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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

17
Out18

Leitura de setembro

 

A leitura de setembro foi inesquecível. E não por bons motivos. Eu adoro Joanne Harris. Mas este é o segundo livro da autora que me custou horrores a chegar ao fim e que, finalmente terminado, foi assim uma completa perda de tempo e energia. Desilsão. Balde de água fria. A sério que foi a mesma autora de histórias como Chocolate que escreveu isto? Inacreditável. 

Supostamente a autora queria escrever um thriller. Eu não sei que raio ela tinha em mente, mas isto de thriller tem muito pouco (ou mesmo nada), mas em compensação tem muito de confusão e tremenda seca.

Nem me vou pronunciar mais sobre o livro porque esta leitura foi uma verdadeira catástrofe. Sem ponta por onde lhe pegar. 

Mas eu continuo a gostar dos outros livros da autora, sim? E há uns quantos que tenciono ler. Espero é não ter mais nenhuma desagradável leitura como esta. 

 

02
Set18

Leitura das férias

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Não é a primeira vez que escolho Joanne Harris para leitura de férias. Nas férias quer-se algo leve, algo que nos faça sonhar, suspirar, algo que nos transporte para outros lugares, de preferência encantados. 

Vinho Mágico foi a escolha. E que escolha... Quero acreditar que o universo me levou a escolher este livro para estas férias especificamente. Numa altura em que luto contra a ansiedade que o trabalho me provoca, numa altura em que me debato com uma infelicidade no emprego que me angustia e me tira o sossego, eis que leio uma história sobre um escritor em crise, com um bloqueio criativo que lhe tira o sentido da vida, da existência, ao mesmo tempo que se debate com memórias de uma infância peculiar e do seu amigo muito sui generis,Joe, que um dia desapareceu e o deixou com aquela sensação de abandono e vazio. 

Num impulso decide mudar-se de Londres para uma pequena aldeia em França, Lansquenet, a mesma aldeia que serviu de cenário a Chocolate, e onde vamos reencontrar algumas das suas personagens. Um impulso que lhe devolveu o gosto pela vida, lhe trouxe as memórias do passado e a sua reconciliação com Joe, e consigo mesmo. É uma história que apela aos nossos sentidos, como Joanne Harris tão bem sabe fazer. Sentimos os aromas, os odores, quase que sentimos os sabores e, se fecharmos os olhos, não é difícil imaginar, com todos os nossos sentidos, o que nos é relatado com uma certa magia e encantamento.

E terminado este livro na minha última ida à praia (e que bela tarde esteve) só me sinto inspirada para largar tudo, assim num impulso, e ir para um pequeno monte no Alentejo, onde posso respirar sem amarras, sentir-me livre e em paz, onde posso entreter-me num quintalejo enquanto os gatos dormitam pelas sombras. 

Por uns momentos deixo-me levar por esta imagem idílica, nesta doce ilusão de que tudo é possível. Só que não.

Amanhã é dia de regressar ao inferno... e estou a tentar manter-me relaxada e calma. 

 

06
Ago18

O segundo volume já foi!

Já se passaram duas semanas desde que acabei o segundo volume da saga Sebastian Bergman. E nestas duas semanas ainda não posso dizer que já tenha avançado para nova leitura. Dá para imaginar o quão intenso foi este segundo volume? Pois, agarrou tanto que poucos dias duraram as quase 700 páginas e agora só me apetece ler o terceiro e quarto volumes (mas ainda não os comprei e são livros com um preço superior a 20€ cada ).

O Discípulo foi uma leitura viciante, que inicia precisamente no ponto onde o primeiro volume terminara: Sebastian Bergman descobre a identidade da filha que desconhecia existir até ao momento em que descobre, após a morte da mãe, umas cartas que ela guardou anos a fio, juntamente com esse segredo.

Para Sebastian esta revelação é a oportunidade de voltar a encontrar um sentido e um rumo na vida, depois de ter perdido as duas pessoas que mais amou: a mulher e a filha, que viu morrer num tsunami.

No segundo volume descobrimos mais sobre este ambíguo protagonista, de moral muito questionável e comportamentos politicamente incorretos, que afastam todos de si. Ele é tão cheio de camadas, que as vamos desbravando e descobrindo o ser humano complexo que ele é, ao mesmo tempo que ficamos fascinados com a sua inteligência, com a sua capacidade de ver muito além do óbvio, a frieza com que analisa factos e comportamentos da mente humana.

Sebastian enfrenta dois grandes desafios neste novo volume: por um lado o dilema interior de desvendar à sua filha, que ironicamente conheceu recentemente em contexto de trabalho na Riksmord, que é o seu pai biológico; por outro lado, terá de enfrentar o seu maior adversário, o serial killer que o consagrou como profiler genial e lhe deu toda a fama e reconhecimento: Edward Hinde. Três mulheres são assassinadas com um modus operandi em tudo semelhante aos assassinatos de Hinde há 15 anos atrás. Além da réplica exata dos assassinatos, mais aterrador ainda é descobrir que as mulheres assassinadas estão relacionadas com Bergman. Se Hinde está preso em segurança máxima, isolado do mundo, sem qualquer contacto permitido com o exterior, como pode haver um imitador com tamanha precisão? Quem é o Homem Alto que executa, com um perfeccionismo extremamente rigoroso, todos os passos de um ritual? Porque serão estes crimes um ataque pessoal a Bergman? Que mulheres que passaram pela vida dele estarão em perigo? E a filha, que todos desconhecem e mesmo ele só recentemente a descobriu, correrá perigo?

Ao contrário da maioria dos thrillers, não é a descoberta do assassino que nos faz devorar páginas com apetite voraz. Cedo percebemos que Hinde está por trás desta vaga de assassinatos, como se estivesse num jogo de rato e gato com Bergman. O que move o leitor é perceber como, porquê e até onde vai conseguir chegar para atingir Bergman, que se encontra num momento muito frágil da sua existência, a debater-se com demasiados demónios interiores.

O duelo de génios entre Hinde vs Bergman é absolutamente fascinante. Um encarna o puro mal, um psicopata que tem tanto de inteligente como de cruel, e nem mesmo o seu trágico passado de abusos nos faz ter alguma empatia por um ser tão manipulador e perturbador. O outro debate-se constantemente consigo mesmo, num confronto de emoções e sentimentos que renega, como se admitir que tem emoções o enfraquecesse.

O universo psicológico humano, com estes escombros sombrios, é apresentado com uma naturalidade simultaneamente arrepiante e fascinante. Quais são os limites do ser humano? Até onde vai para fazer mal a outro ser?

Um desfecho de cortar a respiração. Intenso. Assustador. Uma sucessão de cenas de crescente intensidade que nos tira o fôlego.

E depois do clímax, quando o leitor retoma a calma e começa a respirar, o livro termina, à semelhança do seu antecessor, com uma nova ponta que é desvendada e fica solta, ali a pairar sob os nossos olhos. É que só queremos saltar para o livro seguinte nesse mesmo instante.

A vida de Sebastian Bergman é uma autêntica caixa de Pandora. E eu, confesso, estou em pulgas para conhecer as próximas estórias.

 

16
Jul18

A nova saga que me faz perder o sono!

Perder o sono no sentido de não conseguir parar de ler. É tão bom, mas tão bom que já comecei o segundo volume e está a um ritmo de leitura mais alucinante que o primeiro.

O desaparecimento de um jovem de 16 anos. A descoberta do corpo sem coração. Um assassino que se auto intitula "o homem que não é um assassino". Um polícia cego na sua própria vaidade. Uma equipa de investigação criminal de topo. Um profiler que tem tanto de mente brilhante como de descompensação emocional, alimentada por traumas pessoais, que o tornam um ser verdadeiramente fascinante de interpretar e descobrir. Personagens várias que parecem ser o que não são, ou que são o que não seria expectável que fossem. 

Os ingredientes são matéria prima de primeira qualidade. A escrita uma verdadeira mestria do suspense, que nos envolve de tal forma que nos sentimos parte da investigação. Todos os fios estão entrelaçados, as subtilezas vão temperando o desenrolar da ação para manter a atenção de um leitor mais atento e perspicaz. O desfecho é surpreendente, mesmo para o leitor que foi capaz de identificar as subtis revelações (eu andei muito, muito perto e mais não posso dizer).

Segredos Obscuros é um bom thriller nórdico, repleto de personagens complexas, que oscilam entre os seus dilemas pessoais e competências profissionais. Os cenários são tão realistas que somos facilmente transportados para a Suécia, para as ruas da cidade de Västerås. Uma teia intrincada de segredos e revelações que se vão descobrindo e revelando num todo que vai para além de tudo o que se conhecia. As verdades vão-se revelando, as aparências vão ruindo, e há todo um fio que une todos estes segredos.

Não é difícil de explicar o sucesso desta dupla de autores e da sua criação, Sebastian Bergman. Uma saga que prende e nos desperta uma ávida vontade de ler os volumes seguintes. Eu já comecei o segundo... 

 

17
Jun18

Em duas semanas, dois livros despachados!

 

Já tinha lido tão boas críticas a este livro, que foi uma das compras mais recentes. E não esperei muito para o ler.

Tenho mixed feelings. Li-o em pouco tempo, portanto a leitura fluiu e despertou-me o interesse. Talvez tivesse imaginado outro tipo de narrativa. Talvez estivesse com outras expetativas. Talvez... 

Gostei. É uma escrita genuína, crua, sentida com dor e alma. É um relato autobiográfio. Se não é, disfarça muito bem. É um relato que podia ser o de qualquer mulher dos nossos dias, da geração do 25 de abril, do Portugal que transitou de uma longa ditadura para um país inserido na Comunidade Europeia. Do Portugal tradicional, fechado, conservador, para um Portugal que dá os primeiros passos para um futuro mais aberto, mais livre, mais promissor... e o Portugal recente da crise económica, ainda tão presente em todos nós, nas sequelas que deixou.

Maria Luísa é narradora, protagonista, é tudo neste livro. E foi esse o elemento que menos gostei. Maria Luísa é dominante nesta narrativa, é tudo sobre ela, à volta dela, ela e ela... Mas, há que ver que é uma narrativa de memórias, um retrato autobiográfico. Faz sentido.

Metaforicamente abre-nos a porta da sua casa, a casa que fora dos pais aquando do regresso a Portugal. Divisão a divisão, leva-nos a conhecer a intimidade da sua casa, da sua vida, das suas vivências. E deparamo-nos com uma mulher que é uma fortaleza e ao mesmo tempo um castelo de areia, uma mulher de armas, e ao mesmo tempo derrotada pela vida e por pessoas que se cruzaram com ela e lhe destruíram sonhos.

Maria Luísa é uma mulher inteligente, culta, corajosa, batalhadora, honesta, bondosa. E é a gorda, aquela que tanto perdeu na vida por não caber nos cânones de beleza feminina, por não ser a menina/mulher que se esperava que fosse ou que deveria ser. E mesmo depois de se submeter a uma operação para emagrecer, mesmo depois de ter um corpo "magro", sente que será sempre a gorda, a que não cabe nos padrões impostos pela sociedade. E enquanto isso espera por aquele amor que a rejeitou por duas vezes, mas que lhe deixa a esperança de voltar para ela. Quando? Não sabe. Quando viver a vida dele e achar que está na hora. Ora, esta parte também me irritou um bocadinho. É que a nossa heroína dá uma no cravo e outra na ferradura. Por um lado há toda uma luta interior para se aceitar como é, enfrentando tudo e todos, mostrando-se dona do seu nariz, muito segura do que é e do que quer, e por outro é esta eterna menina insegura, que se deixa usar e abusar por quem lhe promete migalhas de amor.

No geral gostei do livro. Mas houve aqui algumas questões que tornaram a minha leitura agridoce.

Terminado o livro sobre A Gorda, achei que seria perfeito seguir com: 

O título chamou-me a atenção. A sinopse foi decisiva na minha escolha. 

Estranhei o formato do livro, mas lá dizia Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se"!

É um ótimo livro para ir no saco de praia. Não foi o meu caso, mas enquanto o lia pensava que teria sido ótimo guardá-lo para as férias. Leitura divertida, há muito sarcasmo e ironia nas dicas e ideias das autoras. 

Deixo-vos uma amostra do interior deste hilariante guia para mulheres "normais":

 

28
Mai18

Ainda sonho contigo

Ainda Sonho Contigo foi a minha mais recente leitura. Já não sei bem o que me chamou a atenção neste livro. Andava eu a ver as vistas na WOOK e dei comigo a ler a sinopse daquele que, à partida e pelo título, parecia ser um daqueles romances lamechas que não me cativam de todo.

Lida a sinopse, ficou a curiosidade. Livro adicionado a whislist. Por altura da promoção do dia da mulher, foi um dos contemplados. E maio foi o mês para o ler.

Numa palavra: ternura. Parece difícil dizer que uma história que se centra nos planos de suicídio de uma pessoa possa despertar este sentimento de imensa ternura, mas é verdade.

Maggie, a protagonista, é uma mulher na casa dos 60 anos para quem a vida não faz qualquer sentido. Decide pôr termo à sua vida, mas sem dramatismos. Com uma tremenda clareza de espírito, elabora listas com prós e contras, toma a decisão e prepara tudo ao minímo detalhe para a sua "partida". Só que a vida acontece e mostra-lhe que ainda há tanto a fazer, tanto para viver. Que não está tão sozinha como julga e que o passado ao qual ela tem vivido amarguradamente amarrada é apenas um passado que não a impede de ser feliz no futuro, que ainda há tempo para concretizar sonhos, viver, amar, ser feliz. Naquele amanhecer em que se dá a sua epifania, em que percebe que afinal não está nada pronta para deixar de viver, a vida acontece e Maggie finalmente permite-se ser feliz e deixar que as coisas boas lhe aconteçam.

Em paralelo há outras histórias. Histórias tão comuns e banais que podiam ser as histórias de qualquer um de nós. Histórias de vida, de sonhos, de tristezas, de luta, de segredos que se guardam por vergonha ou por medo. 

Curiosamente o mote para esta história é o desistir da vida. E a beleza deste livro é toda a mensagem de esperança, ternura e humanidade. 

 

 

 

21
Mai18

Foi uma mão cheia!

Os vales e as campanhas da WOOK são sempre uma tentação do demónio... na semana passada duas encomendas, cinco livros, mais de 30€ poupados, sem falar no valor que converteu em saldo no cartão cliente para futuras compras. WOOK se pode pedir mais?!

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07
Mai18

Venha o próximo!

Recentemente li o quarto e, por ora, último livro da coleção Richard Castle. Faltava-me ler o terceiro, pelo que aproveitei a campanha do dia da mulher na Wook e encomendei o que me faltava. Foi a leitura de abril.

Para quem seguiu a série facilmente identifica as personagens dos livros do Castle com as personagens que (na série) lhe serviram de inspiração. Para quem seguiu a série facilmente percebe que a inspiração de Castle não era só baseadas no grupo de detetives que acompanhava e com quem estreitou relações, mas também nos muitos casos e histórias que sucederam. Nikki Heat, tal como Kate Becket, vivem com o assassinato da mãe ainda por resolver e sem que dele desistam, como se a sua vida dependesse da resolução do caso das suas vidas. 

Ora, este terceiro livro de Castle tem por base de inspiração aquilo que também vimos na série: a corrupção dentro da polícia e até onde alguns estão dispostos a ir para manter os segredos e os crimes cometidos no passado na penumbra. Para quem viu a série, que se lembre do capitão Montgomery e dos seus erros do passado, pelos quais acabou por pagar com a própria vida. Aqui está a principal inspiração deste terceiro livro de Richard Castle. E mais não posso dizer. 

Do primeiro livro para os seguintes nota-se uma evolução do escritor. Os enredos ficam mais complexos e os desfechos mais inesperados. Neste terceiro livro o final surpreendeu-me, num twist que não estava nada à espera. 

É sempre bom regressar ao universo Castle e mal posso esperar pelo quinto livro. 

 

02
Abr18

Dizem que é o thriller do ano

 

 Nunca presumas. Questiona tudo. Olha sempre além do óbvio.

Uma palavra: UAU! Devorado em seis dias (para compensar os dois meses que andei a engonhar o outro).

Não é só bom. É muito bom. É mais que bom. A sério que é o primeiro livro da autora?!!! A fasquia está elevada para os vindouros. E se tiverem esta qualidade, que venham muitos.

O Homem de Giz está tido como o thriller do ano. Ainda o ano "agora" começou, seria demasiado cedo para tal classificação. Só que acredito nela. Dificilmente surgirá num futuro breve outro assim. Quiçá Joël Dicker publique algo comparável ao A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, ou O Livro dos Baltimore. E talvez este Homem de Giz seja destronado. 

Quero tanto escrever livremente sobre esta obra, e ao mesmo tempo não quero ser spoiler e estragar o prazer que é desbravar as páginas, capítulo a capítulo, entre 1986 e 2016, até ao sublime desfecho que nos surpreende e simultaneamente nos deixa com aquela sensação de quem chegou ao fim de um complexo puzzle e pode, finalmente, ter a visão global. 

A trama é-nos contada por uma personagem, Eddie. Sabemos que um narrador que é, simultaneamente, personagem é um narrador altamente subjetivo e falível. Os factos narrados são os que ele conhece, ou presume conhecer, as verdades que sabe, ou presume saber. E é nesta visão altamente subjetiva e parcial de factos e de verdades que vamos sendo guiados pela voz de Eddie, que em 2016 tem 42 anos, é um solitário e perturbado professor de inglês, e que em 1986 tem 12 anos, é um adolescente introvertido, solitário e um tanto ou quanto desequilibrado, embora tenha um orgulho desmedido em pertencer a um grupo de amigos, todos diferentes entre si, e todos com as suas desestruturadas bases familiares. Vamos avançando nesta intrincada história com relatos alternados entre 1986 e 2016. E como um puzzle, vão-se juntanto as peças, às vezes parecem não fazer muito sentido, às vezes há peças soltas, desgarradas, não parecem encaixar em lado algum, mas ali estão e em algum sítio vão encaixar. 

É esta a metáfora que uso para refletir sobre este livro: é um puzzle. Um puzzle que tem uma linha temporal de 30 anos, um puzzle onde as peças do passado e do presente se vão encaixando até chegarmos ao fim e podermos olhar para um todo e, então, perceber tudo, ou quase tudo. O desfecho surpreende. Traz respostas. Mas surpreende. E fica aquela sensação estranha de quem não estava nada à espera daquilo. 

Que mais posso dizer? Toda a gente tem segredos... 

É uma trama onde as personagens presumem verdades. Onde as intenções, mesmo as mais inocentes, podem conduzir a tragédias. É um enredo que me fez recordar o conhecido Efeito Borboleta, da Teoria do Caos: o bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo. 

Presumimos porque é mais fácil, mais cómodo. Não nos obriga a pensar muito sobre as coisas que não nos agradam. Mas não pensar pode levar a não compreender e, em alguns casos, à tragédia. (...) Presumir pode levar-nos a outro tipo de enganos. Deixamos de ver as pessoas como de facto são e perdemos noção daquelas que conhecemos.

Tem tudo para ser uma excelente adaptação ao cinema. Desde que não estraguem a obra original... 

26
Mar18

Agora sim!

O início do novo ano não foi meigo, nem doce, nem alegre, nem motivador, e nada inspirador. E foi uma fase negra no geral, até em leituras.

 

Em fevereiro, pelo dia dos namorados, Gandhe oferece-me este livro, o quarto da série Castle. Eu ainda não tinha o terceiro, mas delirei com a oferta e assim que enterrei num canto da estante O Chapéu do Sr. Briggs, atirei-me ao Castle. Uma aposta segura, até porque segui a série toda e foi com pena que vi uma das minhas séries favoritas terminar. 

À semelhança dos anteriores livros, e para quem seguiu a série, facilmente reconhece os personagens, facilmente visualiza as cenas, adivinha as expressões e antecipa algumas situações. 

Para quem é fã da série, ler estes livros é um agradável regresso ao universo Castle e a equipa de detetives liderada pela implacável Kate Becket (aka Nikki Heat).

Gostei muito deste livro. Percebi nitidamente, logo no início, que há uma continuidade com o anterior (o terceiro), que eu ainda não li, mas nada que atrapalhe ou prejudique a leitura. Quase como nos episódios, são pormenores ou detalhes das vidas das personagens e das relações que vão evoluindo, havendo uma ou outra referência a algo que aconteceu no passado, sem que isso represente ou cause algum constrangimento.

O quarto livro foca-se no caso que marcou a vida da detetive Nikki Heat: o assassinato da mãe. Um estranho homicídio e uma série de coincidências conduzem Nikki Heat a investigar o passado da mãe para encontrar pistas sobre o seu assassino, já que tudo indica que ele terá voltado à cena com mais um crime que, cedo se percebe, estar relacionado com a morte da mãe, há 10 anos atrás.

Há reviravoltas, surpresas, desenvolvimentos e descobertas, peças que se vão juntando e levam a um desfecho um tanto ou quanto surpreendente. 

Nikki Heat consegue reconstruir um passado desconhecido e misterioso da mãe, consegue chegar ao seu assassino, mas percebe que há mais por detrás de todo este caso... e assim termina este quarto livro, numa espécie de "to be continued" que nos deixa em ânsias pelo próximo epísódio. 

Com este Coração de Gelo voltei a sentir-me mais entusiasmada com a leitura, a sentir prazer em ler.

Venha o próximo, que estava na minha wishlist mas tive a sorte de uma colega mo emprestar. Pelo feedback dela, é daqueles que nos prende até à última página. Vamos ver se com as mini férias de Páscoa o despacho num fôlego. 

 

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