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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

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14
Mai18

Os 37

Nos 37 fiz uma escapadinha com o Gandhe. 

Fizémo-nos à estrada, almoçámos na Tasca do Joel, em Peniche, chegámos a Sintra e deu tempo para calcorrear o centro da vila e ir até à Piriquita lanchar um travesseiro e uma queijada. 

O jantar de aniversário foi a dois, a meu pedido: Jamie's Italian. Absolutamente soberbo, desde o atendimento ao manjar dos deuses que saboreamos com divino prazer. Percorrer um troço de Lisboa a pé, descer ao Chiado, admirar o Castelo de São Jorge tingido a vermelho, tomar café na Brasileira.

Na manhã do dia seguinte deixar o carro nos arredores, voltar a andar de metro quase 20 anos depois, descer ao Cais do Sodré, percorrer a calçada junto ao Tejo contornando os turistas que por ali se estiravam ao sol. Almoçar uma bela sardinha assada, acompanhada de um fino, na esplanada d'O Portas. Seguir para o Estádio da Luz e acompanhar o homem a usufruir da prenda que lhe ofereci pelo natal: visita ao Estádio da Luz e ao Museu Cosme Damião. Eu, Sportinguista desde que nasci, ali enfiada uma tarde inteira a levar com a história e os feitos do SLB. O que o amor não faz...

Terminar o dia a jantar uns belos petiscos no Beija-me Burro, com abraços e muita conversa à mistura.

Chegar ao hotel exausta, pernas doridas, corpo cansado, mas a alma a transbordar de vitalidade.

Acordar cheia de energia, tomar o pequeno almoço, checkout e rumo à Quinta dos Loridos, Budha Eden Garden. Desejo de há algum tempo cumprido. Não desiludiu, mas também não me deixou totalmente encantada. Falta ali alguma coesão, organização, sequência... não sei bem explicar. Parece apenas um bonito e grande jardim com muitos recantos e alguns encantos, excelentes spots para fotos e só. 

Paragem em Leiria para almoçar e regresso a casa nas calmas... Home, sweet home, abraçar gatos e abrir a mala junto da máquina de lavar para uma transição direta da roupa. 

A vida regressou aos poucos à rotina conhecida. Compras, organizar refeições, fazer sopa, adiantar comidas, tratar da roupa, sofá, série, livro.

Insónia no domingo à noite.

Segunda de regresso ao trabalho. Até foi um dia produtivo. Podia ter sido um regresso à realidade mais feroz. 

Os 37 assim chegaram. Com um novo embalo e energias renovadas. Com uma maturidade de quem já aprendeu que a vida não se programa, não se planeia, vive-se dia a dia, aproveitando o que vem, agradecendo o que se tem, confiando em quem se é, ganhando, a cada passo, sabedoria para ser capaz de enfrentar os desafios de cada dia. 

 

11
Mai15

Do aniversário

Sábado cheguei às minhas 34 primaveras. Medo! 

Foi um dia calmo. Esqueci-me de pôr som no telemóvel, "perdi" algumas chamadas, que foram devolvidas ou respondidas por sms. A verdade é que o dia todo temi receber uma chamada, embora no fundo soubesse que ela não viria. Andei um tanto ou quanto ansiosa, melancólica. Ia-me emocionando com algumas felicitações, e estava longe de imaginar que o jantarinho com um casal amigo se ia transformar numa festa surpresa com alguns dos meus amigos mais especiais, próximos e íntimos dos últimos tempos. Caramba, que engoli em seco e ainda não sei como não borrei a pintura toda. 

Mas havia aquele vazio, que nada nem ninguém preenche. E se o dia acabou sem a dita chamada, havia uma agreste mistura de alívio por não ter sido confrontada, mas uma profunda tristeza. 

Família é quem nós escolhemos. A vida encarregou-se de me dar oportunidade de conhecer pessoas fantásticas, especiais, com bom coração. Amigos para todos os dias da vida. E não é justo para eles, nem para mim, deixar que a tristeza de quem não quer estar na minha vida ensombre tudo. 

Foram precisos 32 anos para mostrar que mãe não tem direito a tudo, a fazer tudo o que quer, a tratar como quer. Agora foi preciso chegar aos 34 para perceber que mais vale esquecer que tenho mãe, já que ela também esqueceu que tem filha. Se acabei por me habituar às ausências do meu pai, tanto que já nem ligo se nada diz nos anos (acho que se contam pelos dedos de uma mão as vezes que ele me deu os parabéns), o mesmo terei de fazer em relação à mãe. Dói pra caramba, custa. Mas cansei. E não mereço. Nem as pessoas que estão na minha vida merecem que nestes dias em que me querem acarinhar, eu esteja longe, triste e a dar valor a quem não merece.

Portanto, este aniversário foi diferente, porque nunca tinha tido uma festa surpresa, foi estranho, porque me sinto desconfortável em ser o centro das atenções, e foi revelador, como uma epifania que eu tardava a interiorizar: importa quem está. E assim me sinto leve. E agradecida.

Venham então os 35!

 

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