Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

11
Nov19

Ainda não tinha falado por aqui do filme "JOKER"...

Joker.jpg

Imagem retirada da net, texto e montagem meus no Instagram

"Sou responsável por aquilo que digo, não pelo que os outros entendem". - lembrei-me desta espécie de "frase feita" (e que contém tanta verdade) por causa do filme Joker. Anda nas bocas do mundo. Há quem adore, há quem critique e ache o filme um incentivo à violência. Ora, pude ouvir ao vivo e a cores durante o intervalo do filme comentários do género: "que seca; daqui a nada adormeço; mas quando é que aparece o Joker?". E isto é tão simplesmente a prova das mentes pequeninas que vão assistir a um filme destes à espera de ver sangue e cabeças a rolar.
A essência do filme não é o Joker (enquanto vilão, aquele que conhecemos dos filmes do Batman). A essência do filme é como e por que "nasceu" o Joker. E isso é um dedo bem espetado na ferida de uma sociedade egoísta, cheia de moralismos hipócritas e valores ocos.

 

O texto e imagem acima foram a minha reação quase imediata, a sair da sala de cinema, ao filme que tem dado que falar.

Confesso: não estava para ver. Tinha na minha memória o excecional Joker de Heath Ledger e não queria desiludir-me. Mas depois li o que Nuno Markl escreveu no seu Instagram sobre o filme, nomeadamente a última frase, curiosa e ironicamente entre parênteses, que passo a citar: "(Já agora, a mim só me faz espécie que as pessoas que consideram Joker um filme capaz de inspirar "lunáticos" a matar "gente sã", não vejam que, se calhar, também está aqui um filme capaz de inspirar "gente sã" a estender a mão a "lunáticos" antes que seja tarde demais.)"

E fui ver. E saí da sala de cinema num estado que não sei bem definir.  Longe de me ser indiferente, longe de ser apenas um filme que fui ver por mero entretenimento, foi um filme que mexeu cá dentro, me revolveu as entranhas, me pôs os neurónios em rebuliço. Me fez olhar em volta com outros olhos. Um filme que ficou até aos dias de hoje na minha cabeça (e irá ficar), que me faz repensar na forma como agimos em sociedade, como somos tão cegos ao que nos interessa, como somos tão cheios de moral e bons costumes, juízes e carrascos que não querem, sequer, saber a verdade escondida e ignorada das pessoas que criticamos, julgamos e condenamos.

E porque falo do filme agora? Porque tenho visto uma condenação em "praça pública" da rapariga de 22 anos que alegadamente (já ouvi versões que não foi lá que o deixou, mas alguém pegou na caixa onde ele estava e o foi deixar no local onde foi encontrado) abandonou o filho recém nascido no caixote do lixo. É fácil condenar, apontar o dedo, condenar um ato tão cruel e vil (que o é), desconhecendo os motivos. Parte-se logo do princípio que é uma vadia, drogada, puta barata de esquina de rua, que andou a foder com quem quis e lhe apeteceu e quanto pariu foi só ir ao lixo e largar o bebé. 

Li esta manhã a publicação da Catarina Beato no seu Instagram. E como ela própria sublinha, claro que a rapariga deve e tem de ser responsabilizada pelo que fez, mas, e há aqui um grande MAS, é imperativo perceber o contexto, os motivos, o que a levou a fazer o que fez e prestar-lhe a ajuda que ela, com toda a certeza, precisará

Que sabemos dela? Uma sem abrigo de 22 anos. Sabemos por que é uma sem abrigo? Sabemos o contexto em que engravidou? Pode ter sido violada, pode ter sido uma miúda que engravidou do namorado, que a deixou mal soube (ui quantos??), e cuja família a expulsou de casa. Sabemos de onde vem?  Sabemos que formação ou informação tinha para procurar ajuda? Sabemos se estava completamente sozinha, em desespero, sem saber o que fazer ou a quem recorrer?

Há uns anos atrás conheci uma rapariga numa empresa onde trabalhei por pouco tempo. Ela sofria de depressão porque ainda não tinha superado um divórcio, fruto da infidelidade dele. Namorado dos tempos de escola, anos juntos, e pouco depois de casarem, toma lá um par de enfeites na testa. O sonho dela em ter família, marido, filhos, foi-lhe assim arrancado num ato de egoísmo puro por aquele que ela considerava ser o amor da sua vida. Desfeita, voltou para casa dos pais, porque o salário de 500€ não dava para viver sozinha. Pouco depois de a conhecer ela envolveu-se com um fulano, também ele divorciado e com uma filha. Deslumbrou-se (emocionalmente carente como era, não me admirou) com o tipo, com o pseudo romantismo dele, e não viu outros sinais, como o não querer saber da filha para nada, culpando a ex mulher de tudo. Fins de semana fora, mas nada de conhecer famílias, noites juntos quando ele queria, desculpando-se com o trabalho e as supostas viagens que fazia... ela acabou totalmente apaixonada e grávida. E aquilo que parecia ser a grande felicidade tornou-se o seu pior pesadelo. O gajo mostrou ser o cabrão que era, obrigou-a a abortar, caso não o fizesse acabava tudo com ela. Ela, uma vez mais destruída e em nome de um amor do qual estava sedenta e faminta, marcou o aborto. Na véspera o pai disse-lhe algo do género: "a decisão é tua e só tua, mas uma coisa podes ter a certeza. Com ou sem filho, ele não vai ficar contigo". No hospital, enquanto esperava que a chamassem, pensava nas palavras do pai, com as quais eu concordei. Depois daquilo que futuro poderia haver naquela "relação"?. No último minuto, levantou-se e veio embora sem abortar. Decidiu ter o filho que sempre quis ter. Tinha o apoio dos pais. Dos poucos amigos que tinha. Tudo haveria de correr bem, e pelo menos ela seria a mãe que sempre quis ser. Homens, há muitos. Claro que o tipo reagiu mal, disse que não ia assumir nada, e tratou-a muito mal. Uma vez mais, desfeita, ela não sabia o que fazer, apesar de ter apoio da família. Eu arranjei contactos numa associação que presta ajuda a mulheres vítimas de violência e em situações de risco e através da associação ela teve apoio psicológico e jurídico. Através da segurança social teve um advogado que a defendeu na questão da paternidade. No dia seguinte ao nascimento do filho ele foi intimado pelo tribunal para se apresentar no hospital e fazer o registo de paternidade da criança. Foi. Fez o registo e saiu. Não quis conhecer o filho. Nem a quis ver. Limitou-se a cumprir aquilo que foi estipulado pelo tribunal de família. 

Porque conto esta história? Porque era uma rapariga na casa dos 30's, com família, com trabalho, e mesmo assim quando se viu numa situação destas não sabia o que fazer e não fosse ter quem lhe pusesse a mão e a ajudasse, sabe-se lá o que teria acontecido. 

E agora é muito fácil condenar cruelmente esta miúda de 22 anos, sem abrigo, que engravidou (não sabemos em que circunstâncias), não teve ajuda de ninguém e saberá ela (se calhar nem sabe) por que tomou a decisão que tomou. Ficamos todos chocados, no conforto das nossas vidinhas organizadas e sem dramas de maior, a condenar um ato desprezível, a condená-la como assassina, mulher sem coração, que mãe faria uma coisa destas? A sério? Há tantas mães que só o são porque pariram, e não foi porque não deixaram os filhos recém nascidos no caixote do lixo que foram melhores mães. 

E cá está um caso em que podemos refletir se nós, a gente sã, não poderíamos ter visto esta situação (quantas pessoas se terão cruzado com esta sem abrigo e sofreram de cegueira conveniente?) e ter ajudado antes que fosse tarde demais?

Joker, voltando ao filme, é O FILME que mete mesmo o dedo na ferida desta sociedade hipócrita e egoísta, cheia de moral e "bons costumes", que faz o papel de juiz e carrasco com a mesma facilidade com que comenta o episódio da novela do dia anterior. 

Há pessoas que cometem coisas más porque não viram outra saída. Se há outras saídas, com toda a certeza. Mas e onde está a ajuda para elas aparecerem? É mais fácil virar a cara, deixar acontecer e depois apontar o dedo.

Como diz a outra: #fodeibos!!! 

 

23
Set19

Um minuto de silêncio, por favor!

Pela minha paciência falecida a cada post, foto, referência à chegada do outono.

Sou do mesmo team que a Maria. Nada a acrescentar.

Aliás, há sim. Ainda nem o filho da mãe chegava oficialmente, já que na semana passada se fez sentir com toda a sua plenitude, e começaram as minhas maleitas e queixas no corpo. É que não bastava a cervical, o braço, a perna, a bacia, na sexta à noite ainda foi mais um entorse no pé do costume. 

Duas horas na marquesa da osteopata e estou dorida, melhor, mas dorida e com a certeza que amanhã, na reavaliação, vou levar com o veredito de repetir o tratamento de choque (literalmente, levei choques elétricos, fora todas as outras manobras em que só ouvia os ossos a estalar). 

Ai o outono e o caralho. Podemos ir para o verão outra vez? Mas verão a sério, não esta merdinha que mal chegou aos 30º durante duas ou três semanas. 

 

19
Set19

Dai-me paciência, daaaaaaassssssss!!!!

E começar o dia a passar-me da cabeça?!

Lembro-vos este episódio

Agora que o recordaram, imaginam o que aí vem?

Ora bem, há duas semanas estava um vento desgraçado e eu pela manhã fui fechar o guarda-sol "bigalhão" que tenho no terraço. Quando estava mesmo a acabar de o fechar, chapum, sacudidela de tapete mesmo em cima de mim. Só ouço um desculpe e a pessoa eclipsou-se. Respirei fundo 347 vezes para não voltar a ir tocar à campainha e desancar a mesma idiota.

Eis que hoje, estava eu a tirar os cocós da areia dos gatos no meu terraço (onde tenho um balde do lixo, devidamente fechado para não haver cheiros, para o efeito) quando ouço o filho da puta do tapete por cima de mim. Desta vez passei-me. Levantei-me e gritei lá para cima se por acaso a senhora achava razoável sacudir tapetes para o terraço dos outros. Ficou a olhar para mim com cara de parva. E eu insisti: diga-me, acha razoável, acha que é de bom senso ou respeitoso estar a sacudir o lixo para o espaço dos outros? Sussurrou um desculpe e voltou para dentro.

Ora, logo vou chamar a atenção da sua patroa, que diga-se, não é exemplo, já que antes de ter empregada fazia exatamente a mesma merda, até ao dia que a apanhei em flagrante a sacudir as coisas da praia da filha, toalha, mochila e até o baldinho da areia. E eu tinha andado a lavar o terraço no dia anterior. Passei-me da marmita e ela ainda me perguntou qual era o mal? Ao que retorqui: ah nenhum, olhe vou já juntar a areia e levá-la aí acima, ponho-a à sua porta, pode ser?! Remédio santo, acabaram-se os tapetes a sacudir na janela.

Foda-se! Há um conjunto de regras que existem apenas, creio eu, por incapacidade das pessoas pensarem com bom senso e racionalidade. Quem é que, com dois dedos de inteligência, liga aspiradores às 7h15 da manhã num prédio, ou vem às janelas sacudir tapetes para cima do terraço dos vizinhos de baixo?
Pois. Há um regulamento geral dos condomínios que estabelece algumas regras, como definir um horário dentro do qual é permitido fazer barulho, a saber a partir das 8h até às 21h. E há também uma regra que proíbe sacudirem tapetes à janela, seja para a via pública, seja, como é óbvio, para o espaço privado dos vizinhos.
Lamento se os meus vizinhos não alertaram a empregada de limpeza para estas regras BÁSICAS. Ainda assim, não seriam necessárias estas regras se as pessoas tivessem bom senso e respeito, no mínimo. Características elementares que faltam a muita gente, está visto.
Para a próxima vou depositar-lhes à porta os 💩💩 dos meus gatos. Já que andamos numa de partilhar lixo. 

Venha a próxima reunião de condomínio a ver se não ponho o assunto em cima da mesa. E se for preciso afixar uma lista de REGRAS BÁSICAS na entrada do prédio, que seja. Se bem que para quem não tem o mínimo de bom senso, também não deve ter capacidade para ler uma lista de regras e cumpri-las. 

Nestas alturas lembro-me daquele enigma: qual é a diferença entre a inteligência e a estupidez? A inteligência tem limites, a estupidez não. 

 

 

17
Jun19

Oh vida de pobre

Quando vejo numa montra de uma loja de artigos de dança uns sapatos vermelhos lindos, com padrão polka dots, assim mesmo à pin up girl, e fico ali a babar, o coração a palpitar, borboletas no estomago, qual adolescente apaixonada. 

Depois fico a saber o preço dos ditos, e a baba deixa de escorrer, as borboletas voam para longe e o coração entra em arritmia, tal é o descompasso provocado pela desilusão de ser assim, gosto de rica com carteira de pobre. *da-se!! 

 

29
Mai19

É o chamado dois em um!

Instagram. É a rede social que agora mais espreito. 

Passei por uma postagem da Pipoca onde na mesma publicação tinha uma foto da Yes Diet, que ela tem divulgado constantemente e (supostamente) está a fazer o programa, e duas fotos da Padaria Portuguesa, indicando que nos dias em que não há tempo para fazer jantar, o take away da Padaria Portuguesa é a salvação.

Isto é publicidade pura e dura. Qualquer pessoa entende e vê isso. 

A questão é que houve alguém que comentou, e sem qualquer tipo de falta de respeito, o seguinte:

pipoca.JPG

Ora bem, eu faço esta leitura: a seguidora da Pipoca comenta sobre a incongruência de numa mesma publicação haver referência a dois produtos alimentares opostos - um de dieta, que segundo consta é um programa completo de refeições a seguir, e outro sobre um take away com comida "normal" (não que seja necessariamente não saudável). 

A Pipoca, ainda que eu entenda que também esteja farta de ser atacada por ter cão e por não ter, olha, faz parte da profissão que escolheu, expõe-se assim, é uma influencer, faz publicidade ao que lhe pagam e dão para fazer, e ok, mas responder feita virgem ofendida, com aquela arrogância que lhe é tão própria é, a meu ver, uma falta de respeito para com os seguidores que lhe permitem ter a carreira/vida que tem. Não fosse a cambada de póneis e ela não seria a influencer que é, nem andaria a ser paga para publicitar produtos, quer os use ou não, goste ou não deles. 

Depois, nos muitos comentários aparece uma alminha pseudo-inteligente a dizer que as pessoas não percebem um cu de marketing digital. Eh pá, se calhar não. Mas é preciso ter licenciatura e pós graduação na área para perceber as publicações da Pipoca, é isso?

Foda-se, deixem-se de merdas. Simplesmente é ridículo e absurdo, totalmente incoerente, esta postagem dois em um. É a mesma merda que numa mesma postagem publicitar uma bebida alcóolica ao mesmo tempo que alerta para a condução segura. 

Mas quem sou eu para perceber de influencers, de marketing digital e do universo paralelo dos póneis da Pipoca...

 

16
Mai19

Vou dar uma de indignada, posso?!

Screenshot_20190516-222459_Instagram.jpg

 

O que vêem nesta imagem da campanha publicitária partilhada na rede social Instagram da marca (limitei-me a fazer um screenshot)?

Duas modelos, dois biquínis. Dois corpos diferentes.

E tudo bem, estamos numa época em que nunca se falou tanto disto da diversidade de corpos, e abaixo os estereótipos de beleza, todos os corpos são bonitos, blá blá blá. Discurso muito life coaching para depois ser isto.

E o que é isto?

Então para mim isto é a puta da hipocrisia.

A modelo magra está toda airosa, com o corpo bem visível. A modelo plus size (que é a forma simpática de dizer que é a gorda) tem uma echarpe a envolver-lhe a zona do ventre, e como se não bastasse, as mãos estão estrategicamente colocadas à frente. Portanto, aquele pneu, que 95% das mulheres têm, não é visível na modelo plus size que fotografou com um biquíni da conhecida marca. 

Não alcanço a mensagem publicitária, a sério? Têm ou não têm biquínis para todos os corpos? Um corpo mais curvilíneo, com coxa grossa e barriginha, sem o six pack definido, tem de se esconder numa echarpe? 

Pois, realmente é por causa destas merdas que eu acabei por ceder à história do fato de banho. Porque sinto essa pressão de que é feio, inestético e "vergonhoso" exibir um pneuzinho a sair da tanga do biquíni na praia. Porque o ano passado dei por mim a ir para uma zona mais afastada da praia para não mostrar o corpo a muita gente. Porque na verdade já tive os meus momentos de nem querer sair de casa no verão, por não saber o que vestir, porque tudo me fazia sentir a gorda que a sociedade, por um lado defende, e por outro espeta a facadinha e olha com desdém.

Já agora, só falta pôr um sinal à entrada da praia: proibida a entrada a mulheres com mais de 50 kg. Ou: se tiver mais de 50 kg, enrole-se na toalha e não saia do meio das dunas.

 

 

12
Abr19

Bipolaridades dos tempos modernos

Recentemente (sei sempre destas coisas quando já têm barbas) falaram-me de uma blogger/instagramer/influencer de Aveiro que tem dado que falar por causa do seu processo de emagrecimento, mudança de vida, uma vida mais saudável, com uma alimentação daquelas que ficam tão bonitas nas fotos do Instagram, mais as fotos dos exercícios físicos, e o discurso positivo do "se eu consegui, vocês também conseguem"; "perdi 20 kg (não sei bem se foi isto) num ano com mudança de hábitos alimentares e um estilo de vida mais ativo e saudável. Nunca me senti tão bem comigo própria". Blá blá blá. 

É mais uma miss fit entre tantas que há no Instagram. Chamou-me a atenção por ser da minha cidade e eu... bem, nunca tinha ouvido falar dela (pronto, eu digo o nome, a moça é mesmo muito conhecida: Vanessa Alfaro). 

Esta semana saiu na capa da revista Cristina uma rapariga de Aveiro que eu conheço (indiretamente). Conheço os pais, já trabalhei com o pai dela, entretanto cruzámo-nos no mundo das danças sociais, e portanto, conheço os pais, a ela conheço de vista e por saber de quem é filha. Não a sigo nas redes sociais, mas sigo os pais (já que os conheço) e foi por aí que vi que há uns meses (o ano passado) ela ganhou um concurso de beleza plus size. Bem, uma coisa é certa: a rapariga é linda e deslumbrante (se vissem a mãe percebiam de onde vem a beleza). O problema, que não é problema, é a Catarina Corujo ser uma rapariga plus size, que durante anos teve vários distúrbios alimentares provenientes da sua não aceitação do corpo que tem, e obviamente muito por culta desta sociedade: "é linda, mas é gorda". Basicamente é isto.

Ora a Catarina está a assumir em Portugal um papel muito semelhante à americana Ashley Graham, uma mulher absolutamente linda, deslumbrante e plus size, que tem sido uma ativa porta-voz e representante nesta questão de derrubar os estereótipos da beleza feminina, de nós mulheres deixarmos de lado os nossos complexos e nos aceitarmos como somos, porque as gordas podem não ser gordas porque passam o tempo sentadas no sofá a comer baldes de pipocas e quilos de frango frito. As gordas não são necessariamente as feias e as magras as bonitas. Ashley Graham tem uma vida de exercício físico bem ativa, e ostenta com muito orgulho o seu corpo curvilíneo, plus size, com celulite, coxas grossas, etc, mesmo treinando e tendo cuidados alimentares.

A capa da revista com a Catarina Corujo está a causar polémica, foi inclusivamente censurada na rede Instragram e já vi notícias de estabelecimentos que se recusam a ter a revista exposta.

Puta de hipocrisia, é o que tenho a dizer. 

As playboys com as loiras cheias de silicone e mamas do tamanho de bolas de basket podem ser vistas e admiradas, a Catarina Corujo é vergonhoso? Ide-vos encher de moscas.

Oh mundo hipócrita este. A sério. 

E agora perguntam, porque comecei a falar primeiro da miss fit Vanessa Alfaro? Porque no fundo também ela é uma hipócrita. Para se sentir bem quis emagrecer, tudo bem, é uma escolha dela. Eu própria ando a tentar perder os kgs que, do nada e sem aparente explicação, se colaram a mim e me fizeram não me reconhecer ao espelho, não caber na minha roupa, não me sentir no corpo que levei tempo a também aceitar. Foram mudanças bruscas, que me apanharam desprevenida e que, aqui confesso, não reagi bem e contribuíram para um quadro geral de mal estar. No entanto, nunca fui a "gaja boa" nem o procurei ser. Eu já pesei 45kg e digo-vos, era horrível! Tinha umas perninhas de palitinho e um cu do tamanho de África. Não ando aí a influenciar meio mundo para seguir o exemplo da perda de peso, a maníaca da alimentação saudável, as receitas xpto sem adições de açúcar e mais não sei o quê, nem passo horas (que nem sequer tenho livres, que isto de ter um full time job e ainda ser dona de casa é fodido, e bem sei eu as acrobacias que tenho de fazer na agenda para ir às aulas de dança e cardio fitness) para viver no ginásio a desfilar roupas desportivas sexys e a fazer pandant com os atacadores das sapatilhas da marca Y ou Z, tudo devidamente registado nas redes sociais, com discursos dignos de life coaching... e tudo isto para se poder aceitar a si própria?! Isto não é aceitar-se a si própria. Isto é exatamente o oposto: o árduo sacrifício para se mudar e moldar à imagem que tem como exemplo de beleza não é aceitar-se a si própria. É mudar-se a si própria para (supostamente) se sentir melhor. Gostaria de saber quantas verdadeiramente o conseguem, porque acho que entram numa espiral de nunca estarem satisfeitas, logo nunca estão bem consigo próprias porque continuam no seu árduo esforço de se mudarem e moldarem à imagem que idealizam.

E depois, é essa mesma miss fit que vai apoiar (nas redes sociais) a modelo plus size porque sim senhora, é uma mulher de coragem, que se assume e gosta de si tal como é. Devias seguir-lhe o exemplo, se calhar. 

Portanto, eu sou efetivamente team Catarina Corujo. É linda. É inteligente. E tem uma coragem do tamanho do universo para se expor, tal como é, a esta sociedade que se diz muito mente aberta, mas não passa de um bando de hipócritas.

A saúde, o estilo de vida saudável, a alimentação equilibrada não é necessária e obrigatoriamente para as pessoas serem magras. Ou musculadas. Ou sem celulite. Ou sem dois dedos de testa para pensarem em mais coisas que não só e apenas o culto do corpo. 

 

11
Abr19

Como começar "bem" o dia?!

A ouvir um potente ronco de aspirador às 07:10h vindo do apartamento do vizinho de cima.

Eu já andava a notar que, às quintas, o raio do aspirador dava o ar de sua graça antes das 8h da manhã. Mas vá, 07:45h, 07:50h, tolera-se.

Mas hoje foi uma total falta de bom senso, e um óbvio incumprimento do regulamento geral do condomínio.

Portanto, aqui a Pandora não se fez de esquisita, sobe ao primeiro andar de pijama, roupão, chinelos, cabelo desgrenhado, ar de quem acordou azeda (pudera) e com a folha do regulamento em riste, na qual a primeira alínea que surge é precisamente a de não se poder fazer barulhos que perturbem o descanso dos vizinhos entre as 21h e as 08h. Toco à campainha e, no meu tom mais gélido, digo à senhora que é probibido andar de aspirador ligado antes das 8h da manhã.

- Não sabia!

Espeto-lhe com a folha do regulamento à frente do nariz e aponto a alínea, citando-a, caso ela não percebesse o que estava escrito.

A mulher não sabia onde se enfiar. Pediu desculpa. Fechou a porta e eu estou aqui com uma puta de neura. Porque a bem da verdade, a culpa é do idiota do patrão dela (o meu vizinho) que não informou devidamente a empregada das regras básicas de funcionamento do prédio. 

Ainda assim, não me fodam a cabeça, que isto não é só uma questão de regras devidamente regulamentadas. É uma questão de BOM SENSO!!!! 

É isso e o sacudir tapetes à janela. Para cima dos terraços/varandas dos outros, com janelas abertas ou roupa estendida... 

 

01
Abr19

Eu queria mesmo, mesmo, mas mesmo muito ignorar! Só que é mais forte que eu

Falem bem ou falem mal, o que importa é que falem. Este deve ser, sem sombra de dúvida, o lema de vida da Pipoca. E hoje eu vou contribuir para alimentar a sua popularidade, quiçá contribuir para um par de meias, já que a minha opinião não deve chegar para lhe pagar um vestido.

A participação dela ontem no Levanta-te e Ri foi tão somente uma merda. 

Já li os póneis de sua Pipoca insuflados a defenderem a sua deusa, argumentando que as pessoas não entendem o que é sarcasmo.

Ora bem, vamos começar pela definição de sarcasmo:

sar·cas·mo 
(grego sarkasmós-ou)

substantivo masculino

1. Ironia que deixa entender uma crítica dura e mordazpor vezes considerada insultuosa.

2. Atitude ou dito em relação a algo ou alguém que serve para fazer fazer rir ou é assim

 entendido. = ESCÁRNIOMOFATROÇAZOMBARIA


"sarcasmo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/sarcasmo [consultado em 01-04-2019].
 
A Pipoca teve uma prestação abaixo de medíocre no que é suposto ser stand up comedy. A começar pela sua introdução em que, sem qualquer sombra de dúvida, foi insultuosa para com o público que pagou bilhete para ver o espetáculo. Vestiu, e muito bem, o papel que lhe assenta que nem uma luva: a dondoca lisboeta, com aquele arzinho superior de tia de Cascais, cuja visão do horizonte termina ali na ponta do seu nariz.
O resto da sua prestação, quando falou dos episódios da sua vida, da sua separação e reconciliação, da maternidade, aí sim, há sarcasmo, há ironia e há uma tentativa muito forçada de ter piada. Só que não. 
Ah e já agora, aquele final sobre as questões insólitas e absurdas do grupo de mães no Facebook... já há uma outra blogger com uma rubrica semanal sobre o tema. Até lançou um livro. Aposto que a Pipoca foi a esse livro tirar as piadas.
Não morro de simpatia pela Pipoca. "Se não gostas, não leias." - Básico. Mas vou lendo porque lhe reconheço a popularidade e há temas e textos seus que, concordando ou não com os pontos de vista, não deixam de ser interessantes, quanto mais não seja por lançar determinados temas para "discussão", reflexão. Ainda vai havendo conteúdo para além da publicidade e dos trapos. 
Agora cada macaco no seu galho: a Pipoca pode ser uma blogger, influencer, ter ziliões de seguidores. Terá o seu mérito (eu não sei qual, mas deve existir algures).
Agora stand up comedy? Esqueçam. Nem sei quem foram as tristes alminhas que se lembraram de um dia a convidar para isto e terem achado que sim, que vale a pena insistir nesta ideia de merda. 
 

Sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pela estória de:

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D