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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

15
Abr20

Com pronúncia do norte... e humanidade!

Há muito tempo, long time ago, que este canal não conta com a minha audiência. Mesmo quando faço distraidamente zapping para ver o que está a dar, continuo suficientemente atenta para passar à frente do botão 4. 

Não fiquei muito surpreendida com o sururu que se levantou nas redes sociais a propósito deste "erro grosseiro". Exemplos destes são os que validam a minha opção de nem sequer ver tal canal que prima pelo mau jornalismo, pouco profissionalismo, ética duvidosa e nada nada nada imparcial. Mas já diz o ditado, falem bem ou mal, o importante é que falem. E é assim que este canal anda sempre nas bocas do povo. Lamentável.

Não queria comentar. Queria manter a indiferença que mantenho para com esta estação de televisão, num sentido ato de desprezo. Prefiro ver o trash tv da TLC, a ver o que seria suposto ser um serviço informativo de qualidade. Alguma, pelo menos.

Não queria comentar para não ser mais uma a alimentar este erro de semântica que vem levantar as hostes da secular rivalidade Norte/Sul. 

Portugal é um país geograficamente pequeno, no entanto é rico e denso em diversidade cultural, regional, gastronómica, sem falar dos séculos de história que carregamos no nosso ADN nacional por sermos um dos países mais antigos. (Recorrendo à educação que tive, seria agora o momento de recordar que o berço de Portugal é no norte... deve ser por isso que é só velhos.) Devemos orgulhar-nos desta nossa identidade nacional e cultural, dos séculos de história, das conquistas e descobertas. Que seria o mundo se não tivéssemos partido à descoberta? Seria como o conhecemos hoje? 

Não deixa de ser verdadeiramente triste e lamentável ver num canal de televisão, mais, num serviço de notícias que se quer rigoroso, imparcial e ético, uma frase destas. Não é só um erro grosseiro ou semântico. Não é justificável e tão pouco desculpável. 

A par das vozes do norte que vêm defender a sua honra (e estão no seu direito), vêm outros defender o canal e achar que os do norte são umas virgens ofendidas e, burros, não percebem o lapso jornalístico de uma (única) pessoa, que sozinha não faz a equipa nem o canal (isto é que é trabalho de equipa, exemplar!). Cá está, a eterna rivalidade que divide e reduz o país a Norte e Sul, a Porto e Lisboa (espremidos os argumentos). 

Eu sou Aveiro. Faço parte do Norte. Sou portuguesa. Com muito orgulho. 

Adoro o sul, tenho uma paixão pelo Alentejo e isso não faz de mim menos aveirense, menos nortenha nem menos portuguesa. 

No entanto não gostei de ver aquela infeliz frase que reduz uma boa parte do país a gente sem educação e velhos. Puxando os galardões, a Universidade de Aveiro é uma das melhores do país e está bem posicionada no ranking de universidades mundiais, assim como a Universidade do Porto e a do Minho.  Se isso é sinónimo de educação e cultura, então o Norte não tem de se sentir ofendido com vozes que vêm "de baixo".

A guerra que estamos a viver é mundial. O vírus não distingue nações, línguas, estratos sociais, contas bancárias, graus académicos... pronúncias . Tanto quanto sei e foi notícia no mundo, desde atores de Hollywood, a príncipes europeus e dirigentes políticos, o vírus apanhou de tudo um pouco. Se calhar acaba por ser mais inteligente que nós, porque só "reconhece" seres humanos, enquanto nós andamos aqui a discutir teses verdadeiramente científicas de que o vírus contamina essecialmente pobres e sem educação e velhos isolados no norte... 

O corona vírus veio mostrar-nos a vulnerabilidade do ser humano. Somos todos iguais, apesar do tanto que nos distingue ou que usamos para nos distinguirmos.

Agora, mais do que nunca, é momento para estarmos unidos e solidários com os nossos pares e semelhantes. Em todo o mundo. E por isso alimentar esta rivalidade bairrista é só idiota e completamente ridículo. Numa altura em que enfrentamos o mesmo inimigo, faz-me pensar que afinal a humanidade não está a aprender a lição de vida implícita nesta pandemia.

 

13
Mar20

Escrevi... feito!

Não entrei em histerismo. Não ando de máscara. Não fui ao supermercado comprar este mundo e o outro como se fosse ficar um ano fechada num bunker. Estou mais alerta, sigo as medidas preventivas divulgadas pelas entidades e órgãos competentes, até porque começam a ser implementados em todo o lado, inclusivamente nos locais de trabalho, planos de contingência de forma a prevenir e minimizar os riscos de contágio. Ontem e hoje recebi mensagens das atividades que frequento a avisar da suspensão das mesmas até ao fim do mês de março, reavaliando a situação no início de abril. Não só concordo como já tinha decidido por mim, para meu bem estar e dos outros, cumprir o meu papel social no combate a esta pandemia Covid-19, e que passa por evitar ao máximo ir a locais públicos e estar em contacto com aglomerados de pessoas.
As recomendações da OMS e da DGS passam por um isolamento voluntário de todos nós, saindo apenas e só para o essencial e imprescindível. E assim nasce o movimento #euficoemcasa.
Eu também ficaria de bom grado, a trabalhar a partir de casa, contribuindo ativamente para o controlo da propagação do vírus, protegendo-me a mim, aos meus e a todos os outros. Mas eu vou aderir ao movimento #eunaoficoemcasaporquenaopari. É que a empresa onde trabalho só deu à escolha ir trabalhar ou ficar em casa sob teletrabalho quem tem filhos. Os outros, como eu, que não procriaram, podem continuar a andar na boa, expostos, se formos infetados e morrermos, não deixamos órfãos. Deve ser isto!
O que me fode é esta distinção, esta diferenciação. Num problema que atinge TODOS, só a uns é dado o privilégio de escolher ficar em casa resguardados, como recomendam as autoridades de saúde, ou ir trabalhar como é habitual. O critério de seleção? Filhos.
Tema sensível, porque obviamente as escolas fecham, as crianças devem estar protegidas e sob vigilância, e para isso ser possível, os pais têm de ir para casa. A ser coerente, devem ir os dois, porque ser só um a ficar em casa e o outro continuar a sair na sua rotina "quase" habitual, vai dar merda na mesma.
Então mas os que não têm filhos são o quê? Carne para canhão? Não têm sequer o direito de dizer: também quero trabalhar a partir de casa (o que der, como é evidente) ou dizer que não, que se continua a fazer o trajeto para o trabalho e a levar a vida como até aqui se levava antes do Covid? Sinto-me revoltada. Porque não sou das que olha de lado ou aponta o dedo quando colegas mães têm de sair porque os filhos ficaram doentes, têm de faltar porque os filhos têm febre e viroses, não sou das que atira para o ar que a licença de maternidade é férias e bem bom em casa. Sem ser mãe sou das que defende que a licença de maternidade devia ser, no mínimo, um ano. Mas por não ser mãe vejo-me privada de direitos que pelos vistos só cabem aos que gozam do estatuto de parentalidade.

24
Fev20

Pergunto-me se efetivamente estamos no séc. XXI...

21695981_HEF4A.jpegLi, há pouco, uma publicação de uma conhecida no Facebook. Toda indignada por a lei da eutanásia ter sido aprovada (aliás, ainda nem é a aprovação da lei, mas a aprovação para se criar essa dita lei). Escrevia ela que "matar gente é muitooooo mais fácil e menos dispendioso que tratar gente como merece ser tratada!"... e ainda protelava que esta aprovação é um "fabrico da morte".

E eu estive vai não vai para comentar e decidi não o fazer. Não vou alimentar a indignação desta gente que é do contra porque sim. Têm cursos superiores só para serem tratadas por doutoras, pois usarem a massa cinzenta tá quieto. 

Olhem para os EUA. Eu sei que não são lá muito exemplares numa série de coisas, mas na saúde o paciente é dono e senhor do seu corpo e saúde. É o paciente que decide e autoriza exames, tratamentos, intervenções cirúrgicas. É o paciente que decide se quer ser reanimado ou não. Quando o paciente é menor ou comprovadamente não está nas suas plenas capacidades cognitivas e de discernimento, então os familiares diretos decidem. Nunca é o médico que decide sozinho. 

A realidade em Portugal é diferente. O médico tudo decide. Poucas vezes dá as opções ao paciente e fá-lo escolher. Normalmente fazem os exames que querem ou acham necessários, enveredam por um diagnóstico como se fosse uma verdade absoluta e inquestionável e cujo tratamento fosse apenas um e só um. Se não resultar, logo se vê. 

A eutanásia não é uma aspirina ou um Ben-u-ron que vai ser prescrito para qualquer febre ou azia. A eutanásia É UMA ESCOLHA DA PESSOA EM ESTADO TERMINAL, NUM SOFRIMENTO ATROZ, EM QUE VIVER É PIOR QUE A MORTE. A pessoa tem o magnânimo poder de decidir sobre a sua própria vida. Será que custa entenderem esta merda? 

Ah e tal fábrica de morte... matar gente é muitoooooo mais fácil... a sério? O médico só aplica a eutanásia se o paciente assim o quiser. E não é obrigado a aceitar a decisão do paciente e pô-la em prática. Assim como acontece muitas vezes com certas cirurgias (a título de exemplo), que não se sentindo seguros de a realizar, passam o caso para outro colega que esteja apto ou seja mais indicado.

Já quando foi a despenalização do aborto havia os indignados que defendiam o "Não", como se o aborto passasse a ser um método contracetivo. Algo do género: não me apetece tomar a pílula ou usar látex, se engravidar marco um aborto, a seguir à manicure. Cruzes canhoto ir abortar sem ter as unhas arranjadas.

Que pariu...

Batem no peito pela liberdade e igualdade e vai-se a ver são todos uns retrógados acéfalos, que acham que a pessoa ter a liberdade de poder decidir sobre a sua própria vida, condenada a um sofrimento atroz e sem esperança de recuperação, é uma fábrica de morte e é andar a matar a torto e a direito (que é mais fácil). 

Votou-se num direito, pessoas indignadas! Um direito individual, cuja decisão apenas pertence ao próprio indivíduo. Votou-se numa lei que contextualiza e legitima as circunstâncias em que esse direito é para se fazer valer por quem TEM ESSE DIREITO. Não está a ser desenvolvido um projeto de fábricas de morte, porque é muitooooooo mais fácil matar que tratar. Não se vai parar com a vacinação porque é mais fácil e barato avançar logo com a eutanásia e cortar o mal pela raíz. Ou então é começar desde logo a prescrever o aborto, que assim garantidamente não há riscos no futuro.

 

30
Jan20

Até fiquei parva!

Eu sei, eu sei. Nesta coisa das redes sociais cada um mostra o que quer, expõe-se como quer, e quem está do lado de cá tem igual liberdade para ver o que interessa e excluir o que não interessa, não havendo necessidade nenhuma de alimentar esta cadeia de indignação inflamada que tantas vezes surge por merda nenhuma, só porque sim.

Mas permitam-me a breve partilha da minha opinião, que é apenas e só isso: uma opinião.

Ontem uma parceira e amiga de blogs e redes sociais partilhou comigo, assim meia impressionada, uma publicação que, para não identificar quem quer que seja, vou descrever o menos possível. Digamos que a dita publicação extrapolava, a nosso ver, o que deve ser da esfera privada, resolvido entre quatro paredes, entre as pessoas interessadas. Mas eis que é publicado em praça pública, à laia de sondagem, estão abertas as votações meu povo...

Quando olhei a publicação tive pena. Confesso. Tenho pena destas pessoas que prostituem a vida nas redes sociais, vale tudo para umas centenas de visualizações, outros tantos likes, reações e comentários. Rastejam e mendigam por almoços (ou brunchs que é mais fashion) grátis, por trapos e ofertas várias em troca sei lá do quê. E quando vejo os peditórios lamechas nas redes sociais e nem uma única reação obtêm, eu questiono-me se esta gente não se toca, se não há assim um rasgo de bom senso e param com aquele mendigar que chega a ser humilhante. Pergunto-me se uma qualquer marca de papel higiénico oferecer uns quantos rolos, esta gente vai publicar foto do dito usado para que todo o mundo veja a qualidade do produto? E a malta com crias? Dias há que é só fotos das crianças com o raio do pacote da papa ou de outra merda qualquer ao lado. Só um cego não topa que uma qualquer marca de puericultura enviou um press release a um grupo de bloggers, influencers, whatever. 

Ah e tal isso é dor de cotovelo? Eh pá, não é. Estou a borrifar-me para as borlas em troco de publicidade manhosa e muitas publicações nas redes sociais. Se falo de um produto, de uma merda qualquer que comprei, é porque me apetece, porque quero partilhar, e não há cá patrocínios, o que uso e compro é pago por mim. Mais, também já recebi press releases e apago, não quero, não vou vender a alma ao diabo nem prostituir a minha vida nas redes sociais em troca de coisas que na maioria das vezes não me interessam, não estão ao alcance da minha vidinha e carteira de gente que trabalha e paga contas. Não vou vender uma vida que não é a minha a troco de quê mesmo? Visualizações? Público? Likes e reações? Comentários múltiplos de gente que nunca vi (e provavelmente nunca hei-de ver) na vida? 

Cada um faz o que quer. A mim dá-me pena este circo de vaidades em que perdem total noção e bom senso. 

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23
Nov19

Nem de propósito...

Escrevia eu este texto e foi publicado um artigo de opinião na NiT que vale a pena ler (para quem segue o programa, claro). 

Ora cá estão elencados bons argumentos que justificam o porquê do programa australiano ser muito melhor que o nosso, a começar logo pela própria postura de quem se candidata e vive efetivamente isto como uma experiência social.

Por cá, resta continuar a seguir a saga dos casais, sobre os quais partilho aqui uma fantástica resenha: 

“Casados à Primeira Vista”: alguém percebeu aquela história do Zé Pedreiro e do Anjo?

 

18
Nov19

Casados à primeira vista (ou como as versões portuguesas estragam sempre o fundamento original de determinados programas de sucesso mundial)

Tenho por começar a dizer que já conheço o programa versão australiana bem antes de ter havido a primeira edição em Portugal.

Um dia, a fazer zapping na hora de almoço, parei na SIC Mulher e fiquei meia abismada a olhar para aquilo que me parecia, e se confirmou, ser um programa onde estranhos se conheciam no altar. Lembro-me de ter ficado tão aparvalhada, a pensar "que raio haviam de inventar para programa" que fiquei a ver, como quem esfrega os olhos para ter a certeza que está a ver bem. Resultado? Primeiro estranhei e depois entranhou. Fiquei viciada no programa e segui umas três temporadas seguidas, a última não consegui ver com regularidade, mas fui acompanhando. 

Depois veio o português. E pensei: lá vêm estes estragar tudo. 

Bastou ver o primeiro programa para achar que, efetivamente, o português comparado com o australiano era uma "palhaçada". Pouco vi da 1ª temporada, sendo que o que vi era inevitavelmente o que ia sendo partilhado e comentado nas redes sociais e deu para perceber o fiasco que aquilo foi. Nunca achei que fossem repetir.

Mas eis a segunda temporada e eu estou a acompanhar. Porquê? Ora, porque decidi ver o primeiro episódio só naquela curiosidade de ver os casais e vejo as manas de Aveiro. Atenção, não as conheço, nem me lembro de me ter cruzado com elas. Já falei com quem as conhece e confirmam que são o que mostram na TV, portanto, antipática ou mal educada, brincalhona e boa onda, cada irmã é o que é na TV e na vida do dia a dia.

Continuo a preferir o programa australiano. Parece-me bem mais genuíno. Até os especialistas, o que dizem, como explicam as coisas, o trabalho que desenvolvem com os casais, vê-se ali uma experiência social, mais que um programa de entretenimento ao estilo reality show. Já o português acho que é o oposto: está mais para reality show do que para experiência social. Aliás, só isso pode explicar como é que certas e determinadas pessoas decidem ir para um programa destes com a atitude com que vão. 

Algumas pessoas acham que é noivos/noivas por encomenda: tem de ser assim, e assado, pesar x kgs, ter y idade... foda-se! 

Depois se vão para uma experiência social que dura umas quantas semanas, mas têm filhos para tomar conta, então para que vão se não podem "estar" no programa quando as câmaras se desligam? Isso não acontece no australiano: os casais estão juntos durante 8 semanas. Não há cá fins de semana separados, ou ir dormir a casa porque os filhos já não estão com o pai, ou porque não é suportável partilhar o mesmo teto com o marido (o que tem solução, é sair e acabou, não é sair com entrelinhas de ficar, então e a parte do insuportável? Ah espera, é só na parte das filmagens que o suporta?! Lá está a subversão total do que é suposto ser a essência do programa enquanto experiência social). 

Já para não falar que, se o objetivo primordial da experiência é encontrar o amor, e passar por todo um processo de auto-conhecimento (fundamental) que implicará sair da sua zona de conforto e dos seus padrões, que pelos vistos têm falhado (já que ao candidatarem-se a um programa destes assumem que sozinhos não conseguem encontrar um amor compatível), confiando nos ditos especialistas, então vão para o programa com relações mal resolvidas e ainda a pensar no ex, ou na morte da bezerra? Ou nos traumas da infância, vidas sofridas (cada um terá a sua, mas hello, supera! Também é para isso que estão lá quatro profissionais especialistas em relações, comportamento e comunicação. Boa pergunta a do outro, "o que tem a história do pai com o eu não fazer a cama ou não saber dobrar a roupa?").

Não quero comentar detalhes, episódios ou participantes em particular, ainda que já tenha deixado aqui umas pinceladas que para quem vê facilmente identifica. Deixo apenas uma visão geral do programa: aquilo que poderia ser uma interessante experiência social transmitida pela TV, e onde todos teríamos muito a aprender, é na verdade um circo de vaidades, um desfile de egos, uma tragicomédia à boa moda tuga. Querem chorar os dramas, é na Fátima Lopes. Querem aparecer na TV? Há uma vasta panóplia de reality shows que servem apenas e só para isso. Aliás, quanto mais polémicas causarem, mais famosos ficam.

E pronto, continuo a preferir a versão australiana, ao menos lá dá para aprender alguma coisa disto das relações, das emoções, da partilha, cedência, compreensão, respeito e, o que parece ser o problema fulcral e universal, comunicação (ou falta dela).

No português continuam a insistir na subversão dos objetivos que fundamentam este programa. Se é um erro de casting? Se são os participantes que, depois de conseguirem passar nos testes e entrarem, mostram outra cara? Por muito mal educada e arrogante e prepotente e teimosa que nem uma mula, pelo menos ninguém pode dizer que a mana bruxa de Aveiro foi falsa ou incoerente... desde o primeiro minuto que foi igual a si própria e, não me admira nada que tenha ficado duas semanas porque a isso foi obrigada. Não há possibilidade de no altar dizer que não aceita? Olhem que isso também deve dar audiências... e não deixa de ser vida real. Se calhar mais real que estas produções fictícias que nos vendem como uma experiência social. Bah

 

 

11
Nov19

Ainda não tinha falado por aqui do filme "JOKER"...

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Imagem retirada da net, texto e montagem meus no Instagram

"Sou responsável por aquilo que digo, não pelo que os outros entendem". - lembrei-me desta espécie de "frase feita" (e que contém tanta verdade) por causa do filme Joker. Anda nas bocas do mundo. Há quem adore, há quem critique e ache o filme um incentivo à violência. Ora, pude ouvir ao vivo e a cores durante o intervalo do filme comentários do género: "que seca; daqui a nada adormeço; mas quando é que aparece o Joker?". E isto é tão simplesmente a prova das mentes pequeninas que vão assistir a um filme destes à espera de ver sangue e cabeças a rolar.
A essência do filme não é o Joker (enquanto vilão, aquele que conhecemos dos filmes do Batman). A essência do filme é como e por que "nasceu" o Joker. E isso é um dedo bem espetado na ferida de uma sociedade egoísta, cheia de moralismos hipócritas e valores ocos.

 

O texto e imagem acima foram a minha reação quase imediata, a sair da sala de cinema, ao filme que tem dado que falar.

Confesso: não estava para ver. Tinha na minha memória o excecional Joker de Heath Ledger e não queria desiludir-me. Mas depois li o que Nuno Markl escreveu no seu Instagram sobre o filme, nomeadamente a última frase, curiosa e ironicamente entre parênteses, que passo a citar: "(Já agora, a mim só me faz espécie que as pessoas que consideram Joker um filme capaz de inspirar "lunáticos" a matar "gente sã", não vejam que, se calhar, também está aqui um filme capaz de inspirar "gente sã" a estender a mão a "lunáticos" antes que seja tarde demais.)"

E fui ver. E saí da sala de cinema num estado que não sei bem definir.  Longe de me ser indiferente, longe de ser apenas um filme que fui ver por mero entretenimento, foi um filme que mexeu cá dentro, me revolveu as entranhas, me pôs os neurónios em rebuliço. Me fez olhar em volta com outros olhos. Um filme que ficou até aos dias de hoje na minha cabeça (e irá ficar), que me faz repensar na forma como agimos em sociedade, como somos tão cegos ao que nos interessa, como somos tão cheios de moral e bons costumes, juízes e carrascos que não querem, sequer, saber a verdade escondida e ignorada das pessoas que criticamos, julgamos e condenamos.

E porque falo do filme agora? Porque tenho visto uma condenação em "praça pública" da rapariga de 22 anos que alegadamente (já ouvi versões que não foi lá que o deixou, mas alguém pegou na caixa onde ele estava e o foi deixar no local onde foi encontrado) abandonou o filho recém nascido no caixote do lixo. É fácil condenar, apontar o dedo, condenar um ato tão cruel e vil (que o é), desconhecendo os motivos. Parte-se logo do princípio que é uma vadia, drogada, puta barata de esquina de rua, que andou a foder com quem quis e lhe apeteceu e quanto pariu foi só ir ao lixo e largar o bebé. 

Li esta manhã a publicação da Catarina Beato no seu Instagram. E como ela própria sublinha, claro que a rapariga deve e tem de ser responsabilizada pelo que fez, mas, e há aqui um grande MAS, é imperativo perceber o contexto, os motivos, o que a levou a fazer o que fez e prestar-lhe a ajuda que ela, com toda a certeza, precisará

Que sabemos dela? Uma sem abrigo de 22 anos. Sabemos por que é uma sem abrigo? Sabemos o contexto em que engravidou? Pode ter sido violada, pode ter sido uma miúda que engravidou do namorado, que a deixou mal soube (ui quantos??), e cuja família a expulsou de casa. Sabemos de onde vem?  Sabemos que formação ou informação tinha para procurar ajuda? Sabemos se estava completamente sozinha, em desespero, sem saber o que fazer ou a quem recorrer?

Há uns anos atrás conheci uma rapariga numa empresa onde trabalhei por pouco tempo. Ela sofria de depressão porque ainda não tinha superado um divórcio, fruto da infidelidade dele. Namorado dos tempos de escola, anos juntos, e pouco depois de casarem, toma lá um par de enfeites na testa. O sonho dela em ter família, marido, filhos, foi-lhe assim arrancado num ato de egoísmo puro por aquele que ela considerava ser o amor da sua vida. Desfeita, voltou para casa dos pais, porque o salário de 500€ não dava para viver sozinha. Pouco depois de a conhecer ela envolveu-se com um fulano, também ele divorciado e com uma filha. Deslumbrou-se (emocionalmente carente como era, não me admirou) com o tipo, com o pseudo romantismo dele, e não viu outros sinais, como o não querer saber da filha para nada, culpando a ex mulher de tudo. Fins de semana fora, mas nada de conhecer famílias, noites juntos quando ele queria, desculpando-se com o trabalho e as supostas viagens que fazia... ela acabou totalmente apaixonada e grávida. E aquilo que parecia ser a grande felicidade tornou-se o seu pior pesadelo. O gajo mostrou ser o cabrão que era, obrigou-a a abortar, caso não o fizesse acabava tudo com ela. Ela, uma vez mais destruída e em nome de um amor do qual estava sedenta e faminta, marcou o aborto. Na véspera o pai disse-lhe algo do género: "a decisão é tua e só tua, mas uma coisa podes ter a certeza. Com ou sem filho, ele não vai ficar contigo". No hospital, enquanto esperava que a chamassem, pensava nas palavras do pai, com as quais eu concordei. Depois daquilo que futuro poderia haver naquela "relação"?. No último minuto, levantou-se e veio embora sem abortar. Decidiu ter o filho que sempre quis ter. Tinha o apoio dos pais. Dos poucos amigos que tinha. Tudo haveria de correr bem, e pelo menos ela seria a mãe que sempre quis ser. Homens, há muitos. Claro que o tipo reagiu mal, disse que não ia assumir nada, e tratou-a muito mal. Uma vez mais, desfeita, ela não sabia o que fazer, apesar de ter apoio da família. Eu arranjei contactos numa associação que presta ajuda a mulheres vítimas de violência e em situações de risco e através da associação ela teve apoio psicológico e jurídico. Através da segurança social teve um advogado que a defendeu na questão da paternidade. No dia seguinte ao nascimento do filho ele foi intimado pelo tribunal para se apresentar no hospital e fazer o registo de paternidade da criança. Foi. Fez o registo e saiu. Não quis conhecer o filho. Nem a quis ver. Limitou-se a cumprir aquilo que foi estipulado pelo tribunal de família. 

Porque conto esta história? Porque era uma rapariga na casa dos 30's, com família, com trabalho, e mesmo assim quando se viu numa situação destas não sabia o que fazer e não fosse ter quem lhe pusesse a mão e a ajudasse, sabe-se lá o que teria acontecido. 

E agora é muito fácil condenar cruelmente esta miúda de 22 anos, sem abrigo, que engravidou (não sabemos em que circunstâncias), não teve ajuda de ninguém e saberá ela (se calhar nem sabe) por que tomou a decisão que tomou. Ficamos todos chocados, no conforto das nossas vidinhas organizadas e sem dramas de maior, a condenar um ato desprezível, a condená-la como assassina, mulher sem coração, que mãe faria uma coisa destas? A sério? Há tantas mães que só o são porque pariram, e não foi porque não deixaram os filhos recém nascidos no caixote do lixo que foram melhores mães. 

E cá está um caso em que podemos refletir se nós, a gente sã, não poderíamos ter visto esta situação (quantas pessoas se terão cruzado com esta sem abrigo e sofreram de cegueira conveniente?) e ter ajudado antes que fosse tarde demais?

Joker, voltando ao filme, é O FILME que mete mesmo o dedo na ferida desta sociedade hipócrita e egoísta, cheia de moral e "bons costumes", que faz o papel de juiz e carrasco com a mesma facilidade com que comenta o episódio da novela do dia anterior. 

Há pessoas que cometem coisas más porque não viram outra saída. Se há outras saídas, com toda a certeza. Mas e onde está a ajuda para elas aparecerem? É mais fácil virar a cara, deixar acontecer e depois apontar o dedo.

Como diz a outra: #fodeibos!!! 

 

17
Jul19

Ando nisto há mais de um ano, e agora virou tema que anda de boca em boca

Cristina Ferreira, goste-se ou não se goste, é uma mulher multifacetada, inteligente, empreendedora e indiscutivelmente uma figura pública que todos os dias está sob o escrutínio dos telespetadores e do público em geral (era das redes sociais).

Ora, Cristina vem a público escrever este Tem Dias. E estes dias são os dias de muitas de nós, mulheres, que andamos numa correria no dia a dia, enfrentamos horários, tarefas múltiplas, preocupações várias, o stress é o pão com manteiga do dia e o descanso é um luxo a que poucas têm acesso. 

O stress tem implicações nos meus níveis de cortisol e o meu corpo reage imediatamente. O que é que isso quer dizer: um dia bem, o outro inchadíssima, um dia magra, um dia com mais três quilos, um dia não mostras os braços, no outro as pernas, agora usas um vestido largo para não se ver a barriga, come porque não vale de nada não comeres, vai ao ginásio mas o músculo não fica.

Para quem quiser recordar o meu testemunho em outubro do ano passado, aqui está ele.

O exercício continua. Os cuidados alimentares também. O médico dá-me na cabeça por causa do descanso. Dormir 8 horas. Impreterivelmente. Explica-me em detalhe os ciclos do sono. Explica-me os efeitos e impacto que o descanso e as horas de sono têm no nosso organismo, nas nossas células. 

Eu vou tentando. Mas tal como a Cristina Ferreira, cá estou eu, uma anónima comum mortal que passa pelo mesmo: um dia acordo magra, ao fim do dia parece que tenho uma barriga de grávida de 6 meses. Aliás, já perdi a conta às vezes que acharam que eu estava grávida. Ainda na semana passada aconteceu. Ganhasse dinheiro de cada vez que pensaram que a cegonha vinha a caminho e eu já tinha ido de férias para um paraíso tropical qualquer.
Eu vou brincando, gozando, usando o humor para dar a volta a isto, mas é fodido. Não, não estou grávida, também não estou gorda. Estou inchada. Faço imensa retenção de líquidos. Nos dias em que o meu sistema nervoso está mais alterado, os níveis de ansiedade ou stress mais altos, a falta de descanso se faz sentir e traduz-se numa enorme falta de energia, eu pareço um balãozinho. As calças apertam, recorro aos vestidos largos, olho no espelho e não gosto do que vejo, não reconheço o corpo que já tive e, atenção, nunca fui nenhuma modelo ou coisa que o valha. 

Mas fodido mesmo fodido é esta opinião pública de gordas e magras e o que é um corpo bonito. Safoda o bonito. Que seja um corpo saudável. E eu sou saudável. Fiz vários rastreios, análises, consultas de especialidades várias. Estou ótima. Todos os médicos que procurei disseram para continuar com a minha rotina alimentar e de exercício. Estou a fazer tudo bem. Porque não responde o corpo? Porque é esta coisa do stress, o trabalho que nos ultrapassa, o chefe que nos lixa a cabeça, o ambiente de trabalho que é de cortar à faca, a constante pressão de fazer mais e melhor a troco de um ordenado de merda, questões pessoais que me vão minando a estabilidade emocional, o equilíbrio, as pessoas que magoam e desiludem e eu deixo que me afete mais do que deveria.

O meu stress obviamente é diferente do da Cristina Ferreira, quanto mais não seja a sua génese. No entanto, os efeitos, consequências, resultados são em tudo semelhantes.

Contudo, ela está pior do que eu: todos os dias aparece na televisão nacional, nas redes sociais, é vista e comentada por milhares de pessoas. Eu, cá vou andando no meu anonimato e a gozar com quem acha que eu estou grávida.

 

10
Jun19

Cenas que me fazem ter reflexões pouco profundas

Em Aveiro, junto ao Fórum, ou melhor, um dos acessos ao Fórum (um dos centros comerciais da cidade) existe esta ponte pedonal, em madeira, que está toda enfeitada com fitas coloridas. Não sei bem como nasceu a ideia, mas pegou e o certo é que é um dos principais spots da cidade para as fotos turísticas e para as redes sociais. Nada contra. A ponte é lindíssima com todos aqueles laços coloridos esvoaçantes, com o canal da ria como cenário e não é preciso esperar muito para apanhar um moliceiro a passar para ficar o cenário completo para a foto. 

O que é chato? A malta que só quer passar de uma margem para a outra. Ou vai dar uma volta ao bilhar grande para atravessar noutro ponto, ou anda ali num verdadeiro jogo de obstáculos, como se estivesse a percorrer o interior de um relógio, e tivesse de contornar roldanas e aguardar a passagem dos afiados ponteiros. 

O que é engraçado de ver? As poses. Senhores, o que eu me divirto com o ridículo (a sério, torna-se ridículo) dos tempos infinitos que as instagrammers (topam-me a léguas este tipo dos restantes, que só querem uma foto para mais tarde recordar), as múltiplas simulações de poses, o cabelo (sendo que o ventinho de Aveiro não é nada meigo a quem quer manter um cabelo irrepreensível nas fotos), and so on. Tempos infinitos. Eu tive tempo de tomar café, beber uma água com gás, tirar eu uma foto com a ria como cenário aos livros que acabara de comprar na Feira do Livro, dois dedos de conversa e vir embora, e uma moça lá, em múltiplos ensaios fotográficos, em luta com o vento e os seus longos cabelos. Um minuto de silêncio em homenagem à amiga (normalmente são os namorados nesta encarnação de santa paciência) que ali estava em baixo, a fotografar cada ângulo, a apanhar a melhor luz, o mais mágico movimento de cabelos ao vento, como se estivessem em harmonia com os laços esvoaçantes.

Imaginei toda uma série de citações profundas (só que não) a acompanhar a foto que será eleita para o Instagram. E ri-me quando me lembrei de uma personagem (que acalmou e tem andado desaparecida das redes sociais) que postava o seu rabo fit num reduzido biquíni e legendava com um: o que importa é o interior. Juro que me apeteceu perguntar se era o interior do biquíni, porque aquilo também não deixava assim muito à imaginação. 

 

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