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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

28
Abr14

Estórias esparsas



Andei numa fase um tanto ou quanto apática. Ou anestesiada. Fazia as coisas, algumas com verdadeiro prazer, mas no geral andava quieta. Não me apetecia escrever, nem ler, nem ver tv, nem falar sobre nada em especial, nem ir a lado algum.

Este fim de semana foi bom. E mau. Mau no sentido de no mesmo dia ter recebido a notícia da morte de duas pessoas, que não sendo do meu círculo, eram próximas de pessoas minhas próximas. E esta onda de morte vem dar que pensar. Vem apertar um pouco o coração e fazer-nos tomar consciência, como se levássemos uma valente bofetada, que somos tão pouco, tão frágeis, tão insignificantes. 

Um morreu na sequência de uma queda acidental estúpida. Caiu, bateu com a cabeça, formaram-se coágulos na cabeça, entrou em coma e aguentou uma semana. Os médicos não conseguiram operar. Deixa dois filhos, que assistiram à queda do pai.

O outro, um ano mais velho que eu, foi mais uma vida ceifada por esse cabrão do cancro. Galopante, ávido, mal deu tempo para o que quer que fosse. Deixa um filho de 4 anos. E centenas de amigos e conhecidos incrédulos.

A vida é isto. E é incrível como a desperdiçamos com tanta porcaria sem sentido nenhum.

O bom do fim de semana: jantar de pizzas caseiras, regado a caipirinhas do Gandhe, em casa de uns amigos. Soube tão bem aquele abraço. Soube tão bem as horas de conversa, numa parte meia taralhoca por causa do efeito secundário das caipirinhas (ah ah ah). E fica sempre o "soube a pouco, temos de fazer mais vezes".

Ontem ressaquei numa esplanada, com um corneto de limão. Na mesa ao lado 4 professoras (reconheci-lhes o rosto, reconheci o tema da conversa) desabafavam os medos e temores de poderem ficar sem trabalho daqui a pouco tempo. Já leccionavam quando eu era estudante. Se elas têm receio, que direi eu?! Aceitei que a minha vida não passa(rá) por uma escola, que não tenho alunos numa sala a quem ensinar a beleza da poesia, a riqueza da literatura, a ciência da língua. Vou fazendo o gosto à vocação nas explicações, mas é difícil conciliar essas horinhas com um trabalho a full time e a vida pessoal. Não me sinto com a disponibilidade que os alunos merecem. Vou até ao fim do ano com eles, está quase aí o exame. Mas não sei se continuarei no próximo ano lectivo. Ainda tenho tempo para pensar. 

Quero fazer tanta coisa. O meu formador de escrita criativa enviou-me informação para um novo curso. Três meses. Mas as aulas são num dia e numa hora que, de momento, é-me impossível acompanhar. Haverão novas turmas no futuro. E vou aguardar por um horário que se encaixe na minha agenda semanal. Por falar nisso, acabei de enviar mail ao formador. 

Um dia hei-de escrever um livro. Pelo simples prazer de escrever: porque escrever é pensar, é ser, é sentir!


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