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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

02
Fev21

Seis meses... tanto e tão pouco.

Há seis meses atrás vi pela última vez o meu pai com vida. 

Dizer que estava vivo é quase um eufemismo. Estava ligado ao ventilador, com falência de vários órgãos e em coma induzido para estar "confortável". 

Recebi um telefonema para ir à UCI despedir-me dele. Em tempos de covid em que o acesso ao hospital esta(va) vedado, foi um gesto de cortesia e humanidade permitir que a família próxima pudesse ver o paciente.

Nem 24 horas depois informam-me do último suspiro. E caí por terra numa nova e assustadora realidade.

Estes seis meses pareceram uma eternidade e simultaneamente passaram a voar. Tanta coisa que me caiu nas mãos e exigiu muito de mim. Tanto que procurei ajuda. E cá estou eu, passito a passito, num percurso de autodesenvolvimento, de amor próprio, de aprender a gerir emoções e a fazer um luto extremamente difícil, a aprender a perdoar e a deixar ir todas as culpas que carreguei a vida toda. 

Nas últimas semanas tive uma espécie de retrocesso. Deixei-me dominar por sentimentos como raiva, revolta e frustração. Uma maior consicência das emoções e algum knowhow de como as trabalhar permitiram-me gerir esta situação de crise de forma mais equilibrada, sem cair no abismo.

Ontem tive sessão de terapia e com muito orgulho da minha evolução e crescimento, da minha maior consciência e maturidade, permiti-me uma palmadinha nas costas pelo bom trabalho. Estou no caminho certo. Mesmo que por vezes tenha de dar alguns passos atrás. 

 

28
Jan21

E se eu partilhasse receitas?

Em tempos tive um blog só com receitas. Lembrei-me dele há pouco, quando o mostrei a uma colega. Bateu aquela saudade de partilhar receitas que ia fazendo, experimentando ou replicando de outros blogs. 

Voltar ao blog só das receitas não me parece. Não tenho disponibilidade (nem vontade) para tal empreitada. Contudo posso abrir aqui uma tag "caixa de receitas" e ir partilhando algumas das coisas que vou cozinhando. 

Que me dizem vocês aí desse lado? 

20210114_125950.jpg

Só para abrir o apetite, uma foto de um almoço que preparei recentemente. 

25
Jan21

Breve reflexão

E muito breve mesmo, porque há muito tempo que acredito que a estupidez supera a inteligência...

Ontem fui mudar o penso no dedo. Dia sim, dia não lá vou eu ao Hospital da Luz fazer curativo ao dedo. Ontem era dia de penso e aproveitei para logo a seguir ir votar, passei num restaurante perto de casa e levei almoço, regressando à condição de confinamento. 

Ontem meti conversa com a enfermeira que me recebeu, e comentei que estava calmo lá fora (entenda-se a sala de espera das urgências). Ela respirou fundo e desabafou: calmo agora, há bocado chegou aí uma senhora com 4 acompanhantes, quuuuuaaaaatrooooooo. E ainda nem tinha sido feita a admissão da doente, já estava um a perguntar se podíamos passar uma declaração em como ele estava a acompanhar a tia. 

Esta gente está parva ou come merda às colheradas?

Entre passear trelas sem cão, ou passear javalis, nenucos em carrinhos de bebés, ir em bando para as urgências de um hospital privado só para (supostamente) terem uma declaração de acompanhamento a um familiar doente para quê mesmo? Circular à vontade? Ontem podia-se, por ser dia de eleições... só que não. Mais de 60% de abstenção é surreal. Não percebo este povinho que inventa as coisas mais absurdas para furar o confinamento e na hora de exercer o seu direito de voto, assobia para o lado. 

Ah e tal as filas e os ajuntamentos e o caralhinho. Não me fodam a inteligência. Passar 3 horas na fila para a Primark ou para a Zara está tudo bem. 

Não vou comentar. Os factos falam por si... 

 

15
Jan21

Ao 15º dia do ano 2021

Dada a situação pandémica que se vive há quase um ano, a passagem de ano, à semelhança do Natal, foi a dois, em casa, com os gatos todos refastelados na manta quentinha do sofá. Nesta passagem de ano pude testar uma das melhores teorias relativas à cor da cueca a usar na passagem de ano. A teoria do SEM CUECA.

Ao dia 15 de janeiro posso dizer: não tentem. Nem em casa, nem fora de casa. 

Então ao dia 15 de janeiro já somei uns quantos episódios insólitos, e dois destacam-se pela gravidade da coisa.

Um carro parado, assim, do nada, congelou ou o raio que o parta. Está há uma semana no mecânico e os prognósticos não abonam a favor da minha conta bancária.

Ontem, numa situação absurda, que por mais que tente perceber como aconteceu, não consigo atingir, deixei o dedo para trás quando fechei a porta do carro (estacionamento de um supermercado, estava a sair do carro de lado, mala numa mão, atenta para não esmurrar o carro encostado, fecho a porta de costas e deixei lá o dedo indicador... como não tinha ângulo para abrir a porta... puxei o dedo ). Foi unha fora, tenho uma micro fratura na ponta do dedo, vai ser tala durante 10 dias, curativos dia sim, dia não e agora toda uma logística que me faz sentir uma inválida para tomar banho ou fazer um xixi. 

De maneiras que no 15º dia do novo ano eu só me lembro desta imagem partilhada pela Desarrumada e não sei se ria ou chore. Dasssssss 

 

12
Jan21

Alerta!

Recebi um alerta por causa do post anterior. 

Papel higiénico de folha tripla a escassear, só se arranja embalagens pequenas e de papel folha fina. 

Enlatados a desaparecer.

E café. 

RIP à esperança que a pandemia ensinaria alguma coisa à humanidade. Não. A estupidez continua forte. Muito forte. Só falta o Ventura ganhar as eleições...  Xô capeta! 

11
Jan21

Só mudou mesmo o ano...

Tudo aponta para que estejamos na iminência de novo confinamento geral. Tudo fechado. Tudo em casa.

Agora apontam-se dedos por causa das reuniões natalícias. Curioso. Nos dias que antecederam o natal, sentia o olhar de piedade quando respondia que o natal seria a dois, em casa, com os gatos. Enquanto via a azáfama dos planos para conseguirem ir à família de um lado e depois à do outro, ou outras pessoas a sacrificarem não estarem com familiares de um lado mas a não saberem dizer "não" a outros que insistiam, eu tranquila da minha vida a saber que o natal seria em paz e sem fretes, com a família que tenho todos os dias. Levei com olhares de pena. E tive de lidar com a piedade alheia quando por dentro rejubilava por ter um natal tranquilo, em paz, na minha casa, com a minha família de todos os dias. 

Agora trocam-se acusações como se uns fossem santos e outros pecadores. 

O que me aborrece no dia de hoje é ter-me visto obrigada a deslocar-me à extensão de saúde da minha área de residência, porque na semana passada, todos os dias, todos, liguei 5 a 6 vezes por dia e nunca, NUNCA me atenderam o telefone. Manifestei hoje a minha indignação. Não se admite, em tempos de pandemia, em que nos pedem (exigem) para não fazermos deslocações desnecessárias, as tenhamos que fazer porque não há uma alminha que atenda o raio do telefone para dar informações. 

Não é só a mentalidade das pessoas no geral, e das que quiseram um natal igual aos anos anteriores, que se enfiaram nos centros comerciais (eu também lá passei, apedrejem-me) ou que se juntaram com familiares que possivelmente não viram durante praticamente todo o ano. Há muita coisa a funcionar muito mal neste país, que 10 meses depois do início da pandemia ainda não aprendeu nem reajustou serviços à nova realidade. Andamos feitos tontos, ao sabor das marés, que pelo estado caótico da coisa, só podem ser marés vivas.

Estamos a um passo de novo confinamento geral. Lá terá de ser. Aguentemos. O lado bom? Já sabemos o que nos espera. E alguma coisa aprendemos com o confinamento anterior, como por exemplo, o papel higiénico não vai esgotar. 

 

04
Jan21

Leituras em 2020

Leituras_2020.JPG

Em 2020 li 21 livros. Superei o meu próprio objetivo e fiquei feliz, claro. 

Para atingir esta quantidade houve dois fatores decisivos: pandemia e três meses de confinamento em casa, em teletrabalho. Três meses sem sair de casa, três meses em que a vida, tal como a conhecia, as rotinas que tinha como certas e garantidas mudaram drasticamente. Tive de me reinventar, de reinventar os meus dias, e a leitura ganhou tempo de qualidade e foi um dos meus grandes refúgios.

O outro fator foi ter lido, em jeito de maratona, o autor Robert Bryndza. Seis livros em seis semanas. Foi muito bom. Adoraria conseguir este ritmo de leitura de forma mais frequente e recorrente. 

Talvez poderia ter conseguido chegar aos 22, 23, quiçá 25 livros. Tramou-me o último que li e que comecei em outubro (no início de outubro, ainda estava eu de férias) e fiz um esforço para terminar a 31 de dezembro. A Fórmula de Deus, de José Rodrigues dos Santos foi um osso duro de roer. Se houve capítulos que me entusiasmavam e me faziam avançar a bom ritmo, houve outros em que me dava um sono descomunal, uma falta de atenção desconcertante que me fazia questionar se devia ou não insistir no livro. Insisti e andei a engonhar. Literalmente. 

No meu perfil no Goodreads estabeleci para 2021 a meta de 15 livros. É exequível, dá pouco mais de um livro por mês, prevendo que tenho uns quantos thrillers para ler e que, espero, sejam de leitura voraz. 

O objetivo vale o que vale. Se cumprir, cumpri, se superar, espetacular, se não cumprir, não vem mal nenhum ao universo.

Até porque, nestas leituras não estão contabilizadas outras que tenho andado a fazer no âmbito da terapia, e que envolvem tempo e energia, já que não são propriamente leituras recreativas e são complementadas com exercícios e outras ferramentas complementares, como documentários ou filmes. E se estou cerca de uma hora e meia a ver um documentário antes de dormir, não estou a dedicar-me à leitura. E estes documentários que tenho visto deixam-me ali a pensar e a absorver umas quantas coisas, que não vou propriamente ler algo que não tem nada a ver antes de dormir.

O post é sobre os livros de 2020, só que levantei já aqui o véu sobre um dos aspetos a destacar no ano que acabou. Comecei a fazer terapia. Está a ser um percurso muito enriquecedor, exigente a nível pessoal, que exige disponibilidade emocional. Vale a pena. Vale bem a pena todo o foco, o empenho e a dedicação. Será tema a explorar num futuro próximo.

Por ora, fiquemos com o meu regresso aqui ao blog, com a partilha habitual nesta altura do ano: as leituras do ano que termina. 

Aproveito, antes de terminar, para um sincero pedido de desculpa pelo meu desaparecimento. O falecimento do meu pai veio, mais do que podia imaginar, abalar muitas das minhas frágeis estruturas, vi-me confrontada com muita coisa e ainda estou em processo de luto e não só. Se a ideia de procurar o caminho da minha cura emocional estava presente no arranque de 2020, longe de imaginar que o ano seria marcado por uma pandemia a nível mundial que ia virar as nossas vidas do avesso, confrontar-me com a perda do meu pai foi avassalador. Procurar ajuda na terapia foi um ato de fé e coragem. E sei que tenho um longo caminho a percorrer. Ao meu ritmo, respeitando os meus limites, o tempo que for preciso, o importante é apreciar esta jornada de desenvolvimento pessoal, de perdão e amor próprio. 

A quem ainda possa estar desse lado, expetante pelo meu regresso, grata pelo carinho. Feliz 2021! 

26
Ago20

O texto que tenho adiado escrever...

Quem segue a Caixa no Instagram sabe o que aconteceu neste último mês. Sabe que há um mês comecei com obras em casa (pinturas de paredes e tetos com alguns arranjos de fissuras pelo meio). Sabe que há um mês o meu pai deu entrada no hospital e depois de uma semana excessivamente intensa a nível emocional, com as notícias dia após dia a conduzirem a um desfecho previsível, esperado mas que nada nos prepara para o derradeiro momento, aquele em que, depois de ter sido chamada ao hospital para me despedir dele, me comunicam que faleceu.

Continuo sem palavras para descrever o momento em que esta realidade se abateu sobre mim. Continuo sem perceber muito bem como me tenho mantido de pé a tratar de uma imensa burocracia que enerva, esgota a paciência, suga toda a energia que resta num momento destes.

As férias deixaram de ser férias para tratar de um funeral e desencadear uma série de processos em diversas entidades, processos que ainda decorrem, e ontem, mais um dia de férias queimado para ultimar burocracias, mas afinal ainda há mais uma declaração que é precisa para entregar nas Finanças e fazer uma adição ao imposto de selo e só depois, só depois é que pode voltar cá e prosseguir... e só para iniciar o processo desembolsa x, e desembolsa y e mais o caralhinho para tanto papel e selos timbrados e o raio que parta esta máquina burocrática que empata e entrava e chateia e nos suga vida e dinheiro. A sério que estamos no séc XXI, em plena era digital? A sério que, alegadamente, devido à pandemia, muitos serviços tiveram de agilizar procedimentos? Ah não. Isso era a expetativa. A realidade é que ainda estão mais bloqueados, difíceis de aceder e resolver de uma vez.

Poupo-vos detalhes, porque tudo isto ainda é uma ferida aberta e dolorosa. Recebo o embate da morte do meu pai e, com todas as vantagens e desvantagens que isso acarreta, sou única herdeira. Em cima de mim caem todas as decisões, responsabilidades, despesas. E isto de herdar propriedades é muito giro na boca do povinho ignorante que acha que agora devo ser uma espécie de condessa lá da terrinha. Eu só vejo dinheiro a sair da conta, tudo se paga, os impostos não esperam, os encargos com as propriedades também não e agora está tudo nos meus ombros.

Respiro fundo. Tudo se resolve. Não escolhi que isto acontecesse na minha vida. Aconteceu. Agora é lidar da melhor forma possível. Se haveria momento ideal para pôr em prática o que, também nesta altura, aprendi naquele desafio de auto coaching, que com tanto entusiasmo me inscrevi, foi este. Na semana do internamento e na semana em que faleceu, valeram-me as meditações diárias do desafio, cada dia com um tema a explorar num pre talking. Valeram-me esses momentos em que, durante cerca de 30 minutos por dia, eu estava comigo e a tratar de mim. Encontrei força onde não julgava haver. Mantive um equilíbrio quando achava que ia simplesmente colapsar.

Houve dias difíceis. Muito difíceis. Sei que os haverá. Ainda este fim de semana fui abaixo e andei a chorar descontroladamente com um sentimento de vazio, de estar sozinha no mundo, porque as pessoas que mais amei e de quem guardo as melhores memórias já se foram. Tal e qual como a casa que acabo de herdar, sinto-me vazia, abandonada. Morreram. Foram-se para sempre e não voltam. Ficam aquelas paredes repletas de anos de memórias e histórias de três gerações de uma família.

Houve um momento que me afastei das redes sociais no geral, de pessoas em particular. A silly season a decorrer, o Instagram repleto de fotos de férias, praias, piscinas, famílias, verão no seu esplendor e leveza que deixa as pessoas felizes. E eu a ter de lidar com a dor que a morte de alguém tão próximo deixa, aquele vazio que nada nem ninguém nunca preencherá, enredada numa teia de burocracia que estava a exigir demasiado de mim, a sugar-me a pouca energia que sentia. Houve dias que não atendi telemóvel nem respondi a mensagens. Agradeci ter pessoas preocupadas e a mostrarem todo o seu carinho e apoio. A seu tempo expliquei-lhes, desculpando-me, que precisava do meu tempo de sossego e solidão para carpir a dor, quando ao mesmo tempo a vida exigia demasiado de mim.

O tempo não cura. Acalma. Cicatriza.

Regressei ao trabalho e isso permitiu-me sentir de volta a vida como a conhecia, na sua normalidade que nos faz sentir numa zona de conforto. Voltei a sentir apetite e vontade de comer, voltei a ler, voltei a estar com as outras pessoas. Voltei à minha vida. Diferente. Eu e a vida.

Estou a voltar. Porque a vida continua e eu tenho de continuar. Por mim. Pela memória dos que partiram. Pelos que estão ao meu lado e foram excecionais neste momento tão difícil e doloroso da minha vida.

Estou a voltar. Aos poucos...

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