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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

13
Ago19

Ora, então voltei ao Algarve para brincar aos pobrezinhos - II Volume

Corria o ano de 2016 quando regressei, depois de muitos anos, ao Algarve e com ele fiz as pazes. Para quem quiser recordar, aqui está o primeiro volume

Este ano a decisão foi assim quase de última hora. Estávamos em maio (pelo que me lembro) e não havia ideias para férias, exceptuando a visita do ano aos nossos amigos no nosso Alentejo do , Redondo city. Ainda mais este ano era o ano das famosas Ruas Floridas, portanto um motivo acrescido para não faltar. 

Só que, havia cá dentro qualquer coisa que me fazia querer outro sítio. Um sítio onde pudesse estar eu, estarmos nós, depois dos meses intragáveis que temos tido e merecíamos um descanso, um tempo para nós. Lembrei-me de regressar a Cabanas de Tavira, já que temos a possibilidade de alojamento "amigo" da carteira,  e foi um sítio que adorámos. Aquela história do "não se deve voltar aos lugares onde já fomos felizes"? Caguem nisso e voltem. As vezes que quiserem.

Sorte das sortes a semana que pretendíamos ainda estava vaga a casa, portanto agradeci ao universo estar do meu lado para ter as minhas merecidas e retemperadoras férias. 

Uns dias antes das férias, um susto. Aliás, dois grandes sustos que nos fizeram ponderar não ir, cancelar tudo e ficar em casa. A sogra no espaço de 48h teve duas crises cardíacas. Literalmente o batimento estava ao rubro, no primeiro dia a 180, no segundo a 190. Ela é doente cardíaca. Reformou-se inclusivamente por causa disso. Toma diarimanente medicação e tem desde que lhe foi diagnosticado o problema recomendações para: não se cansar, não se cansar, não se enervar, não se enervar, NÃO SE ENERVAR.

Ora, nervos é o nome do meio da sô dona sogra, e sinceramente não sei bem em que coisas anda a cismar que tanto a afligem. Confessou que não dormia bem há algumas semanas, que se sentia ofegante constantemente, que só de subir a escada ficava com os bofes de fora. 

Foram muitas horas nas urgências, exames, desfibrilador para regular o batimento (e eu a achar que isto só era usado quando o coração estava a parar), no primeiro dia veio para casa com as recomendações do costume. 48h depois veio para casa com Xanax. Ou acalmas ou acalmas.

Passámos o resto da semana neste vai não vai de férias, que isto de estar a muitos kms de distância e acontecer mais um episódio destes é coisa para não nos deixar ir sossegados e ter de vir embora num ápice. Ela, à força do Xanax, lá acalmou. E depois de falar com a irmã do Gandhe, ela estaria de férias e viria para cá ficar uns dias com a mãe (meramente prevenção) e assim podíamos ir descansados. Acabou por não acontecer, não sei se foi a sô dona sogra que não quis que a filha viesse "tomar conta dela", ou se foi a filha que desistiu da ideia. Acabou por correr tudo bem, nós íamos ligando praticamente todos os dias e ela estava bem e andava entretida com (mais) dois gatinhos bebés que tem, até nos pediu ajuda para batizar um deles, levou-os ao veterinário, e tem sido uma companhia e uma diversão para ela, já que os dois pequenos só fazem tropolias.

Eu só entrei de férias dia 1, Gandhe dia 2. Pelo que rumámos ao Alentejo no fim-de-semana antes de descer para Cabanas. Uma visita rápida, mas que encheu o coração com aquele abraço forte, pôr a maior parte da conversa em dia e poder descontrair com amigos.

Enfim, descemos mais para sul e rumámos ao nosso destino já conhecido: Cabanas de Tavira.

Ah e tal a Pipoca também lá esteve. Pois, só vi fotos no Instagram e gráçadeus não devia lá estar quando eu estive, porque aquilo é um meio pequeno e não me cruzei com a vedeta. A menos que só lá tenha ido para a sessão fotográfica e aqueles textos (já repararam que sempre que fala de um sítio ou de um produto/marca, é desde pequenina?) altamente idílicos e saudosistas. Se a memória não me atraiçoa, há uns anos li um texto em que descrevia as suas memórias de menina e adolescente que ia dois meses para Manta Rota, onde os pais têm casa, e era uma seca, mas agora, na vida adulta adora lá voltar e mimimimi. Ok, Manta Rota é lá "ao lado".  Mas este ano a ladaínha foi sobre as memórias de Cabanas de Tavira e Cacela Velha e mimimimi. 

Não vou descrever a experiência de Cabanas porque foi em tudo semelhante a 2016 (link em cima). Continua igual a si própria, e eu senti-me em casa. Este ano o pretendido era descansar e reduzir os dias ao mínimo indispensável, pelo que não houve grandes passeios ou explorações por novos sítios. Houve uma tarde que se levantou muito vento na praia de Cabanas e viemos embora mais cedo, fomos dar uma volta e acabámos em Monte Gordo, numa esplanada na praia. Não gostei. Muito grande, muita gente, demasiado turístico. Outra vez fomos à noite até Vila Real de Santo António (sim, fomos abastecer o carro a Espanha para a viagem de regresso, e isto foi a meio da semana, a corrida aos combustíveis, com jerricãs e tudo, já era tal que o senhor do posto de combustível, se calhar a estranhar só termos posto 40€, também ainda tínhamos combustível, não seria o suficiente para a viagem de regresso, perguntou se a greve em Portugal já tinha começado. Mas não. Eram só os atrasados mentais do costume).

Vila Real de Santo António pareceu-me uma cidade muito bonita para se visitar, e ainda não foi desta que fui a Castro Marim e ao seu magnífico castelo (fica para visitas futuras).

Como estava a dizer, reduzimos os nossos dias ao mínimo: comer, dormir, descansar, namorar, caminhar na praia, dormir a sesta ao sol feita lagartixa, mergulhos naquele mar verde absolutamente deslumbrante. Chegar a casa ao fim da tarde e desfrutar de umas minis e de uma empalhada (cá no norte é uma mix de amendoins, tremoços e pode também levar azeitonas), depois fazer uns grelhadinhos com salada, lambrusco fresquinho, comer ao ar livre todos os dias, num bairro que, apesar de ter alguns moradores permanentes, é essencialmente de turistas e é tão, mas tão sossegado que até os "vizinhos" do lado só víamos de passagem, porque em casa passávamos a vida no terraço e víamo-los a passar (chegar ou sair). À noite descer a avenida até cá abaixo, procurar, sem dificuldade, um lugarzinho numa esplanada, desfrutar da Ria Formosa, do café e caipirinhas (descobrimos um sítio com caipirinhas a 4,50€). Ficar a ver os turistas a passar, famílias com crianças, muitas pessoas com animais (o que achei o máximo, porque há esperança que a mentalidade esteja a mudar e as pessoas já se preocupam em levar os seus animais com elas de férias). Era à noite que encontrávamos mais pessoas, mas mesmo assim, nada que nos fizesse sentir no meio de uma multidão. Arranjávamos lugar numa esplanada facilmente, passeávamos calmamente sem encontrões nem nada parecido. 

Muitos portugueses, ingleses e franceses. Foram as nacionalidades que mais encontrei.

Felizmente este ano já havia na praia de Cabanas (que é uma ilha) bolas de berlim com creme. Foi a novidade deste ano. 

O resto seria repetir o que já escrevi em 2016. Deixo algumas fotos. Não tirei assim muitas, preferi dedicar-me muito mais a viver e sentir o ambiente, respirar aquele ar, sentir a areia nos pés, a brisa no rosto, envolver-me na água do mar e deixar fluir. Encontrei a minha paz interior, encontrei o meu equilíbrio. Desliguei como eu tanto precisava e carreguei a alma com boas energias, com muita luz e sabor a sal na pele. Chinelo no pé e roupa leve. Dias simples, descomplicados, sem horários (nem relógio levei, ok, tinha o do telemóvel, mas era raro pegar nele para ver as horas). E senti-me tão leve, livre, feliz.

 

 

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