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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

10
Jan17

A culpa é de Zafón

Eu bem que tento dormir mais cedo. Não consigo. Embrenho-me no Labirinto de Espíritos, vagueio por aquelas ruas sombrias de Barcelona, sinto a angústia das personagens, ontem senti-lhes a dor e as lágrimas, o espasmo das revelações, a revolta e indignação, que se têm de engolir por sobrevivência. Senti-lhes o medo e o desespero.

Eu bem que tento dormir mais cedo, mas Zafón não deixa, tal é o poder da sua escrita.

 

09
Jan17

Pandora e o frio

Não gosto de frio. Não gosto e não me faz bem. Que o diga a minha lombar que fica toda encarquilhada com o frio, que é como quem diz, fico com umas contraturas que até me vêm lágrimas aos olhos tal é a dor fulminante que sinto. 

E assim passei o fim de semana, em modo inválida, sem posição de estar, e quando encontrava uma em que não sentia dor, ficava bem quietinha até vir nova pontada fulminante de dor só porque... respirei mais fundo.

Isto é maravilhoso. Falta muito para a primavera? É que já nem chamo pelo verão, contentava-me com a primavera, desde que trouxesse subida de temperatura. As minhas cruzes agradecem.

 

06
Jan17

(Re)entrada Fit

Ontem lá fiz o esforço e fui à aula de cardio fitness. A parte cardio fez-se, com umas coreografias novas que metem muitos agachamentos e pulos, e eu a pensar na sericaia que me deu tanto trabalho a comer por terras alentejanas. Depois veio a parte localizada. Abdominais. Toda eu tremi. Ontem só se fosse rebolais, que isto depois das festas e do armazenamento que fiz de pão alentejano, só se for a rebolar.

No fim das duas séries de quatro exercícios diferentes de abdominais, todas nós estavamos estendidas, a arfar, nos tapetes. Eu levanto a t-shirt e verifico a minha barriga. 

Colega: Tás a ver?

Pandora: Pá, tou a ver os quadrados, mas só se forem de chocolate.

 

05
Jan17

Último dia de férias

Ontem deixei-me dormir. Sem despertador. Acordei eram 10h30. Estive em casa o dia todo. Passei a ferro, cozinhei a mais para já ter almoços para as marmitas, li, bebi chá e comi torradas de pão alentejano, recebi o senhor dos móveis que andou a tirar medidas para uns quantos móveis que idealizamos de forma a maximizar arrumação e organização de espaços. Aguardo o orçamento e espero não me assustar. 

Não liguei o computador e a pouca tv que vi foi quando estive a passar a ferro.

Mimei os gatos, que ainda estão em modo carentes pela ausência de 3 dias da dona, uma eternidade. 

Arrumei as decorações de natal. Sim, já está tudo arrumado à espera do próximo. 

Tentei deitar-me mais cedo. Não consegui. Fiquei a ler até à 1h da manhã.

Hoje regresso à rotina dos dias. Assim seja! 

 

05
Jan17

O que vale é que amanhã é sexta

Regresso ao trabalho hoje: ia-me dando um colapso com a quantidade de papel em cima da minha mesa. Quando os outros estiveram de férias andei a esfalfar-me para garantir parte das suas tarefas. As minhas... estão pacientemente à minha espera. Ok, sem stress.

Amanhã é sexta. 

Vi que o meu post sobre sonhos terem limites foi destacado. Agradeço ao Sapo. Uma vez mais a destacar um post que não é cor de rosa nem de vida perfeita. Obrigada.

 

03
Jan17

Eh pá, estou de férias

Para começar bem o ano, a fazer exercício físico e tal, faltei à primeira aula de cardio fit do ano. 

Estou (ainda) de férias, andei o dia todo na rua a tratar de assuntos vários, quando me apanhei em casa, só me apetecia sossego. E preparar o peixe para o jantar nas calmas. Portanto comecei bem o ano ao que diz respeito a exercício físico. É o chamado em modo pausa. A rotina volta à programação habitual quinta. 

 

03
Jan17

A minha vida é um livro!

Estou eu ainda em velocidade cruzeiro, que isto de estar de férias e desligar por uns dias é bom, mas o regresso à realidade e à rotina é como uma rajada de vento frio nas trombas, quando me deparo com um desafio, mas um senhor desafio, da sô dona Mula.  

E que desafio é este, Pandora, que te deixa de dedos trémulos?!

Bonito serviço. Por acaso tenho a tarefa facilitada, que só li doze livros. Agora lembrar-me da ordem cronológica pela qual foram lidos? Construir uma história usando os seus títulos? Depois de ler a magnífica prestação da Mula, a fasquia está ao mais alto nível e eu, bem, vou esbardalhar-me de certeza. Mas raios ma partam se não aceito o desafio. Bora lá.

 

A Sombra do Vento faz-se sentir pelas ruas sombrias, desertas, na neblina da noite. Arrepia a alma, faz tremer os lábios e o coração. Esfrego vigorosamente as mãos, numa vã tentativa de as aquecer. Ou de afastar este medo que me paralisa. O Jogo do Anjo é aterrador. Uma contradição, por si só. O que se esperaria de um anjo? Certamente não seria este imbróglio, este quebra cabeças que destrói almas. Em certos instantes sinto-me insana, louca. Se contasse a alguém acho que me iriam mandar internar, ou consultar um psiquiatra, que estava doida, com alucinações. Diriam até que sofro de esquizofrenia. Em certos instantes eu própria acredito nisso. Quem no seu juízo perfeito acredita que há O Prisioneiro no Céu? Toda a gente sabe que vivemos Debaixo de algum Céu, eles, comuns mortais, gente banal, de vidas banais. Louco é o que acredita que há mais para além disto. Louco ou cristão, o que na minha visão herege, são sinónimos.

Penso em Alfie, o Gato do Bairro. Acalmo-me. Ele ouve-me sem me lançar olhares de represália, ouve-me sem me interromper ou me julgar. Acredito que me entende e não me acha louca. Mas bem vistas as coisas, que serei senão uma louca? Tenho um gato por confidente, único amigo e companheiro. Pelo menos é mais seguro que o confessionário. Só a ele contei o segredo sobre O Amante de Lady Chatterley, e nunca ninguém soube. Pelo menos até rebentar a escandaleira, mas nada tenho a ver com isso. Nem o Alfie. Quem me dera ser A Última a Saber. Mas não, este dom de saber sempre, antes de todos, antes mesmo de acontecer, isto não é dom, é maldição. Vale-me julgarem-me doida, uns poucos acham que sou bruxa, não que acreditem nelas, mas que as há, ai isso há, vivesse uns séculos antes e era queimada na fogueira da Inquisição.

Um Gato, Um Chapéu, Um Pedaço de Cordel, que mais precisa uma feiticeira dos tempos modernos? Um gato para confidente, um chapéu, como resquício hereditário das suas antepassadas, um pedaço de cordel para tecer as linhas do destino, do que ainda não é e para mim já foi? Quase fui descoberta n' O Jogo de Ripper. Mea culpa, que não sei ignorar este dom maldito. Envolvo-me nestes perigosos e pouco inocentes jogos e quase sou descoberta. Não sei o que seria de mim se percebessem quem sou de verdade. A única pessoa que o soube foi a que me matou por dentro. Deixei-te Ir. Não podia correr o risco que fosses punido por aquilo que eu sou e não escolhi ser. Só que isso não atenuou o abandono a que me lançaste, esse desprezo, quase nojo, quase ódio. Eu sei, não compreendes. É difícil. Não condeno. A História do Amor ficou perdida, suspensa na eternidade daqueles centésimos de segundos, desfeita em partículas espalhadas na poeira cósmica da noite. Nessa fatídica noite em que me mataste, dancei com os meus Sapatos de Rebuçado. Dancei pela noite de lua cheia fora, dancei até perder noção do tempo e da noite, dancei até derreter os sapatos e ficar com os pés cobertos de terra pegajosa. Dancei para renascer dessa morte, desse fogo que me consumia as entranhas, dancei até me evaporar na neblina do amanhecer. Agora vagueio por este Labirinto de Espíritos. Tão perto do fim, tão longe de querer chegar ao fim. Não sei se vivo ou se morro, se sobrevivo ou se pressinto. O futuro é um nevoeiro cerrado.

 

 

E já está. Desafio cumprido. Até transpiro suores frios. Só uma nota de redação, o livro A História de Amor foi lido a custo, não sei bem se a ordem cronológica estará correta, mas não anda muito longe. Não tem link porque foi uma leitura tão estranha, que me deixou num certo limbo e por isso nem fui capaz de escrever sobre essa mesma leitura. 

 

Vou fazer batota e não cumprir o último passo. Tenho leituras da blogosfera para pôr em dia, pelo que não tenho noção de quem  já foi desafiado ou já prestou resposta ao desafio. 

 

03
Jan17

Os sonhos têm limites

Sim, é verdade. Os sonhos também têm limites, ou pelo menos para pessoas como eu, e o Gandhe, nós que até somos muito diferentes em muitas coisas e tão iguais em algumas outras, que gostamos de ter os pés no chão e a cabeça no lugar. 

A viver uma estabilidade profissional que até então não tivéramos, da minha parte, Gandhe fechou o ano com o lançar um sonho antigo dele para o plano do projeto num futuro não muito longínquo. E se comprássemos uma casa?

Aquilo deixou-me a matutar. Eu que até estou tão bem no meu T2, que não sonho com uma grande moradia, que pode ter muito espaço e tal, mas também mais trabalho e despesa, mas porque não? Não precisa ser uma casa enorme, se fosse térrea era perfeita, com um pequeno quintal para desfrutar de uma churrasqueira e espaço exterior, com privacidade, com mais espaço, mais arrumação, quiçá uma divisão toda dedicada aos gatos... porque não? Começamos a investigar as ofertas imobiliárias na zona, dentro dos nossos valores realistas, dentro das características desejadas por ambos. E encontrámos algumas boas opções. Passo seguinte, informarmo-nos sobre as atuais condições de crédito à habitação, até porque em quase nove anos, desde que fizémos o nosso para o apartamento, que muita coisa mudou. E aqui foi o balde de água fria, previsível, mas não deixou de ser balde de água fria. Financiamentos até 80%, num máximo de 30 anos, obriga a ter 20% do valor de compra do imóvel disponível para entrada, acrescentando o valor da escritura. Ora, não somos ricos, não temos ajudas parentais a nível económico (nem a outro nível qualquer, mas isso agora não interessa nada), teríamos de vender o apartamento de forma a cobrir a hipoteca atual, e dado o valor de mercado, não ficaríamos com muito dinheiro na mão para novo investimento, com as condições muito limitadas do crédito à habitação, lá se foi o sonho, quase projeto para 2017, da compra da casa. E até já a tínhamos encontrado. Perfeita para nós, reunia o que gostamos e pretendíamos numa casa.

Se estamos descontentes com o nosso apartamento? Nada. Seria perfeito e não nos faria equacionar mudar se tivesse mais um quarto. Um T2 dá para nós enquanto casal, para os quatro gatos. Temos o privilégio de morar numa zona sossegada, de estar perto de tudo o que precisamos, incluindo empregos, de termos divisões com excelentes áreas e um terraço enorme com vista para um jardim. Na eventualidade de um filho, sim, há quarto para ele. Mas há sempre aquele "ah, um terceiro quarto dava jeito". Mais arrumação também, embora eu tenha a teoria que quanto mais despensas, arrumos, arrecadações uma pessoa tiver, mais tralha acumula, coisas que não se usa, não se precisa, e ali estão, a ocupar espaço e a fazer ruído visual. 

Não nego que ficou aqui um certo sabor agridoce. Não estamos nada mal, não senhor, mas podíamos ir para "melhor". Só que não se pode ter tudo o que se quer, portanto, 2017 será ano de investir no T2, reorganização de espaços e novas mobílias, já que numa nova casa nos parece missão impossível, pelo menos para nós, pessoas com os pés assentes na terra, conscientes dos riscos e das limitações. 

Há sonhos que têm limites. Um dos nossos tem limites bancários. Paciência. 

 

02
Jan17

Ano novo

Ora, eis-me acabada de chegar de umas mini férias. No verão passámos um fim de semana com os nossos amigos alentejanos, numa visita breve, a caminho das férias no Algarve. Nessa altura ficou no ar a ideia de irmos passar o ano com eles, e por isso mesmo guardámos uns dias de férias para lá irmos, aproveitando a passagem de ano, para mais uma visita. Assim fomos, para uns dias com os nossos amigos, para uma passagem de ano que se preparava para ser em casa, à lareira, em volta de mesa farta e animada, com mais uns quantos amigos. 

Mas os planos saíram furados. A vida acontece, e nem sempre acontece como gostaríamos. Horas depois de chegarmos junto deles, dos primeiros abraços e dos planos para a noite seguinte, que se queria de festa, regada a champanhe, um dos nossos amigos recebe a notícia do falecimento da avó. A vida a pregar uma dura rasteira. Fomos todos inundados de uma tristeza que nos ceifou a disposição para festejos de passagem de ano.

Os planos obviamente foram cancelados. Ainda insistiram connosco para que fôssemos a qualquer lado lá, que procurássemos uma festa e nos fôssemos divertir. Podíamos ter ido, sim, podíamos. Mas o objetivo da nossa ida lá foi estar com eles, tendo como mote a passagem de ano. Dadas as circunstâncias, que se danasse a festa de passagem de ano, nós quisemos foi ficar junto deles. Porque para nós os amigos não só para festas e festejos, são para todas as ocasiões, incluindo as tristes, mesmo em alturas que é suposto serem de festa. 

A passagem de ano foi, como já era previsto, em casa, à lareira, de pantufas nos pés. Jantámos, porque os vivos têm de comer, fizemos um recatado brinde ao novo ano que chegou, agradecemos a mesa com comida, a amizade, desejámos que o novo ano fosse mais brando, principalmente aos nossos amigos que não tiveram um ano fácil e terminou desta maneira triste, com a perda de um ente muito querido. Recordaram a longa e feliz vida de quem partiu, e nós tentámos confortar a sua tristeza e prestar o apoio que precisassem. Não fomos lá para ter uma festa de arromba. Fomos rever amigos que tanto estimamos, e acabámos a partilhar com eles o seu momento de dor e perda. 

Não tive uma passagem de ano glamorosa, com brindes atrás de brindes, com serpentinas e confetis, numa alegria que é quase obrigatória nesta noite do ano. Mas tive uma passagem de ano especial, na medida em que, acima de tudo, prevaleceu a amizade e o poder de um abraço. 

E estas rasteiras da vida que acontecem sem ninguém esperar, tão pouco adivinhar, faz-nos dar valor ao que realmente importa nesta vida: e não são os festejos, os brindes, as serpentinas, as passas engolidas a pedir desejos fúteis. Haja saúde, haja amigos (dos verdadeiros), haja coragem e esperança, haja uma mão estendida e um abraço no momento certo, e o caminho que temos de percorrer torna-se menos penoso.

Agora que já regressei a casa, que já abracei os meus gatos, e já lavei roupa, e já comecei a pôr a casa em ordem para o regresso à rotina, restam-me dois diazinhos de férias para aproveitar. Há assuntos a tratar, sofá para desfrutar, livro para ler, tempo para recuperar fôlego para este novo ano que começa. Venha 2017, traga o que trouxer, espero saber aprender, desfrutar, valorizar, viver. 

 

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