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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

31
Mar14

Há muito que não me apaixonava assim por um blog

À nora com a sogra.

 

Já o li de fio a pavio, ajuda o facto de ser um blog recém nascido. Descobri-o na última sexta, pois alguém falou dele no Follow Friday.

Amor à primeira vista. Criou-se logo ali uma empatia enorme. Talvez porque abordam um tema que é tão sensível e muitas vezes tabu, de forma simples e realista, tal e qual as coisas acontecem.

De quem me acompanha do outro blog sabe que tenho uma sogra do demo. Já tive as minhas histórias e episódios críticos, já estive no limiar de uma separação por causa da "santinha". E foi nessa altura que pus os pontos nos i's ao Gandhe: ela na casa dela, eu na minha, e distância que não contasse comigo para nada relacionado com a santa da mãezinha. Claro que posterior a isso ela já precisou e eu estive lá para o estritamente necessário. Abusos: jamé! (como diria o outro). Ela só vai até onde eu permito. 
Ainda assim, fica difícil ir levando com umas coisas, ir assistindo ao mais do mesmo e manter-me calada, porque, não tenho nada a ver com isso. Ainda assim é difícil falar sobre o assunto sem riscos de me pôr a mim mesma em dúvida, como se estivesse a ser uma grande cabra. E vale-me haver a Coisa e a Criatura que vêm partilhar as suas experiências, para que noras como eu, não se sintam tão sós, tão confusas em relação a esta coisa das sogras.

Há pessoas más. Muito más mesmo. E não é por serem sogras que merecem tratamento especial. Nem sogras, nem qualquer outro grau de parentesco. Se houve grande lição de vida que aprendi, com a bosta de família que me saiu na rifa, foi que a que o que verdadeiramente importa são os laços de afeto que as pessoas criam, não os de sangue.

Os relatos da Coisa e da Criatura são simples, despretenciosos, com um leve toque de humor que revela bem que andam nisto há anos e atingiram um certo desprendimento. Este exercício de escrita e partilha das suas histórias soam-me, e bem, a uma espécie de terapia de grupo. Do que já li houve situações que me recordaram a minha infância, as sogras dos meus pais e, por consequência, minhas (supostas) avós. Outras recordaram a minha sogra. Mas no geral o sentimento é de: eu não sou a besta, eu não estou sozinha. E sabe bem!

Eu recomendo. Vou acompanhar. E sinto que vou rir, vou arrepiar-me, talvez chegue a ficar com as lágrimas nos olhos, porque as sogras são também avós. E que avós!!!! E acho que é isso que mais me comove, porque me lembra as avós que tive, porque me lembra as avós que, um dia, um filho meu terá (sim, porque não é só a minha sogra que é do demo, a minha mãe não lhe fica atrás).

 

 

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Pandora

    31.03.14

    Não é o tema falhar ou não falhar. É tema polémico, por vezes as pessoas que mais sofrem com estas histórias sentem-me intimidadas em falar, como se sentissem uma culpa qualquer. Porque nunca é fácil falar na mãe da nossa cara metade. Porque é a velha premissa do "mãe é mãe" como se isso desculpasse tudo e tudo fosse permitido.
    E é de louvar estas duas bloggers por, sem tabus ou culpas, partilharem as suas histórias hediondas com as sogras. À semelhança do que acontece quando se partilha mo facebook uma foto de um cão de raça considerada perigosa que foi maltratado e se questiona: quem é a besta? No caso das sogras a pergunta que fica a pairar é: quem é a cabra? 
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