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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

26
Mar20

Quarentena: dia 9

Ontem saí mais tarde do trabalho. Já não tinha vontade ou energia para ir exercitar o esqueleto de maneiras que me entreguei à ronha e à preguiça, também mereço.

Verdade que uma pessoa agora com tantas aulas online, partilhadas nas redes sociais, até fica com dores nos "glúteos da vista" (autoria da Gorda, a quem desde já agradeço pelo bom humor que tanto me tem feito rir... será que ajuda a ter um six pack abdominal no verão? Troco já de treinadora...).

Além do exercício físico, é a partilha de receitas. Agora todos, além de serem muito fits e fazerem bué exercício físico em vez de sentar o cu no sofá, são também todos cozinheiros de mão cheia. Eu tenho é saudades de ver uma receita de um bolo que leve farinha. Farinha, daquela normal, T55 com ou sem fermento. Não, ou é farinha de amêndoa, ou de coco, ou de aveia, ou de arroz, ou do diabo a sete... precisaria sair de casa para ir ao hipermercado que tivesse essas modernices da cozinha do paleolítico, e ainda calhava de ser o hipermercado que fica mais longe da minha área de residência, de maneiras que a GNR mandava-me recambiada para casa sem farinha de amêndoa e stevia ou agave para fazer um bolo de iogurte... sem lactose, claro está.

Estou seriamente a pensar espalhar uns sinais de trânsito pela casa. Assim teria a real perceção de sair do trabalho, ter semáforos e rotundas pelo percurso, refilar com os cromos que não sabem o que é um pisca (essa merda deve ser um extra que não vem de origem nos automóveis) e obviamente não o usam para indicar a sua saída da rotunda.

Continuo a receber as newsletters que anunciam as sandálias que não posso perder este verão. Parece-me que está na hora de eliminar as newsletters de uma vez. Há uns tempos fiz uma seleção e passei só a receber das marcas que me interessam e consumo. Mas neste momento é só parvo, mesmo sem abrir, ler o assunto e ficar com vontade de espetar um prego ferrugento nos olhos. Mas depois teria de ir para as urgências e não há álcool para desinfetar.

Ontem uma amiga, que está a trabalhar a partir de casa e que faz, entre outras coisas, atendimento telefónico ao cliente, partilhou comigo um insulto de um cliente que, não deixando de ser um insulto reles e merdoso, ganha pela capacidade de contextualização nesta (ir)realidade que estamos a viver: "vá para o hipermercado ler rótulos de produtos a ver se o vírus a apanha". Uma pessoa tem de se rir com tamanha estupidez. E esperar que a lei do retorno do universo funcione em dobro. Ou triplo.

Por aqui entra-se no nono dia de quarentena com uma neura filha da meretriz.

Vou almoçar a ver se isto me passa.

 

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