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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

28
Mai20

Seis semanas, seis livros!

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Robert Bryndza, um nome que já estava na minha mira há algum tempo. Ler estes seis livros seguidos foi uma experiência em tudo semelhante a ter feito uma espécie de maratona a ver uma temporada de uma série. Vá, espero que esta ainda não tenha chegado ao fim, nada no sexto livro indica que a história da inspetora Erika Foster terminou. Entretanto o autor já lançou novo livro, mas com outra detetive, portanto, parece-me que há nova série policial deste autor (a não perder, até porque já li os primeiros capítulos disponibilizados na WOOK e promete ser tão bom como os da série Erika Foster).

Para sinopse livro a livro, ver links abaixo.

  1. A Rapariga no Gelo
  2. A Sombra da Noite
  3. Águas Profundas
  4. O Último Fôlego
  5. Sangue Frio
  6. Segredos Mortais

Não vou dar um feedback individual, livro a livro, mas do todo. Para quem é fã de séries policiais, ao estilo do Castle, tem aqui uma boa e empolgante leitura.

Escrita fluída, capítulos breves, quando damos conta já lemos 100 páginas e nem demos por isso. O autor sabe manter a curiosidade do leitor, mesmo quando, e isto é muito interessante, numa fase precoce, quase inicial, sabemos a identidade do assassino. E por que é que eu digo que é interessante? São livros que constituem uma série, podem ser lidos isoladamente, pois há sempre referência a dados e informações das personagens principais (e suas histórias e passado), mas nem por isso têm todos a mesma estrutura narrativa. Alguns descobrimos a identidade do assassino no fim, a par da investigação, noutros sabemos bem antes da equipa de investigação quem é o culpado, mas a curiosidade e o interesse não se perdem, pois o foco da atenção está voltado para a investigação em si, no que vai acontecendo e que vai afastando ou aproximando a equipa de detetives, liderada pela insperora Erika Foster, da resolução do crime. 

E há crimes para todos os gostos, o que é também interessante pois denota a mestria do autor em, apesar de recorrer ao mesmo núcleo central de personagens, consegue variar as histórias. Temos serial killer, temos crimes passionais, temos crimes que começaram por ser um acidente e depois perde-se o controlo na ânsia de camuflar o que aconteceu, temos uma inspetora viciada em trabalho, em parte para esquecer o drama da vida pessoal, em parte porque é extremamente dedicada e empenhada para descobrir a verdade e fazer justiça às vítimas. Temos as histórias pessoais e familiares do núcleo central de personagens que também despertam interesse e curiosidade ao leitor. 

Recomendo mesmo esta série. Podem ler separadamente, podem ler por outra ordem (não aconselho, mas...), podem ser malucos e fazer como eu, ler tudo de seguida. É viciante.

E não, não andei a ler à maluquinha sem fazer mais nada dos meus dias. A quarentena acaba por proporcionar mais tempo livre, ainda que esteja a trabalhar. Há outras atividades que tinha na minha vida a.C. (antes Covid) e agora, por força das circunstâncias, não tenho, como por exemplo as aulas de dança ou de dance fitness. Portanto, o facto de não andar a correr em contra-relógio, sair do trabalho, vir a casa, mudar de roupa, seguir para a aula, vir mais tarde para casa... só isso já significa tempo livre. E tempo livre que dedico mais à leitura, por exemplo. Aliando ao facto de ter ficado muito empolgada com as leituras e ter escolhido ler os seis seguidos, foi assim uma média de um por semana e quase sem dar por isso. Acontecia acabar um e ir logo buscar o seguinte para começar. Dá para ter uma ideia de como andei mesmo entusiasmada com esta coleção de livros, não?! 

 

22
Abr20

Últimas duas leituras

Luís Miguel Rocha é um autor internacionalmente reconhecido, infelizmente faleceu demasiado cedo. 

A temática da sua obra centra-se no Vaticano e nos jogos de poder, corrupção e espionagem nos bastidores da Igreja enquanto instituição. Até onde são capazes de ir para esconder segredos que podem pôr em causa os dogmas universais que sustentam a religião católica e o poder do Vaticano? 

Dos quatro livros publicados em vida, li agora os dois que ainda me faltavam. Falha minha, não li pela ordem de publicação (o que recomendo). Não torna a leitura difícil, mas se há um evoluir das personagens que são transversais aos livros, é normal que ao ler por ordem inversa, saiba de coisas antes de conhecer o antes e o que pode ter levado ali. Além disso os livros estão escritos pela ordem cronológica da História. 

Bem, a ordem de publicação:

1. O Último Papa

2. Bala Santa

3. A Mentira Sagrada

4. A Filha do Papa

A ordem pela qual aqui a menina leu. A Filha do Papa, O Último Papa, A Mentira Sagrada e por fim Bala Santa.

Adorei A Filha do Papa. Adorei O Último Papa. A Mentira Sagrada foi bom. Já Bala Santa foi um bocadinho difícil de ler pela forma como a trama está apresentada. Estes dois últimos foram as minhas leituras mais recentes.

Todos juntos completam um ciclo que começa com João Paulo I e a sua misteriosa morte, passa por João Paulo II e os atentados de que foi vítima, chega até Bento XVI e um grande segredo guardado a sete chaves que, só a dúvida que levanta, pode arruinar a Igreja Católica e o pilar em que esta assenta: a ressurreição de Cristo. Por fim, qual terá sido o motivo (não oficial) real para que o Papa Pio XII não fosse beatificado? Teorias sobre a existência de uma filha, uma vez mais segredos que são guardados a todo o custo para preservar a imagem da Santa Fé. 

Para quem gosta de uma boa história de espionagem, de ser surpreendido porque as personagens nunca são o que parecem, sucessivas reviravoltas na trama, e aprecia a temática dos segredos mundanos nos bastidores do Vaticano, estão aqui quatro boas apostas. 

 

02
Mar20

As Gémeas de Auschwitz

O tema do Holocausto não está no meu leque de preferências de leitura. Avestruz me confesso, sabendo que houve este período demasiado cruel e macabro na história mundial, enfio a cabeça na areia e não procuro testemunhos ou detalhes de quem viveu na pele esta tamanha falta de humanidade.

Uma colega de trabalho que partilha a paixão pela leitura tem andado virada para livros desta temática, e quando nos cruzamos na hora do café, lá me vai falando das suas incursões literárias sobre Auschwitz. Emprestou-me há pouco mais de uma semana este livro, dizendo que era levezinho, para eu começar a ler sobre o Holocausto.

Saí da minha zona de conforto. Abracei o desafio e li o livro. Efetivamente é uma leitura simples, um livro pequeno, um relato de memórias, o Holocausto na perspetiva de uma criança que, sem grande noção do que se passava à sua volta, lutou com uma coragem hercúlea para sobreviver, juntamente com a sua irmã gémea, às experiências macabras a que eram submetidas e à vida no campo de concentração. 

Pode não ser muito pesado, com descrições detalhadamente cruas dos horrores que se viveram naquele local, mas não deixa de ser um relato emotivo, que deixa um nó na garganta, um aperto no estômago. Fez-me torcer por estas meninas, como por todas as outras crianças a quem a infância foi roubada, que ao sobreviverem a Auschwitz ainda tiveram mais desafios pela frente, já que haviam perdido o rasto de familiares, perderam os seus bens, a vida que conheciam antes de Auschwitz não ficou à espera tal como era. Desaparecera para sempre. Sobreviveram ao campo de concentração, mas a luta pela sobrevivência ainda não terminara.

De reter a enorme humanidade e humildade desta sobrevivente que perdoou quem lhe fez tão mal. A lição do perdão e do bem que faz a todos. 

Um relato de luta, de vida, de esperança, de sobrevivência, de saber perdoar. 

 

26
Fev20

Leituras de fevereiro: Sara Blaedel

Sara Blaedel está, neste momento, no meu top de preferências de autores de policiais e trhillers. Comecei por ler o best seller As Raparigas Esquecidas, e recordo-me que na altura não fiquei totalmente rendida, mas voltei a dar uma oportunidade à autora. E ainda bem que o fiz.

Em janeiro, aproveitando uma campanha promocional de WOOK, encomendei dois livros da autora. Ambos foram as leituras de fevereiro. 

O Trilho da Morte foi devorado em quatro dias. É o segundo volume da série Pessoas Desaparecidas, iniciada com o aclamado As Raparigas Esquecidas. O facto de o ter devorado assim em quatro dias é, por si só, uma evidência de quanto o livro me prendeu desde a primeira página. É intenso, é de cortar a respiração, é de não querer largar só para saber o que vem a seguir. É bom, muito bom. Agarrou-me mais que os outros dois que já tinha lido da autora e veio confirmar que está aqui uma excelente escritora de policiais, muito realista e verosímil, com personagens humanas extremamente reais.

Aposta vencedora na personagem Louise Rick, inspetora policial, que se debate com os seus próprios fantasmas do passado e traumas por resolver, mistérios por desvendar. Neste livro, mais do que descobrir o adolescente que desapareceu na noite do seu 15º aniversário, é descobrir toda a teia de acontecimentos ao longo dos últimos anos que culminaram neste desaparecimento. Mais, é regressar ao passado e desenterrar casos aparentemente resolvidos, descobrir as verdades encobertas por mentiras escabrosas. É a oportunidade de vermos Louise Rick fechar de uma vez por todas um episódio traumático do seu passado, podendo, por fim, fazer o luto que nunca tinha conseguido fazer por nunca ter acreditado no suposto suicídio do noivo. 

Mulheres da Noite é o primeiro livro da trilogia Camilla. Há uma analepse e conhecemos Louise e Camilla, amigas, num tempo anterior ao tempo narrativo da série Pessoas Desaparecidas. Nesta altura Louise era uma inspetora da equipa de homicídios. A autora tem o cuidado de enquadrar os factos, e mesmo para quem não tiver lido os livros anteriores publicados, não perde o fio à meada. Numa escrita fluída, mantendo o leitor cativo num suspense bem doseado, assistimos ao desenrolar de investigações policiais de casos aparentemente diferentes que vão convergir num mesmo culpado. O tema central é o tráfico humano e a prostituição, especificamente a exploração da mulher às mãos de traficantes sem escrupúlos que visam apenas e só o lucro, sem olhar a meios para obter os seus interesses e fins. 

Consegui controlar mais o ritmo de leitura deste, mas ainda assim, pouco depois de ter passado metade do livro, o ritmo cresceu e foi intensificando-se à medida que se aproximava do desfecho.

E para terem uma ideia de quão realista a autora consegue ser, ao contrário do que seria de esperar, o desfecho não é com a prisão e condenação do principal vilão. Um traficante daquele nível, com o historial que tem, efetivamente é difícil de apanhar, e apesar de identificado e de terem estado muito perto de o capturar, só chegaram ao seu cúmplice, que é deixado para trás a assumir toda a responsabilidade dos crimes cometidos. Talvez, e como é uma trilogia, este vilão apareça mais à frente para vermos justiça ser feita. É que, apesar de não ser o desfecho a que estamos habituados na ficção literária, o livro não desilude, mesmo pela carga realista que comporta. 

Uma autora a seguir, sem dúvida. Na minha lista de próximas aquisições já estão os volumes seguintes, entretanto publicados. 

 

03
Fev20

O Dia Em Que Perdemos a Cabeça

O ano começou bem em leituras. Janeiro, dois livros lidos. Eu sei que há quem leia o dobro ou o triplo, mas se a minha meta tem sido um livro por mês, ao ultrapassar o objetivo fico contente. Contudo, não leio para atingir um número, leio pelo prazer que me dá. 

Depois de uma história de ternura, esperança e coragem, peguei no livro O Dia Em Que Perdemos a Cabeça. Fui atrás das entusiastas opiniões sobre o livro, a sinopse prometia um soberbo thriller, e andava ansiosa por lhe pôr as vistinhas em cima.

Ora, digamos que as primeiras 200 e tal páginas foram lidas em dois dias. Realmente agarra logo de início e mantém-nos cativos página atrás de página... até descarrilar. 

Não gostei nada do rumo que o enredo tomou, desinteressei-me completamente do livro e só não o abandonei porque já se sabe que não desisto de um livro, e porque havia um certo masoquismo em ler aquilo e manter esperança que fosse um desvio ao enredo para voltar ao que me tinha prendido no início. Não foi um desvio. Foi mesmo um brilhante início, para se desenvolver numa catástrofe e ir pelo precipício abaixo. 

No Goodreads encontrei uma opinião na qual me revi como se estivesse em frente a um espelho. A minha opinião e experiência nesta leitura é em tudo semelhante à desta blogger e book lover, pelo que deixo aqui o link do seu post

Mas opiniões são apenas e só isso mesmo: opiniões. Portanto há muita gente a aplaudir este livro, pelo que quem quiser, ou estiver curioso, leia e veja por si próprio o que acha deste thriller que foi apresentado com o atraente e promissor slogan: Atreva-se a descobrir o mistério do ano sem perder a cabeça.

 

20
Jan20

Britt-Marie Esteve Aqui

Fredrik Backman surpreende uma vez mais com um livro repleto de ternura, de episódios cómicos, e de vida real com que facilmente nos identificamos e nos sentimos parte da história.

Do mesmo autor:

A Minha Avó Pede Desculpas

Um Homem Chamado Ove

Numa escrita fluída, simples, Britt-Marie Esteve Aqui é uma história que nos encanta e toca no coração. Quem leu os anteriores, facilmente se recorda da vizinha chatarrona, que implica com tudo e todos, de A Minha Avó Pede Desculpas. Recorda-se, certamente, de como esta personagem tinha uma história de vida que acabava por justificar uma boa parte dos seus comportamentos... e se calhar não era assim tão implicativa ou chatarrona como se julgava às primeiras vistas.

Britt-Marie ganhou protagonismo neste livro e ficamos a conhecer tanto dela: 62 anos, uma vida dedicada ao marido (infiel), uma vida dedicada aos outros, mais preocupada em agradar aos outros ou ao que pensam, a ir ao encontro das necessidades dos outros. Uma vida a esquecer-se de si. Até que...

"Uns anos transformaram-se em vários anos, e vários anos transformaram-se nos anos todos. Há uma manhã em que uma pessoa acorda com mais vida atrás de si do que à sua frente, sem perceber como é que isso aconteceu."

Britt-Marie dá um salto para o desconhecido. Para alguém que tem tudo sob controlo, que tem a sua vida rigorosamente organizada numa rotina onde não há margem para imprevistos ou surpresas, Britt-Marie tem um ato de coragem e loucura. E vai parar a um sítio improvável, faz amizade com pessoas improváveis, vive uma série de experiências improváveis (daquilo que seria suposto ser a vida de Britt-Marie). E se nos vamos rindo com as peripécias, também nos vamos comovendo com esta personagem que nos vai conquistando a simpatia. Ficamos rendidos. E na expetativa de ver o que vai acontecer a seguir. Que escolhas irá Britt-Marie fazer, mesmo quando a vida antiga, que ela tanto queria recuperar, lhe bate literalmente à porta... irá Britt-Marie voltar à vida que tinha, ou ter-se-á aberto dentro dela uma vontade enorme de continuar a dar o salto para o desconhecido? Terá encontrado Britt-Marie uma coragem que desconhecia ter dentro dela? Irá Britt-Marie pensar em si e naquilo que em tempos foram os seus sonhos?

Uma história de ternura, de amizade, de entrega e partilha. Uma história de vida e de segundas oportunidades. De coragem. Uma história que nos enternece, nos faz rir, nos faz ficar de lágrimas nos olhos. E nos dá esperança: nunca é tarde para ganhar coragem e saltar! 

Um autor a seguir, sem a menor dúvida! 

03
Jan20

A Questão Finkler: última leitura de 2019

Acabei ontem, confesso, mas como só faltavam as últimas páginas, vamos considerar ainda uma leitura de 2019. 

Foi penosa, confesso. Li a sinopse e achei interessante. Inevitavelmente criam-se expetativass, para depois levar com um balde de água fria.

É um suposto livro divertido, que aborda o tema dos judeus (religião, cultura, história) de uma formadiretaa, crua e humorística. Só que não. O humor é relativo. E a personagem protagonista é tão chata que dói. Um tipo com 49 anos, que não fez nada de especial na vida a não ser viver obcecado com os judeus, querendo ser judeu a todo o custo. Ao passo que os seus amigos, judeus de nascimento, não fazem propriamente questão de afirmarem a sua identidade judaica, sendo que um, famoso filósofo, até se auto intitula como um judeu envergonhado. E judeus para aqui e judeus para ali, e nada, absolutamente nada contra os judeus, mas toda a obsessão que o protagonista mostra em relação aos judeus, o seu endeusamento, como se ser judeu fosse a porta para a suprema inteligência e felicidade eterna, é só, a meu ver, uma valente seca.

Um livro de filosofia rasca, com um humor muito fraquinho, procura mostrar as várias abordagens ao judaísmo (os crentes fervorosos, os antissemitas, a história do povo, o conflito na Faixa de Gaza, como o mundo vê os judeus, como os judeus se vêem a si próprios, e como acham que o mundo os vê, o peso do Holocausto na sua história enquanto povo), só que é tão aborrecido e confuso que torna a leitura penosa e pouco ou nada agradável. 

Teimosa que sou, li até ao fim... e o fim é ridiculamente parvo: o protagonista que vive obcecado em ser judeu, depois de (quase) o ter sido, volta à sua insignificante vidinha e é o literal "dar uma volta de 360º" - andou, andou, andou e voltou ao mesmo sítio. Afinal, aquilo que tanto ambicionava e idealizava, não correspondeu de todo às suas elevadas (e irrealistas) expetativas. 

Um livro tão aclamado e eu aqui a achar que foi só uma perda de tempo. 

 

30
Dez19

Leituras em 2019

Leituras_2019.jpg

Balanço 2019: 15 livros lidos. Mais um que em 2018

Manteve-se a preferência pelos thrillers, continuando a saga Sebastian Bergman no topo das preferências. Este ano mais três volumes lidos (devorados sofregamente), e só não há mais porque aguardo a publicação do próximo volume da série (VICIANTE).

Experimentei Murakami e não me encantou. Não sei se repito, pois não é de todo o meu tipo de leitura preferido. 

Desilusões deste ano (além de Murakami): A Primeira Mestiça, Reino de Feras e, de certa forma, A Questão Finkler (não correspondeu às expetativas que a sinopse deixou). Fica a minha resenha para breve. 

Grande orgulho deste ano: o livro do meu querido amigo e companheiro do curso de escrita criativa, Carlos Musga e o seu O Homem que Matou o Esquecimento Global. Aguardo o romance, ó Carlos 

Dada a lista de livros em espera, 2020 promete boas leituras. A ver se ultrapasso o número deste ano. A ser realista: um livro por mês. Se conseguir mais, tanto melhor. O importante é não perder o ritmo de leitura, mesmo nos dias em que me sinto mais cansada e prefiro estar a vegetar no Instagram. Dar prioridade à leitura e deixar as redes sociais e as suas falácias, que não interessam nem ao menino Jesus nas palhinhas deitado, nas palhinhas estendido. Portanto o mote para 2020 vai ser:

Ler é viajar sem sair do lugar...

Voar sem ter asas...

Caminhar sem tirar os pés do chão...

Navegar num mar de palavras, usando só a IMAGINAÇÃO.

 

03
Dez19

Leitura de novembro: Reino de Feras

Já acabei este livro há sensivelmente duas semanas. Ainda não falei dele basicamente porque não gostei, foi uma leitura difícil, aborrecida e que não me prendeu nem me deixou sem fôlego, como preconizavam algumas opiniões que li.

Devo dizer que este livro veio como oferta numa encomenda da WOOK que fiz há uns tempos. Fui espreitar a sinopse, as opiniões, e apostei na sua leitura contando que estaria na presença de um bom thriller. Só que não. Para mim, e isto é meramente opinião e gosto pessoal, achei o enredo aborrecido, estupidamente descritivo, pouca ação. De louvar, sim, a capacidade de raciocínio e cálculo de riscos de uma mãe que regressa aos seus instintos mais primitivos para, mais do que sobreviver, proteger a vida do seu filho. E porquê? Porque num banal dia em que, como tantas vezes acontecia, passa pelo pequeno zoo da cidade com o filho para ele brincar e ver os animais antes de regressar a casa, o zoo é invadido por uns homens (mais tarde percebe-se que são uns adolescentes na casa dos 18, pelo que percebi... é vago) que desatam aos tiros, como se estivessem numa caçada, e matam indiscriminadamente pessoas e animais. 

Um tema atual, este de "sociopatas" que desatam a matar pessoas em locais públicos como que para provarem alguma coisa, quanto mais não seja o sentirem-se vistos e tornarem-se inesquecíveis. 

A descrição está totalmente centrada nesta mãe e em todas as suas ações, escolhas e pensamentos para manter o filho a salvo, algumas das quais podem ser questionáveis moralmente, encaradas até como egoístas, mas numa situação limite de luta pela vida, vem ao de cima o puro instinto animal de proteger o seu filho. Tudo o resto passa para plano secundário, como ajudar outra pessoa que vê passar em apuros, ou deixar ficar no caixote do lixo um bebé que encontrou (ironia ler isto quando nas notícias tanto se falava do bebé abandonado no ecoponto), assistimos aos seus conflitos morais e aos pensamentos dela que passam à velocidade luz, a questionar o porquê daquele bebé ali estar (abandonado pela mãe à sua sorte, ou terá sido a forma que encontrou de o manter escondido dos atiradores?). A dura opção que fez e em como isso a incomoda, mas a prioridade é o seu filho. É a sua luta. A sua guerra. 

Aqui há bons ingredientes para efetivamente ser um bom thriller psicológico. Mas falha em tantos aspetos que, para mim enquanto leitora, seriam importantes para perceber o enredo. Não se fica a saber como está a polícia a atuar (aliás, durante demasiado tempo até parece que a polícia nem está presente), a certa altura deixamos de saber do marido/pai que está a caminho do zoo para salvar a mulher e o filho (em parte porque o ponto de contacto era o telemóvel dela que ela usou para despistar os atiradores e foi destruído, mas mesmo assim, não apareceu mais no relato, nem no desfecho, quando finalmente percebemos que a polícia está presente e consegue entrar para resgatar os sobreviventes e ajudar os feridos), e mesmo os atiradores, a sua identidade e os motivos são relegados para um plano tão insignificante que me deixaram com uma sensação de faltar ali algo que desse substância a toda esta história. 

No geral não gostei. Não me senti arrebatada, não sustive a respiração... aliás, era ótimo para me dar sono e dormir mais cedo, tal era o nível de aborrecimento.

 

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