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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

29
Nov18

Gandhe e os livros

Por ter ficado tão desesperadamente ansiosa por causa da forma como terminou o terceiro volume da Saga Sebastian Bergman, Gandhe foi um fofo, um querido, um amor e foi à WOOK pesquisar e mandou vir um. 

Quando eu vi o livro soltei uma gargalhada, e a rir-me que nem uma perdida disse-lhe:

- Oh que querido, valeu o esforço, mas esse é o 5º volume. Falta-me o .

Confuso, responde-me ele: então mas eu pensava que isso era uma trilogia, fui ver à estante e já lá estavam três. Olha, procurei pela data o último. 

- Pois amor, mas o último é o 5º. Mas muito obrigada pelo esforço, o 5º volume já cá canta. Só que nem vou abrir para não saber se a outra morreu ou não. Tenho de esperar pelo 4º volume. 

Homens... eles até se esforçam. Mas sai (quase) sempre ao lado! 

 

 

 

 

27
Nov18

Terceiro volume despachado... e a desesperar pelo próximo!

Terceiro volume da saga Sebastian Bergman despachado em três tempos (ou semanas, como preferirem). Tendo em conta que houve dias que não li, quando lhe pegava era de ficar colada, agarrada, difícil de largar. À conta disso tive manhãs que me custaram a acordar, levantar e ir trabalhar com a cabeça "fresca" de uma noite bem dormida (entenda-se número de horas suficientes para não ter ar de zombie mal parido). 

Para recapitular os volumes anteriores, deixo os links.

Primeiro volume: Segredos Obscuros

Segundo volume: O Discípulo

Tentando dar um termo de comparação: estão a ver a série Mentes Criminosas, em que uma equipa do FBI, especializada em traçar perfis e analisar comportamentos e intelectos de criminosos para os apanhar, percorre o país a ajudar a resolver casos complexos de serial killers? Pronto, a Riskmord é uma equipa semelhante, com especialistas em diferentes áreas, que se complementam e atuam de forma coordenada na resolução de misteriosos crimes. E depois há Sebastian Bergman que é um psicólogo forense, especialista em mentes criminosas, e vai colaborando com a equipa, não reunindo a simpatia de todos.

O terceiro volume, O Homem Ausente, é um pouco diferente dos seus antecessores. Vemos um maior desenvolvimento da vida pessoal dos protagonistas, mudanças, segredos, revelações. Ficamos a conhecer mais deles, da sua vida privada, familiar.

E depois, há uma misteriosa vala comum, descoberta acidentalmente, com seis esqueletos, quatro adultos, duas crianças, não identificadas. Há demasiadas pontas soltas, demasiadas questões e mistérios e desta vez não será fácil a brilhante equipa avançar muito nas suas investigações. Nós leitores, vamos assistindo a várias histórias paralelas. Uma esposa/mãe que nunca desistiu de procurar o seu desaparecido marido, um jornalista que se interessa pelo caso, um acidente que se descobre não ter sido acidente mas assassinato, e cuja identidade da pessoa é um grande mistério. Andamos todos ali às voltas, com muitas perguntas e quase nenhumas respostas.

Nós, leitores, vamos tentando estabelecer ligação entre as várias histórias que, aparentemente, nada têm em comum nem parece existir qualquer elo de ligação. Procuramos um denominador comum. Algo que seja a ponta do fio que vá começar a deslindar todo o caso. E sim, acontece. Mas... a própria equipa Riskmord sente-se frustrada, no fim, por perceber que, desvendados os mistérios, a verdade não pode vir ao de cima. Houve muito esforço por parte de pessoas extremamente poderosas para silenciar crimes que não deveriam ter sido cometidos, e por causa disso outros crimes aconteceram para acabar com pontas soltas e manter tudo no segredo dos deuses.

A Säpo, aquela agência governamental sueca que aparece muito nos livros de Stieg Larsson, surge neste enredo e, coincidência ou não (não sei que fama terá tal organização governamental secreta), com idênticas referências de conspirações, abusos de poder e ocultação de crimes.

E mais não digo porque não quero estragar a leitura de quem estiver curioso com esta saga. 

Adeptos de policiais e thrillers, simpatizantes de profilers, fãs dos policiais nórdicos, a sério, leiam esta saga porque é mesmo muito boa. 

Agora, e para terminar esta espécie de resenha, o que me deixou piursa foi este volume acabar daquela forma como muitas vezes acabam as temporadas das séries: um momento crucial, daqueles em que ficamos na dúvida se aquela personagem morreu ou não e... continua na próxima temporada. Pronto, foi isto. 

Quarto volume para aquisição em breve, muito em breve. Muuuuuuuaaaaaaahhhhh

 

02
Nov18

Leitura de Outubro

Tive a sorte de uma amiga me emprestar o último livro de Joël Dicker. Sem surpresas, não demorei muito a pegar nele e, tanto quanto foi possível, lê-lo num quase  fôlego.

Depois da última leitura bem que eu precisava de algo que me arrebatasse. Missão (quase) cumprida. 

Joël Dicker é um fabuloso contador de histórias de suspense. A forma como vai distribuindo as peças, deixando as pistas, as subtilezas, os detalhes, é genial. No entanto, e aqui não é contra o autor que falo, mas contra os leitores mais "analíticos", torna-se óbvio o estilo que o autor já manifesta, e para quem o conhece já não se deixa surpreender tanto ou com qualquer coisa. Sabendo como o autor brinca com a nossa perspicácia, das reviravoltas que vai dando ao enredo, o leitor mais analítico e atento fica mais alerta às "falsas" pistas, ao que parece demasiado óbvio.

Nesta história cedo percebi que o acontecimento que dá mote a todo o enredo era, por si só, uma consequência secundária do verdadeiro mistério que, 20 anos depois, estava ainda por resolver. Stephanie Mailer desapareceu por aquilo que começou a descobrir e iria, com toda a certeza, revelar, pondo a descoberto um assassino que ficou invisível por 20 anos. Mais, cedo percebi que a investigação desse crime estava focada numa premissa totalmente errada e, por isso mesmo, a investigação distanciou-se do verdadeiro foco. Aqui também me vale a bagagem que tenho de séries criminais e profilers, que me fez ver que a vitimologia estava errada, ou equivocada. 

Demorei a perceber quem seria o assassino, acho que só desconfiei dele depois de, a um dado momento, já próximo do desenlace final, ter sido traçado o seu perfil psicológico. Mas confesso que mesmo me tendo passado essa personagem pela cabeça, não antevi o motivo para o crime inicial, e que desencadeou todos os outros, pelo que, confirmada a sua identidade, achei forçada e frágil a motivação apresentada. 
Também não me passou pela cabeça o recurso a um estratagema clássico das tramas policiais para o que seria o crime perfeito. Bem jogado!
O livro não desilude. Apesar de já não me deixar surpreender de todo, tive as minhas surpresas e os meus "a séri?". A única coisa que tenho a apontar de menos positivo é que o autor dispersa-se muito nas histórias paralelas, das personagens secundárias. Histórias que pouco ou nada contribuem para a trama principal e só podem estar ali a funcionar como elemento de distração. Como aqueles tagarelas que nos distraem o foco da atenção com conversas sobre coisa nenhuma. Mero ruído. 
Continuo a gostar da escrita e do estilo de Joël Dicker. Deste "jogo" em que tenho não ser apanhada nas artimanhas da sua narrativa, e quando dou por mim, caí que nem uma pata numas e outras, bem, desconfiei que não era nada daquilo e fico toda orgulhosa.  
Venha o próximo para me desafiar novamente. 
 
 
17
Out18

Leitura de setembro

 

A leitura de setembro foi inesquecível. E não por bons motivos. Eu adoro Joanne Harris. Mas este é o segundo livro da autora que me custou horrores a chegar ao fim e que, finalmente terminado, foi assim uma completa perda de tempo e energia. Desilsão. Balde de água fria. A sério que foi a mesma autora de histórias como Chocolate que escreveu isto? Inacreditável. 

Supostamente a autora queria escrever um thriller. Eu não sei que raio ela tinha em mente, mas isto de thriller tem muito pouco (ou mesmo nada), mas em compensação tem muito de confusão e tremenda seca.

Nem me vou pronunciar mais sobre o livro porque esta leitura foi uma verdadeira catástrofe. Sem ponta por onde lhe pegar. 

Mas eu continuo a gostar dos outros livros da autora, sim? E há uns quantos que tenciono ler. Espero é não ter mais nenhuma desagradável leitura como esta. 

 

02
Set18

Leitura das férias

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Não é a primeira vez que escolho Joanne Harris para leitura de férias. Nas férias quer-se algo leve, algo que nos faça sonhar, suspirar, algo que nos transporte para outros lugares, de preferência encantados. 

Vinho Mágico foi a escolha. E que escolha... Quero acreditar que o universo me levou a escolher este livro para estas férias especificamente. Numa altura em que luto contra a ansiedade que o trabalho me provoca, numa altura em que me debato com uma infelicidade no emprego que me angustia e me tira o sossego, eis que leio uma história sobre um escritor em crise, com um bloqueio criativo que lhe tira o sentido da vida, da existência, ao mesmo tempo que se debate com memórias de uma infância peculiar e do seu amigo muito sui generis,Joe, que um dia desapareceu e o deixou com aquela sensação de abandono e vazio. 

Num impulso decide mudar-se de Londres para uma pequena aldeia em França, Lansquenet, a mesma aldeia que serviu de cenário a Chocolate, e onde vamos reencontrar algumas das suas personagens. Um impulso que lhe devolveu o gosto pela vida, lhe trouxe as memórias do passado e a sua reconciliação com Joe, e consigo mesmo. É uma história que apela aos nossos sentidos, como Joanne Harris tão bem sabe fazer. Sentimos os aromas, os odores, quase que sentimos os sabores e, se fecharmos os olhos, não é difícil imaginar, com todos os nossos sentidos, o que nos é relatado com uma certa magia e encantamento.

E terminado este livro na minha última ida à praia (e que bela tarde esteve) só me sinto inspirada para largar tudo, assim num impulso, e ir para um pequeno monte no Alentejo, onde posso respirar sem amarras, sentir-me livre e em paz, onde posso entreter-me num quintalejo enquanto os gatos dormitam pelas sombras. 

Por uns momentos deixo-me levar por esta imagem idílica, nesta doce ilusão de que tudo é possível. Só que não.

Amanhã é dia de regressar ao inferno... e estou a tentar manter-me relaxada e calma. 

 

06
Ago18

O segundo volume já foi!

Já se passaram duas semanas desde que acabei o segundo volume da saga Sebastian Bergman. E nestas duas semanas ainda não posso dizer que já tenha avançado para nova leitura. Dá para imaginar o quão intenso foi este segundo volume? Pois, agarrou tanto que poucos dias duraram as quase 700 páginas e agora só me apetece ler o terceiro e quarto volumes (mas ainda não os comprei e são livros com um preço superior a 20€ cada ).

O Discípulo foi uma leitura viciante, que inicia precisamente no ponto onde o primeiro volume terminara: Sebastian Bergman descobre a identidade da filha que desconhecia existir até ao momento em que descobre, após a morte da mãe, umas cartas que ela guardou anos a fio, juntamente com esse segredo.

Para Sebastian esta revelação é a oportunidade de voltar a encontrar um sentido e um rumo na vida, depois de ter perdido as duas pessoas que mais amou: a mulher e a filha, que viu morrer num tsunami.

No segundo volume descobrimos mais sobre este ambíguo protagonista, de moral muito questionável e comportamentos politicamente incorretos, que afastam todos de si. Ele é tão cheio de camadas, que as vamos desbravando e descobrindo o ser humano complexo que ele é, ao mesmo tempo que ficamos fascinados com a sua inteligência, com a sua capacidade de ver muito além do óbvio, a frieza com que analisa factos e comportamentos da mente humana.

Sebastian enfrenta dois grandes desafios neste novo volume: por um lado o dilema interior de desvendar à sua filha, que ironicamente conheceu recentemente em contexto de trabalho na Riksmord, que é o seu pai biológico; por outro lado, terá de enfrentar o seu maior adversário, o serial killer que o consagrou como profiler genial e lhe deu toda a fama e reconhecimento: Edward Hinde. Três mulheres são assassinadas com um modus operandi em tudo semelhante aos assassinatos de Hinde há 15 anos atrás. Além da réplica exata dos assassinatos, mais aterrador ainda é descobrir que as mulheres assassinadas estão relacionadas com Bergman. Se Hinde está preso em segurança máxima, isolado do mundo, sem qualquer contacto permitido com o exterior, como pode haver um imitador com tamanha precisão? Quem é o Homem Alto que executa, com um perfeccionismo extremamente rigoroso, todos os passos de um ritual? Porque serão estes crimes um ataque pessoal a Bergman? Que mulheres que passaram pela vida dele estarão em perigo? E a filha, que todos desconhecem e mesmo ele só recentemente a descobriu, correrá perigo?

Ao contrário da maioria dos thrillers, não é a descoberta do assassino que nos faz devorar páginas com apetite voraz. Cedo percebemos que Hinde está por trás desta vaga de assassinatos, como se estivesse num jogo de rato e gato com Bergman. O que move o leitor é perceber como, porquê e até onde vai conseguir chegar para atingir Bergman, que se encontra num momento muito frágil da sua existência, a debater-se com demasiados demónios interiores.

O duelo de génios entre Hinde vs Bergman é absolutamente fascinante. Um encarna o puro mal, um psicopata que tem tanto de inteligente como de cruel, e nem mesmo o seu trágico passado de abusos nos faz ter alguma empatia por um ser tão manipulador e perturbador. O outro debate-se constantemente consigo mesmo, num confronto de emoções e sentimentos que renega, como se admitir que tem emoções o enfraquecesse.

O universo psicológico humano, com estes escombros sombrios, é apresentado com uma naturalidade simultaneamente arrepiante e fascinante. Quais são os limites do ser humano? Até onde vai para fazer mal a outro ser?

Um desfecho de cortar a respiração. Intenso. Assustador. Uma sucessão de cenas de crescente intensidade que nos tira o fôlego.

E depois do clímax, quando o leitor retoma a calma e começa a respirar, o livro termina, à semelhança do seu antecessor, com uma nova ponta que é desvendada e fica solta, ali a pairar sob os nossos olhos. É que só queremos saltar para o livro seguinte nesse mesmo instante.

A vida de Sebastian Bergman é uma autêntica caixa de Pandora. E eu, confesso, estou em pulgas para conhecer as próximas estórias.

 

16
Jul18

A nova saga que me faz perder o sono!

Perder o sono no sentido de não conseguir parar de ler. É tão bom, mas tão bom que já comecei o segundo volume e está a um ritmo de leitura mais alucinante que o primeiro.

O desaparecimento de um jovem de 16 anos. A descoberta do corpo sem coração. Um assassino que se auto intitula "o homem que não é um assassino". Um polícia cego na sua própria vaidade. Uma equipa de investigação criminal de topo. Um profiler que tem tanto de mente brilhante como de descompensação emocional, alimentada por traumas pessoais, que o tornam um ser verdadeiramente fascinante de interpretar e descobrir. Personagens várias que parecem ser o que não são, ou que são o que não seria expectável que fossem. 

Os ingredientes são matéria prima de primeira qualidade. A escrita uma verdadeira mestria do suspense, que nos envolve de tal forma que nos sentimos parte da investigação. Todos os fios estão entrelaçados, as subtilezas vão temperando o desenrolar da ação para manter a atenção de um leitor mais atento e perspicaz. O desfecho é surpreendente, mesmo para o leitor que foi capaz de identificar as subtis revelações (eu andei muito, muito perto e mais não posso dizer).

Segredos Obscuros é um bom thriller nórdico, repleto de personagens complexas, que oscilam entre os seus dilemas pessoais e competências profissionais. Os cenários são tão realistas que somos facilmente transportados para a Suécia, para as ruas da cidade de Västerås. Uma teia intrincada de segredos e revelações que se vão descobrindo e revelando num todo que vai para além de tudo o que se conhecia. As verdades vão-se revelando, as aparências vão ruindo, e há todo um fio que une todos estes segredos.

Não é difícil de explicar o sucesso desta dupla de autores e da sua criação, Sebastian Bergman. Uma saga que prende e nos desperta uma ávida vontade de ler os volumes seguintes. Eu já comecei o segundo... 

 

17
Jun18

Em duas semanas, dois livros despachados!

 

Já tinha lido tão boas críticas a este livro, que foi uma das compras mais recentes. E não esperei muito para o ler.

Tenho mixed feelings. Li-o em pouco tempo, portanto a leitura fluiu e despertou-me o interesse. Talvez tivesse imaginado outro tipo de narrativa. Talvez estivesse com outras expetativas. Talvez... 

Gostei. É uma escrita genuína, crua, sentida com dor e alma. É um relato autobiográfio. Se não é, disfarça muito bem. É um relato que podia ser o de qualquer mulher dos nossos dias, da geração do 25 de abril, do Portugal que transitou de uma longa ditadura para um país inserido na Comunidade Europeia. Do Portugal tradicional, fechado, conservador, para um Portugal que dá os primeiros passos para um futuro mais aberto, mais livre, mais promissor... e o Portugal recente da crise económica, ainda tão presente em todos nós, nas sequelas que deixou.

Maria Luísa é narradora, protagonista, é tudo neste livro. E foi esse o elemento que menos gostei. Maria Luísa é dominante nesta narrativa, é tudo sobre ela, à volta dela, ela e ela... Mas, há que ver que é uma narrativa de memórias, um retrato autobiográfico. Faz sentido.

Metaforicamente abre-nos a porta da sua casa, a casa que fora dos pais aquando do regresso a Portugal. Divisão a divisão, leva-nos a conhecer a intimidade da sua casa, da sua vida, das suas vivências. E deparamo-nos com uma mulher que é uma fortaleza e ao mesmo tempo um castelo de areia, uma mulher de armas, e ao mesmo tempo derrotada pela vida e por pessoas que se cruzaram com ela e lhe destruíram sonhos.

Maria Luísa é uma mulher inteligente, culta, corajosa, batalhadora, honesta, bondosa. E é a gorda, aquela que tanto perdeu na vida por não caber nos cânones de beleza feminina, por não ser a menina/mulher que se esperava que fosse ou que deveria ser. E mesmo depois de se submeter a uma operação para emagrecer, mesmo depois de ter um corpo "magro", sente que será sempre a gorda, a que não cabe nos padrões impostos pela sociedade. E enquanto isso espera por aquele amor que a rejeitou por duas vezes, mas que lhe deixa a esperança de voltar para ela. Quando? Não sabe. Quando viver a vida dele e achar que está na hora. Ora, esta parte também me irritou um bocadinho. É que a nossa heroína dá uma no cravo e outra na ferradura. Por um lado há toda uma luta interior para se aceitar como é, enfrentando tudo e todos, mostrando-se dona do seu nariz, muito segura do que é e do que quer, e por outro é esta eterna menina insegura, que se deixa usar e abusar por quem lhe promete migalhas de amor.

No geral gostei do livro. Mas houve aqui algumas questões que tornaram a minha leitura agridoce.

Terminado o livro sobre A Gorda, achei que seria perfeito seguir com: 

O título chamou-me a atenção. A sinopse foi decisiva na minha escolha. 

Estranhei o formato do livro, mas lá dizia Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se"!

É um ótimo livro para ir no saco de praia. Não foi o meu caso, mas enquanto o lia pensava que teria sido ótimo guardá-lo para as férias. Leitura divertida, há muito sarcasmo e ironia nas dicas e ideias das autoras. 

Deixo-vos uma amostra do interior deste hilariante guia para mulheres "normais":

 

28
Mai18

Ainda sonho contigo

Ainda Sonho Contigo foi a minha mais recente leitura. Já não sei bem o que me chamou a atenção neste livro. Andava eu a ver as vistas na WOOK e dei comigo a ler a sinopse daquele que, à partida e pelo título, parecia ser um daqueles romances lamechas que não me cativam de todo.

Lida a sinopse, ficou a curiosidade. Livro adicionado a whislist. Por altura da promoção do dia da mulher, foi um dos contemplados. E maio foi o mês para o ler.

Numa palavra: ternura. Parece difícil dizer que uma história que se centra nos planos de suicídio de uma pessoa possa despertar este sentimento de imensa ternura, mas é verdade.

Maggie, a protagonista, é uma mulher na casa dos 60 anos para quem a vida não faz qualquer sentido. Decide pôr termo à sua vida, mas sem dramatismos. Com uma tremenda clareza de espírito, elabora listas com prós e contras, toma a decisão e prepara tudo ao minímo detalhe para a sua "partida". Só que a vida acontece e mostra-lhe que ainda há tanto a fazer, tanto para viver. Que não está tão sozinha como julga e que o passado ao qual ela tem vivido amarguradamente amarrada é apenas um passado que não a impede de ser feliz no futuro, que ainda há tempo para concretizar sonhos, viver, amar, ser feliz. Naquele amanhecer em que se dá a sua epifania, em que percebe que afinal não está nada pronta para deixar de viver, a vida acontece e Maggie finalmente permite-se ser feliz e deixar que as coisas boas lhe aconteçam.

Em paralelo há outras histórias. Histórias tão comuns e banais que podiam ser as histórias de qualquer um de nós. Histórias de vida, de sonhos, de tristezas, de luta, de segredos que se guardam por vergonha ou por medo. 

Curiosamente o mote para esta história é o desistir da vida. E a beleza deste livro é toda a mensagem de esperança, ternura e humanidade. 

 

 

 

21
Mai18

Foi uma mão cheia!

Os vales e as campanhas da WOOK são sempre uma tentação do demónio... na semana passada duas encomendas, cinco livros, mais de 30€ poupados, sem falar no valor que converteu em saldo no cartão cliente para futuras compras. WOOK se pode pedir mais?!

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