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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

11
Nov19

Ainda não tinha falado por aqui do filme "JOKER"...

Joker.jpg

Imagem retirada da net, texto e montagem meus no Instagram

"Sou responsável por aquilo que digo, não pelo que os outros entendem". - lembrei-me desta espécie de "frase feita" (e que contém tanta verdade) por causa do filme Joker. Anda nas bocas do mundo. Há quem adore, há quem critique e ache o filme um incentivo à violência. Ora, pude ouvir ao vivo e a cores durante o intervalo do filme comentários do género: "que seca; daqui a nada adormeço; mas quando é que aparece o Joker?". E isto é tão simplesmente a prova das mentes pequeninas que vão assistir a um filme destes à espera de ver sangue e cabeças a rolar.
A essência do filme não é o Joker (enquanto vilão, aquele que conhecemos dos filmes do Batman). A essência do filme é como e por que "nasceu" o Joker. E isso é um dedo bem espetado na ferida de uma sociedade egoísta, cheia de moralismos hipócritas e valores ocos.

 

O texto e imagem acima foram a minha reação quase imediata, a sair da sala de cinema, ao filme que tem dado que falar.

Confesso: não estava para ver. Tinha na minha memória o excecional Joker de Heath Ledger e não queria desiludir-me. Mas depois li o que Nuno Markl escreveu no seu Instagram sobre o filme, nomeadamente a última frase, curiosa e ironicamente entre parênteses, que passo a citar: "(Já agora, a mim só me faz espécie que as pessoas que consideram Joker um filme capaz de inspirar "lunáticos" a matar "gente sã", não vejam que, se calhar, também está aqui um filme capaz de inspirar "gente sã" a estender a mão a "lunáticos" antes que seja tarde demais.)"

E fui ver. E saí da sala de cinema num estado que não sei bem definir.  Longe de me ser indiferente, longe de ser apenas um filme que fui ver por mero entretenimento, foi um filme que mexeu cá dentro, me revolveu as entranhas, me pôs os neurónios em rebuliço. Me fez olhar em volta com outros olhos. Um filme que ficou até aos dias de hoje na minha cabeça (e irá ficar), que me faz repensar na forma como agimos em sociedade, como somos tão cegos ao que nos interessa, como somos tão cheios de moral e bons costumes, juízes e carrascos que não querem, sequer, saber a verdade escondida e ignorada das pessoas que criticamos, julgamos e condenamos.

E porque falo do filme agora? Porque tenho visto uma condenação em "praça pública" da rapariga de 22 anos que alegadamente (já ouvi versões que não foi lá que o deixou, mas alguém pegou na caixa onde ele estava e o foi deixar no local onde foi encontrado) abandonou o filho recém nascido no caixote do lixo. É fácil condenar, apontar o dedo, condenar um ato tão cruel e vil (que o é), desconhecendo os motivos. Parte-se logo do princípio que é uma vadia, drogada, puta barata de esquina de rua, que andou a foder com quem quis e lhe apeteceu e quanto pariu foi só ir ao lixo e largar o bebé. 

Li esta manhã a publicação da Catarina Beato no seu Instagram. E como ela própria sublinha, claro que a rapariga deve e tem de ser responsabilizada pelo que fez, mas, e há aqui um grande MAS, é imperativo perceber o contexto, os motivos, o que a levou a fazer o que fez e prestar-lhe a ajuda que ela, com toda a certeza, precisará

Que sabemos dela? Uma sem abrigo de 22 anos. Sabemos por que é uma sem abrigo? Sabemos o contexto em que engravidou? Pode ter sido violada, pode ter sido uma miúda que engravidou do namorado, que a deixou mal soube (ui quantos??), e cuja família a expulsou de casa. Sabemos de onde vem?  Sabemos que formação ou informação tinha para procurar ajuda? Sabemos se estava completamente sozinha, em desespero, sem saber o que fazer ou a quem recorrer?

Há uns anos atrás conheci uma rapariga numa empresa onde trabalhei por pouco tempo. Ela sofria de depressão porque ainda não tinha superado um divórcio, fruto da infidelidade dele. Namorado dos tempos de escola, anos juntos, e pouco depois de casarem, toma lá um par de enfeites na testa. O sonho dela em ter família, marido, filhos, foi-lhe assim arrancado num ato de egoísmo puro por aquele que ela considerava ser o amor da sua vida. Desfeita, voltou para casa dos pais, porque o salário de 500€ não dava para viver sozinha. Pouco depois de a conhecer ela envolveu-se com um fulano, também ele divorciado e com uma filha. Deslumbrou-se (emocionalmente carente como era, não me admirou) com o tipo, com o pseudo romantismo dele, e não viu outros sinais, como o não querer saber da filha para nada, culpando a ex mulher de tudo. Fins de semana fora, mas nada de conhecer famílias, noites juntos quando ele queria, desculpando-se com o trabalho e as supostas viagens que fazia... ela acabou totalmente apaixonada e grávida. E aquilo que parecia ser a grande felicidade tornou-se o seu pior pesadelo. O gajo mostrou ser o cabrão que era, obrigou-a a abortar, caso não o fizesse acabava tudo com ela. Ela, uma vez mais destruída e em nome de um amor do qual estava sedenta e faminta, marcou o aborto. Na véspera o pai disse-lhe algo do género: "a decisão é tua e só tua, mas uma coisa podes ter a certeza. Com ou sem filho, ele não vai ficar contigo". No hospital, enquanto esperava que a chamassem, pensava nas palavras do pai, com as quais eu concordei. Depois daquilo que futuro poderia haver naquela "relação"?. No último minuto, levantou-se e veio embora sem abortar. Decidiu ter o filho que sempre quis ter. Tinha o apoio dos pais. Dos poucos amigos que tinha. Tudo haveria de correr bem, e pelo menos ela seria a mãe que sempre quis ser. Homens, há muitos. Claro que o tipo reagiu mal, disse que não ia assumir nada, e tratou-a muito mal. Uma vez mais, desfeita, ela não sabia o que fazer, apesar de ter apoio da família. Eu arranjei contactos numa associação que presta ajuda a mulheres vítimas de violência e em situações de risco e através da associação ela teve apoio psicológico e jurídico. Através da segurança social teve um advogado que a defendeu na questão da paternidade. No dia seguinte ao nascimento do filho ele foi intimado pelo tribunal para se apresentar no hospital e fazer o registo de paternidade da criança. Foi. Fez o registo e saiu. Não quis conhecer o filho. Nem a quis ver. Limitou-se a cumprir aquilo que foi estipulado pelo tribunal de família. 

Porque conto esta história? Porque era uma rapariga na casa dos 30's, com família, com trabalho, e mesmo assim quando se viu numa situação destas não sabia o que fazer e não fosse ter quem lhe pusesse a mão e a ajudasse, sabe-se lá o que teria acontecido. 

E agora é muito fácil condenar cruelmente esta miúda de 22 anos, sem abrigo, que engravidou (não sabemos em que circunstâncias), não teve ajuda de ninguém e saberá ela (se calhar nem sabe) por que tomou a decisão que tomou. Ficamos todos chocados, no conforto das nossas vidinhas organizadas e sem dramas de maior, a condenar um ato desprezível, a condená-la como assassina, mulher sem coração, que mãe faria uma coisa destas? A sério? Há tantas mães que só o são porque pariram, e não foi porque não deixaram os filhos recém nascidos no caixote do lixo que foram melhores mães. 

E cá está um caso em que podemos refletir se nós, a gente sã, não poderíamos ter visto esta situação (quantas pessoas se terão cruzado com esta sem abrigo e sofreram de cegueira conveniente?) e ter ajudado antes que fosse tarde demais?

Joker, voltando ao filme, é O FILME que mete mesmo o dedo na ferida desta sociedade hipócrita e egoísta, cheia de moral e "bons costumes", que faz o papel de juiz e carrasco com a mesma facilidade com que comenta o episódio da novela do dia anterior. 

Há pessoas que cometem coisas más porque não viram outra saída. Se há outras saídas, com toda a certeza. Mas e onde está a ajuda para elas aparecerem? É mais fácil virar a cara, deixar acontecer e depois apontar o dedo.

Como diz a outra: #fodeibos!!! 

 

17
Jul19

Ando nisto há mais de um ano, e agora virou tema que anda de boca em boca

Cristina Ferreira, goste-se ou não se goste, é uma mulher multifacetada, inteligente, empreendedora e indiscutivelmente uma figura pública que todos os dias está sob o escrutínio dos telespetadores e do público em geral (era das redes sociais).

Ora, Cristina vem a público escrever este Tem Dias. E estes dias são os dias de muitas de nós, mulheres, que andamos numa correria no dia a dia, enfrentamos horários, tarefas múltiplas, preocupações várias, o stress é o pão com manteiga do dia e o descanso é um luxo a que poucas têm acesso. 

O stress tem implicações nos meus níveis de cortisol e o meu corpo reage imediatamente. O que é que isso quer dizer: um dia bem, o outro inchadíssima, um dia magra, um dia com mais três quilos, um dia não mostras os braços, no outro as pernas, agora usas um vestido largo para não se ver a barriga, come porque não vale de nada não comeres, vai ao ginásio mas o músculo não fica.

Para quem quiser recordar o meu testemunho em outubro do ano passado, aqui está ele.

O exercício continua. Os cuidados alimentares também. O médico dá-me na cabeça por causa do descanso. Dormir 8 horas. Impreterivelmente. Explica-me em detalhe os ciclos do sono. Explica-me os efeitos e impacto que o descanso e as horas de sono têm no nosso organismo, nas nossas células. 

Eu vou tentando. Mas tal como a Cristina Ferreira, cá estou eu, uma anónima comum mortal que passa pelo mesmo: um dia acordo magra, ao fim do dia parece que tenho uma barriga de grávida de 6 meses. Aliás, já perdi a conta às vezes que acharam que eu estava grávida. Ainda na semana passada aconteceu. Ganhasse dinheiro de cada vez que pensaram que a cegonha vinha a caminho e eu já tinha ido de férias para um paraíso tropical qualquer.
Eu vou brincando, gozando, usando o humor para dar a volta a isto, mas é fodido. Não, não estou grávida, também não estou gorda. Estou inchada. Faço imensa retenção de líquidos. Nos dias em que o meu sistema nervoso está mais alterado, os níveis de ansiedade ou stress mais altos, a falta de descanso se faz sentir e traduz-se numa enorme falta de energia, eu pareço um balãozinho. As calças apertam, recorro aos vestidos largos, olho no espelho e não gosto do que vejo, não reconheço o corpo que já tive e, atenção, nunca fui nenhuma modelo ou coisa que o valha. 

Mas fodido mesmo fodido é esta opinião pública de gordas e magras e o que é um corpo bonito. Safoda o bonito. Que seja um corpo saudável. E eu sou saudável. Fiz vários rastreios, análises, consultas de especialidades várias. Estou ótima. Todos os médicos que procurei disseram para continuar com a minha rotina alimentar e de exercício. Estou a fazer tudo bem. Porque não responde o corpo? Porque é esta coisa do stress, o trabalho que nos ultrapassa, o chefe que nos lixa a cabeça, o ambiente de trabalho que é de cortar à faca, a constante pressão de fazer mais e melhor a troco de um ordenado de merda, questões pessoais que me vão minando a estabilidade emocional, o equilíbrio, as pessoas que magoam e desiludem e eu deixo que me afete mais do que deveria.

O meu stress obviamente é diferente do da Cristina Ferreira, quanto mais não seja a sua génese. No entanto, os efeitos, consequências, resultados são em tudo semelhantes.

Contudo, ela está pior do que eu: todos os dias aparece na televisão nacional, nas redes sociais, é vista e comentada por milhares de pessoas. Eu, cá vou andando no meu anonimato e a gozar com quem acha que eu estou grávida.

 

10
Jun19

Cenas que me fazem ter reflexões pouco profundas

Em Aveiro, junto ao Fórum, ou melhor, um dos acessos ao Fórum (um dos centros comerciais da cidade) existe esta ponte pedonal, em madeira, que está toda enfeitada com fitas coloridas. Não sei bem como nasceu a ideia, mas pegou e o certo é que é um dos principais spots da cidade para as fotos turísticas e para as redes sociais. Nada contra. A ponte é lindíssima com todos aqueles laços coloridos esvoaçantes, com o canal da ria como cenário e não é preciso esperar muito para apanhar um moliceiro a passar para ficar o cenário completo para a foto. 

O que é chato? A malta que só quer passar de uma margem para a outra. Ou vai dar uma volta ao bilhar grande para atravessar noutro ponto, ou anda ali num verdadeiro jogo de obstáculos, como se estivesse a percorrer o interior de um relógio, e tivesse de contornar roldanas e aguardar a passagem dos afiados ponteiros. 

O que é engraçado de ver? As poses. Senhores, o que eu me divirto com o ridículo (a sério, torna-se ridículo) dos tempos infinitos que as instagrammers (topam-me a léguas este tipo dos restantes, que só querem uma foto para mais tarde recordar), as múltiplas simulações de poses, o cabelo (sendo que o ventinho de Aveiro não é nada meigo a quem quer manter um cabelo irrepreensível nas fotos), and so on. Tempos infinitos. Eu tive tempo de tomar café, beber uma água com gás, tirar eu uma foto com a ria como cenário aos livros que acabara de comprar na Feira do Livro, dois dedos de conversa e vir embora, e uma moça lá, em múltiplos ensaios fotográficos, em luta com o vento e os seus longos cabelos. Um minuto de silêncio em homenagem à amiga (normalmente são os namorados nesta encarnação de santa paciência) que ali estava em baixo, a fotografar cada ângulo, a apanhar a melhor luz, o mais mágico movimento de cabelos ao vento, como se estivessem em harmonia com os laços esvoaçantes.

Imaginei toda uma série de citações profundas (só que não) a acompanhar a foto que será eleita para o Instagram. E ri-me quando me lembrei de uma personagem (que acalmou e tem andado desaparecida das redes sociais) que postava o seu rabo fit num reduzido biquíni e legendava com um: o que importa é o interior. Juro que me apeteceu perguntar se era o interior do biquíni, porque aquilo também não deixava assim muito à imaginação. 

 

21
Mai19

Game of Thrones

Não vi. Não me interessa (por ora) ver. Conheço os contornos gerais da história por ter várias pessoas à minha volta que são fãs e iam contando cenas (além do que ia encontrando nas redes sociais).

Mas agora que acabou e, segundo parece, o desagrado é geral,  podemos retomar a vidinha normal? Ou vão fazer petições para ressuscitar os dragões? (Ups, isto quase que parece piada futebolística). 

 

12
Abr19

Bipolaridades dos tempos modernos

Recentemente (sei sempre destas coisas quando já têm barbas) falaram-me de uma blogger/instagramer/influencer de Aveiro que tem dado que falar por causa do seu processo de emagrecimento, mudança de vida, uma vida mais saudável, com uma alimentação daquelas que ficam tão bonitas nas fotos do Instagram, mais as fotos dos exercícios físicos, e o discurso positivo do "se eu consegui, vocês também conseguem"; "perdi 20 kg (não sei bem se foi isto) num ano com mudança de hábitos alimentares e um estilo de vida mais ativo e saudável. Nunca me senti tão bem comigo própria". Blá blá blá. 

É mais uma miss fit entre tantas que há no Instagram. Chamou-me a atenção por ser da minha cidade e eu... bem, nunca tinha ouvido falar dela (pronto, eu digo o nome, a moça é mesmo muito conhecida: Vanessa Alfaro). 

Esta semana saiu na capa da revista Cristina uma rapariga de Aveiro que eu conheço (indiretamente). Conheço os pais, já trabalhei com o pai dela, entretanto cruzámo-nos no mundo das danças sociais, e portanto, conheço os pais, a ela conheço de vista e por saber de quem é filha. Não a sigo nas redes sociais, mas sigo os pais (já que os conheço) e foi por aí que vi que há uns meses (o ano passado) ela ganhou um concurso de beleza plus size. Bem, uma coisa é certa: a rapariga é linda e deslumbrante (se vissem a mãe percebiam de onde vem a beleza). O problema, que não é problema, é a Catarina Corujo ser uma rapariga plus size, que durante anos teve vários distúrbios alimentares provenientes da sua não aceitação do corpo que tem, e obviamente muito por culta desta sociedade: "é linda, mas é gorda". Basicamente é isto.

Ora a Catarina está a assumir em Portugal um papel muito semelhante à americana Ashley Graham, uma mulher absolutamente linda, deslumbrante e plus size, que tem sido uma ativa porta-voz e representante nesta questão de derrubar os estereótipos da beleza feminina, de nós mulheres deixarmos de lado os nossos complexos e nos aceitarmos como somos, porque as gordas podem não ser gordas porque passam o tempo sentadas no sofá a comer baldes de pipocas e quilos de frango frito. As gordas não são necessariamente as feias e as magras as bonitas. Ashley Graham tem uma vida de exercício físico bem ativa, e ostenta com muito orgulho o seu corpo curvilíneo, plus size, com celulite, coxas grossas, etc, mesmo treinando e tendo cuidados alimentares.

A capa da revista com a Catarina Corujo está a causar polémica, foi inclusivamente censurada na rede Instragram e já vi notícias de estabelecimentos que se recusam a ter a revista exposta.

Puta de hipocrisia, é o que tenho a dizer. 

As playboys com as loiras cheias de silicone e mamas do tamanho de bolas de basket podem ser vistas e admiradas, a Catarina Corujo é vergonhoso? Ide-vos encher de moscas.

Oh mundo hipócrita este. A sério. 

E agora perguntam, porque comecei a falar primeiro da miss fit Vanessa Alfaro? Porque no fundo também ela é uma hipócrita. Para se sentir bem quis emagrecer, tudo bem, é uma escolha dela. Eu própria ando a tentar perder os kgs que, do nada e sem aparente explicação, se colaram a mim e me fizeram não me reconhecer ao espelho, não caber na minha roupa, não me sentir no corpo que levei tempo a também aceitar. Foram mudanças bruscas, que me apanharam desprevenida e que, aqui confesso, não reagi bem e contribuíram para um quadro geral de mal estar. No entanto, nunca fui a "gaja boa" nem o procurei ser. Eu já pesei 45kg e digo-vos, era horrível! Tinha umas perninhas de palitinho e um cu do tamanho de África. Não ando aí a influenciar meio mundo para seguir o exemplo da perda de peso, a maníaca da alimentação saudável, as receitas xpto sem adições de açúcar e mais não sei o quê, nem passo horas (que nem sequer tenho livres, que isto de ter um full time job e ainda ser dona de casa é fodido, e bem sei eu as acrobacias que tenho de fazer na agenda para ir às aulas de dança e cardio fitness) para viver no ginásio a desfilar roupas desportivas sexys e a fazer pandant com os atacadores das sapatilhas da marca Y ou Z, tudo devidamente registado nas redes sociais, com discursos dignos de life coaching... e tudo isto para se poder aceitar a si própria?! Isto não é aceitar-se a si própria. Isto é exatamente o oposto: o árduo sacrifício para se mudar e moldar à imagem que tem como exemplo de beleza não é aceitar-se a si própria. É mudar-se a si própria para (supostamente) se sentir melhor. Gostaria de saber quantas verdadeiramente o conseguem, porque acho que entram numa espiral de nunca estarem satisfeitas, logo nunca estão bem consigo próprias porque continuam no seu árduo esforço de se mudarem e moldarem à imagem que idealizam.

E depois, é essa mesma miss fit que vai apoiar (nas redes sociais) a modelo plus size porque sim senhora, é uma mulher de coragem, que se assume e gosta de si tal como é. Devias seguir-lhe o exemplo, se calhar. 

Portanto, eu sou efetivamente team Catarina Corujo. É linda. É inteligente. E tem uma coragem do tamanho do universo para se expor, tal como é, a esta sociedade que se diz muito mente aberta, mas não passa de um bando de hipócritas.

A saúde, o estilo de vida saudável, a alimentação equilibrada não é necessária e obrigatoriamente para as pessoas serem magras. Ou musculadas. Ou sem celulite. Ou sem dois dedos de testa para pensarem em mais coisas que não só e apenas o culto do corpo. 

 

11
Mar19

Também vou mandar bitaites sobre o assunto do momento

Não vi nenhuma dos programas, nem o do agricultor que procura com quem casar (a julgar pelos saltos de fazer inveja à Torre Eiffel, quero crer que é equipamento para abrir os buraquinhos na terra para plantar as couves), nem os das mãezinhas que entrevistam as potenciais empregadas dos (inúteis) filhos que criaram. 

E não assisti porque bastou ver os spots publicitários, as imagens de revelavam o que ia ser cada um dos programas, toda a entusiástica publicidade às estreias inéditas, para eu só pensar isto, e tão somente isto:

A minha alma está parva e o meu espírito paralítico. 

Hoje foi o assunto do dia, já li de tudo um pouco nas redes sociais e blogs, e do que li, nenhuma opinião era favorável. Nada tenho de novo a acrescentar ao muito que já foi escrito. Subscrevo a grande maioria das opiniões que li.

Quem concorre a estas merdas é porque quer? Certo... Ninguém os obriga. É o chamado "dar o cuzinho por 5 minutos de (pseudo) fama". 

Questiono-me é quão baixo nível e quão mais profundo vai ser o degredo da programação das televisões nacionais em busca de audiências????

Abençoado AXN, FOX, FOX LIFE, and so on... abençoados livros que há para ler. Ou vá, menos televisão e mais prática do amor, que sinceramente, mais vale ir mandar uma boa queca, do que desperdiçar tempo de vida a ver verdadeira merda televisiva. 

 

28
Nov18

Casados à primeira vista

Só tenho uma pergunta. Só uma. Porque tudo o resto é tão ruim que nem vale a pena questionar o que quer que seja. 

Que raio está ali a fazer a Diana Chaves?

E não pergunto isto por ser a Diana Chaves. Podia ser outra qualquer apresentadora. 

No fundo, a questão é: mas este programa precisa de apresentadora??????

Pronto... já desperdicei três minutos a pensar em coisas parvas. 

22
Nov18

All black!

Black friday. Black week. Black weekend. Black o caracinhas, não há rabinho que aguente já com tanta publicidade e da ruim. 

Apregoam descontos e promoções como se fosse a coisa mais sensacional de todo o sempre, verdadeiras pechinchas, preços da chuva (que curiosamente ainda é gratuita).

E depois recebo resmas de newsletters a anunciar uns imperdíveis 10%, 20%, na puta da loucura 30%... mas em artigos selecionados (não, brincas). E como se não bastassem estas fantásticas e imperdíveis ofertas, portes de envio gratuitos a partir dos 60€.

 

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