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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

14
Nov23

81/365

Escolho rir-me de mim e do meu ambicioso objetivo de chegar ao fim do ano com 365 textos escritos. 

Posso assumir que falhei redondamente no objetivo ao qual me propus. Assumo. E? Que mal vem ao mundo eu estar estupidamente aquém deste objetivo, quando outros objetivos se sobrepuseram com maior impacto nos meus dias? 

Não escrevi, li muito. Já superei o objetivo estabelecido (20 livros) no Good Reads. Na semana de férias que tive em outubro li 3 livros. 

E por falar em objetivos, ainda estou no ginásio. Seis meses. Difícil de, eu própria, acreditar.

Talvez seja o momento, de mim para mim e para quem por aqui pousar os olhos, de fazer um breve resumo desde o último dia aqui registado.

Mudança de casa concluída em setembro, escritura realizada, finalmente instalados no novo lar. E quase que, de repente, se foram as dores de cabeça, frustrações, expetativas defraudadas, dores musculares, cansaço a raiar a exaustão. 

Mudei de casa, de estilo de vida, atingi um velho e quase esquecido sonho: moro na praia, com o mar ao fundo e o areal quase como quintal. Moro na praia e à noite não vou dormir sem ir à varanda ouvir o mar, inspirar e expirar ao ritmo das ondas. Mesmo nas noites de temporal, em que ouvia o rugido intenso que fazia vibrar as entranhas, fechava os olhos e sincronizava a respiração com o marulhar. Terapêutico. 

Outubro arrancou com um calor dos ananases, o que muito agradeci pois finalmente tive as minhas férias de verão. E bem que precisava dessa pausa para recarregar baterias. Descansar, ler, mergulhar no mar, desfrutar da companhia, da boa comida, dos passeios e novas paisagens. Aquela pausa tão vital para respirar e recuperar fôlego.

Regresso das férias e novas rotinas que a mudança de morada trouxe. Adaptação suave e tranquila, com uma felicidade serena a percorrer a espinha dorsal até ao aconchego no peito.

E vem a chuva e os temporais, e eu entro em parafuso. A chuva põe-me para baixo, o tempo em tons de cinzento carregado, denso e escuro suga-me a vitalidade. Emocionalmente fui-me abaixo e vi-me numa luta interior. As feridas (em processo de cura) a fazerem-se sentir num ego fragilizado e diminuído, um eu mais consciente e munido de ferramentas e maturidade emocional para lidar. Um duelo que se prolongou por dias, semanas na verdade, e só agora começo a sentir que estou a conseguir sair do pântano onde me enfiei de cabeça. 

Sou das que facilmente entra num caminho de auto destruição, auto desvalorização. As sombras de mim que aprendi a olhar de frente e acolher. Não faço um caminho de retorno. Atravesso o meu pântano, pois já sei que é na travessia que está a aprendizagem, o crescimento. Não serei exatamente a mesma pessoa que era quando entrei no pântano, por isso não há retorno, há um ir em frente, atravessar e chegar ao outro lado. Estou a chegar. 

 

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