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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

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28
Fev19

Leitura de fevereiro

Há muito tempo que não me acontecia, mas aconteceu. Zero. Não consegui ler o livro que tanto anseio ler. Não consegui ter tempo, tempo físico e tempo emocional. Principalmente emocional.

Fevereiro sugou-me as energias todas. Estou exausta. Se me deixassem, dormia 48h seguidas (ou mais), assim, ao estilo bela adormecida (mas sem a parte do bela). 

Não fosse ir abrir e fechar os estores, já me teria esquecido da cor do meu sofá. Muito tempo fora de casa, muitas preocupações, cuidados, muitas emoções para (di)gerir.

Quando finalmente caio na cama, e nunca é antes da meia noite e tal, uma da manhã, não demoro 3 segundos a adormecer. Aliás, acho que ontem pouco faltou para adormecer na sala de espera do consultório, enquanto esperei cerca de 2h pela porra da consulta que, sim minha gente, estava marcada, e ironia das ironias, recebi três sms e um email a lembrar-me o dia e a HORA da consulta.

Este mês conta-se pelos dedos das mãos (e sobram dedos) os dias que não pus os pés na clínica veterinária. A veterinária é fenomenal. Excelente profissional e uma verdadeira apaixonada pelos animais, não mede esforços para cuidar deles, e sempre muito disponível e preocupada, a fazer ponto de situação para ir orientando os tratamentos, sabendo como estão a reagir, dando dicas. De 1 a 10, nota 100. Quanto a despesas, bem, como temos andado quase todos os dias lá e os tratamentos ainda foram prolongados, ela disse que fazíamos contas no fim. OK, um já teve alta hoje, o outro continua medicado até sábado e será reavaliado. Contando a quantidade de medicação, o internamento, os exames... a conta deve rondar os 300€. E isto porque sei que ela cobra a primeira consulta e as outras, que são reavaliações, não costuma cobrar. Um rombo no orçamento, mas paciência. 

Em fevereiro houve carro que levou uma bateria nova, um frigorífico que precisou de assistência técnica (desentupir um cano de refrigeração), dois gatos doentes, dois falecimentos... poucas horas de descanso e muito, muito, muito cansaço. Físico e emocional.

Estou desejosa do fim de semana prolongado. Quero verdadeiramente desligar a ficha. Encerrar o mês e lá deixar tudo o que de mau aconteceu. 
Começar março com repouso (merecido) e energias recuperadas. A primavera já dá sinais, nas árvores despontam flores, os dias estão maiores, tem-se sentido mais sol e o frio a dar tréguas. Quero respirar e inspirar bem fundo este renovar de estação, para me renovar também. 

E que março seja mais próspero em leituras e outros pequenos deleites que têm ficado em lista de espera. 

 

Venha a bonança, que a tempestade já vai longa... 

25
Fev19

Resumo da última semana

Se a semana anterior tinha sido isto, esta semana teve:

- dois falecimentos (no mesmo dia, um de manhã, outro à tarde);

- um funeral;

- dramas de uma família de candeias às avessas;

- uma gripe;

- um gato em tratamento, outro fica doente, pior que o primeiro (mais velho (geriátrico, diz a veterinária... é o meu bebé, um dos), mais peso, mais tempo de incubação do vírus;

- todos os dias idas à veterinária, análises, injeções, medicação, até direito a uma noite de internamento houve para ficar a soro e sob vigilância;

- ah domingo descanso... só que não! Há todo um leque de tarefas domésticas a tratar, até porque a semana que passou foi o que foi e a que chega já vem com mais consultas marcadas (para mim incluída); ao fim da tarde novamente veterinária para mais uma dose de medicação e soro, e mais medicação para fazer em casa para evitar outra noite de internamento...

Sinto-me exausta. Fisica e emocionalmente. E por me sentir assim, tão sem energia, completamente esvaziada de ânimo, reagi de forma um tanto ou quanto apática a um convite que, não, não estava nada à espera, não imaginava sequer, e fiquei completamente sem palavras e sem reação. Não sei bem dizer que cara terei feito, mas espero que não tenha assustado. Quem levou com uma grande surpresa inesperada fui eu, no meio do turbilhão que tem sido estas semanas, e desde já peço desculpa se não foi uma reação de pura euforia. Mas fiquei estupidamente estupefacta, incrédula, sem palavras... e quando me caiu a ficha senti vontade de chorar. Pela prova de carinho, amizade e amor.

Fui convidada para madrinha do bebé de uma amiga  ... aquela amiga que tantas vezes sinto como a minha irmã mais nova, e tantas vezes é ela que me dá na cabeça, me mostra outras perspetivas, me ajuda a respirar e a relativizar. 

Nunca recebi tal convite. Nunca ninguém pensou em mim para tal honra. Já achava que nunca teria essa oportunidade, essa honra. Não sou madrinha de nenhuma criança. Só de animais  e não me tenho saído mal. Vamos ver como me vou sair como madrinha de uma criança!

Espero estar à altura das expetativas. As minhas próprias são sempre muito altas. E se já amava incondicionalmente esse bebé, mais agora por que me dará o privilégio de ser a sua madrinha. Grata. Muito grata. 

Numa fase de tantas perdas, imprevistos e problemas, é esta lufada de ar fresco, esta vida que se está a gerar e da qual farei parte, que me dá coragem para seguir esta jornada que é a vida.

E isto lembra-me o vídeo que esta mesma amiga partilhou recentemente, até porque foi ela a pessoa que perdeu um importante membro da família no mesmo dia que nós. E tanto que eu quis ir nesse mesmo dia ter com ela para lhe dar um abraço, mas tinha em mãos também uma perda familiar. A avó do Gandhe não era minha avó de sangue, mas acolheu-me como se o fosse. E senti da parte dela, nestes quase 15 anos de vida com ele, mais carinho do que algum dia senti por parte da minha própria avó materna, que nunca me considerou ou tratou como neta. Mulher muito justa e altruísta. Dava o que tinha e podia, ajudava toda a gente, e fazia tanta questão de ter a família reunida. Graças a ela conheci parte dos primos do Gandhe, e os tios e tias. Será lembrada com carinho. Na sua bondade e na sua teimosia. Na sua coragem e força, e pelo enorme coração que tinha.

Partilho o vídeo... partilho a lição que a vida me relembrou nestes últimos dias. 

 

22
Fev19

Ca susto...

Distraidamente abri a newsletter de uma dessas lojas de fast fashion, da qual até sou consumidora em alguns tipos de artigos. Ora, abro a newsletter que anuncia as tendências da nova estação, o padrão e styling.

Quando vi qual era o padrão, acho que dei um salto na cadeira e por nano segundos pensei que tivesse entrado num qualquer site de fatos de carnaval.

Pois que o padrão tendência para a spring season 2019 é... (rufos)...

padrao-da-vaca-lisa.jpg

Cow girl!!! Yyyyyyyyaaaaaaaaa

Note for myself: vou continuar fora de moda. Nada a fazer. 

 

21
Fev19

Terapia em dia de luto

 

19
Fev19

Dicas de Pandora

Quereis ir para a folia carnavalesca, fantasiar-vos de qualquer coisa que não vos faça passar frio e não seja ali da loja dos "cheneses"?!

Então atentem a esta dica, é de borla: um roupão (quentinho). Uma colher de cada lado da cara. E Tchanannnnnn

680162.jpg

Pronto, o Raminhos já teve ideia igual. E outros.

Ok, Ok, Pandora não está a ser original. Mas pelo menos está dentro da atualidade. E dentro do espírito de sátira que caracteriza o carnaval português. Se há coisa que nunca hei-de entender é haver escolas de samba em Portugal e desfiles num qualquer "ruódromo" por terras lusas, com um frio de rachar, e as moçoilas com os bicos em riste.

 

 

 

18
Fev19

Ora, vamos ver se nos entendemos!!!!

des·pen·sa

substantivo feminino

Lugar onde se guardam comestíveis para uso. = COPA

 
Versus
 
dispensa | s. f.
3ª pess. sing. pres. ind. de dispensar
2ª pess. sing. imp. de dispensar

dis·pen·sa
substantivo feminino

1. Acto de ser desobrigado; escusa.

2. Licença para se eximir a um dever ou obrigação.

3. Documento em que se concede dispensa.


"dispensa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/dispensa [consultado em 18-02-2019].
 
 
Estou farta, fartinha de ver a malta trocar estes dois termos. Usa indiscriminadamente o DISPENSA para se referir àquela parte da casa ou da cozinha que serve para armazenar alimentos e arrumar cenas. E depois escrevem grandes tratados de arrumação e organização da DISPENSA. 
EU É QUE DISPENSAVA ISTO!!!!!
Repitam comigo, devagarinho: arrumar e organizar a D-E-S-P-E-N-S-A. DESPENSA, caralho!!!
Ah e tal sou jornalista, licenciada em comunicação. Vai aprender a escrever. Dass!!!!
 
É como a malta que escreve: vou pousar para as fotos! Deixo esta para a próxima. Vou dispensar-vos de mais um ataque de fúria linguística. 
 
18
Fev19

Oh fevereiro mais amargo

A culpa não é de fevereiro, mas, bolas, está a ser um mês complicado. Difícil de gerir tantas emoções e tantos imprevistos a acontecerem.

Tenho dedicado tempo (e dinheiro, que as idas à veterinária estão a ser por minha conta) com a Ritinha (eu chamo-lhe Bebecas, e quando pensei que fosse ficar comigo já estava rebatizada de Becas).

A gatinha foi resgatada da rua porque a minha sogra quis e se comprometeu. Só que depois de quase duas semanas lá em casa dela, acabou por vir para nós para o processo de socialização, que tem sido um sucesso. Acompanhamento veterinário. Entretanto percebemos que a constipação que tinha não passou por si, apesar de já estar num ambiente controlado e mais confortável, e levo com a sogra a dar as suas ordens: levem-na e quando estiver boa tragam-na!

Caiu-me tão mal. É que eu saí do consultório com a prescrição do tratamento a saber que ela sozinha não o ia conseguir administrar. A gata ainda não estava totalmente dócil para que lhe fossem dados comprimidos pela garganta abaixo, nem xaropes, nem limpezas de ouvidos, só uma pessoa. Mas não, Gandhe garante que a mãe sabe tratar de gatos, só que ainda mal o filho tinha começado a explicar o tratamento, sai-se com aquela pérola. Podia ser um, eu não devo conseguir fazer isso tudo sozinha, ou vocês vêm cá ajudar-me, ou ficam com ela mais estes dias. Não. À boa maneira dela, é eu quero, posso e mando, levem-na e quando estiver boa tragam-na. Confesso: não me apeteceu devolver-lhe gata nenhuma. Adiante.

Mais uma semana com ela, a dar-lhe a medicação e a continuar com o processo de socialização. Evolução extraordinária, quer na constipação que ao fim de 48h se notava melhorias extraordinárias, quer no desenvolvimento dela. Ganhou peso, começou a brincar e a interagir mais, a confiar mais. Ainda que, sempre que ela sai do seu "ambiente" e muda de divisão, fica novamente em estado de alerta, com tendência a procurar um esconderijo. Normal... é um animal que veio da rua e tem os instintos de sobrevivência apurados.

Nova consulta a um sábado, Ritinha curada e ótima, é para ir para a sua dona legítima, estava fora o fim de semana. Ok, regressou a casa na segunda ao fim do dia. E eu aproveitei mais dois dias de namoro com a Bebecas, no domingo à tarde dormiu horas ao meu colo embrulhada num casaco meu, felpudo e fofo que ela adora.

Na segunda lá vai Ritinha, com os brinquedos dela, com o meu casaco que ela adora, para a sua casa. E lá fica, calma, junto do seu amiguinho.

Dia seguinte teve um surto, escondeu-se, parece que bufou e atirou as garras à sogra, que liga para o filho a mandar vir. Recebo eu uma mensagem a anunciar-me que ia buscar a gata, ficavamos com cinco, e ponto final, não estava mais para se chatear.

À tarde mudou a 180º. "Ai que a gatinha está mais calma, é um fofa, até dormiu a sesta comigo, brinca muito e gosta muito de estar aqui no casaco..."

É que aquela alminha finalmente fez o que desde início lhe dissemos que era necessário fazer, faz parte do processo. Aquele animal precisa estar num ambiente controlado para se ir sentindo seguro e começar a confiar. Lá pôs a gata num quarto que tem desocupado, montou lá as coisas dela, comida, areia, brinquedos, o arranhador que lhe comprámos, a transportadora onde ela tanto gosta de estar, o meu casaco. Claro que o animal acalmou, num ambiente sossegado e com as coisas que lhe são familiares. 

Mas eu passei-me. A mulher já não é nenhuma miúda de 5 anos para andar a fazer birras que agora não quero a gata, agora já quero. Passei-me com o filho, claro, que se pôs logo armado em cavaleiro andante em defesa das merdas da mãe. Discussão feia, muito feia. Grave. E ele disse-me coisas que me quebraram, que rasgaram feridas antigas que foram cicatrizando com o tempo. Estava tão magoada com ele, que mesmo ele, horas depois (nada normal, nada dele), ter-me vindo pedir desculpa pelas coisas que disse, porque também estava stressado com as pancas da mãe, eu só consegui responder-lhe: partiste-me com o que disseste. Hoje não consigo aceitar o teu pedido de desculpas. Talvez amanhã.

Mas a vida tem umas ironias do catano. Manhã seguinte, eu sem pregar olho, estupidamente magoada, com umas olheiras que mais parecia um panda, venho para trabalhar e carro não pega. Puta que pariu a minha sorte. Mais alguma coisa?

Ligo a uma colega, peço-lhe boleia. Envio ao Gandhe uma mensagem: Smart não pega.

Já estava no trabalho quando ele me liga. A saber o que se passou. Ficou de sair um pouco mais cedo, apanhar-me na hora de almoço e ir ver o que se passava com o carro.

E é assim, que os problemas reais do dia a dia funcionam como um balde de água fria numa fogueira ainda incandescente. 

Felizmente foi a bateria do carro, trocou-se e não foi nenhuma fortuna. Problema resolvido.

Vem o dia dos namorados. Eu já tinha encomendado uns cupcakes de chocolate, que uma colega de trabalho faz (deliciosos), com desenhos alusivos ao tema. Deixei a caixa dos cupacakes na bancada da cozinha. Quando ele chegou, enviou-me foto, agradeceu e disse que tratava do jantar. Quando cheguei a casa até tive direito a um cesto de rosas. 

Pronto, vale o esforço dele tentar colar o que partiu dias antes. 

Mas se as coisas pareciam estar a acalmar, estávamos iludidos. Cai a bomba. A avó dele sofreu nesse dia um AVC. Grave. Muito grave. Estava na UCI, ligada às máquinas. Prognóstico muito reservado, médica de serviço disse que dificilmente passava daquela noite.

Mas passou. E ainda está "viva", se é que aquilo é vida. Já não está ligada às máquinas, já respira por ela (uma respiração que até mete dó e aflição só de ouvir), não recuperou a consiciência e dizem os médicos que não esperemos que "acorde": Só estamos à espera que o coração efetivamente pare - citando os médicos. Ponto. Assim, direto, sem paninhos quentes. Sem ilusões de um falso milagre. Sem esperanças alimentadas por engodos.

E tem sido isto, uma angustiante espera, um constante olhar o telefone à espera da notícia que está anunciada, para breve. À espera do quando. 

Se fica por aqui? Podia ficar, dava jeito, não dava?! Mas não. Que isto quando vem maré de azar, varre tudo.

O meu mais novo está doente. Já lhe notei mudanças na quinta passada, mas ontem foi a derradeira confirmação. Hoje a primeira coisa que fiz foi marcar consulta com a veterinária. E vamos lá ver o que se passa.

Por favor, podemos ficar por aqui? Já há demasiados cacos espalhados, demasiadas feridas e angústias.

E nestes momentos em que a morte ronda os nossos, nos faz uma visita e nos lembra assim, em modo bofetada, que o nosso tempo tem um fim. Ganhamos esta dolorosa consciência da nossa finitude. A única certeza que temos na puta da vida: ninguém fica cá para semente. Todos temos o nosso fim. Só não sabemos como e quando. E que merda andamos a fazer com o tempo que temos? Que sentido estamos a dar ao privilégio, tantas vezes descurado e esquecido, de estarmos vivos e termos imensas oportunidades de poder fazer tanta coisa.

A bofetada que levamos e nos faz acordar para o enorme desperdício que fazemos do nosso tempo/vida. 

Fevereiro está a ser amargo. E doloroso. Mas que sirva para o relembrar de uma lição de vida que constantemente esquecemos: carpe diem! Amanhã pode ser tarde demais. Então não desperdicemos o nosso tempo, a nossa vida, em merdas que não trazem nada de bom, não acrescentam valor, não nos fazem melhor nem mais felizes.

 

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