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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

02
Nov18

Leitura de Outubro

Tive a sorte de uma amiga me emprestar o último livro de Joël Dicker. Sem surpresas, não demorei muito a pegar nele e, tanto quanto foi possível, lê-lo num quase  fôlego.

Depois da última leitura bem que eu precisava de algo que me arrebatasse. Missão (quase) cumprida. 

Joël Dicker é um fabuloso contador de histórias de suspense. A forma como vai distribuindo as peças, deixando as pistas, as subtilezas, os detalhes, é genial. No entanto, e aqui não é contra o autor que falo, mas contra os leitores mais "analíticos", torna-se óbvio o estilo que o autor já manifesta, e para quem o conhece já não se deixa surpreender tanto ou com qualquer coisa. Sabendo como o autor brinca com a nossa perspicácia, das reviravoltas que vai dando ao enredo, o leitor mais analítico e atento fica mais alerta às "falsas" pistas, ao que parece demasiado óbvio.

Nesta história cedo percebi que o acontecimento que dá mote a todo o enredo era, por si só, uma consequência secundária do verdadeiro mistério que, 20 anos depois, estava ainda por resolver. Stephanie Mailer desapareceu por aquilo que começou a descobrir e iria, com toda a certeza, revelar, pondo a descoberto um assassino que ficou invisível por 20 anos. Mais, cedo percebi que a investigação desse crime estava focada numa premissa totalmente errada e, por isso mesmo, a investigação distanciou-se do verdadeiro foco. Aqui também me vale a bagagem que tenho de séries criminais e profilers, que me fez ver que a vitimologia estava errada, ou equivocada. 

Demorei a perceber quem seria o assassino, acho que só desconfiei dele depois de, a um dado momento, já próximo do desenlace final, ter sido traçado o seu perfil psicológico. Mas confesso que mesmo me tendo passado essa personagem pela cabeça, não antevi o motivo para o crime inicial, e que desencadeou todos os outros, pelo que, confirmada a sua identidade, achei forçada e frágil a motivação apresentada. 
Também não me passou pela cabeça o recurso a um estratagema clássico das tramas policiais para o que seria o crime perfeito. Bem jogado!
O livro não desilude. Apesar de já não me deixar surpreender de todo, tive as minhas surpresas e os meus "a séri?". A única coisa que tenho a apontar de menos positivo é que o autor dispersa-se muito nas histórias paralelas, das personagens secundárias. Histórias que pouco ou nada contribuem para a trama principal e só podem estar ali a funcionar como elemento de distração. Como aqueles tagarelas que nos distraem o foco da atenção com conversas sobre coisa nenhuma. Mero ruído. 
Continuo a gostar da escrita e do estilo de Joël Dicker. Deste "jogo" em que tenho não ser apanhada nas artimanhas da sua narrativa, e quando dou por mim, caí que nem uma pata numas e outras, bem, desconfiei que não era nada daquilo e fico toda orgulhosa.  
Venha o próximo para me desafiar novamente. 
 
 

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