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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

30
Ago23

80/365

Há um podcast que gosto de ouvir e no qual costuma ser feita uma pergunta aos convidados: a qual dia não voltarias na tua vida?

Eu sei exatamente a que dia não voltaria, e isto não significa que o apagasse. Esse dia marcou um fim, ao qual se seguiu um começo. E há fins que são necessários. Há dores pelas quais passamos e que, mais tarde, reconhecemos que foi graças àquela dor que houve crescimento, mudança, evolução. Há dias tão maus que acontecem e graças e eles vamos ter possibilidade de viver dias melhores. 

Eu não voltaria ao dia 30 de agosto de 2021. E ainda assim recordo com precisão cirúrgica as horas desse longo dia. 

Hoje recorri muito à técnica da respiração consciente. Para me ancorar no aqui, agora. Hoje. Hoje, 30 de agosto de 2023. O que passou, passou. E o que dói é a memória do tsunami emocional que vivi há dois anos atrás.

Estou aqui. Dois anos depois. Estou aqui. Sobrevivi. Mais forte. Mais adulta. Mais consciente. Mais madura. Uma mulher diferente, numa melhor versão do que fui. 

Não voltaria a esse dia. E ainda assim, não o apago da minha memória. 

28
Ago23

79/365

Ontem apanhei este filme na Fox Life. Aquele filme de pipoca que combina com domingo à tarde em modo preguiçoso. E dou por mim de lágrimas nos olhos e meia que a registar mentalmente uma série de lições de vida que o filme transmite, que não deixando de ser um monte de clichés, a verdade é que facilmente desdenhamos, esquecemos, achamos que sim sim, temos consicência e vai na volta caímos todos na merda do piloto automático, a vida numa rodinha de rato, na qual estamos crentes que temos tudo sob controlo e nada nos surpreende. 

Até que.

Até que vem uma doença. Com aviso de finitude à vista.

Até que vem um choque emocional que tira o tapete debaixo dos pés e nos deixa zonzos, sem saber muito bem como, quando, quem ou porquê?

Até que a vida acontece, nos faz tropeçar e perceber que nada está assim tão garantido e que descurámos o mais importante. E o mais importante são sempre as pequeninas coisas. 

Até que somos confrontados com o amor ou a sua perda. Ou onde nos perdemos algures sem sequer ter percebido, ou tendo percebido, sem saber ou o que fazer para nos voltarmos a encontrar. 

Nem sempre há segundas oportunidades. Ou uma redenção. Não podendo voltar atrás, temos nas mãos a escolha de fazer um pouco diferente para ser um pouco mais feliz, a cada dia que passa.

 

25
Ago23

78/365

Perdi-muito-tempo...-Frases-A-Vida-Escreve.jpg

A minha terapeuta/formadora de desenvolvimento pessoal em sistémica partilhou esta frase hoje, nas suas redes sociais. 

Esta semana recebi um comentário aqui no blog sobre o eu ter voltado à escrita mais regular.

E sim, estou a escrever com mais regularidade precisamente para libertar as emoções. As que sufocam e as outras.

O blog para mim sempre foi este espaço de registo em formato "diário": registo de sentimentos, pensamentos, opiniões, experiências, registo para a posteridade dos meus dias, desde banalidades dos dias comuns a momentos especiais que ficam gravados na memória. 

Contudo, e aqui confesso, no blog o que escrevo é para ser publicado e lido por alguém. Inevitavelmente coloco filtros na escrita. E há textos meus, em que não coloquei filtros, que não saíram dos rascunhos. Demasiada dor, demasiada raiva, demasiado pessoal e sujeito a julgamento alheio (o que dispenso, obrigada). 

No início de agosto tomei consciência de que ainda há raiva dentro de mim. No amor que foi tão ferido. E essa raiva estava ali, camuflada no "está tudo bem". EU FINGI ESTAR TUDO BEM - disse a mim própria para trazer à tona esta raiva que ainda me sufoca. E preciso canalizá-la. Transmutá-la. 

Hoje, inspirada pela partilha da minha terapeuta/formadora, fui até ao Lidl e comprei um caderno que está em folheto: Os Meus Momentos Favoritos. Tem mandalas e desenhos ao longo das folhas para ir colorindo. E eu descobri o quanto adoro pintar mandalas, como me relaxa, me acalma, me faz entrar naquele estado meditativo e de concentração. Como me coloca num espaço neutro,  isento de pensamentos saltitantes e emoções galopantes. Este caderno junta o útil ao agradável, serve para escrever, serve para pintar. E há anos que não comprava um caderno para escrever. Quer dizer, quando iniciei terapia tinha um caderno para escrever (e muito) de acordo com os exercícios de psicoterapia. E fez-me tão bem, por muito que doesse, libertar tudo o que libertei no papel. 

Agora olho para o caderno e só me apetece pintar. Ainda sinto um certo bloqueio perante a folha branca. O que começar a escrever? Por onde? Um caderno tão bonito para descarregar raiva? Rio-me das minhas próprias parvoíces. E registo, mentalmente, que na próxima segunda feira vai estar no Lidl um conjunto de 24 marcadores de ponta fina, perfeitos para colorir mandalas. Até lá posso ficar-me por manda(-)la (a raiva) à merdinha. Só está a prender-me a um passado que já passou. Já foi. Nada pode ser mudado lá atrás. 

Seguir em frente é o caminho da Vida. E posso escolher libertar-me do excesso de peso da bagagem do Passado. Ou continuar a carregá-lo, qual bola de chumbo no tornozelo de um condenado. 

Escolho seguir leve. 

24
Ago23

77/365

Viver no momento presente. 

Simples, aparentemente, e um desafio diário e constante. 

Tenho uma tendência para ficar agarrada ao passado. Ao que de doloroso aconteceu. Na memória daquela dor sentida, projetada agora no medo de a voltar a sentir. Um pé no passado, um pé em direção ao futuro. Nem num lado, nem no outro, e definitivamente in absentia do momento presente. 

Quando identifiquei, reconheci e tomei consciência disto em mim, pude olhar de outra perspetiva: a da mudança, a da transformação. A perspetiva do fazer um pouco diferente. E começa-se pelo simples. Pelas pequeninas coisas.

Estas últimas semanas foram vividas com alguma ansiedade, vieram memórias, mágoas, despertaram emoções relativas a um passado extremamente doloroso. 

Ontem permiti-me trazer os meus pés para o presente. E ajuda quando se vai saborear um petisco e desfrutar daquele momento. Sentir a brisa do fim do dia a refrescar do calor, sentir as gotas que escorriam pelo copo do fino, desfrutar da frescura da cerveja. Ameijôas à bulhão pato. Pão no molho. Enguias fritas. Lamber os dedos.

A conversa fluia. As papilas gustativas vibravam. Ombros leves. Pés no momento presente. Simples. 

23
Ago23

76/365

Foi quando nos perdemos um do outro, que nos reencontrámos.

Foi quando largámos as nossas mãos, quando saíste pela porta, sem saber se haveria regresso, e eu fiquei no vazio da casa, que senti o impacto que me estilhaçou. O caminho estendia-se sob os meus pés, agora sozinha. E eu precisava saber que conseguia continuar sem ti, sem a tua mão, sem o teu abraço, sem a tua presença. O teu arrependimento magoava-me tanto como tudo o resto. Afinal, arrependimento depois das vidas destruídas é um pouco tarde, não? A dor sobrepunha-se a tudo, e eu queria sentir raiva e odiar-te. 

Lambi as feridas, ergui-me, cambaleei. Acreditei. Em mim. Em mim. Pois era o que me restava: eu própria.

Foi quando me perdeste, que me deste valor. 

A porta por onde saíste voltou a abrir-se para entrares. As nossas mãos encontraram-se com novo ímpeto.

E o meu medo.

Curar a ferida ao lado da pessoa que a provocou é um desafio quase impossível. E, sim, por momentos duvidei. Por momentos pensei que teria sido melhor manter a porta fechada. Por momentos imaginei que tinha sido essa a minha escolha e como estaria a minha vida, cada vez mais distante de ti. 

E a raiva?

E o amor profundamente ferido?

Dentro do teu abraço vou curando.

23
Ago23

75/365

Está calor. Constatação do óbvio.

Estou com uma moleza, como se tivesse os neurónios a cozer a vapor.  

Não augura ser um estado de plena consciência para tomar decisões. Até das fúteis. 

Fiz uma encomenda na Mango online. Desconfio que vou devolver tudo. Escolhi umas peças que saem da minha zona de conforto. 

Já disse que está calor? E os meus neurónios estão numa sauna?

É isto por hoje. 

22
Ago23

74/365

Não. Não posso controlar o que fazes, as escolhas ou decisões que tomas. 

O meu poder está em tomar as minhas próprias decisões, fazer as minhas próprias escolhas.

E se, no decorrer das tuas escolhas, eu decidir que chega de me esforçar para ultrapassar mágoas e dores ao teu lado, para o passar a fazer sozinha, acredita que é essa a derradeira decisão. Significará que todas as oportunidades dadas foram desperdiçadas. Por ti. Vais arriscar?

 

 

22
Ago23

73/365

Em quase três meses de ginásio que mudanças noto?

Ora bem, estou mais pesada. Ah e tal é a massa muscular. Deve ser.

Ainda (e digo ainda com algum optimismo) não vejo abdominais definidos ou pneuzinho irritante a ir embora. 

No geral olho para o meu corpo ao espelho (e bolas, não tenho feito aquelas fotos de antes e depois) e não noto diferenças significativas. 

Motivos que podem levar à desmotivação e daí a mandar o ginásio à fava são dois pequenos passos. 

Contudo, há que reconhecer que há mudanças, ainda que não visíveis ao espelho (aos meus olhos, note-se, porque já ouvi comentários de colegas a dizer que "já se nota" - não sei bem o que se nota, mas ok). 

Maior resistência. Andei em limpezas profundas nas férias, limpar vidros cheios de pó e pingos de tinta, esfregar chão, subir e descer escadote. Não fiquei com os bofes de fora, nem senti propriamente grandes dores musculares, aquela sensação de ter sido atropelada por uma manada de mamutes em fuga. 

Mais força. Andámos em mudanças, carregar caixotes pesados, móveis, caixas de móveis do Ikea. E notei que ia a pegar nas coisas a preparar-me para ficar ali em esforço, a tremer dos bracinhos e perninhas. Não aconteceu. Aliás, surpreendi-me quando pegava em coisas que supunha serem pesadas e afinal levantava aquilo na boa. No dia seguinte nada de exaustão muscular.

Os pós treinos agora também não são como descritos aqui

Se vou para o treino feliz e contente? Não.

Se vejo alterações significativas na parte visual/estética do corpo? Não.

Agora o bem estar, maior resistência e força que noto no meu dia a dia, há que reconhecer que há sim diferenças, há evolução, há melhorias. Então, por agora, é o suficiente para manter a motivação e ir aos treinos. 

22
Ago23

72/365

Já tenho seis prendas de natal compradas. Sim, em agosto já comprei prendas de natal. Internem-me.

Uma espécie de dica: produtos cosméticos e de perfumaria, há muito tempo que compro online. No momento, consoante aquilo que estou a precisar, comparo preços entre Perfume's Club, Primor e Notino. Essencialmente. Ocasionalmente acabo noutras páginas, como (por exemplo) Atida Mifarma, mas são aqueles três os meus "favoritos" pela oferta, variedade e preços.

Antigamente comprava mais na Primor, mais recentemente compro quase sempre na Perfume's Club. E foi aqui que, estava eu a seleccionar produtos de uso frequente que estava a precisar repor stock, encontrei (quase por mero acaso) aqueles conjuntos de cosméticos que vêm em bolsinhas de viagem. Pesquisei mais e encontrei conjuntos variados, com preços entre os 12€ e os 15€. Da Nuxe. Comecei a fazer uma lista mental, ora este conjunto é a cara desta amiga, aquele vai bem ao encontro daquela outra amiga, e este aqui tão giro para a cunhada. E assim escolhi seis presentes de natal. Por cerca de 80€. 

Se ainda é cedo para pensar em presentes de natal? É relativo. Eu não costumo pensar assim com tanta antecedência. Vi ali uma boa oportunidade, e aproveitei. A verdade é que me senti muito bem. 

21
Ago23

71/365

Ir lá atrás. Deixar a mente revisitar aquele dia, aquele momento, numa lembrança tão vívida do que aconteceu, do que vi, das palavras que ouvi. Chega a doer novamente o peito, tal como naquele dia. 

Inspiro e abro os olhos, retorno ao momento presente. A dor que sinto é apenas lembrança. Já foi. Já passou. E continua a doer.

 

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