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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

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29
Nov18

Gandhe e os livros

Por ter ficado tão desesperadamente ansiosa por causa da forma como terminou o terceiro volume da Saga Sebastian Bergman, Gandhe foi um fofo, um querido, um amor e foi à WOOK pesquisar e mandou vir um. 

Quando eu vi o livro soltei uma gargalhada, e a rir-me que nem uma perdida disse-lhe:

- Oh que querido, valeu o esforço, mas esse é o 5º volume. Falta-me o .

Confuso, responde-me ele: então mas eu pensava que isso era uma trilogia, fui ver à estante e já lá estavam três. Olha, procurei pela data o último. 

- Pois amor, mas o último é o 5º. Mas muito obrigada pelo esforço, o 5º volume já cá canta. Só que nem vou abrir para não saber se a outra morreu ou não. Tenho de esperar pelo 4º volume. 

Homens... eles até se esforçam. Mas sai (quase) sempre ao lado! 

 

 

 

 

18
Mai18

Quando um diz mata e o outro esfola

Enviei ao Gandhe o link de um robot de cozinha que vi no folheto do Lidl. 

 

Que achas de comprar isto? - perguntei.

Resposta pronta e imediata: Acho muito bem, é melhor que ralar à mão. Vou buscá-lo! 

E pronto, quando cheguei a casa ao fim do dia já lá tinha o brinquedo à espera. Agora é que vai ser ralar legumes e fazer chips de batata doce. 

 

19
Mar18

Apaixonei-me mais um pouco

Sábado tinha marcado cabeleireira de manhã, para pintar o cabelo. Como à tarde tínhamos umas quantas coisas para tratar, enquanto eu fui tratar da beleza, Gandhe muniu-se da lista de compras e foi despachar fruta e legumes à frutaria e umas quantas coisas que eram precisas do supermercado. Poupei-o de escolher os pensos higiénicos que estavam anotados na lista 

Já passava das 12h30 quando fiquei despachada da cabeleireira e ele estava cá fora à minha espera. Com as compras. Fomos para casa e enquanto arrumávamos as compras, ele contou-me que no talão do supermercado (que eu guardo para controlo de despesas) tinha lá uns artigos que ele tinha pago mas que não eram nossos. Não percebi nada do que ele estava a dizer, e então explicou-se:

- Estava uma senhora à minha frente com meia dúzia de coisas, assim coisas essenciais, sabes? Ela estava atrapalhada a contar moedas e não tinha que chegasse e estava ali a ver o que podia deixar. Olha, disse à filha da tua colega, que estava na caixa, para ela passar aquilo que faltava que eu pagava à senhora. Foram 2€ e pouco. Não foi nada de mais.

Eu olhava para ele e sorria, comovida. Dei-lhe um beijo e disse-lhe que fez muito bem, não era nada que eu não tivesse feito. ORGULHO!!! 

 

13
Fev17

Duelo na cozinha

Ontem jazia eu, já meia entupida, no sofá, debaixo da manta de pelo e dos gatos, quando o rapaz teve desejos. Panquecas. Ah e tal até as queria fazer. Ups, não havia farinha. Ainda apelei a fazer panquecas de aveia, que não. Saiu para ir comprar farinha e eu arrastei-me até à cozinha decidida a finalmente fazer crepioca, já que tinha no armário o polvilho doce e ainda não tinha experimentado essa mega tendência do mundo fit, a crepioca.

Ele vai e volta com a farinha e eu com as crepiocas a sair do lume. Teimoso, lá fez as panquecas que tanto lhe apeteciam. Note-se, com maçã caramelizada. Acho que ele anda a ver demadiado 24 kitchen. 

Crepiocas da Pandora vs panquecas do Gandhe. Gostei mais das crepiocas. Ele não deu o braço a torcer, mas agora andam ali panquecas para o resto da semana. As crepiocas, nem uma para contar história. 

 

03
Jan17

Os sonhos têm limites

Sim, é verdade. Os sonhos também têm limites, ou pelo menos para pessoas como eu, e o Gandhe, nós que até somos muito diferentes em muitas coisas e tão iguais em algumas outras, que gostamos de ter os pés no chão e a cabeça no lugar. 

A viver uma estabilidade profissional que até então não tivéramos, da minha parte, Gandhe fechou o ano com o lançar um sonho antigo dele para o plano do projeto num futuro não muito longínquo. E se comprássemos uma casa?

Aquilo deixou-me a matutar. Eu que até estou tão bem no meu T2, que não sonho com uma grande moradia, que pode ter muito espaço e tal, mas também mais trabalho e despesa, mas porque não? Não precisa ser uma casa enorme, se fosse térrea era perfeita, com um pequeno quintal para desfrutar de uma churrasqueira e espaço exterior, com privacidade, com mais espaço, mais arrumação, quiçá uma divisão toda dedicada aos gatos... porque não? Começamos a investigar as ofertas imobiliárias na zona, dentro dos nossos valores realistas, dentro das características desejadas por ambos. E encontrámos algumas boas opções. Passo seguinte, informarmo-nos sobre as atuais condições de crédito à habitação, até porque em quase nove anos, desde que fizémos o nosso para o apartamento, que muita coisa mudou. E aqui foi o balde de água fria, previsível, mas não deixou de ser balde de água fria. Financiamentos até 80%, num máximo de 30 anos, obriga a ter 20% do valor de compra do imóvel disponível para entrada, acrescentando o valor da escritura. Ora, não somos ricos, não temos ajudas parentais a nível económico (nem a outro nível qualquer, mas isso agora não interessa nada), teríamos de vender o apartamento de forma a cobrir a hipoteca atual, e dado o valor de mercado, não ficaríamos com muito dinheiro na mão para novo investimento, com as condições muito limitadas do crédito à habitação, lá se foi o sonho, quase projeto para 2017, da compra da casa. E até já a tínhamos encontrado. Perfeita para nós, reunia o que gostamos e pretendíamos numa casa.

Se estamos descontentes com o nosso apartamento? Nada. Seria perfeito e não nos faria equacionar mudar se tivesse mais um quarto. Um T2 dá para nós enquanto casal, para os quatro gatos. Temos o privilégio de morar numa zona sossegada, de estar perto de tudo o que precisamos, incluindo empregos, de termos divisões com excelentes áreas e um terraço enorme com vista para um jardim. Na eventualidade de um filho, sim, há quarto para ele. Mas há sempre aquele "ah, um terceiro quarto dava jeito". Mais arrumação também, embora eu tenha a teoria que quanto mais despensas, arrumos, arrecadações uma pessoa tiver, mais tralha acumula, coisas que não se usa, não se precisa, e ali estão, a ocupar espaço e a fazer ruído visual. 

Não nego que ficou aqui um certo sabor agridoce. Não estamos nada mal, não senhor, mas podíamos ir para "melhor". Só que não se pode ter tudo o que se quer, portanto, 2017 será ano de investir no T2, reorganização de espaços e novas mobílias, já que numa nova casa nos parece missão impossível, pelo menos para nós, pessoas com os pés assentes na terra, conscientes dos riscos e das limitações. 

Há sonhos que têm limites. Um dos nossos tem limites bancários. Paciência. 

 

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