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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

18
Mai20

Questões que me assolam o espírito por alguns nano segundos

Então a praia este fim de semana? Boa? Sim? Espetáculo. Bato palmas ao egoísmo desmedido de centenas de pessoas, FAMÍLIAS que usam o argumento que "as crianças precisam, estão fechadas há muito tempo". Isto vindo de quem já foi à praia em fins de semana anteriores, mesmo com tempo encoberto, e neste fim de semana foi dose dupla, sábado e domingo, realmente o argumento de "muito tempo fechadas" é de louvar. Só que não!! Tenham vergonha na puta da cara! 

Aposto o meu dedo mindinho em como estes cromos da merda são os mesmos que depois manifestam muito pesar e preocupações várias com a reabertura das creches.

Como diz a outra, FODEIBOS!!!

Com estas atitudes, prevê-se uma palhaçada quando abrir, oficialmente, a época balnear. O apelo ao bom senso, a que cada um tenha de ser o seu próprio fiscal para respeitar as normas de segurança e higiene, dá vontade de rebolar no chão a rir. Só não o faço porque depois TODOS sofrem as consequências da irresponsabilidade e egoísmo destes acéfalos. 

Um breve exemplo: um dos apelos é as pessoas fazerem manhãs ou tardes, para assim mais gente poder ter acesso a um bocadinho de praia (recordando que este ano por força das circunstâncias extraordinárias que o MUNDO vive, o acesso é limitado e restringido a um x número de pessoas, que varia consoante a área disponível). Recordando que há dois meses houve um açambarcamento de papel higiénico, álcool, depois farinha e fermento, que se foda quem também precisa, era levar stock para 50 anos, que nunca fiando, isto o mundo acaba e a malta tem de limpar o cu enquanto come pão... está-se mesmo a ver só ficarem meio dia na praia para que outros possam ir a seguir?!  

Este verão promete... eu só lamento é que, por causa de uma cambada de egoístas, toda uma sociedade tenha de sofrer as consequências deste fenómeno chamado: umbiguismo.

 

13
Mar20

Escrevi... feito!

Não entrei em histerismo. Não ando de máscara. Não fui ao supermercado comprar este mundo e o outro como se fosse ficar um ano fechada num bunker. Estou mais alerta, sigo as medidas preventivas divulgadas pelas entidades e órgãos competentes, até porque começam a ser implementados em todo o lado, inclusivamente nos locais de trabalho, planos de contingência de forma a prevenir e minimizar os riscos de contágio. Ontem e hoje recebi mensagens das atividades que frequento a avisar da suspensão das mesmas até ao fim do mês de março, reavaliando a situação no início de abril. Não só concordo como já tinha decidido por mim, para meu bem estar e dos outros, cumprir o meu papel social no combate a esta pandemia Covid-19, e que passa por evitar ao máximo ir a locais públicos e estar em contacto com aglomerados de pessoas.
As recomendações da OMS e da DGS passam por um isolamento voluntário de todos nós, saindo apenas e só para o essencial e imprescindível. E assim nasce o movimento #euficoemcasa.
Eu também ficaria de bom grado, a trabalhar a partir de casa, contribuindo ativamente para o controlo da propagação do vírus, protegendo-me a mim, aos meus e a todos os outros. Mas eu vou aderir ao movimento #eunaoficoemcasaporquenaopari. É que a empresa onde trabalho só deu à escolha ir trabalhar ou ficar em casa sob teletrabalho quem tem filhos. Os outros, como eu, que não procriaram, podem continuar a andar na boa, expostos, se formos infetados e morrermos, não deixamos órfãos. Deve ser isto!
O que me fode é esta distinção, esta diferenciação. Num problema que atinge TODOS, só a uns é dado o privilégio de escolher ficar em casa resguardados, como recomendam as autoridades de saúde, ou ir trabalhar como é habitual. O critério de seleção? Filhos.
Tema sensível, porque obviamente as escolas fecham, as crianças devem estar protegidas e sob vigilância, e para isso ser possível, os pais têm de ir para casa. A ser coerente, devem ir os dois, porque ser só um a ficar em casa e o outro continuar a sair na sua rotina "quase" habitual, vai dar merda na mesma.
Então mas os que não têm filhos são o quê? Carne para canhão? Não têm sequer o direito de dizer: também quero trabalhar a partir de casa (o que der, como é evidente) ou dizer que não, que se continua a fazer o trajeto para o trabalho e a levar a vida como até aqui se levava antes do Covid? Sinto-me revoltada. Porque não sou das que olha de lado ou aponta o dedo quando colegas mães têm de sair porque os filhos ficaram doentes, têm de faltar porque os filhos têm febre e viroses, não sou das que atira para o ar que a licença de maternidade é férias e bem bom em casa. Sem ser mãe sou das que defende que a licença de maternidade devia ser, no mínimo, um ano. Mas por não ser mãe vejo-me privada de direitos que pelos vistos só cabem aos que gozam do estatuto de parentalidade.

13
Mar20

Escrever ou não escrever, eis a questão?!

Estou aqui com umas ganas de descarregar a revolta, fruto da injustiça e da desigualdade, mas o tema é para lá de polémico. De maneiras que vou arrefecer as ideias e se achar que vale a pena lançar o tema para reflexão e troca de ideias, escrevo. Se não, vai comigo para a cova, porque a última coisa que me apetece é, depois da merda que senti hoje, ainda levar com pessoas que... fico por aqui.

Respira, Pandora, respira... 

 

17
Fev20

Ca put@ de neura

Uma pessoa anda na merda e tudo acontece. 

Não sei que raio se passou com a última coloração de cabelo, em três semanas tenho o cabelo às manchas e cor de rosa em alguns sítios. Tento arranjar vaga ASAP na cabeleireira... Tinha para dia 21, mas eu não posso que tenho uma consulta médica à hora da vaga. Ora então, só dia 26...  (lado positivo, se quiser posso fantasiar-me de Harley Quinn no Carnaval). 

Tenho manutenção das unhas esta quinta. O que acontece? Tenho a unha do polegar partida até meio (e usar collants está a ser uma verdadeira aventura). Ligo para a moça que me arranja as unhas, afinal eu já a desenrasquei outras vezes a trocar com outras clientes dela. Mas não. Não há vagas, não há trocas. Aguenta até quinta. 

Aquela merda da lei do retorno é um grande mito urbano, não é?! É que, foda-se, estou a colher o que outro cabrão qualquer andou a semear e meteu na minha conta, só pode!!!!

 

17
Fev20

Sogra vs Nora

O conflito é simples, a nora é vista pela sogra como a substituta ilegítima do seu reinado de mãe soberana de um filho obediente e dependente emocional. Ele que nunca quer assumir conflitos com sua querida mamãe fica passivo e tentando colocar panos quentes nos desentendimentos velados ou explícitos da mãe e da esposa.

Na hora do racha sai de fininho e diz que não pode tomar partido: “é minha mãe, poxa!”.

O resultado é trágico, pois em cada evento social surge aquela briga nas entrelinhas pela atenção do homem da vida das duas.

A sogra tem um agravante, na maior parte das vezes quer fazer as vezes de companheira emocional do filho e tirar a nora da trilha. Ela no papel de mãe deveria estar ciente de que a nova família do filho se sobrepõe à família de origem. Mesmo sendo a mãe não deveria interferir ou palpitar nas escolhas do filho, mas de modo geral faz o oposto, critica, aponta, acusa e faz intrigas. Se a nora reage parece sempre a louca, enquanto a pobre sogra permanece chorosa pela a agressividade “gratuita” pela nora.

É de chorar ver duas mulheres, que se supõe maduras, entrando em brigas absolutamente dispensáveis. Se questionada a sogra dirá que está defendendo os direitos do filho (ainda que não tenha sido chamada para advogar) e sempre terá uma dose grande de desconfiança: “essa garota não cuida tão bem dele quanto eu, é meio relapsa e as vezes soa interesseira, sei que ela tem ciúme de mim.”

Nessa hora a sogra esquece que quem convive, ama e transa com o filho é a nora e não ela.

Por isso soa tão estranho esse tipo de disputa, parece até que rivalizam o parceiro amoroso. A nora tem razão de reivindicar seu parceiro, mas a sogra não.

O que costuma reafirmar essa briga é que normalmente a sogra tem um casamento falido ou inexistente e que costuma legitimar sua solidão em busca da companhia do filho querido.

A própria esposa no fundo tem medo de incentivar esse conflito para não precipitar uma guerra familiar e para não ter que testemunhar o marido recuar diante de sua mãe, normalmente dominadora.

A solução está no marido que precisará enfrentar a própria mãe de um jeito que sempre tentou evitar. A guerra entre a sogra e a nora só evidencia um cordão umbilical que nunca foi rompido realmente.

 

Para ler o artigo na íntegra, clicar aqui.

Devia ter oferecido uma tesoura ao homem pelo dia dos namorados. Talvez cortasse a venda que tem nos olhos e lhe tolda a visão sobra a "querida" mãezinha, ou cortava o cordão umbilical que ela faz questão de ter bem apertado em volta do pescoço dele.

Assim como assim, a louca sou eu, e a minha sogra continua a não saber o lugar dela e invade a nossa vida como se o filho fosse só dela e de mais ninguém. O filho é um coninhas passivo que não enfrenta a mãe e remata sempre com "ela é assim". E eu, bem, eu estou aqui a pensar se lhe faço as malas e lhe dou um chuto no traseiro que o leve direto para casa da rica mãezinha. Eu bem propus ele preparar uma malinha e ir duas semanas (as duas semanas que ela está em convelescença de uma cirurgia) para casa dela e assim estar lá a tempo inteiro ao dispor, e no fim desse tempo nós conversávamos. Ele não quis. E eu tenho de aturar novamente uma situação em que a sogra é dona e senhora da vida e do tempo dos outros, como aliás o tem feito nas últimas semanas. 

Já passei por este inferno. Na semana passada avisei quem tinha de avisar do que estava para vir. Mas falei para uma parede. Portanto, parece que sou eu quem vai ter de ter os ditos cujos no sítio para ir confrontar a mulherzinha insuportável e mostrar-lhe o lugar dela. Ou isso, ou sair de fininho e deixar mãe e filho no seu idílio amoroso: feitos um para o outro... amor de mãe! 

 

11
Fev20

Aguenta, a ver se dói menos!

Os dias estão maiores e quando saio a horas do trabalho, ainda há luz do sol. Fico contente. Com outra energia. Fevereiro trouxe subidas nas temperaturas e houve dias verdadeiramente primaveris. Sabem bem. Muito bem. Renovam logo a energia de uma pessoa (a minha, pelo menos).

Estive doente. Uma crise gastro intestinal arrumou comigo durante uma semana. Inicialmente associei a um fim de semana com alguns excessos alimentares, que na minha condição desencadeiam logo estas crises. No entanto, e volvidas quase duas semanas, ainda não estou totalmente recuperada, e dias há em que incho desalmadamente (pareço mais grávida que a Carolina Patrocínio em fim de gestação... mas também não é difícil, né?) e tenho cólicas dolorosas. E em que dias isso acontece? Em dias que os nervos disparam. O meu corpo tem tido uma resposta ao stress que me deixa prostrada. 

Preciso proteger-me, cuidar de mim. No entanto isto fica difícil quando há coisas que invadem a minha vida sem pedir licença, quando há pessoas, cujas atitudes e escolhas que fazem, não têm noção do impacto que trazem à vida dos outros, de como viram os dias dos outros de cabeça para baixo, dos imprevistos que causam e fazem desistir dos planos.

Nas últimas semanas temos vivido em sobressalto, em modo "bombeiros de prevenção". As próximas semanas trazem incertezas, dúvidas e mais estados de alerta. Não se pode fazer planos sob pena de um telefonema virar tudo do avesso. O que, aliás, tem acontecido nas últimas semanas.

E é fodido este viver os dias assim. Num permanente sobressalto. Mais ainda quando a pessoa que os causa parece que anda a gozar com a cara e a vida dos outros, prejudicando-se a si própria e à sua saúde, por teimosia ou estupidez pura. 

 Aguenta, Pandora. Aguenta! 

 

17
Jan20

Eu atirei pedra na cruz e cuspi no santo!

20180717.jpg

Em dezembro aproveitei as mini férias para ir ao centro de saúde deixar a caderneta e pedir a pílula (que estava a acabar). Ora, com as festas, com a gripe, com a cabeça de passarinho com que andava, nunca mais me lembrei de lá ir levantar a dita cuja. Ontem ia para tomar e cadê a pílula?! Lembrei-me da sogra... havia de ser bonito, não foi por causa do antibiótico, foi mesmo por me esquecer dela 

Depois daquele impasse de vasculhar na gaveta e não encontrar nada, lá se fez luz e lembrei-me que não a tinha ido buscar.

Hoje de manhã lá fui eu cedinho. Chego ao centro de saúde e, seguindo as instruções de uma das administrativas do atendimento que em tempos me deu, quando é só para pedir/levantar a pílula não é preciso tirar senha. Portanto, não tiro senha e fico à espera que a outra que estava hoje ao serviço (tenho um azar de apanhar sempre a mesma croma... é o karma!) chamasse as senhas para quem tinha consultas e tratamentos marcados. Toda a gente atendida, virou-se para a fila do atendimento geral. Senha E 1... nada. Senha E 1? Nada. Vira-se para mim: a menina já está atendida? (sério? e a única no atendimento, por acaso já me atendeu?). Respondo que não, que só vinha levantar a pílula. Precisa tirar senha.

Vou tirar a puta da senha E 1. Ponho-a à frente dela e digo: venho levantar a pílula.

E agora adivinhem quem foi tratar do meu pedido? Uma enfermeira que estava na receção, que a outra que exigiu a merda da senha para me atender virou costas e cagou em mim.

 

13
Jan20

A minha sogra calada era... uma santa!!!!

Sogra é desbocada. Não é novidade. Não tem filtros. Nem ponta de noção. Diz o que quer e lhe apetece sem qualquer respeito ou consideração pelos outros. E o pior é que tem a puta da mania que só ela é que sabe e tem sempre razão. Desisti. Ela que fique com a dela, não dou para esse peditório. Pessoas que só ouvem a sua própria voz não merecem, de todo, que gastemos o nosso latim e energias com elas. Deixai os cães ladrar enquanto a caravana passa...

Se por um lado o ficar calada perante uma personagem destas é o mais sensato, a verdade é que como não há quem a enfrente, contrarie e também a ponha no lugar, ela sente-se a rainha do pedaço, dona da verdade, senhora da razão. E não saímos disto. Haja paciência e muita ginástica para rebolar os olhos e respirar fundo. Muito fundo.

Ora, na altura do natal eu estive bastante doente. Tanto que no dia 26 voltei ao médico e vim com antibiótico, xarope e anti-histamínico. Dois dias depois de ir ao médico ela passa por nossa casa. O filho não estava. Portanto que remédio tive eu de a "atender". Ainda nem tinha aberto a porta, ela ouviu-me tossir, e larga o seu: ai rapariga, essa tosse... escusado será dizer que pelo natal levei uma esfrega sobre xaropes de cenoura com açúcar amarelo, cebola (com casca, ouviste?) e mel, mais chá disto e daquilo... Ora, reclamava ela da minha tosse a entrar na minha casa, quando lhe digo que já tinha ido ao médico, e com o antibiótico estava melhor. 

Quando falei em antibiótico ela vira-se para mim e com o dedinho espetado no ar, olhos arregalados e um tom de preocupação genuína na voz, dita a sua sentença: olha tu tem cuidado que o antibiótico corta o efeito da pílula. 

Aquilo apanhou-me tão desprevenida que nem tive reação. E ainda bem... que reação pode uma pessoa ter perante este comentário de merda?

Primeiro, sou uma pessoa minimamente informada, bem sei que os antibióticos têm impacto na toma da pílula. Mas obrigadinha pela informação. Devia era ter ensinado melhor a filha há muitos anos atrás, talvez ela não tivesse engravidado antes dos 20's, quando ainda andava na escola.

Segundo: não era de estar caladinha? Sabe lá ela se até andamos a tentar ou não ter filhos? Há uns anos saiu-se com uma de que eu não queria engravidar para não engordar. Fiquei tão danada com este comentário... é que era uma altura em que eu não tinha qualquer estabilidade profissional, tinha trabalhos temporários cujos contratos eram de 3 meses, e ora renovavam ora lá ia para o desemprego até vir um novo trabalho temporário. Mas não era isto que me fazia não querer filhos nessa altura. Era o não querer engordar. 

Sinceramente não sei qual é o problema dela, ou melhor, até sei. É que sou eu que vou para a cama com o filho. Não é ela. Sim, a minha sogra tem o complexo de Jocasta. E não é paranóia minha ou ciúmes de nora com sogra possessiva. Ainda não há muito tempo ela falava de um pretendente que tinha, mas que não queria nada com ele porque ele era baixinho, e ela quer assim um homem alto e jeitoso como o Gandhe (detalhe: não disse "como o meu filho"... disse o nome dele... Freud explica!). 

Agora a sua súbita preocupação que eu pudesse engravidar por causa do antibiótico, sem saber se até é algo que está nos nossos planos, tendo em conta que tenho 38 anos, é assim só parva. E sem ponta de noção. Caladinha podia ser uma santa. Ou perto disso. A menos que o problema não seja eu engravidar, mas ela ser avó. Só que ela já é avó. E foi avó cedo... Ou então acha que se eu tiver um filho, vou espetar com a criança em casa dela para ela tomar conta. Ah que não tenha esse medo... jamais faria isso. 

Este sábado voltou a passar por nossa casa (apanhou-se outra vez com confiança e agora não é à vontade... é à vontadinha). Quando ela tocou à campainha eu estava no terraço a apanhar roupa. O filho foi abrir-lhe a porta, ouvi logo a voz esganiçada dela e deixei-me estar. Quando acabei, entrei na cozinha com o cesto nos braços e, por boa educação, fui ao pé dela para a cumprimentar. Não só me deixou literalmente pendurada, como nem olá, nem boa tarde, nem vai à merda... mostrou-me uma fotografia que descobriu no telemóvel da gata, que tanto trabalho e despesa me deu, para ela deixar fugir e sabe-se lá o que aconteceu ao animal. Limitei-me a fazer um sorriso amarelo, virar costas e ir para dentro separar a roupa que era para passar, e dobrar a que era para arrumar sem ir ao ferro. Deixei-me estar até perceber que ela tinha ido embora. E então comento com o Gandhe que nem na minha casa sou respeitada. E ele disse um tímido: pois, a minha mãe teve uma atitude de merda, mas já sabes como ela é.

Claro que sei. E por isso uma pessoa engole e ignora. Porque ela é assim... os outros que se fodam!

Numa era em que anda tudo preocupado com o ambiente, com a reciclagem e a proteção do planeta, ainda não inventaram um contentor para reciclar sogras? A poluição sonora iria diminuir drasticamente. Garanto.

 

11
Nov19

Ainda não tinha falado por aqui do filme "JOKER"...

Joker.jpg

Imagem retirada da net, texto e montagem meus no Instagram

"Sou responsável por aquilo que digo, não pelo que os outros entendem". - lembrei-me desta espécie de "frase feita" (e que contém tanta verdade) por causa do filme Joker. Anda nas bocas do mundo. Há quem adore, há quem critique e ache o filme um incentivo à violência. Ora, pude ouvir ao vivo e a cores durante o intervalo do filme comentários do género: "que seca; daqui a nada adormeço; mas quando é que aparece o Joker?". E isto é tão simplesmente a prova das mentes pequeninas que vão assistir a um filme destes à espera de ver sangue e cabeças a rolar.
A essência do filme não é o Joker (enquanto vilão, aquele que conhecemos dos filmes do Batman). A essência do filme é como e por que "nasceu" o Joker. E isso é um dedo bem espetado na ferida de uma sociedade egoísta, cheia de moralismos hipócritas e valores ocos.

 

O texto e imagem acima foram a minha reação quase imediata, a sair da sala de cinema, ao filme que tem dado que falar.

Confesso: não estava para ver. Tinha na minha memória o excecional Joker de Heath Ledger e não queria desiludir-me. Mas depois li o que Nuno Markl escreveu no seu Instagram sobre o filme, nomeadamente a última frase, curiosa e ironicamente entre parênteses, que passo a citar: "(Já agora, a mim só me faz espécie que as pessoas que consideram Joker um filme capaz de inspirar "lunáticos" a matar "gente sã", não vejam que, se calhar, também está aqui um filme capaz de inspirar "gente sã" a estender a mão a "lunáticos" antes que seja tarde demais.)"

E fui ver. E saí da sala de cinema num estado que não sei bem definir.  Longe de me ser indiferente, longe de ser apenas um filme que fui ver por mero entretenimento, foi um filme que mexeu cá dentro, me revolveu as entranhas, me pôs os neurónios em rebuliço. Me fez olhar em volta com outros olhos. Um filme que ficou até aos dias de hoje na minha cabeça (e irá ficar), que me faz repensar na forma como agimos em sociedade, como somos tão cegos ao que nos interessa, como somos tão cheios de moral e bons costumes, juízes e carrascos que não querem, sequer, saber a verdade escondida e ignorada das pessoas que criticamos, julgamos e condenamos.

E porque falo do filme agora? Porque tenho visto uma condenação em "praça pública" da rapariga de 22 anos que alegadamente (já ouvi versões que não foi lá que o deixou, mas alguém pegou na caixa onde ele estava e o foi deixar no local onde foi encontrado) abandonou o filho recém nascido no caixote do lixo. É fácil condenar, apontar o dedo, condenar um ato tão cruel e vil (que o é), desconhecendo os motivos. Parte-se logo do princípio que é uma vadia, drogada, puta barata de esquina de rua, que andou a foder com quem quis e lhe apeteceu e quanto pariu foi só ir ao lixo e largar o bebé. 

Li esta manhã a publicação da Catarina Beato no seu Instagram. E como ela própria sublinha, claro que a rapariga deve e tem de ser responsabilizada pelo que fez, mas, e há aqui um grande MAS, é imperativo perceber o contexto, os motivos, o que a levou a fazer o que fez e prestar-lhe a ajuda que ela, com toda a certeza, precisará

Que sabemos dela? Uma sem abrigo de 22 anos. Sabemos por que é uma sem abrigo? Sabemos o contexto em que engravidou? Pode ter sido violada, pode ter sido uma miúda que engravidou do namorado, que a deixou mal soube (ui quantos??), e cuja família a expulsou de casa. Sabemos de onde vem?  Sabemos que formação ou informação tinha para procurar ajuda? Sabemos se estava completamente sozinha, em desespero, sem saber o que fazer ou a quem recorrer?

Há uns anos atrás conheci uma rapariga numa empresa onde trabalhei por pouco tempo. Ela sofria de depressão porque ainda não tinha superado um divórcio, fruto da infidelidade dele. Namorado dos tempos de escola, anos juntos, e pouco depois de casarem, toma lá um par de enfeites na testa. O sonho dela em ter família, marido, filhos, foi-lhe assim arrancado num ato de egoísmo puro por aquele que ela considerava ser o amor da sua vida. Desfeita, voltou para casa dos pais, porque o salário de 500€ não dava para viver sozinha. Pouco depois de a conhecer ela envolveu-se com um fulano, também ele divorciado e com uma filha. Deslumbrou-se (emocionalmente carente como era, não me admirou) com o tipo, com o pseudo romantismo dele, e não viu outros sinais, como o não querer saber da filha para nada, culpando a ex mulher de tudo. Fins de semana fora, mas nada de conhecer famílias, noites juntos quando ele queria, desculpando-se com o trabalho e as supostas viagens que fazia... ela acabou totalmente apaixonada e grávida. E aquilo que parecia ser a grande felicidade tornou-se o seu pior pesadelo. O gajo mostrou ser o cabrão que era, obrigou-a a abortar, caso não o fizesse acabava tudo com ela. Ela, uma vez mais destruída e em nome de um amor do qual estava sedenta e faminta, marcou o aborto. Na véspera o pai disse-lhe algo do género: "a decisão é tua e só tua, mas uma coisa podes ter a certeza. Com ou sem filho, ele não vai ficar contigo". No hospital, enquanto esperava que a chamassem, pensava nas palavras do pai, com as quais eu concordei. Depois daquilo que futuro poderia haver naquela "relação"?. No último minuto, levantou-se e veio embora sem abortar. Decidiu ter o filho que sempre quis ter. Tinha o apoio dos pais. Dos poucos amigos que tinha. Tudo haveria de correr bem, e pelo menos ela seria a mãe que sempre quis ser. Homens, há muitos. Claro que o tipo reagiu mal, disse que não ia assumir nada, e tratou-a muito mal. Uma vez mais, desfeita, ela não sabia o que fazer, apesar de ter apoio da família. Eu arranjei contactos numa associação que presta ajuda a mulheres vítimas de violência e em situações de risco e através da associação ela teve apoio psicológico e jurídico. Através da segurança social teve um advogado que a defendeu na questão da paternidade. No dia seguinte ao nascimento do filho ele foi intimado pelo tribunal para se apresentar no hospital e fazer o registo de paternidade da criança. Foi. Fez o registo e saiu. Não quis conhecer o filho. Nem a quis ver. Limitou-se a cumprir aquilo que foi estipulado pelo tribunal de família. 

Porque conto esta história? Porque era uma rapariga na casa dos 30's, com família, com trabalho, e mesmo assim quando se viu numa situação destas não sabia o que fazer e não fosse ter quem lhe pusesse a mão e a ajudasse, sabe-se lá o que teria acontecido. 

E agora é muito fácil condenar cruelmente esta miúda de 22 anos, sem abrigo, que engravidou (não sabemos em que circunstâncias), não teve ajuda de ninguém e saberá ela (se calhar nem sabe) por que tomou a decisão que tomou. Ficamos todos chocados, no conforto das nossas vidinhas organizadas e sem dramas de maior, a condenar um ato desprezível, a condená-la como assassina, mulher sem coração, que mãe faria uma coisa destas? A sério? Há tantas mães que só o são porque pariram, e não foi porque não deixaram os filhos recém nascidos no caixote do lixo que foram melhores mães. 

E cá está um caso em que podemos refletir se nós, a gente sã, não poderíamos ter visto esta situação (quantas pessoas se terão cruzado com esta sem abrigo e sofreram de cegueira conveniente?) e ter ajudado antes que fosse tarde demais?

Joker, voltando ao filme, é O FILME que mete mesmo o dedo na ferida desta sociedade hipócrita e egoísta, cheia de moral e "bons costumes", que faz o papel de juiz e carrasco com a mesma facilidade com que comenta o episódio da novela do dia anterior. 

Há pessoas que cometem coisas más porque não viram outra saída. Se há outras saídas, com toda a certeza. Mas e onde está a ajuda para elas aparecerem? É mais fácil virar a cara, deixar acontecer e depois apontar o dedo.

Como diz a outra: #fodeibos!!! 

 

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