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Estórias na Caixa de Pandora

Entre a sombra e a luz, as estórias que me habitam

Estórias na Caixa de Pandora

Entre a sombra e a luz, as estórias que me habitam

26
Jun17

A Viúva

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Li a sinopse deste livro e fiquei curiosa. No verão passado foi  destaque em várias livrarias, e como estava curiosa, adicionei-o à wishlist da WOOK. Não tinha calhado comprá-lo ainda e eis que uma amiga emprestou-mo, com o alerta que não lhe tinha achado piada nenhuma, que a sinopse engana bem, o raio do livro até irrita e soubesse ela qual era o tema, nem o teria comprado nem lido. Ora, como até temos gostos de leitura muito parecidos, levei a opinião dela a sério e pensei cá com os meus botões que o dito ia ser um balde de água fria. 

E não me enganei, nem ela me enganou. Continuamos muito similares nos gostos e opiniões literárias (embora ela tenha gostado mais de A Rapariga do Comboio e eu gostei mais do Escrito na Água).

Portanto, começo esta pseudo crítica com um honesto: não gostei, não recomendo, não percam tempo.

A premissa da história é revelar o lado ou a perspetiva da esposa de um assassino. Saberia ela quem era o marido? Seria cúmplice? Jamais lhe passaria pela cabeça do que ele era capaz? No fundo era mais uma das suas vítimas? 

Uma premissa interessante, sem dúvida. Mas neste livro acho, e isto é meramente a minha opinião de leitora, que foi uma premissa muito mal explorada, muito pobre no desenvolvimento, muito aquém das suas potencialidades.

A técnica narrativa é, pelos vistos está na moda, o ponto de vista de diferentes personagens. Cada capítulo, uma personagem, dentro de um núcleo de diferentes intervenientes, com diferentes pontos de vista. A viúva é o principal ponto de vista. No início até cria uma empatia, depressa se fica com a sensação de que é uma pobre vítima nas mãos de um manipulador e controlador. Casa jovem, dependente de um marido por quem tem uma estranha admiração, quiçá mesmo veneração ou obcessão, mas que no decorrer do relato se percebe que ela também não é a ingénua e pobre criatura que se esforça por parecer aos olhos de todos. Com o avançar do enredo comecei a sentir uma espécie de repugnância por aquela mulher, o verdadeiro lobo com pele de cordeiro. Será ela melhor que o marido que cometeu um hediondo crime? Será ela uma louca que deveria estar internada numa ala psiquiátrica? Um pouco de ambas? Enfim, a fulana é doida varrida e de coitadinha tem muito pouco. 

Quanto ao crime, tudo gira em torno do desaparecimento de uma criança. No decorrer das investigações chegam a Glen, só que todas as provas reunidas acabaram por não surtir efeito em tribunal e ele sai em liberdade. Há uma tentativa forçada de manter o leitor na expetativa se seria ele culpado ou inocente. Anda a polícia novamente a conduzir a investigação sobre o desaparecimento da criança, continuando com o principal suspeito, entretanto ilibado, debaixo de mira, quando ele morre no que parece ser um trágico acidente. E a viúva tem todas as respostas e é preciso fazê-la falar. Torna-se então o centro das atenções da imprensa e da investigação policial.

Num jogo de gato e rato, a viúva vai libertando as verdades e os segredos escondidos, mas toda a narrativa e o encadeamento dos acontecimentos está forçado, com uma lógica rebuscada, com muitos pontos vazios que ficam sem resposta ou explicação. 

Não costumo ser spoiler, mas neste caso, e como também comecei logo por dizer que não recomendo a leitura, vou adiantar que o crime é um rapto motivado por pedofilia. Um viciado em pornografia infantil, um homem estéril que não conseguiu dar à sua mulher o filho que ela tão obcecadamente desejava, um dia vê uma menina a brincar no jardim de casa sozinha, leva-a, não sabemos exatamente o que aconteceu, apenas que a sepultou numa floresta. Se ele era um pedófilo referenciado, com vários crimes? Não. Era um ser estranho, com características de psicopata, que desenvolve um vício por pornografia infantil, culpando a obcessão da mulher por crianças. Depois de ter sido investigado, preso, e ilibado em julgamento, confessa o crime à mulher, conseguindo que ela se sinta uma espécie de cúmplice. E ela guarda esse segredo, com uma crescente raiva, até ao dia em que dá uma mãozinha para que um aparente acidente aconteça e o marido morra. 

O livro termina com a polícia a segui-la, madrugada dentro, a ir visitar a sepultura da criança. Confirma-se o crime, encontra-se a o corpo da criança, revela-se o culpado, sem surpresas, sem nenhum volte-face que fizesse o leitor ficar surpreendido. Pior, fica-se ali num limbo de comos e porquês sem resposta, sem explicação. 

E pronto, foi uma desilusão, um balde de água fria. Uma história com tanto potencial, com tão bons ingredientes para um ótimo thriller, e que ficou aquém das expetativas. 

✨ Entre sombras e luz, floresço.

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