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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

14
Abr20

Quarentena: dia 28

Isto de ter um fim de semana de cinco dias é muito bom. Cinco dias inteiros para estar em casa. Se tivessem avisado mais cedo da tolerância de ponto, talvez eu tivesse conseguido reserva no Algarve, assim já estava tudo cheio, não deu.

Que fiz eu em cinco dias? Ora, vegetei no sofá e vi filmes. Fui atrás do sururu das redes sociais e fui ver o filme turco que anda a dar que falar, e chorar: O Milagre da Cela 7. Se me puxou à lágrima, sim, mas tal como aconteceu com o Titanic que era tudo numa choradeira pegada e eu ali, de olhos lacrimejantes a olhar à minha volta sem perceber porque choravam copiosamente: seria o naufrágio, as centenas de mortos, ou seria apenas e só o Di Caprio ali congelado a afundar enquanto a porca da Winslet ficava em cima da porta (diriam as más línguas que isso aconteceu porque ela era magra, se fosse agora ia logo ao fundo... mas o argumento seria igualmente válido para o Di Caprio. Se fosse agora ele nem chegava a congelar, ia logo ao fundo). Bem, deixando o humor negro, sim, fiquei comovida, o filme tem uma mensagem muito bonita de amor puro, incondicional e desprovido de interesses que não seja a possibilidade de amar assim, de forma simples e absoluta. Um amor apresentado como sendo vivido na inocência e ingenuidade entre duas crianças, ainda que na verdade sejam pai e filha. Um amor inocente e puro contextualizado numa sociedade devastada pelo poder e pela corrupção. Um amor que quase é destruído por causa de injustiças e de uma enorme podridão de quem detém o poder. Ainda assim, o amor é mais forte, ainda que vivido por duas crianças, e inspira várias pessoas que por esse amor vão lutar, enfrentar o poder ditatorial e arranjar forma de manter pai e filha unidos. A mensagem de que o amor transforma as pessoas, desperta nelas o melhor que têm dentro de si, cura almas atormentadas, o amor vence barreiras, mesmo aquelas que parecem impossíveis de transpor. Sim, o filme tem uma mensagem intensa numa aparente simplicidade da trama. Agora não me pôs a chorar durante horas, nem é o filme mais bonito que vi na vida, nem o fui rever para andar a apanhar pontas soltas (uma colega minha viu o filme novamente e construiu toda uma teoria baseada em detalhes que passam despercebidos... até pode estar certa, mas não me senti tentada a ir rever para verificar a teoria dela). Tal como o Titanic, estou aqui a sentir-me um cubo de gelo enquanto olho em volta e vejo reações emotivas que o filme provocou em toda a gente. Podia usar a quarentena como desculpa, mas quando foi o Titanic não havia quarentena. Depois lembro-me do filme O Clube dos Poetas Mortos, esse sim, o filme da minha vida, que me põe a chorar sempre que o vejo, e acreditem, já o vi dezenas de vezes. O Milagre da Cela 7 é um filme bonito, inspirador, comovente, mas não me deixou assim extasiada e sem fôlego, como por exemplo o Joker me deixou. Lá está, acho a mensagem do Joker bem mais intensa. Pronto, cada um é como é.

Sogra está internada. O teste ao corona vírus deu negativo. Até ter o resultado, ela foi diariamente contactada por uma médica da unidade de saúde familiar da área de residência para fazer um acompanhamento aos sintomas. Já li que há pessoas que não estão a ser acompanhadas, ninguém lhes liga, sentem-se abandonadas, mesmo quando os testes são positivos. Ora, tudo isto é novo para o mundo inteiro. Em nenhum país as unidades e profissionais de saúde estavam preparados para esta pandemia. Eu imagino que as pessoas estejam assustadas, em pânico, que em situações limite, como confirmar-se a contaminação, se sintam abandonadas, mas há aqui que também dar o testemunho que não é generalizado e depende muito da organização e da capacidade de resposta das equipas que estão "no terreno". Os casos que soube "de perto", alguns por prevenção porque estiveram em contacto com pessoas infetadas, outros por estarem infetados, ainda que em casa por não apresentarem sintomas que justificassem internamento hospitalar, foram devidamente acompanhados e monotorizados. Voltando à sogra, não é por corona vírus que está hospitalizada, mas por causa do coração. Em fevereiro ela levou um pacemaker, e agora descobruiu-se uma embolia pulmonar subsequente da intervenção de fevereiro. Obviamente, nesta situação que vivemos por conta do corona vírus, ela não recebe visitas, Gandhe passou no hospital para deixar no segurança um saco com coisas que ela precisava. Não sabemos quanto tempo vai ficar internada, depende de como reagir à medicação que lhe estão a dar para drenar os pulmões de forma não invasiva. 

A Páscoa não foi nenhuma loucura. Assim como assim é uma época festiva que não nos diz muito, já houve outros anos que passamos o dia só os dois, como um qualquer domingo normal. Dei-me folga e encomendamos cabrito assado a um restaurante local. Sinceramente, o que custou com três acompanhamentos diferentes e a quantidade de carne que era, não sei se ficaria mais barato se tivesse feito em casa... a carne de cabrito não é propriamente barata, a somar o custo da preparação (principalmente o consumo de eletricidade no forno), provavelmente não haveria grande diferença. Estava muito bom, soube melhor ainda por não haver cansaço à mistura. Não houve amêndoas nem ovos de chocolate, houve um pudim de ovos maravilhoso. Ainda anda ali um resto no frigorífico, para mal dos meus pecados. 

Aproveitei o sábado, dia que tinha cabeleireira marcada, para tratar de pintar o cabelo. Já houve uma altura em que pintava o cabelo em casa, portanto foi só recordar o processo e executar. Correu bem, já publiquei o resultado no Instagram, e lá porque estamos fechadas em casa sabe bem e faz-nos bem tratar de nós. Se isso passa por pintar o cabelo, seja. 

Depois destes dias em que os horários andaram mais soltos e ligeiros, hoje é dia de retomar horários e rotinas nesta vida de quarentena que já começa a tornar-se menos estranha. 

 

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