Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

17
Jul19

O Boneco de Neve (ironicamente lido no suposto verão)

 

Primeira quinzena de julho e despachei o thriller que tornou Jo Nesbo conhecido do grande público: O Boneco de Neve. 

Percebi logo que este livro não é o primeiro de uma saga (parece que é o sétimo). O protagonista, o detetive Harry Hole, tem toda uma história passada, que não sendo difícil de perceber ou acompanhar, o certo é que acredito que, para quem não leu os anteriores livros, há detalhes e pormenores que passam ao lado. Nada que seja determinante na compreensão do enredo, mas para quem gosta, como eu, de conhecer os ínfimos detalhes, confesso que fiquei ali um pouco curiosa e inquieta por saber mais.

Adiante. O Boneco de Neve é um thriller (nórdico) que prende o leitor. Impressiona pelas descrições gráficas e sem eufemismos. Um assassino verdadeiramente assustador e impiedoso, que mais parece um fantasma, dada a escassez de pistas que deixa à polícia, num jogo macabro de psicopata inteligente que finta tudo e todos. 

Confesso, e não estou a armar-me aos cucos, que desconfiei relativamente cedo de uma personagem como sendo o verdadeiro psicopata assassino. Não me enganei. E se houve um sentimento de orgulho de "yes, acertei", também houve aquela pequena desilusão de não ser verdadeiramente surpreendida. 

Há várias histórias paralelas, num emaranhado que se vai desenrolando a cada capítulo. Há descrições verdadeiramente impressionantes, excessivamente gráficas, difíceis de tirar da cabeça. Há momentos de suster a respiração. Há momentos de franzir o sobrolho e pensar que há ali qualquer coisa que não está bem. E sim, há algumas surpresas que apanham o leitor desprevenido. 

No geral, gostei. Talvez volte a ler Jo Nesbo. 

Agora, estúpida e burra que nem uma porta foi ter lido o livro e querer ver o filme. Na minha ingenuidade pensei: ah, esta história não é assim tão difícil de passar para filme sem haver mudanças e alterações. Puro engano. Logo no início, logo na primeira cena percebi que tinham alterado o enredo. Um grande foda-se aos guionistas que supostamente escrevem guiões de filmes baseados em livros. Dá vontade de lhes pregar com um chapadão na cara e perguntar se no mínimo leram a obra original. Fiquei logo tão piursa com o início do filme, que me deixei adormecer. Acordei nas últimas cenas, e, mais uma vez, pouco, muito pouco a ver com o que está escrito na obra original. 

Perguntei ao Gandhe se tinha gostado do filme (ele não leu o livro). Sim, gostou e contou-me algumas cenas, perguntando se era assim no livro (eu já lhe tinha falado do livro e feito assim um resumo alargado, sem desvendar a identidade do assassino). Ora, algumas dessas partes que ele contou do filme fizeram-me desfiar um rosário de palavrões feios porque essa merda nem no livro está. Ainda bem que não vi o filme todo. E nem quero. 

Já estou numa nova leitura, mais um policial, desta vez de uma escritora considerada "a rainha dinamarquesa do thriller". Já li um livro dela, e não sendo dos thrillers que mais gostei, decidi dar uma nova oportunidade a esta autora. Confesso que este livro está a agarrar-me mais que o outro.

Tenho até ao fim do mês para ler, porque o livro para levar comigo de férias está escolhido, é em formato livro de bolso precisamente para isso: férias sem pesar no saco de praia. 

 

08
Jul19

Leitura inspiradora

Ainda não tinha vindo aqui partilhar a minha leitura de junho. Decidi fazer uma pausa nos thrillers, e depois de ter lido mais histórias inspiradoras e encantadoras de um gato muito especial e mundialmente conhecido,Bob, olhei para a minha pilha de livros por ler e este, aquisição recente, saltou-me à vista. Porque não continuar com gatos e suas histórias inspiradoras? Afinal estou a precisar mais disso do que propriamente de histórias de serial killers, psicopatas e investigações criminiais que são (ou não) uma quebra-cabeças.

Então, voltei a uma histórica verídica, escrita na primeira pessoa, a mãe de um rapazinho autista, com enormes dificuldades de socialização e outros tantos problemas. É um relato sentido, genuíno, o sofrimento de uma mãe que tudo quer fazer para ajudar o filho, e a frustração em que tantas vezes se encontra por não encontrar soluções. Um dia lembra-se que talvez, um remoto cético talvez, um gato fosse um bom amigo para o seu filho e o fizesse sair da sua bolha.

E temos o relato de episódios vários, alguns hilariantes, outros comoventes, porque facilmente sentimos o que esta mãe sentiu, e comemoramos com ela as pequenas vitórias e conquistas do pequeno Fraser, a empatia e amizade instantânea que criou com Billy e os fortes laços que os ligaram. Por várias vezes Louise mostra-se cética e acha que é ela a imaginar coisas, que um gato não pode fazer/sentir/pressentir/ajudar como Billy parece fazer. Mas seria demasiada coincidência para não relacionar os avanços de Fraser à presença e apoio incondicional do seu amigo de quatro patas. 

Um diagnóstico precoce de autismo, um futuro vaticinado a "nunca será capaz de..." para um evoluir, aos poucos, pequenos passos, a um "afinal conseguiu..."

Uma história de vida (real), cheia de ternura, o amor de uma mãe, a união de uma família, a amizade incondicional entre uma criança e um gato, ambos especiais e únicos. Uma história de luta, coragem, persistência, muita fé e esperança, quando nada mais parecia haver.

Recomendo como leitura de verão. Um livro, apesar do tema, de leitura ligeira, fluída, e que vai mexer com várias emoções, que nos pode fazer vir a lágrima ao canto do olho, como a seguir uma gargalhada. 

 

04
Jun19

Bob, um gato muito especial!

Para quem, como eu, já leu os anteriores livros, viu o filme, e é uma admirável e emocionada fã desta história de vida, não podia deixar de ler o mais recente livro sobre esta dupla tão especial e inspiradora, James e Bob.

Bob é uma espécie de mestre sábio, não bastou salvar a vida a James, dar-lhe um sentido à sua vida, transformando-a totalmente, como lhe (nos) deixou imensos ensinamentos de vida. 

É um livro pequenino, de leitura leve e agradável, mas que ainda assim, nos deixa muito em que pensar.

Eu bem vou dizendo, meia a brincar, meia a sério, que nós, humanos, temos muito a aprender com os animais. Este livro é o testemunho de uma prova viva disso mesmo. 

Alguns exemplos, só para vos aguçar o apetite:

FB_IMG_1559664475069.jpg

Não é preciso mudarmos o mundo inteiro para ajudarmos alguém; às vezes basta mudarmos o mundo de alguém por breves instantes.

FB_IMG_1559664495321.jpg

"Sê forte o suficiente para ficares sozinho, inteligente o suficiente para saberes quando precisas de ajuda e corajoso o suficiente para a pedires."

FB_IMG_1559664502690.jpg

Força - Inteligência/Sabedoria - Coragem

A minha "santíssima trindade". 

 

 

27
Mai19

Levaram Annie Thorne: leitura da primeira quinzena de maio

Já li este livro há umas duas semanas. Ainda não consegui falar dele.

Primeiro, vou dar um desconto por ter devorado dois volumes da saga Sebastian Bergman, pela qual estou totalmente viciada e apaixonada, portanto, qualquer livro que lesse depois dessa leitura compulsiva era um ato inglório.

Segundo, li O Homem de Giz, opinião aqui,  e gostei, portanto não hesitei em partir para o segundo livro da autora. 

Tem inúmeras semelhanças com o seu antecessor: a trama é-nos contada por uma personagem, que como narrador é altamente subjetivo e falível. Os factos narrados são os que ele conhece, ou presume conhecer, as verdades que sabe, ou presume saber. E é nesta visão altamente subjetiva e parcial de factos e de verdades que vamos sendo guiados pela sua voz, uma personagem que nos dias de hoje é um adulto pouco recomendável moralmente, professor de inglês, viciado em jogo, com problemas de dívidas e envolvido com pessoas que ninguém deseja ter como inimigos. No passado revê-se como um adolescente algo introvertido, mas que faz de tudo para pertencer ao bando dos durões lá da escola, ainda que isso lhe traga muitas dúvidas e alguns conflitos interiores. Mais uma vez a história é um complexo puzzle. Um puzzle onde as peças do passado e do presente, com um lapso temporal de 25 anos, se vão encaixando, vamos descobrindo personagens e os seus segredos mais obscuros, as meias verdades, o que parecia ser e nunca foi, até chegarmos ao fim e podermos olhar para um todo e, então, perceber tudo, ou quase tudo. 

Confesso: não gostei tanto como do primeiro livro da autora. 

Há neste livro um elemento que não sou particularmente fã e acho que estraga um bocado o thriller: o tema do sobrenatural. Ou então foi mal explorado no enredo e daí ter deixado algumas pontas soltas que, a mim pelo menos, me deixaram meia sem perceber que raio se passou com Annie Thorne, que raio de segredos sombrios esconde toda uma vila e as suas misteriosas minas.

Ainda assim, o balanço é positivo. A autora tem uma capacidade muito interessante de jogar com os enredos, misturando peças, confundindo o leitor, guiando-o por caminhos sinuosos, onde a qualquer momento há um desvio qualquer inesperado e que faz o leitor voltar à estaca zero, quando estava convencido que tinha achado o fio à meada. 

 

28
Abr19

Abril, páginas mil!

Antes de mais, um minuto de silêncio. Não sei quanto tempo vou ter de esperar pelo próximo (e espero que o haja) volume desta incrível e viciante saga Sebastian Bergman.

Eu avisei que antes de abril acabar eu teria lido o 4º e5º volumes

Não me lembro de ter um mês assim tão produtivo em leituras. Dois livros, mais de mil páginas, assim devoradas. Eu começava logo pela manhã, enquanto tomava o pequeno almoço. Mal podia, e lá ia eu porque queria saber mais, avançar mais, descobrir mais e mais, e ser constantemente surpreendida. 

Não vou falar muito de cada um dos livros. Cliquem nas respetivas imagens, terão a sinopse e comentários deixados por outros leitores. E não vou falar porque estou tão intensamente apaixonada e viciada nesta saga que facilmente cairia nos mal fadados spoilers. 

Para quem gosta de thrillers, para quem gosta de enredos surpreendentes, de um protagonista antagónico, anti-herói, que tem tanto de mente genial como de calculista e repugnante, um psicólogo profiler) com tantos traumas e questões mal resolvidas dentro de si, com a vida sempre em permanente desafio com os outros (e consigo próprio), mas que consegue manter (sempre que necessário) a cabeça fria, em plena engrenagem para se superar a si próprio e aos criminosos que traça e estuda o perfil, criminosos meticulosos, inteligentes, vis. Para quem gosta de ingredientes desta estirpe, então que não hesite e comece a ler a saga

Recomendo que sigam os volumes pela sua ordem, pois a par das investigações criminais que encetam a ação de cada volume, há o desenvolvimento e evolução das personagens/protagonistas, nas suas vidas, nas suas escolhas, nos seus segredos escondidos. 

Cada volume supera o anterior.

A Menina Silenciosa começa com um brutal crime, arrepiante, angustiante, e todo o seu desenvolvimento na investigação é um verdadeiro desafio a Sebastian, já que tem de se confrontar com os seus fantasmas do passado.

O Castigo dos Ignorantes debruça-se sobre um tema tão atual, que nos faz pensar em que raio de mundo vivemos e quais são as prioridades das pessoas e da sociedade? Já o assassino supera todos os anteriores que Sebastian Bergman enfrentou. 

Ambos viciantes da primeira à última página.

Agora vou ali sofrer um bocadinho e fazer figas para que um sexto volume esteja a caminho. 

 

23
Abr19

Mixórdia de temáticas*

Eu disse que prometia falhar

Ah e tal, devia estar proibida de comprar livros até ao fim do ano.

Só que não.

A wishlist é extensa e hoje, dia mundial do livro, eu não pude resistir à campanha da WOOK. De maneira que estão dois a caminho 

Entretanto, no mês de abril já li o4º volume da saga Sebastiann Bergman, A Menina Silenciosa, e já estou a meio do 5º volume, O Castigo dos Ignorantes.

A saga é tão viciante, cada livro é melhor que o seu antecessor, que depois é isto: perto de 600 páginas lidas em duas semanas (menos), e quase outro tanto lido em uma semana. Vem aí um feriado... acho que antes do dia 30 de abril tenho o5º volume terminado. 

E depois???!!!!

Depois vou sofrer, como os fãs do Games of Thrones, que ficam numa ânsia angustiante à espera da temporada seguinte. (Só para que conste, não, não vejo a série, mas tenho várias pessoas que vêem e são assim mega fãs que nem preciso ver a dita para saber o que se passa e quem são as personagens e os dragões, e a tia que anda com o sobrinho, que tinha morrido, mas afinal ressuscitou and so on...)

Espero bem que haja um 6º volume e que não demore muito. Está aqui uma fã a entrar em taquicardia.

Pronto, é isto.

Ando meia desaparecida do blog. Confesso-me: estou sem inspiração/vontade/assunto para vir aqui debitar cenas. A vida real tem-me ocupado demasiado tempo e passei por uma fase de enorme desgaste emocional, pelo que, ainda estou no meu momento de retiro para recuperar ânimo e energia. 

A Páscoa já se foi. Até correu bem, teve o seu quê de interessante e divertido à conta das aventuras amorosas da sogra. Eu até estou aqui a magicar propor um reality show à TVI: quem quer casar com a minha sogra? À quantidade de pretendentes que lhe caem aos pés, uma pessoa tem que avaliar os concorrentes 

Por fim, e só porque me apetece, voltar aos treinos depois da Páscoa, quando uma pessoa ainda está em modo rebolation" é assim uma espécie de tortura sadomasoquista. Estava eu nos agachamentos e a profe ao pé de mim. Comenta ela: eh lá, já se notam ali os músculos nas pernas, olha ali? Eu bem que olhei e só via crateras de celulite por baixo dos leggings. Acho que lhe vou oferecer um voucher para ir fazer um check up à vistinha. Já os abdominais continuam numa linha curva, assim tipo amêndoas de chocolate, estão a ver?! Pois. 

Agora, se me permitem, vou ali atirar-me ao livro.

 

*Título do post descaradamente copiado da rubrica do RAP na Rádio Comercial. Não me acusem de plágio, sim?! Estou a admitir o "roubo" e segundo a vox populis, "quem diz a verdade não merece castigo".

 

09
Abr19

Um livro, diversas histórias, um homem que luta para matar o esquecimento!

Há uns tempos falei do orgulho que senti ao saber que um dos meus parceiros do curso de escrita criativa (um dos especiais) tinha publicado um livro. O seu livro. O primeiro (assim espero e desejo) de muitos. Ou alguns, pelo menos. Eu já lhe pedi um romance. Tem capacidade para isso e muito mais.

Já o li, de fio a pavio, e confesso que reli e marquei uns quantos textos que me ficaram na memória. Há sempre os que mais marcam, seja por que motivo for: o humor, a surpresa, a emoção, o insólito de situação. 

IMG_20190409_225343.jpg

Dá para ter uma ideia de que foram muitos os textos marcados?! 

Primeiro, deixo que o autor se apresente:

IMG_20190409_225323.jpg

Os nossos caminhos cruzaram-se online, num curso de escrita criativa, ministrado pelo sobejamente conhecido Pedro Chagas Freitas (mestre, na altura confesso que era um nome totalmente desconhecido para mim, e o curso foi-me recomendado por um amigo que tinha uma amiga que o tinha feito uns tempos antes).

O Carlos e eu conhecemo-nos online, na turma 10, entretanto batizada de Canecos, e ambos partilhávamos uma fase da vida complicada: o desemprego. Curiosamente, e apesar dos anos que nos separam, o sentimento era semelhante: velhos para trabalhar, novos para nos reformarmos. E sim, eu depois de fazer 30 anos passei a ter muito mais dificuldade em encontrar trabalho. Brincava a dizer que era como os iogurtes, tinha o prazo de validade expirado. Brincava por fora, chorava por dentro. 

2013 foi um ano negro na minha vida. Um longo desemprego, que começou em fevereiro e terminou em finais de novembro. Nesse intervalo de tempo, muitos CV's enviados, muitas candidaturas, muitos anúncios respondidos, e duas meras entrevistas. A segunda foi para o emprego que mantenho até hoje. 2013 foi um ano de doenças e morte. A súbita morte do pai do Gandhe abalou-nos a todos e deixou-nos de rastos. 

Só que 2013 também foi o ano em que decidi investir em mim, já que me sobrava tempo. Fiz várias formações, para enriquecer o CV, e a escrita criativa veio como um velho e antigo desejo/sonho. Sempre gostei de escrever, sou da área das línguas e literaturas (clássicas e portuguesa), e havia anos que me sentia bloqueada na escrita. Como se estivesse vazia. Precisava de um empurrãozinho. 

Como anteriormente disse, um amigo falou-me de um curso online, não era muito caro (estava desempregada), uma amiga dele tinha feito e adorado. Arrisquei. E foi assim que me cruzei com um desempregado na casa dos 50's, velho para trabalhar, novo para se reformar, uma vida de trabalho para depois ser mais um na estatística negra do desemprego. Também ele aproveitou o tempo que sobrava para dedicar-se a um sonho adormecido: a escrita.

Foram 25 semanas, com encontro marcado todas as quintas à noite. Eu, com tantas amarras associadas à minha formação literária, levei muito na cabeça para esquecer tudo isso e me libertar. Ao mestre, como carinhosamente lhe chamávamos, agradeço cada puxão de orelhas, cada facada que me dava e cortava as minhas amarras às teorias literárias, às regras linguísticas e gramaticais, aos conceitos e preconceitos. Ao mestre agradeço que me tenha tirado fora da caixa e me empurrado para um caminho sem retorno... (desculpa mestre, eu continuo a gostar das reticências, aquele sinal de pontuação que abominas!!). 

Leio muitas críticas negativas em relação a Pedro Chagas Freitas. Que é cheio de clichés e não sei quês. Os clichés estão nas Rebelo Pinto e nos Gustavos desta vida. Oh literatura mais oca e vazia para o intelecto do ser humano (do racional, pelo menos). 

Se eu gosto dos livros do Pedro Chagas Freitas? Não li muitos e, sinceramente, não faz muito o meu estilo de leitura. Mas como formador de escrita criativa, só tenho três palavras: EX-TRA-ordinário!

Voltando ao Carlos Musga. Eu arranjei emprego, conciliava com explicações, mais as rotinas dos dias - jantares, compras, roupas, tratar dos gatos. Deixei de ter tempo para me dedicar mais a formações em escrita (embora não faltasse vontade), e também sendo eu de Aveiro, restavam-me as opções online, que não abundavam. O Carlos, por seu turno, continuou a apostar na sua formação em escrita. E foi a melhor decisão que podia ter tomado. No seu (nosso) primeiro curso o Carlos começou com uma escrita simplista, tímida, recatada, mas foi-se revelando a cada semana, e desabrochando, e expandindo, até se tornar excecional e ganhar vários desafios de escrita. O derradeiro ganhou com maioria absoluta. O único voto que não teve foi o dele próprio, que mo deu a mim - e diz ele que sempre fui a sua preferida. Oh Carlos, o que posso ter em jeito para escrever, tens tu em experiência de vida, que faz de ti um autor completo. Genuíno. Com uma escrita que nos envolve e nos desperta as mais variadas reações e sentires.

Este livro não é um romance, uma história com personagens, com um enredo, com um princípio, meio e fim, peripécias e intrigas. Este livro é uma coletânea de contos e textos escritos por ele nestes últimos anos, desde que se dedicou a isto da escrita. Este livro é fruto de uma enorme e admirável coragem de, literalmente, ser o homem que luta para matar o esquecimento

O Carlos luta há largos meses com uma doença, daquelas doenças filhas da puta, que ninguém merece ter. Mas o Carlos não se deixou abater. Não. Foi a doença que o motivou, definitivamente, a reunir os seus textos e realizar o seu sonho: publicar um livro. Parabéns pela coragem e pela luta, mais ainda quando se vê a braços com uma grave doença, daquelas em que o poder acordar no dia seguinte já é um bom dia.

E eis aqui o seu livro, polvilhado de contos e histórias, de humor e sátira, de insólitos a malandrices eróticas, sem tabus nem merdas. 

Eu não consigo definir melhor este livro, porque o nosso mestre já o fez de forma perfeita e irrepreensível:

A forma de conhecer esta obra é um desafio: abra em qualquer página, leia um conto, sinta-o. Agora repita o processo: seguramente a reacção será diferente. e é desta forma de Carlos Musga, como um viajante experiente da vida, nos obriga a relembrar fases, histórias, sentimentos. É com personagens ricas e cenários comuns que reaviva, no leitor, o esquecimento comum do passar do tempo. «Há uma pessoa - e um escritor - de verdade nestas palavras.»
Pedro Chagas Freitas

Só acrescento aqui aquilo que já disse, na nossa esfera pessoal, ao Carlos: permite-me a ousadia, mas fazes-me lembrar Eça de Queirós. Tens tudo para ser o Eça do séc. XXI.

Humildemente responde-me que adora Eça de Queirós. Nota-se, Carlos. Nota-se a presença subtil dos teus modelos de autor e escrita. (Aqui fala a gaja com formação literária e que até sabe umas merdas de literatura, história da literatura, teoria da literatura e crítica literária.)

Carlos, se me estás a ler (vais ler, que eu vou já partilhar o link contigo, como prometido), só tenho mais uma coisa a dizer-te: fico à espera do teu romance. 

 

19
Mar19

WOOK que fui fazer?!

Pois, há uns tempos aproveitei uma campanha da WOOK em que devolviam em vale 100% do valor da compra. Ora, não me fiz rogada e aí vai disto.

Ontem lembrei-me de ir consultar a validade do vale, e termina na próxima semana. Um vale de quase 37€ não é para desperdiçar, não é, não. Ainda mais em livros.

Então, e para poder descontar o vale na sua totalidade (o valor só era descontado num máximo de 50% do valor da encomenda, e sim, podia fazer uma encomenda de qualquer valor que o remanescente ficaria em cartão), fiz uma encomenda pornográfica:

livros.JPG

E agora devia proibir-me de comprar livros até ao fim do ano.

Devia... mas era um "prometo falhar" 

Agora que vem aí uma mão cheia de livros, sendo que ando há meses em ânsias e suores frios para ler o quarto livro da saga Sebastian Bergman, é por esse mesmo que vou começar, para depois poder ler o quinto (que o Gandhe me ofereceu, achando que era a continuação do que eu tinha acabado de ler). 

E depois? Bem, depois não me faltam boas opções para leituras. 2019 promete. Resta é eu ganhar juízo e retomar o ritmo de leitura que tinha há uns tempos atrás, preferindo os livros, antes de dormir, a vegetar nas redes sociais.

 

Sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pela estória de:

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D