, as influências culturais, os grandes mitos e lendas.

Dissequei os grandes clássicos romanos: Cícero, Séneca, Ovídio, Horácio, Catulo, a epopeia de Virgílio, os textos históricos de Tito Lívio, a prosa de Catão, as comédias de Plauto e Terêncio. Na sua língua original: latim. Estudei a história, a cultura e a língua. A mitologia, as influências culturais, os grandes mitos e lendas.

Tratei por tu os grandes teóricos da literatura portuguesa, Vítor Manuel de Aguiar e Silva, Carlos António Alves dos Reis. Li, estudei e analisei inúmeras obras de autores portugueses, ao longo dos tempos e correntes literárias: estudei-lhes as técnicas narrativas, o estilo, o contexto histórico e cultural, as influências, analisei recursos estilísticos, esmiucei interpretações de vários críticos literários. Estudei a história, a cultura e a língua. A simbologia, as influências culturais e literárias, as correntes literárias e os movimentos culturais que contextualizam autores e suas obras. Dissequei-lhes as palavras, as mensagens subtis, as críticas sociais e políticas, as ironias, as paixões, os retratos sociais de um Portugal com séculos de história. Bebi-lhes a essência da sua poética. 

E por tudo isto irrita-me, mas irrita-me mesmo mesmo mesmo, aquela malta que se tem por grandes leitores (importa a quantidade, não a qualidade da leitura) e que pontuam os livros/obras literárias que lêem. A sério??? Mas isto é quê?? O Festival da Eurovisão dos Livros? Ken Follet 4 pontos, Ken Follet 4 points... Margarida Rebelo Pinto 0 pontos, Margarida Rebelo Pinto 0 points...

Que dêem a sua opinião, na boa: se gostaram, não gostaram, o que mais chamou a atenção, o que menos impressionou, a ideia que ficaram da escrita do autor, da história, tudo bem. Opinem. O público agradece. Agora pontuar? Reduzir uma obra literária numa escala numérica? Essa merda nem os mais conceituados críticos literários fazem, quanto mais uns anónimos sem formação para tal avaliação. 

Se vos parece uma cena muito culta e erudita, eu digo-vos: não é. É muito triste. E ignorante.

 

 

 

 

12
Set16

Na transição para o Outono

IMG_20160911_174604.jpg

Já anoitece mais cedo, já se sente o fresco pela manhã e pelo entardecer. Já há dias que o sol aparece tímido. Já arrumei os vestidos de verão, mas não as sandálias ou as calças mais frescas. Ontem almocei na esplanada e palmilhei parte da minha cidade como se fosse turista, a sentir na pele os raios de sol ainda quentes, mas não tão quentes.  Este fim de semana houve churrasco com os amigos, com caipirinhas para brindar à amizade e despedir do verão. Houve conversa e ideias para próximos jantares convívios, porque lá porque se vai o verão, não se vai a vontade de partilhar bons momentos à volta da mesa. Já não me dedicava a doçarias há imenso tempo, fiz mousse de chocolate e uma nova receita de tarte de coco. Estavam boas! Mas o melhor foi o feijão preto que fiz com bacon e linguiça. 

Este fim de semana foi também para mudar as unhas, e dos tons vibrantes e coloridos que usei nos últimos meses, escolhi agora um suave, como quem está (quase) pronta para acolher o outono. 

 

 

08
Set16

O Jogo de Ripper

O_Jogo_de_Ripper_2016

Adoro Isabel Allende. Li praticamente tudo o que é livro da autora, conheço a escrita dela há anos e anos e não perco um novo livro. 

Ao longo dos anos tenho notado como os últimos livros se distanciam um pouco dos primeiros, mas Allende tem um estilo tão próprio e envolvente, que escreva o que escrever, está ali o cunho da autora, aquilo que a identifica e nos faz reconhecer imediatamente a sua escrita, o seu estilo.

Este livro foi um desafio lançado a Allende e ao seu marido: escrever um policial a quatro mãos. Desafio aceite, mas em pouco tempo o marido desistiu do projeto e Allende continuou sozinha. 

Dizer que O Jogo de Ripper é um policial puro é reduzir insensatamente o livro. Quem o for ler a pensar que vai encontrar um policial típico, vai desiludir-se. Mas, ainda assim, tem os ingredientes chave de um bom policial: mistério, suspense, thriller psicológico, enredo bem desenvolvido, com revelações num crescendo gradativo até atingir um clímax, bem ao estilo de tragédia grega, onde somos surpreendidos com o desfecho. E depois da tragédia, de toda a emoção que nós também sentimos, o regresso à vida, com as sequelas e feridas que a tragédia deixou.

O Jogo de Ripper centra-se na personagem Amanda, uma adolescente peculiar e perspicaz, que coordena um grupo de adolescentes num jogo de mistérios online, onde cada um, com as suas particularidades, desempenha o seu papel com devoção. Conhecemos intimamente o núcleo de Amanda: a mãe, terapeuta holística, o avô, o seu grande companheiro, o pai, um detetive de homicídios, Ryan Miller, um ex seal que carrega no corpo e na alma as cicatrizes da guerra, tal como o seu fiel companheiro de quatro patas, Pedro Alarcón, um ex guerrilheiro uruguaio, e mais uma série de personagens, cujas histórias de vida vamos conhecendo, na medida certa, no tempo certo, para que todo o universo de Amanda se torne íntimo para o leitor. Portanto numa primeira parte do enredo temos histórias dentro de histórias, episódios do passado e do presente, onde conhecemos cada personagem, com a profundidade com que a autora quer que as conheçamos. Num plano ainda secundário há O Jogo de Ripper, hobbie da tenaz Amanda e do seu peculiar grupo de amigos virtuais, onde investigam crimes, numa primeira fase crimes fictícios, depois começam a investigar crimes reais. 

Num misto de investigação criminal e profiler, o grupo de Amanda investiga uma série de homicídios que ocorrem, aparentemente aleatórios. É o grupo de adolescentes que vai relacionando factos, investigando por conta própria, traçando o perfil do que consideram um serial killer, relacionando assim os homicídios que pareciam aleatórios. O próprio pai de Amanda chega a um ponto em que confia nos instintos da filha e nas suspeitas e descobertas que o grupo de adolescentes vai fazendo. E a partir do momento em que se torna pessoal para Amanda e para o seu núcleo familiar e íntimo, o enredo ganha nova dinâmica, num ritmo mais acelerado, em verdadeira contagem decrescente para salvar uma vida. A narrativa torna-se mais ativa, menos descritiva, e nós, leitores, porque conhecemos tão bem os envolvidos, sentimos a mesma angústia, o mesmo acelerar do coração, numa urgência cada vez mais sufocante para encontrar o responsável pelos crimes e poder salvar a vida de alguém tão importante e querido. 

É esta a magia de Isabel Allende. Dá-nos a conhecer as personagens, a sua história, o seu passado, os seus defeitos e virtudes, as suas cicatrizes de vida, os seus medos e anseios, os seus desejos e paixões. Ficamos tão íntimos das personagens que sofremos quando elas sofrem, sorrimos quando algo de bom lhes acontece, e sentimos o coração a bater ao compasso do desenrolar do enredo. Porque Allende nos envolve nesse universo, faz-nos sentir parte da história, da vida daquelas personagens que conhecemos tão intimamente, porque são tão humanas como nós que até podiam ser nossas amigas, familiares, companheiras.

A escrita de Isabel Allende é de um realismo profundo. E profundamente humano. Centra-se muito no poder feminino, a mulher como força motriz da vida (mesmo nas maiores adversidades), na família como um clã ancestral. 

O Jogo de Ripper é um thriller como só Allende poderia escrever. 

 

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