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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

23
Mar20

Quarentena: dia 6

Passou o fim de semana, de quarentena, claro. Já o anterior havia sido, portanto como fim de semana não foi muito estranho.

Sábado andámos os dois entretidos com a limpeza do palácio. Como tempo era coisa que sobejava, o homem até se pôs a destralhar e arrumar gavetas e cenas dele (e ele é uma espécie de acumulardorzinho do raio, que acha que uma merda que já nem funciona não vai para o lixo porque "pode dar jeito").

À conta disto almoçámos às 16h, jantámos às 22h... e os horários "normais" ficaram assim meio que estranhos. Próximo dia de limpezas vai incluir os vidros (se não chover).

Domingo aproveitou-se o sol no terraço, estendeu-se roupa, fez-se um assado, viu-se séries e dormiu-se a sesta no sofá. Pela janela da sala vimos imensa gente a passar a pé e de carro, parecia um típico domingo de passeio e convívio familiar. Nada contra se não houvesse ordem para ESTARMOS TODOS EM CASA, CARALHO! é por causa destas mentes idiotas que esta situação pode (e vai, com toda a certeza) prolongar-se no tempo, e quem já está a fazer os sacrifícios necessários acabará por pagar uma fatura mais cara. Ao mesmo tempo penso cá com os meus botões (e que se foda quem achar que estou a ser uma cabra do pior) que para esta gente que ignora as diretrizes da OMS, da DGS e do governo, que não vê os números assustadores nos países mesmo aqui ao lado, então que o COVID-19 seja uma seleção natural para limpar a estupidez humana que abunda por aí.

Bem, começa-se mais uma semana de quarentena. Efetivamente vale-me estar em teletrabalho para me obrigar a ser mais disciplinada e manter horários (e rotinas). Espero que com os dias o hábito se instale e venha a sensação de normalidade... tenho é de evitar ver notícias, ou ver muito pouco, já que quando vejo as notícias entro em ansiedade e ontem tive um pequeno ataque de pânico de manhã, quando via as notícias ao pequeno almoço.

O fim de semana ficou marcado por uma agradável surpresa. Um telefonema do meu pai, que visitei pelo Natal e depois disso ele nunca mais deu sinais de vida, a querer saber se estávamos bem. Fiquei boquiaberta, confesso.

Venha lá mais uma semana de quarentena, que esteja sol para poder ir até ao terraço levar uma revigorante dose de vitamina D. E haja paciência para viver um dia de cada vez, da melhor forma possível, torcendo para que este pesadelo tenha os dias contados e possamos, por fim, regressar com segurança ao mundo.

 

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